A atualidade do batismo  de crianças

 

 

        Odilon Massolar Chaves

 

        A força e a maioria crescente dos neo-pentecostais passa a idéia de que o batismo de crianças é algo contrário à Bíblia e algo do catolicismo. Muitos acabam aceitando essa idéia e se opondo ou deixando de lado a prática do batismo de crianças. Quando muito, concordam em batizar alguma criança por desejo dos pais.

        Por a Igreja Metodista ser minoria no Brasil fica parecendo que a maioria está certa.

        Mas porque devemos continuar batizando às crianças?

         Passo a seguinte reflexão:

        O desejo de batizar uma criança não deve ser por medo dela morrer e nem porque os avós ou outros parentes assim desejam. O batizado não deve ser realizado só porque todos batizam as crianças.

            Ele deve ser algo consciente e responsável!

             Devemos saber que o batismo é o ato inicial da vida de comunhão da criança com Deus. Significa que Deus está dando o primeiro passo em direção a ela para nutri-la e salvá-la. Por isso, é invisível (que não se vê) de Deus. Ser batizado significa que, pela fé aceitamos essa graça de Deus.

Os pais devem santificar os filhos com os seus atos e ensinamentos. É o que o Apóstolo Paulo diz: “Doutra sorte os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos.” (1Co 7.14) 

O batismo coloca a criança no caminho e debaixo da graça do Senhor. Ela é consagrada a Deus. 

Paulo fala e lembra ao jovem Timóteo sobre a fé de seus pais: “ (...) tua fé sem fingimento, a mesma que primeiramente habitou em tua avó Loide, e em sua mãe Eunice, estou certo que também em ti.” (1 Tm 1.5). Sim, Paulo diz a Timóteo: “Desde a infância sabes a Sagradas letras que podem tornar-te sábio para a Salvação pela fé em Cristo Jesus.” (2 Tm 3.15). 

Faça o mesmo com teu filho e tua filha.          

No antigo Testamento, Deus também instituiu a circuncisão para ser aplicada às crianças com oito anos de vida (Gn 17.12). Não eram as crianças que decidiam, mas sim os patriarcas (Gn 17.9-14). O patriarca era quem tinha a fé no Senhor. 

 Com a vinda de Cristo, houve uma nova aliança. Assim, uma nova circuncisão, o batismo, é aplicado à nova comunidade (Rm 6.3-4; At 11.14; Cl 2.11-12). Por isso, vemos famílias inteiras, que se convertem, serem batizadas: 

- Família de Lídia (At 16.15); 

- Família de Estêfanas (1Co 1.16); 

- Família do Carcereiro (At 16.31-33) etc. 

Não somente os pais, mas toda a família pertence agora ao Senhor. A Bíblia diz: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e a tua casa.” (At 16.31). 

A Bíblia menciona ainda vários personagens pagãos que professaram a fé cristã e se fizeram batizar "com toda a sua casa". Assim o centurião romano Cornélio (At 10.1.24.44.47), Crispo de Corinto (At 18. 8), etc.

      A expressão "casa" ("domus", em latim; "oikos", em grego) tinha sentido amplo na Antigüidade: designava o chefe de família com todos os seus domésticos, inclusive as crianças.

     Uma verdade é o adulto precisar crer e ser batizado para ser salvo. A outra verdade complementar é o adulto precisar crer no Senhor para ser salvo com toda a sua casa.

Os apóstolos batizam as crianças

          Os apóstolos batizavam as crianças. Orígenes de Alexandria (185 - 255) disse: "A Igreja recebeu dos apóstolos a tradição de dar batismo também aos recém nascidos". (Epist. ad Rom. Livro 5,9. Cipriano, em 258, escreveu: "Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças" (Carta a Fido).

          Irineu, bispo de Lião (140 -204), afirma: "Jesus veio salvar a todos os que através dele nasceram de novo de Deus: os recém-nascidos, os meninos, os jovens e os velhos". (Adv. Haer. livro 2)

         Wesley, por fim, diz: “Em resumo, portanto, é nosso dever não somente legal e inocente, mas justo e estrito, de conformidade com a prática ininterrupta de toda a Igreja de Cristo desde os primeiros tempos, consagrarmos nossos filhos a Deus pelo batismo, como era ordem para que a Igreja dos judeus o fizesse pela circuncisão” (1)

A atualidade do batismo de crianças

          Uma simples reflexão, mas suficiente para que recordemos que bíblica, teológica e historicamente o batismo de crianças é comprovado e incentivado.

           Em tempos de desarmonia familiar, pedofilia, influência da internet e crescente violência, Deus deseja imensamente alcançar a criança com a Sua graça. Ele quer dar o primeiro passo em direção a ela.

           A criança já tem tanta carência nos dias atuais e sem amor e sem a graça de Deus ela acaba pertencendo ao pedófilo, ao traficante, ao domínio da Mídia e aos que vivem na rua. Não podemos negar à criança a graça do Senhor. É um direito dela. Ela deve ser consagrada pelo batismo para pertencer ao Senhor.

           Mas também não basta só o batismo. Os pais devem ser sacerdotes dos filhos e filhas. Devem tanto ensinar como viver perante ela uma vida de conformidade com o Evangelho. Lembro o que a  Bíblia diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.”

          A maior atualidade, contudo, desta prática vem da Palavra de Deus que permanece para sempre e não pode ser mudada. Um costume até pode ser mudado, mas um Sacramento, não!

           Para concluir, é bom lembrar que as duas pessoas que mudaram o rumo da história do cristianismo foram batizadas quando crianças: Lutero (século XVI), que fez a Reforma Protestante, e João Wesley (século XVIII), que foi instrumento de Deus para realizar o maior avivamento de todos os tempos.

           E Nelson Mandela que foi instrumento da maior mudança na África do Sul foi batizado quando criança na Igreja Metodista.

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(1) BURTNER, R. e CHILES R. – Coletânea da Teologia de João Wesley. SP, JUGEC, 1960, p.276.