Bush, o metodismo e o Iraque

 

 

Odilon Massolar Chaves



Bush é metodista e governa a maior nação do planeta. Um metodista, contudo, ser presidente dos EUA não é novidade, pois antes dele dois outros também foram.

Quem é Bush

O republicano George Walker Bush , 61 anos,  é filho do ex-presidente Republicano e Episcopal George Bush (1989-1992) e  governa os Estados Unidos desde 2001, quando foi eleito após vencer o democrata Al Gore.  Foi reeleito em 2004,  ao derrotar o democrata John Kerry.

Nasceu em 6 de julho de 1946 na cidade de Midland, Texas. Passou grande parte de sua infância e juventude em sua cidade natal e em Houston, também no mesmo Estado. Tem quatro irmãos: Jeb, governador do Estado da Flórida, Neil, Marvin, e Dorothy.

Casado com a metodista Laura Bush é pai de duas gêmeas de 25 anos, Barbara e Jenna e foi governador do Estado do Texas antes de se tornar presidente.

Iniciou sua carreira política em 1978, quando tentou eleger-se deputado pelo Texas e foi derrotado. Depois de estudar em Yale e na Harvard Business School, decidiu entrar no mundo dos negócios seguindo os caminhos do pai na indústria petrolífera.

A entrada para a Igreja Metodista

Em 1986, "pressionado por sua mulher, Laura, uma educadora pragmática, Bush abandonou o álcool -do qual foi acusado de ser dependente- e as festas, se convertendo à religião metodista" (1).

"George e Laura Bush são membros da Igreja Metodista Unida  em Dallas"(2). Ele é considerado um "renascido". Tem uma vida religiosa intensa e utiliza sua fé para governar a nação norte-americana.

"George W. Bush jamais escondeu que, até completar 40 anos, zanzava pela vida sem destino nem inspiração profissional. Eleito e reeleito governador e depois presidente, ele atribui todo o sucesso de sua trajetória política a duas influências - a de sua mulher (que o motivou a largar a bebida), e a da religião, que alimentou sua reabilitação e transformou suas prioridades.

 Freqüentador assíduo da Igreja Metodista, Bush cresceu politicamente ao valorizar o papel da religião em sua vida - entre os eleitores do centro e do sul do país, por exemplo, um candidato sem forte convicção religiosa tem chances mínimas de sucesso. Para os críticos de Bush, o problema é que o presidente usou a religião não só para ganhar votos como também para governar" (3).

Terrorismo

"Durante o primeiro mandato, Bush enfrentou o maior atentado terrorista já cometido em solo americano, o ataque às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, pela rede terrorista Al Qaeda (em 11 de setembro de 2001). Logo após o atentado, a popularidade de Bush subiu, o que ajudou o governo a ter apoio suficiente para invadir o Afeganistão e derrubar o regime radical islâmica Taleban, acusado de cumplicidade com os terroristas.

Em março de 2003, Bush tomou a decisão de invadir o Iraque, apesar da oposição da ONU (Organizações das Nações Unidas), em busca de supostas armas de destruição em massa produzidas pelo então ditador Saddam Hussein. As armas nunca foram encontradas, mas a ação derrubou Saddam.

A presença americana no Iraque ainda é realidade hoje e um dos pontos de maior oposição a Bush dentro e fora dos EUA. Mais de 3.000 soldados americanos já morreram na luta contra a insurgência no país árabe. A guerra no Iraque é apontada como um dos principais motivos da derrota republicana nas eleições para o Congresso americano em 2006, após 12 anos ininterruptos de liderança do partido do presidente.

Para muitos analistas, Bush se reelegeu em 2004 porque conseguiu persuadir americanos em número suficiente de que, em meio a uma guerra (no Iraque), não é a hora de trocar de líder.

A continuidade da guerra, porém, está causado sérios danos a Bush. Além de provocar crises políticas internas nos Estados Unidos, a guerra americana contra o terrorismo está gerando também uma crescente oposição em todo o globo, segundo pesquisa realizada em janeiro pelo instituto GlobeScan. Apenas 29% dos entrevistados disseram que os EUA influenciam positivamente o mundo, uma queda de sete pontos percentuais com relação ao ano anterior.

A política americana no Oriente Médio foi uma das mais contestadas pelos entrevistados: 73% desaprovam a ação dos EUA na região.

A derrota dos republicanos no Congresso promete ser problemática para o presidente americano nos próximos dois anos, os últimos de seu mandato. A maioria democrata já apresentou medidas de repúdio à estratégia de Bush no Iraque que, apesar de não terem poder para impedir o envio de mais de 20 mil novos soldados americanos ao país árabe, desgastam os republicanos politicamente e ameaçam interesses do partido nas próximas eleições presidenciais, marcadas para o final de 2008" (4).

A posição de metodistas

Bush foi reeleito, certamente com uma boa votação por parte também de metodistas, contudo, alguns líderes metodistas norte-americanos têm uma posição contrária a de Bush.

