|
Diário de Wesley, maio de 1737
Quarta-feira, 18 de maio. Fiquei sabendo do primeiro convertido ao Deísmo que, creio, foi feito aqui. Era alguém que por algum tempo tinha sido um religioso zeloso e exemplar. Mas se entregando a inocentes companhias, ele primeiramente fez naufrágio de seu zelo e então de sua fé. Desde então tenho encontrado muitos outros que têm sido criticados. Eles têm, até agora, mantido seus fundamentos, mas receio que os apóstolos do diabo sejam diligentes demais para deixá-los hesitar entre duas opiniões durante muito tempo. Quarta-feira, 25. Fui chamado por alguém que, por vários anos, tinha sido da Igreja de Roma, mas que agora estava profundamente convencido (como estavam tantos outros), pelo que eu tinha ocasionalmente pregado, dos graves erros nos quais está a Igreja e o grande perigo de continuar como membro dela. Nessa ocasião não pude deixar de refletir sobre os muitos conselhos que eu mesmo tinha recebido, para tomar cuidado com o aumento do Papismo, mas nenhum, que eu me lembro, para tomar cuidado com o aumento da infidelidade. Foi muito surpreendente quando considerei, 1. Que em todo lugar onde já estive, o número dos convertidos ao Papismo não tinha nenhuma proporção com o número dos convertidos ao paganismo. 2. Que tão má religião como é o Papismo, nenhuma religião é ainda pior, visto que um pagão batizado é duas vezes pior do que até mesmo um fanático papista. 3. Que tão perigoso estado em que está o papista, em relação à eternidade, um deísta está num estado ainda mais perigoso, se ele não for (sem arrependimento) um herdeiro certo da condenação. E finalmente, que tão difícil quanto possa ser recuperar um papista, é ainda mais difícil recuperar um pagão: eu mesmo tenho conhecido muitos papistas, mas nunca um deísta, reconvertidos. Domingo, 29. Sendo domingo de Pentecostes, quatro de nossos alunos, após terem sido instruídos diariamente por várias semanas, foram, por seu ardente e reiterado desejo, admitidos ao altar da eucaristia. Creio que o seu zelo incitou muitos a lembrarem-se do seu Criador nos dias de sua juventude, e remir o tempo, mesmo no meio de uma geração perversa e adúltera. De fato, por volta desta época observamos o Espírito de Deus mover-se sobre as mentes de muitas das crianças. Elas começaram muito atentamente a observar as coisas que eram faladas em casa e na igreja, e uma sinceridade notável se tornava visível em todo o seu comportamento e palavras. Quem sabe algumas delas possam “crescer à medida da estatura completa de Cristo”?
Tradução: Paulo César Antunes
|