PRINCÍPIOS DE UM METODISTA

John Wesley

 

1. Recentemente apareceu no mundo, um tratado entitulado "Uma Breve História dos Princípios do Metodismo". Eu não duvido, mas o objetivo do escritor foi bom, e acredito que ele tenha um desejo verdadeiro de conhecer a verdade. E a maneira, com que ele persegue aquele objetivo é geralmente calma e imparcial. Ele de fato, incorrem em diversos equívocos; mas como muitos deles são tanto de pequena conseqüência em si mesmos, quanto não imediatamente se referem a mim, não é minha preocupação mencioná-los. Todas as conseqüências que se referem a mim, eu penso, está compreendido em três tópicos:

(1) Que eu acredito na justificação pela fé somente.

(2) Que eu acredito na perfeição sem pecado.

(3) Que eu acredito em inconsistências.

De cada um desses, eu falarei tão claramente quanto eu puder.

2. Que eu acredito na justificação da fé somente. Isto eu admito. Porque eu estou firmemente persuadido, que todo homem da descendência de Adão está muito longe da retidão original, e é, por sua própria natureza, inclinado ao mal; que esta corrupção da nossa natureza, em todas as pessoas nascidas no mundo, merece a ira e condenação de Deus; e que, portanto, se, alguma vez, recebemos remissão de nossos pecados, e somos considerados justos diante de Deus, será unicamente pelo mérito de Cristo, pela fé, e não por nossas próprias obras ou méritos de algum tipo. Mais ainda, eu estou persuadido que todas as obras feitas antes da justificação tem, nelas, a natureza do pecado; e isto, conseqüentemente, até que ele seja justificado, um homem não tem poder para fazer alguma obra que é agradável e aceitável a Deus.

3. Para expressar o que quero dizer um pouco mais detalhadamente: Eu acredito que três coisas devem seguir juntas em nossa justificação: Da parte de Deus, sua grande misericórdia e graça; da parte de Cristo, a santificação da justiça de Deus, oferecendo seu corpo, e vertendo seu sangue; e da nossa parte a fé verdadeira e viva nos méritos de Jesus Cristo. De maneira que em nossa justificação não existe apenas a misericórdia e graça de Deus, mas sua justiça também. E assim a graça de Deus não exclui a retidão de Deus em nossa justificação; mas apenas exclui a retidão do homem, ou seja, a retidão de nossas obras.

4. E, consequentemente, Paulo requer nada da parte do homem, mas apenas a fé verdadeira e viva. Ainda assim, esta fé não exclui o arrependimento, esperança e amor, que estão ligados com a fé, em todo o homem que é justificado. Mas ele os exclui do ofício de justificar. De maneira que embora eles estejam todos presentes juntos nele que é justificado, ainda assim, eles não justificam todos juntos.

5. Nem a fé exclui as boas obras, necessariamente a serem feitas posteriormente. Mas nós não podemos praticá-las com este intento – sermos justificados por realizá-las. Nossa justificação vem livremente da mera misericórdia de Deus; porque considerando que o mundo todo não é capaz de pagar alguma parte, concernente ao resgate, que agradou a ele, sem merecimento algum nosso, preparar para nós o corpo e sangue de Cristo, por meio do qual nosso resgate seria pago, e sua justifiça praticada. Cristo, portanto, é agora a retidão de todos aqueles que verdadeiramente crêem nele.

6. Mas que seja observado que o verdadeiro sentido daquelas palavras: "Somos justificados pela fé em Cristo apenas", não é que este nosso próprio ato, "crer em Cristo", ou esta nossa fé, que está em nós, nos justifiquem; por isso, fossemos nos considerar sermos justificados por algum ato ou virtude que esteja em nós; mas que, embora tenhamos fé, esperança, e amor, e nunca façamos tantas boas obras, ainda assim devemos desistir do mérito de todos, da fé, esperança, e amor, e de todas as outras virtudes e boas obras, que nós tanto temos feito, devemos fazer, ou podemos fazer, como muito ineficiente para merecer nossa justificação; pelo que, portanto, devemos confiar apenas na misericórdia de Deus, e nos méritos de Cristo. Já que é Ele somente que tira nossos pecados. A Ele somente devemos buscar por isto; abandonando todas as nossas virtudes, boas obras, pensamentos, e realizações, e colocando nossa confiança em Cristo apenas.

