Líder metodista é ministra da Justiça

 


 A nova ministra da Justiça da Bolívia, Casimira Rodríguez Romero, é uma leiga metodista, secretária geral da Confederação Latino-Americana e do Caribe de Trabalhadoras do Lar (CONLACREAHO). Em 2003, ela recebeu prêmio do Conselho Mundial Metodista.

Esta mulher quechua, de 39 anos, combina suas tarefas sociais e políticas com os estudos de Antropologia na Universidade Católica. Nascida em Mizque , cidade próxima a Cochabamba, Casimira é filha única de família pobre e começou a trabalhar como doméstica aos 13 anos de idade, ofício que a fez conhecer de perto os abusos a que são submetidas mulheres que realizam esse trabalho na América Latina.

"Tinha momentos em que me sentia insignificante", relatou. Quando conheceu Cristo, sua vida começou a encher-se de esperança e fé, porque entendeu que "o Senhor está ao lado dos pobres e enfermos e rechaça a injustiça", assinalou.

Casimira Rodríguez ingressou na Igreja Metodista Emmanuel, de Cochabamba. Aos domingos, seu dia de descanso, vinha ao templo, onde recebeu aulas de corte e costura. Esse grupo converteu-se depois na Organização de Trabalhadoras Domésticas, com Casimira como líder.

Ela presidiu duas vezes a Secretaria Geral da Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas, de onde saltou à direção da Confederação de Trabalhadoras do Lar da América Latina e do Caribe, com filiais em 14 países.

É autora da iniciativa legislativa de regulação do trabalho assalariado no lar na Bolívia, que embora aprovada pelo Congresso, ainda não está plenamente em vigor. A lei não é suficiente, disse, é preciso que a sociedade a entenda e assimile como um fato de justiça

Casimira Rodríguez foi a voz de Cristo para socorrer outras mulheres que sofrem o que ela passou. Sua voz foi ouvida não só na Bolívia, mas em todo o mundo.

Em novembro de 2003, Casimira Rodríguez recebeu o Prêmio Mundial Metodista da Paz em cerimônia realizada na Igreja Evangélica Metodista "A Reforma", em La Paz. O Conselho Mundial Metodista (CMM), que representa 39 milhões de metodistas no mundo, outorgou-lhe a distinção em reconhecimento à "sua coragem, criatividade e constância" na luta pelos direitos trabalhistas e legais das domésticas na Bolívia, conseguindo, inclusive, a promulgação da Lei de Regulação do Trabalho Assalariado do Lar.

O Prêmio Mundial Metodista da Paz, instituído em 1970, já foi entregue a personalidades como Boris Trajkovsky, presidente da Macedônia, Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Kofi Annan, secretário geral das Nações Unidas, e organizações como a Comunidade de San Egidio, que impulsionou a paz em Moçambique, e às Avós da Praça de Maio, na Argentina.
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