Tucker nasceu no
dia 04 de outubro de 1857 e gastou a maior parte de sua operosa vida no
Brasil. Um dos homens fortes da Igreja Metodista, gozava da confiança
da Junta de Missões e do bispo John Cowper Granbery, o primeiro bispo
metodista a vir ao Brasil (1886), de quem era genro. Representava a
Junta de Missões em reuniões mundiais e no Brasil e era uma das
figuras mais importantes no mundo.
No dia 16 de setembro de 1886, Tucker, juntamente com
James L. Kennedy e John Willian Tarboux, fundou a Conferência Anual
Brasileira. No ano seguinte, com quase dois anos à frente de uma igreja
onde congregava-se a colônia norte- americana, no Rio de Janeiro,
aceitou o convite e foi nomeado secretário da Sociedade Bíblica
Americana, com escritório nesta cidade. Sua incumbência: divulgar a Bíblia
Sagrada, pois, às vésperas da Proclamação da República, o campo, em
breve, estaria aberto às missões protestantes.
Semeador da Palavra
Em suas peregrinações, como semeador da Palavra,
enfrentou dificuldades enormes. Viu suas Bíblias serem queimadas em praça
pública e chegou a ser preso e ameaçado de morte. Em várias
oportunidades, foi expulsos dos hotéis e das próprias cidades que
visitara. Nada, no entanto, o detinha, pois tinha clareza de seu chamado
de criar condições para um despertamento espiritual e intelectual das
massas.
Como a tradução da Bíblia para o português, feita
nos Estados Unidos, não era de seu agrado, nomeou comissão revisora
composta por quatro norte- americanos e três brasileiros (Eduardo
Carlos Pereira, Antônio Trajano e Hypólito de Oliveira Campos).
Perfeccionista, Tucker ainda contou com o apoio de Machado de Assis e de
Rui Barbosa, pois, "havia alguns trechos que não estavam bem. Só
mesmo um escritor seria capaz de dar vida àquelas palavras"
(entrevista concedida por Tucker para Diretrizes- Um Semanário a Serviço
da Liberdade. Rio, 20/4/1944).
Tucker, naturalmente, aproveitou-se da admiração
que "essa gente" nutria pelo modelo norte-americano para
conquistar novos espaços. Conheceu vários e ilustres republicanos e
gostava de repetir que se relacionava muito bem "com todos os
presidentes da República. Fui amigo de Prudente de Moraes. Fui amigo de
Saldanha Marinho, do Visconde Nogueira da Gama, do Barão Homem de
Melo". Das mãos de Oswaldo Aranha recebeu o distintivo de Oficial
da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. No entanto, como gostava de
afirmar, "o povo também é meu amigo.
Os meus melhores e mais caros amigos são gente do
povo".
Em 1892, alguns homens extraordinários reuniram-se
com Tucker em seu escritório. Sentados em caixas de Bíblias, fundaram
ali mesmo a Associação Cristã de Moços. Até 1934, Tucker percorreu
várias vezes praticamente todos os Estados.
Seu sonho era ver os brasileiros lendo a Palavra de
Deus. Durante esses anos foram distribuídos milhares de exemplares das
Escrituras, em português, italiano, alemão, polonês, inglês e árabe.
Por esse trabalho notável, a Sociedade Bíblia Americana, em 1934,
concedeu-lhe o título de "Secretário Emérito", por seus 47
anos de dedicação à causa bíblica no Brasil.
Em 1900, no alvorecer do século XX mais precisamente
no dia 31 de julho, J. M. Lander, presidente do Granbery (reitor, na
atual nominação), conseguia o apoio de Tucker para a realização de
um sonho ainda não alcançado, mas que se mantém vivo no coração dos
granberyenses. A diretoria aprovou a idéia de chamar grande reunião em
Juiz de Fora e a consagração da pedra angular da futura Universidade
Metodista do Brasil, no dia 1º do Século XX, e autorizou o tesoureiro
a preparar o material para tal cerimônia.
Cristão de obras
Nos dia 25 a 28 de julho de 1903, teve lugar em São
Paulo, reunião constituinte da Aliança Evangélica Brasileira. Foram
eleitos Hugh Clarence Tucker, missionário metodista, presidente, e F.
P. Soren, batista, secretário.
Servir ao próximo era sua preocupação primeira.
Atuou como secretário Geral da Junta Geral de Ação Social, por 16
anos (quatro mandatos). No Rio de Janeiro, onde vivia, Tucker, com seu
dinamismo e determinação, desenvolveu importantes atividades nessa área
da Igreja Metodista.