7. Na exatidão, portanto, nem nossa fé, nem nossas obras nos justificam, ou seja, merecem a remissão de nossos pecados. Mas o próprio Deus nos justifica, por sua própria misericórdia, através dos méritos de seu Filho apenas. Não obstante, através fé, nós abraçamos a promessa da misericórdia de Deus e da remissão de nossos pecados, portanto, as Escrituras dizem que a fé justifica, sim, e a fé sem as obras. E é o mesmo que dizer: "Fé sem obras", e "Fé somente, nos justifica".  Portanto, os antepassados, de tempos em tempos, falavam assim: "A fé somente nos justifica". E porque recebemos a fé, apenas através dos méritos de Cristo, e não do mérito ou virtude que temos, ou obra que fazemos; assim sendo, neste aspecto, nós renunciarmos, por assim dizer, novamente a fé, oras, e todas as outras virtudes. Porque nossa corrupção, através do pecado original é tão grande, que toda nossa fé, caridade, palavras e obras não podem ser dignas ou merecerem alguma parte de nossa justificação por nós. E, assim, falamos, nos humilhamos diante de Deus, dando a Cristo toda a glória de nossa justificação.

8. Mas deve também ser observado, que fé, é esta, por meio da qual, somos justificados. Agora esta fé que não produz boas obras, não é a fé viva, mas a morta e a diabólica. Uma vez que até mesmo os demônios acreditam que Cristo nasceu de uma virgem; que ele operou todos os tipos de milagres, declarando-se ser o próprio Deus; que, por nossa causa, ele morreu e ressuscitou novamente e ascendeu ao céu; e no fim do mundo voltará para julgar o vivo e o morto. Nisto, os diabos acreditam; e assim. Eles crêem em tudo que está escrito no Velho e Novo Testamento. E ainda assim, apesar de todo esta fé, eles não deixam de ser demônios; eles permanecem ainda em seu estado condenado, deficientes da fé cristã verdadeira.

9. A fé cristã verdadeira não é apenas acreditar nas Santas Escrituras e que as profissões de nossa fé são verdadeiras; mas também, ter "uma confiança e segurança certas de ser salvo da condenação eterna, através de Cristo", por meio de quem, se segue um coração amoroso para obedecer seus mandamentos. E esta fé, nem o demônio, nem algum homem pecaminoso tem. Nenhum homem iníquo tem ou pode ter esta "confiança e segurança, certas, em Deus, de que, pelos méritos de Cristo, seus pecados são esquecidos e ele reconciliado para o favor de Deus".

10. Isto é o que eu acredito (e tenho acreditado por alguns anos), concernente à justificação pela fé somente. Eu escolhi expressar isto nas palavras de um pequeno tratado, publicado diversos anos atrás; como sendo a mais autêntica prova, tanto dos meus sentimentos passados quanto presentes. Se eu errei nisto, que aqueles que são mais bem informados, calmamente apontem meus erros para mim; e eu confio; e eu confio, eu não fecharei meus olhos contra a luz, de qualquer lado que ela venha.

11. A segunda coisa colocada como de minha responsabilidade é que eu acredito na perfeição sem pecado. Eu simplesmente declararei o que eu acredito, concernente a isto também, e deixo que os homens imparciais julguem.

12. Meus últimos e deliberados pensamentos sobre este assunto foram publicados, mas alguns poucos meses, desde então, nestas palavras: --

(1) "Talvez, o preconceito geral contra a Perfeição Cristã possa, principalmente, surgir da incompreensão da natureza dela. Nós prontamente permitimos, e continuamente declaramos que não existe tal perfeição nesta vida, de maneira a implicar, tanto uma dispensação do fazer o bem e atender a todas as ordenanças de Deus; quanto uma isenção da ignorância, erro, tentação, e milhares de enfermidades, necessariamente ligadas à carne e sangue".

(2) "Primeiro. Nós não apenas admitirmos, mas sinceramente afirmamos, que não existe perfeição nesta vida, que implique alguma dispensação em atender todas as ordenanças de Deus, ou 'fazer o bem a todos os homens, enquanto temos tempo', embora 'especialmente junto ao que pertence à fé'. Nós acreditamos que não apenas os bebês em Cristo, que têm proximamente encontrado redenção em Seu sangue, mas aqueles também que 'se tornaram homens perfeitos', estão indispensavelmente obrigados, tão freqüentemente quanto tenham oportunidade, 'a comer do pão e beber do vinho em memória Dele', e 'buscar as Escrituras'; através do jejum, assim como, temperança, a 'manter e trazer seus corpos, sob a submissão e nela; e, acima de tudo, derramar suas almas na oração, ambas, secretamente e na grande congregação".