O metodista Fred Morris tem uma opinião bem clara sobre a relação de Bush com a Igreja Metodista: "(...) eu questiono a ralação do Mr. Bush com nossa Igreja Metodista, pois em 2002 e 2003, antes de lançar a guerra contra o povo do Iraque, o Colégio dos Bispos da Igreja Metodista Unida, a igreja que Mr. Bush professa, solicitou em três ocasiões uma entrevista com o presidente para conversar sobre o ponto de vista da Igreja Metodista sobre a guerra. Mr. Bush nem acusou o recebimento das três solicitações. Ele se reuniu com gente como o Rev. Pat Robertson e o Rev. Jerry Falwell -ultra-conservadores e pregadores do individualismo total- mas não com os bispos de sua própria igreja. Para mim, sua fé é falsa e certamente não é metodista. Infelizmente não temos um mecanismo de excomunhão na Igreja Metodista"(5). 

Pat Robertson foi quem recentemente pediu a CIA que matasse o presidente da Venezuela Hugo Chavez. A Casa Branca discordou.

Em 2004, em sua reeleição, os Bispos da Igreja Metodista Unida se congratularam com Bush e com sua esposa Laura e lhe deram de presente uma Bíblia autografada. Depois, porém, os bispos metodistas se opuseram à guerra no Iraque. Procuraram falar com o Presidente, mas Bush não abre espaço em sua agenda.

"Joseph Sprague, bispo metodista de Chicago, explicou que os prelados da Igreja do mandatário estadunidense se tem declarado contra a guerra, porém que o republicano se tem negado a reunir-se com eles.  A voz da própria Igreja do Presidente não tem sido escutada', afirmou Sprague" (6).

Uma outra metodista tem se oposto à política do presidente Bush: "A senadora democrata Hillary Rodham Clinton disse em Iowa neste domingo que o presidente George W. Bush deve encontrar um jeito de sair do Iraque antes de deixar o governo e chamou de 'uma grande irresponsabilidade' dele deixar o problema para a próxima administração".(7)

Segundo alguns analistas, com Bush "os EUA já não são apenas uma nação. Agora, são uma religião. Os seus soldados foram para o Iraque para libertar o povo não somente do seu ditador, do seu petróleo e da sua soberania, mas também para libertá-los das trevas. Como George Bush disse às suas tropas no dia em que anunciou a vitória: 'Onde quer que vocês se dirijam, vocês levam uma mensagem de esperança — uma mensagem que é antiga e sempre nova. Nas palavras do profeta Isaías, 'Para os cativos, 'que saiam', e para aqueles na escuridão, 'que sejam livres'(8).

Alguns cristãos norte-americanos apóiam a Bush e o comparam a Moíses. "Acompanhado de amigos, da família e de assessores, Bush conversou pela manhã com pastores numa igreja metodista nos subúrbios de Austin, Texas, onde foi comparado ao personagem bíblico Moisés. 'Ele (Moisés) foi escolhido por Deus para liderar o povo, assim como você', disse a Bush o pastor texano Mark Craig.(9).

Alguns estudantes da seletiva Universidade Batista de Baylor, EUA, também apóiam Bush:  Jeff Weathers, de 20 anos, estudante de Relações Internacionais, afirmou: "Aliás, Deus escolhe homens simples para grandes desígnios: Moisés era só um pastor e libertou os judeus do Egipto; assim, escolheu Bush para libertar os iraquianos de Saddam Hussein, tirano que matava o próprio povo". Para Weathers, petróleo e geopolítica são secundários na motivação do invasor” (10).

A posição dos Bispos da Igreja Metodista Unida, contudo, é contrária a guerra. No dia 9 de novembro de 2007, o Concilio de bispos da Igreja Metodista Unida fez um chamado a todas as nações envolvidas para que retirem de imediato suas tropas do Iraque. Esta não é a primeira vez que o concílio aborda o tema da guerra com o Iraque (11).

O bispo  Jack Meadors, de Carolina do Sul, comentou que o ano 2007 tem sido o que mais mortes tem produzido no contingente. “A guerra com o Iraque não é só um assunto político ou militar, é também um assunto moral”, disse Meadors. “A guerra é um pecado. É maligna. É incompatível com os ensinamentos de Jesus” (12).

 

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(1)Folha Online - http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u105291.shtml

(2) http://archives.umc.org/interior.asp?ptid=2&mid=5965

(3)  http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/era_bush/contexto4.html

(4)Folha Online - http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u105291.shtml

(5) http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=21655

(6)   http://www.perspectivaciudadana.com/contenido.php?itemid=4209

(7)  http://press.jrc.it/NewsExplorer/clusteredition/pt/20070129,estadao-91fa8fb8cecc04961ed27739b51e803e.html

(8)http://infoalternativa.org/autores/monbiot/monbiot007.htm

(9) http://jornal.valeparaibano.com.br/2000/12/15/nac/bucha.html

(10) http://jn.sapo.pt/2004/10/19/em_foco/jovens_cristaos_brancos_bush.html

(11)http://www.umc.org/site/c.lwL4KnN1LtH/b.2880277/k.EA17/Portal_en_espa241ol.htm

(12) idem