O destaque fica por conta do Instituto Central do
Povo, o primeiro centro social organizado no Brasil, em 1906, destinado
a atender os habitantes da favela da Saúde e Gamboa. No local,
funcionou primeiramente uma creche. Muito embora haja controvérsia
sobre o assunto, nos arquivos do Instituto Central do povo, consta ser
esta a primeira creche popular existente no Estado do Rio.
A proposta do ICP era, realmente, ambiciosa e
pioneira, ao concentrar em suas dependências, escola dominical e
atividades cúlticas, consultório médico e dentário, farmácia e
laboratório, cursos profissionalizantes, Departamentos de Surdos-Mudos,
cujas classes eram dirigidas por professores "habilitadíssimos",
atendimento jurídico e muito mais. Pela forma de pensar e pela maneira
decidida com que Tucker trabalhava a promoção humana integral, sugere
que sua proposta não era assistencialista.
Entre 1903 e 1908, a febre amarela assolava o país.
Tucker, sua esposa e seu primeiro filho, também foram atacados pela
febre. Preocupado, juntamente com sua esposa, com essa verdadeira tragédia
e tendo lido sobre o trabalho do dr. Walter Reed no saneamento de Cuba,
Tucker pôs o dr. Oswaldo Cruz em contato com Reed e outros nos Estados
Unidos, e serviu de intermediário durante a campanha de saneamento que
livrou o Rio de Janeiro desse flagelo.
Mesmo após Oswaldo Cruz ter vencido a grande
batalha, a luta da família Tucker contra a febre amarela continuava.
Infelizmente, o primeiro e o único filho homem da família não
resistiu ao inimigo e morreu. Tudo indica que essa tragédia levou
Tucker a se dedicar, de maneira incansável, para melhorar as condições
sanitárias do Rio.
Trabalhou em campanhas públicas contra a
tuberculose, a lepra e doenças venéreas. Foi nomeado representante no
Brasil da Missão Americana entre os leprosos. Ademais, participou da
fundação do Hospital dos Estrangeiros e, depois do Hospital Evangélico,
no Rio de Janeiro de quem foi presidente (1904-1908).
Introduziu no Brasil o primeiro
"playground" para crianças, na cidade do Rio de Janeiro,
inaugurado a 12 de outubro de 1911. Ao ato estiveram presentes figuras
as mais proeminentes da cidade. Com muita ousadia, em 1922, no 1º
Congresso de Proteção à Infância, Tucker compareceu e falou sobre a
importância da Educação Física na Pré-Escola. No 2º Congresso,
voltou a ter uma participação ainda mais importante ao discorrer sobre
um tema até hoje bastante complexo: a educação sexual.
Conquanto estivesse sempre pronto a ultrapassar as
barreiras do denominacionalismo, Tucker, com sua lealdade às causas
metodistas, desempenhou papel importante no processo de autonomia da
Igreja Metodista no Brasil.
No dia 03 de setembro de 1930, foi chamado para
presidir os trabalhos do I Concílio da Igreja Metodista do Brasil,
realizado no templo da Igreja Metodista Central de São Paulo. Na
oportunidade, J. W. Tarboux foi eleito bispo. Na noite do dia 13 de
janeiro de 1934, Tucker e Kennedy são convidados pelo bispo Tarboux
para auxiliarem-no no ofício religioso de consagração do bispo César
Dacorso Filho.
Em 1942, a Igreja Metodista aceita o convite que lhe
foi formulado pelo Conselho Mundial de Igrejas. O secretário- executivo
da Junta Geral de Ação Social, H. C. Tucker, assina o documento de
aceitação do convite, juntamente com bispo César.
Depois de ter voltado a residir nos Estados Unidos,
Tucker fez algumas visitas ao Brasil. Na última delas, em novembro de
1949, foi homenageado pela Sociedade Bíblica do Brasil, pelo Instituto
Central do Povo, pelo Colégio Bennett e por outras instituições da
cidade do Rio de Janeiro.
Finalmente, no dia 5 de novembro de 1956, a Rádio
Nacional, no "Repórter Esso", divulgava uma notícia lamentável:
"Faleceu ontem (dia 4} nos Estados Unidos da América, o rev. H. C.
Tucker, um dos fundadores da Igreja Metodista do Brasil".
Muito embora a limitação do relato, Tucker,
testemunha ocular de alguns dos momentos culminantes da História do
Brasil e da Igreja Metodista, pelo muito que realizou, pode ser
considerado, sem sombra de dúvida, um dos maiores vultos do século
201.
Artigo do pastor Joel
Dias da Silva. Publicado no jornal oficial da Igreja Metodista, "Avante"
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Fonte: http://www.tabernaculo.com.br/arquivo/2001/junho/paginas/testemunhos.htm