(3) "Nós, em segundo lugar, acreditamos, que não exista tal perfeição nesta vida, de maneira a implicar um livramento completo, quer da ignorância ou erro, em coisas não essenciais à salvação, ou das múltiplas tentações, ou das inúmeras enfermidades, nas quais o corpo corruptível, mais ou menos, oprime a alma. Nós não podemos encontrar algum fundamento nas Escrituras, para supor que algum habitante de uma casa de barro está totalmente isento, quer das enfermidades corpóreas, ou da ignorância de muitas coisas; ou imaginar que alguém é incapaz de erro, ou cair em tentações diversas".

(4) "Mas a quem, então, você se refere, por alguém que é perfeito? Você quer dizer alguém em que 'está a mente que estava em Cristo', e quem também 'caminha como Cristo caminhou'; um 'homem que tem as mãos limpas e o coração puro', ou que está 'limpo de toda sujidade da carne e espírito'; alguém em que 'não existe oportunidade de impecilho', e quem, conseqüentemente, 'não comete pecado'".

"Para declarar isto um pouco mais especificamente: Nós entendemos por aquela expressão bíblica, 'um homem perfeito', alguém em quem Deus tem cumprido sua palavra fiel: 'De toda sua sujidade e de todos os seus ídolos eu limparei você: eu também o salvarei de todas as suas impurezas'. Nós entendemos, por meio disto, alguém em quem Deus tem 'santificado, no corpo, alma, e espírito'; alguém que 'caminha na luz, como ele está na luz; em quem não existem trevas, afinal; o sangue de Jesus Cristo seu Filho tendo o limpado de todos os pecados'".

(5) "Este homem pode agora testificar a toda a humanidade: 'Eu sou crucificado com Cristo: Não obstante eu viva; ainda assim, não sou eu, mas Cristo vive em mim'. Ele é 'santo, como Deus que o chamou é santo', ambos no coração e 'em toda maneira de vida'. Ele 'ama o Senhor seu Deus com todo seu coração', e o serve 'com todas as suas forças'. Ele 'ama seu próximo', todo homem, 'como a si mesmo'; sim, 'como cristo nos amou'; a eles, em específico, que 'maliciosamente o usam e perseguem, porque eles não conhecem o Filho, nem o Pai'. Na verdade, sua alma é toda amor, preenchida com profundas misericórdias, delicadeza, humildade, gentileza, longanimidade'. E sua vida está de acordo com isto, cheia de da obra da fé, da paciência da esperança, do trabalho do amor. [I Tessalonicense 1:3]. E qualquer que ele faça em palavra ou ação, ele o faz, em nome, no amor e poder 'do Senhor Jesus'. Em uma palavra, ele faz 'a vontade de Deus sobre a terra, como ela é feita no céu'.

(6). "Isto é ser 'um homem perfeito'; ser santificado totalmente: Mesmo 'ter o coração assim todo inflamado, com o amor a Deus', para usar as palavras do Arcebispo Usher, 'de maneira a continuamente oferecer todo pensamento, palavra e obra, como um sacrifício espiritual, aceitável a Deus, através de Cristo'. Em todos os pensamentos de nossos corações, em cada palavra nossa, em cada obra de nossas mãos, 'exibir seu louvor, àquele que nos tirou da escuridão para sua luz maravilhosa'. Ó, que ambos, nós, e todos que buscam o Senhor Jesus, na sinceridade, possamos assim ser feitos perfeitos em um!"'.

13. Se existe alguma coisa não bíblica nestas palavras; alguma coisa agressiva ou extravagante; alguma coisa contrária à analogia da fé, ou a experiência dos cristãos adultos, que eles "me atinjam amigavelmente e me reprovem"; que eles me concedam a luz mais clara que Deus deu a eles. Como tu sabes, ó, homem, "a não ser que podes ganhar teu irmão"; mas ele pode, por fim, vir para o conhecimento da verdade; e teu trabalho de amor, exibido com humildade de sabedoria, não pode ser em vão?

14. Lá permanece ainda uma outra responsabilidade contra mim, a que eu acredito em discordâncias; que minhas doutrinas, especificamente concernente à justificação, são contraditórias em si mesmas; que o Sr. Wesley, "desde que ele retornou da Alemanha, ele se aperfeiçoou no espírito da inconsistência". "Porque, então, ele publicou dois tratados do Sr. Barnes, o Calvinista, ou Dominicano, preferivelmente, que  morreu em 1541" (vamos espalhar as cinzas do morto. Fosse eu tal Dominicano como ele foi, eu me regozijaria também em morrer em chamas); "o primeiro sobre 'Justificação pela fé, apenas'; o outro, sobre 'a pecaminosidade da vontade natural do homem , e sua extrema inabilidade de fazer as obras aceitáveis a Deus, até que ele seja justificado'. Cujos princípios, se acrescidos às sua doutrinas anteriores", (mais ainda, eles não precisam ser acrescentados a elas, porque elas são a mesma coisa) "dará ao todo uma nova veia de inconsistência, e torna as contradições mais grosseiras e evidentes do que antes".

15. Será necessário falar mais largamente sobre este assunto, do que sobre qualquer um dos precedentes. E com o objetivo de falar tão distintamente quanto eu possa, eu proponho pegar os parágrafos, um por um, como eles se colocam diante de mim.

16. (1) É "afirmado que o sistema do Sr. Law foi o credo dos Metodistas".  Mas não se provou. Eu estive oito anos em Oxford, antes de ler algum dos escritos do Sr. Law; e quando eu li, eu estive tão longe de fazer deles meu credo, que eu fiz objeções a quase todas as páginas. Mas todo este tempo minha maneira foi passar diversas horas por dia, em ler as Escrituras, nas línguas originais. E disto, meu sistema, assim denominado, foi totalmente traçado, de acordo com a luz que, então tive.

17. Em minha passagem para a Geórgia, eu me encontrei com aqueles professores que teriam me ensinado o caminho de Deus mais perfeitamente. Mas eu não os entendi. Nem, sobre minha chegada lá, eles introduziram algumas particularidades em mim, quer sobre a justificação ou alguma coisa mais. Porque eu voltei com as mesmas noções com que eu fui. E isto eu explicitamente reconheci em meu segundo Diário, onde algumas de minhas palavras são essas:

"Quando Pedro Bohler, tão logo eu vim para Londres, afirmou que a fé verdadeira em Cristo (que é apenas uma) tinha esses dois frutos inseparavelmente atendendo a ela: 'domínio sobre o pecado, e paz constante da consciência do perdão', eu fiquei completamente maravilhado, e olhei para isto como um novo evangelho. Se isto era assim, estava claro que eu não tinha fé. Mas eu não estava disposto a ser convencido disto".

"Portanto, eu lutei com todas as minhas forças, e trabalhei para provar que a fé estaria onde esses não estavam; especialmente, onde aquela consciência do perdão não estava; porque, todas as Escrituras relativas a isto, eu, há muito, desde então, ensinei a interpretar fora, e a chamar de Presbiterianos, os que falavam ao contrário. Além disto, eu bem vi, que ninguém poderia (na natureza das coisas) ter tal consciência do perdão e não sentir isto. Mas eu não a senti. Se, então, não haveria fé, sem isto, todas as minhas pretensões de fé caíriam imediatamente".

18. (2) Ainda assim, não foi Peter Bohler que me convenceu que aquela conversa (eu quero dizer, justificação) era uma obra instantânea. Ao contrário, quando eu fui convencido da natureza e frutos da fé justificadora, ainda "eu não pude compreender quando ele falou de uma obra instantânea. Eu não pude compreender como esta fé seria dada de repente; como um homem, imediatamente mudaria das trevas para a luz; do pecado e miséria para a retidão e alegria no Espírito Santo. Eu busquei nas Escrituras novamente, no tocante a esta mesma coisa, especificamente em Atos dos Apóstolos. Mas para minha completa surpresa eu dificilmente encontrei lá outras instâncias do que as conversões instantâneas; dificilmente algumas outras tão demoradas, quanto aquela de Paulo, que foi três dias, nas dores do novo nascimento. Eu tive um momento de recuo restante, isto é: 'Assim, eu admito, Deus forjou, nas primeiras épocas do Cristianismo; mas os tempos estão mudados. Que razão eu tenho para acreditar que ele opera da mesma maneira agora?'". "Mas, no domingo, dia 23, eu fui vencido por este recuo também, através de evidências concordantes de diversas testemunhas naturais, que testificaram o que Deus havia assim forjado nelas mesmas; dando a elas, no mesmo instante, tal fé no sangue do seu Filho, como mudá-las da escuridão para a luz; do pecado e medo para a santidade e felicidade. Aqui terminou meu conflito. Eu pude agora apenas clamar: 'Senhor, me ajude em minha descrença!'".  A parte restante desta secção contém, com a terceira e quarta, minhas próprias palavras, para a qual eu ainda subscrevo. E, se existe um equívoco na fé, ele não é material.

20. (3) É verdade que "na quarta-feira, dia 12, o conde falou com este efeito: 1º. 'Justificação é o perdão dos pecados'. 2º. 'No momento em que o homem se dirige a Cristo, ele é justificado'. 3º. 'E tem a paz com Deus, mas nem sempre alegria'. 4º. 'Nem, talvez, ele possa saber que ele está justificado, até muito tempo depois. 5º. 'Porque a segurança disto é distinta da própria justificação. 6º. 'Mas outros podem saber que ele está justificado, através de seu poder sobre o pecado; através de sua seriedade, seu amor aos irmãos, e sua fome e sede em busca da retidão; o que prova somente que a vida espiritual vai começar". 7º. 'Ser justificado, é a mesma coisa que ser nascido de Deus: Quando um homem está desperto, ele é nascido de Deus, e seu temor, e tristeza, e consciência da ira de Deus, são as dores do novo nascimento'".      

É verdade também que eu, então, juntei o que Peter Bohler freqüentemente disse sobre este assunto, que foi com este efeito: 1º. "Quando um homem tem a vê viva em Cristo, então, ele está justificado". 2º. "Esta é sempre dada imediatamente". 3º. "E naquele momento, ele tem paz com Deus". 4º."O que ele não pode ter, sem saber que ele tem". 5º. "E, sendo 'nascido de Deus, ele não peca'". 6º. "Que o livramento do pecado, ele não pode ter, sem saber que ele o tem".   

21. Eu não compreendo que seja possível para algum homem vivente imaginar que eu acreditei em ambos esses relatos; as palavras, nos quais eu propositadamente então explorei, e dividi em sentenças curtas, para que a grossa, irreconciliável diferença entre elas pudesse ficar clara para o leitor mais simples. Eu não posso, portanto, a não ser estar um pouco supreso com a força daquele preconceito que poderia impedir a visão de qualquer um, que, em oposição à opinião do conde (que em muitos aspectos eu totalmente desaprovo), eu citei as palavras de alguém de sua própria igreja, que, se verdadeiras, a destruiriam completamente. 

22. Eu tenho nada para objetar, quanto às citações feitas na sétima, oitava, e nova seções. Na décima são estas palavras: "Agora, desde que o Sr. Wesley foi tão longe para reunir tais materiais, vejamos o que foi o sistema (ou, antes, a miscelânea) dos princípios que ele teve para responder à Inglaterra".

"DA GARANTIA DA JUSTIFICAÇÃO: Eu acredito que a conversão é uma obra instantânea; e que, no momento em que um homem se converte, ou tem a fé viva em Cristo, ele é justificado: Cuja fé, um homem não pode ter, sem saber que a tem. Ainda assim, eu acredito que ele não possa saber que está justificado (ou seja, que ele tem a fé viva), até bom tempo depois. Eu acredito, também, que no momento em que o homem é justificado, ele tem paz com Deus. O que ele não pode ter, sem saber que a tem".

"Ainda assim, eu acredito que ele não saiba que ele está justificado (ou seja, que ele tem paz com Deus), até bom tempo depois. Eu acredito, que quando um homem é justificado, que ele é nascido de Deus. E sendo nascido de Deus, ele não peca. Que o lviramento do pecado, ele não pode ter, sem saber dele. Ainda assim, eu acredito que ele não possa saber que está justificado (ou seja, liberto do pecado), até bom tempo depois. Embora eu acredite que outros possam saber que ele está justificado, através de seu poder sobre o pecado, sua seriedade, e amor aos irmãos".

23.  "AS CONDIÇÕES DA JUSTIFICAÇÃO: Eu acredito que Cristo 'formado em nós', subordinadamente a Cristo 'dado por nós', (que é, nossa própria retidão inerente, subordinada aos méritos de Cristo) deve ser perseverada, como necessária á nossa justificação. E é justo e certo que um homem seja humilde e penitente e tenham um coração destruído e contrito (ou seja, possa ter Cristo formado nele), antes que ele possa esperar ser justificado. E que esta penitência e contrição é aobra do Espírito Santo. Ainda assim, eu acredito que tudo isto é nada em direção à nossa justificação, e tem nenhuma influência sobre ela. Novamente, eu acredito que, com o objetivo da justificação, eu devo seguir em frente para Cristo, com toda minha incredulidade, e pleiteia nada mais. Mesmo assim, eu acredito que não possamos perseverar em alguma coisa que façamos ou sentimos, como se fosse antecedente necessário à justificação".

24. "DOS EFEITOS DA JUSTIFICAÇÃO: Eu acredito que a justificação é a mesma coisa que ser nascido de Deus. Ainda assim, um homem tem uma forte segurança de que ele é justificado, e não é capaz de afirmar que é nascido de Deus. Um homem pode estar completamente seguro de que seus pecados são perdoados, ainda assim, pode não ser capaz de dizer a hora ou o dia, quando ele recebeu esta completa segurança, porque ela pode crescer nele por gradativamente. – Embora ele nunca se lembre que, do momento em que esta completa segurança foi confirmada nele, ele nunca a perdeu, não, nem por um momento. Um homem pode ter uma fé fraca, ao mesmo tempo que tem paz com Deus, não tem um pensamento desconfortável, tem livramento do pecado; e não tem um desejo pecaminoso. Um homem pode ser justificado, ou seja, nascido de Deus, e não ter a habitação do Espírito".    

25. Eu concordo inteiramente "que o credo precedente é a mesma extraordinária e singular composição". Mas não é minha: Eu nunca a compus, nem acreditei nele; como, eu não duvido, todo leitor imparcial será completamente convencido, quando a tivermos passado, uma vez mais, passo a passo.

As partes dele que eu acredito eu meramente repito: Sobre as outras será necessário acrescentar algumas palavras.

"DA SEGURANÇA DA JUSTIFICAÇÃO. Eu acredito que a conversão significa, justificação. É uma obra instantânea; e isto no momento em que um homem tenha fé viva em Cristo, ele se converte, ou é justificado". (Assim, a proposição deve ser expressa para fazer sentido). "Cuja fé ele não pode ter, sem saber que ele a tem. Ainda assim, eu acredito que ele não pode saber que ele até, até muito tempo depois". Isto eu nego: Eu não acredito em tal coisa. "Eu acredito que no momento em que o homem é justificado, ele tem paz com Deus: Que ele não pode ter, sem saber que ele a tem. Ainda assim, eu acredito que ele possa não saber que ele a tem, até muito tempo depois". Isto novamente, eu nego. Eu não acredito; nem Michael Linner; para esclarecer inteiramente, alguém necessita apenas ler suas próprias palavras – "Por volta de quatorze anos atrás, eu estive mais do que convencido de que eu era totalmente diferente daquilo que Deus requereu que eu fosse.Eu consultei sua palavra várias vezes; mas ele falou nada, a não ser condenação; até que, finalmente, eu não pude ler, nem, de fato, fazer alguma coisa mais, não tendo esperança e nenhum espírito restante em mim. Eu estive neste estado, por diversos dias, quando estando meditando sozinho, aquelas palavras vieram fortemente em minha mente: 'Deus amou tanto o mundo, que deu seu Unigênito filho, com a finalidade de que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna'. Ei pensei: 'Todos! Então, eu sou um. Então, Ele é dado por mim. Mas eu sou um pecador. E ele veio para salvador os pecadores'. Imediatamente meu fardo caiu, e meu coração descansou. Masd a completa segurança da fé, eu não tinha ainda, nem nos dois anos em que eu continuei na Moravia. Quando eu fui expulso de lá, pelos jesuítas, eu me retirei para cá, e logo depois, recebido na Igreja. E aqui, depois de algum tempo, agradou nosso Senhor manifestar-se mais claramente à minha alma; e me dar aquela completa consciência da aceitação nele, que exclui toda a dúvida e medo. Na verdade, o conduzir do Espírito é diferente, em diferentes almas. Seu método mais usual, eu acredito, é dar, em um e no mesmo momento, perdão dos pecados, e uma completa segurança daquele perdão. Ainda assim, em muitos, ele opera, como ele fez em mim; dando primeiro a remissão dos pecados, e, depois de algumas semanas, ou meses, ou anos, a completa garantia dele.

Tudo que eu devo observar é que, o primeiro sentido do perdão, é freqüentemente misturado com a dúvida e medo. Mas a completa segurança da fé exclui toda dúvida e medo, como o mesmo termo implica.      

Portanto, apesar de que "ele não possa saber que tem paz com Deus, até muito tempo depois, deverá ser (para concordar com as palavras de Michael Linner) 'Ele não pode ter, até muito tempo depois, a completa segurança da fé, que exclui toda a dúvida e medo'. Eu acredito que um homem seja justficado, ao mesmo tempo em que ele é nascido de Deus. E que aquele que é nascido de Deus não peca. Cujo livramento do pecado, ele não pode ter, sem saber que ele o tem. Ainda assim, eu acredito que ele não possa saber isto, até muito tempo depois". Isto também eu nego extremamente.

26. "DAS CONDIÇÕES DA JUSTIFICAÇÃO: Eu acredito que Cristo 'formado em nós' dever ser buscado, como necessário à nossa justificação".

E não acredito nisto mais do que Christian David faz, cujas palavras concernentes a isto são estas? – "Agradou a Deus mostrar-me que Cristo está em nós, e Cristo é por nós, deve ser ambos buscado. Mas eu claramente vi que não devemos insistir em alguma coisa que sentimos, mais do que em alguma coisa que fazemos, como se fosse antecedente necessário para nossa justificação. E, antes que um homem possa esperar ser justificado, ele deve ser humilde e penitente, e ter um coração destruído e contrito, ou seja, deve ter Cristo formado nele". Não; isto é completamente outra coisa. Eu acredito que todo homem seja penitente antes que esteja justificado; ele se arrepende, antes que ele acredite no evangelho. Mas isto nunca antes que ele seja justificado, que Cristo esteja formado nele. "E esta penitência e contrição é a obra do Espírito Santo. Ainda assim, eu acredito que tudo isto é nada, em direção à nossa justificação, e não tem influência sobre ela".

As palavras de Christian David são: "Observe que este não é o fundamento. Não é através disto (por causa disto) que somos justificados. Isto não é retidão; isto não é parte da retidão, através da qual somos reconciliados a Deus. Você angustia-se por seus pecados; está profundamente humilhado; seu coração está destruído. Bem; mas tudo isto é nada para sua justificação". As palavras imediatamente seguintes fixam o sentido desta sentença excepcionavelmente ao contrário. "A remissão de nossos pecados não é devida a esta causa, quer no todo ou em parte. Sua humilhação não tem influência sobre isto". Nem como uma causa; assim, as mesmas palavras restantes a explicam. Novamente, eu acredito que, com o objetivo de obter a justificação, eu devo seguir direto para Cristo, com toda minha iniqüidade, e reivindicar nada mais. Ainda assim, eu acredito que não deva insistir em alguma coisa que façamos ou sentimos, como se fosse precedente necessário para a justificação".  Não, nem sobre alguma coisa mais. Assim, todo o teor das palavras de Christian David implica.

27. "DOS EFEITOS DA JUSTIFICAÇÃO: Eu acredito que um homem possa ter uma forte segurança de que ele é justificado, e não é capaz de afirmar que ele é um filho de Deus".

As palavras de Feder são estas: "Eu encontrei meu coração em repouco, em boa esperança de que meus pecados foram perdoados; da qual eu tive uma mais forte segurança, seis semanas depois". (Verdade, comparativamente mais forte, embora ainda misturado com a dúvida e medo). "Mas eu não me atrevo a afirmar que eu sou um filho de Deus". Eu não vejo inconsistência nisto tudo. Muitas tais instâncias eu conheço até hoje. Eu mesmo fui um por algum tempo. "Um homem pode estar completamente seguro de que estes pecados são perdoados, ainda assim, podem não ser capazes de dizer o dia, quando eles receberam esta segurança completa; porque ele crece nele gradativamente". (Disto também eu conhece poucas outras instâncias). "Mas do momento em que esta completa segurança foi confirmada nele, ele nunca a perdeu". Muito verdadeiro, e penso, consistente.

As próprias palavras de Neuser são: "Nele eu encontro o verdadeiro descanso para minha alma, estando completamente seguro de que todos os meus pecados foram esquecidos. Ainda assim, não posso dizer a hora e dia, quando eu primeiro recebi aquela completa segurança. Porque não foi me dada a princípio, nem imediatamente; (não em sua plenitude); mas cresceu em mim gradativo. E, desde aquele tempo, foi confirmada em mim, que eu nunca a perdi, tendo, desde então, não mais duvidado, nem por um momento. Um homem pode ter uma fé fraca, ao mesmo tempo, que ele tem paz com Deus, e nenhum desejo impuro".

Um homem, que não tenha um coração limpo pode ser justificado.

28. (4) Não no sentido completo da palavra. Assim, eu verdadeiramente acredito seja divindade profunda, de acordo tanto com as Escrituras quanto com a experiência. E eu acredito é consistente consigo mesmo. Assim como com "centenas de outros absurdos que seriam completamente e absolutamente compreendidos". Haverá tempo suficiente para considerá-los, quando eles forem produzidos.

29. (5, 6) Mas quer eu tenha sucesso em tentar reconciliar estas coisas ou não, eu verdadeiramente penso que o Sr. Tucker tem. Eu não desejo um relato mais consistente de meus princípios, do que o que ele mesmo tenha dado nas seguintes palavras: -- "Nosso estado espiritual seria considerado distintamente sob cada um desses panoramas". "1º. Antes da justificação; naquele estado em que se pode dizer incapaz de fazer alguma coisa aceitável para Deus; porque, então, não podemos fazer coisa alguma, a não ser vir para Cristo; o que não deverá ser considerado como fazendo alguma coisa, mas como suplicando (ou esperando) receber o poder de fazer algo pelo tempo vindouro. Porque a graça preveniente de Deus, que é comum a todos, é suficiente para nos trazer até Cristo, embora não seja suficiente para nos conduzir um pouco mais adiante, até que estejamos justificados. 2º. Depois da justificação. O momento em que o homem vem para Cristo (pela fé), ele é justificado, e nasce novamente; ou seja, ele nasce novamente no sentido imperfeito (porque existem dois (se não mais) graus de regeneração) e ele tem poder sobre todos os impulsos e movimentos do pecado, mas não um total livramento deles. Portanto, ele não tem ainda, no sentido completo e apropriado, um novo e limpo coração. Mas estando exposto à várias tentações, ele poderá e cairá novamente desta condição, se ele não obtiver um dom mais excelente. 3º. Santificação, o último e mais alto estado de perfeição nesta vida. Porque, então, o fiel vai nascer novamente, no sentido completo e perfeito. Então, é dado junto a ele, um novo e limpo coração; e a luta, entre o velho e novo homem, acabou.

30. (7) Que eu posso dizer muitas coisas que têm sido dita antes, e, talvez, por Calvin ou Armínio, por Montano ou Barclay, ou o Arcebispo de Cambray, é altamente provável. Mas não pode ser inferido disto, que eu defendo "uma miscellanea de todos os princípios deles: - Calvinismo, Arminianismo, Montanismo, Quacrerismo, Quietismo, todos adicionados juntos".

Poderíamos bem acrescentar Judaísmo, Maometismo, Paganismo.

Teria feito o período mais completo, e sido bem mais facilmente provado; eu quero dizer, afirmado. Porque nenhuma outra prova foi produzida ainda.

31. Eu relevo os erros menores que ocorrem no décimo-quinto e décimo-sexto parágrafos, juntos com a profecia ou prognóstico concernentes às divisões que se aproximam, e queda dos Metodistas.

O que se segue até o final, concernente ao alicerce de nossa esperança, é, de fato, de uma importância maior. Mas nós não temos ainda a força da causa; a dissertação prometida está ainda atrás. Portanto, como minha obra é grande, e meu tempo curto, eu abandono esta disputa para o momento. E talvez, quando eu tiver recebido uma luz adicional, eu possa ser convencido de que "a santidade evangélica", como o Sr. Tucker acredita, "é uma qualificação necessária, antecedente à justificação". Isto me parece agora ser diretamente oposto ao evangelho de Cristo. Mas eu me esforçarei, imparcialmente, para considerar o que deverá ser adiantado em defesa dela. E possa Ele que conhece minha honestidade, ensinar-me seu caminho, e me dar um julgamento correto em todas as coisas!

Tradução de Izilda Bella