JOHN WESLEY

Em 17 de julho de 1703 nascia em Lincolnshire, na Inglaterra, o
fundador da Igreja Metodista: John Wesley, cuja mãe chamava-se
Susanna, era o 12º dos dezenove filhos do reverendo Samuel Wesley, um
pároco de Epworth.
Quando completava seis anos, quase perdeu a vida num incêndio à
noite, provocado por um grupo de malfeitores. O fogo se alastrava no
teto de palha da paróquia onde eles moravam, começando a estilhaçar
brasas sobre as camas. Subitamente, Hetty Wesley, um dos irmãos
menores, acordou assustado e correu até o quarto de sua mãe. E logo
todo mundo estava em pé, tentando conter o domínio das chamas,
enquanto a pequena criada, agarrando o bebê Charles nos braços,
chamava as crianças para um lugar mais seguro. A essa altura, Twice
Susanna Wesley forçava a porta contra as costas, numa tentativa
desenfreada de proteger-se.
A família finalmente conseguiu sair de casa e, apavorada, reuniu-se
no jardim, pois descobrira que o pequeno Jeckie havia ficado lá
dentro dormindo. Voltaram correndo, mas era tarde: a escada estava em
cinzas e tornava impossível resgatá-lo. O rapaz chegou até aparecer
na janela, porém não podiam segurá-lo, visto que a casa ficava no
segundo piso. Todavia, um pequeno homem pulou sobre o largos ombros do
pai de Wesley e, num esforço desmedido, conseguiu salvar a criança.
Um Estudante de Cristo
Conseqüentemente, uma profunda ternura passou a residir no coração
de Jackie que, mesmo depois de homem, considerava que havia escapado
aquela noite porque Deus tinha um propósito muito especial em sua
vida. Várias vezes ele chegou a comemorar este dia em seu diário
secreto que escreveu: "Arrancado das Chamas".
Seis anos depois, em Charter House School, Jeckie matriculou-se na
Universidade em Oxford, tornando-se um estudante da igreja de Cristo.
Quatro anos mais tarde graduou-se em bacharel de artes e em 1726 foi
eleito acadêmico do Colégio Lincoln.
Enquanto John Wesley era ordenado ao ministério e ajudava o pai em
casa, Charles, o irmão mais novo, organizava em Oxford um pequeno
grupo de estudantes para orações regulares, estudos bíblicos e
outros serviços cristãos. O Clube Santo, como era chamado, incluía
vários integrantes, que, mais tarde, tornaram-se pioneiros de um
avivamento, ocorrido no século XVIII, destacando-se, entre outros,
George Whitefield.
Obedecendo ao Senhor, John Wesley viajou para colônia em Geórgia,
como capelão, em 1736. Charles nesta época, era secretário do
governador e o piedoso trabalho em Geórgia, embora com muitas lutas,
teve sucesso mais tarde. O reverendo George Whitfield, depois de
visitar a sede do movimento, escreveu: "O eficiente trabalho de
John Wesley na América é impressionante. Seu nome é muito precioso
entre o povo, pois tem edificado as fundações que, espero, nem
homens nem demônios a abalem".
Aprendendo a Confiar
Em contato com German Moravian Christians na América, Wesley
questionava sobre as verdades cristãs. Sabia muito bem que o êxito
de seus trabalhos estava nas mãos de Deus e, por isso, começou a
buscá-lo em oração. Não demorou muito tempo e, em 24 de maio de
1738, acabou encontrando a resposta quando, de volta para a
Inglaterra, resolveu registrar tudo quanto acontecera naquele dia:
"A tarde, visitando a sociedade em Aldersgate Street, li o
‘Prefácio da epístola aos Romanos’ na versão de Lutero, cujas
palavras tocaram-me profundamente. Senti meu coração bater
fortemente. E, desde aquele momento, aprendi a confiar em Cristo como
meu Salvador. Estou seguro de que os meus pecados estão perdoados. Me
salvei da lei do pecado e da morte". Esta experiência mudou o
rumo da vida de Wesley que, a partir daquele momento, passou a ser uma
nova criatura, sendo consagrado o maior apóstolo da Inglaterra.
John Wesley começou o trabalho de pregação ao ar livre quando
viajava para Bristol a fim de ajudar George Whitfield, que na época
era conhecido como o mais eloqüente pregador da Inglaterra. Wesley, a
princípio, rejeitou a idéia, mas uma vez convencido da vontade de
Deus, acabou se tornando mais famoso que Whitefield. Viajava 11 quilômetros
por ano. Experimentou os mais cruéis sofrimentos e oposições em
toda sua vida. Estava freqüentemente em perigo.
Embora fosse sábio e proeminente, o itinerante evangelista era um
homem simples e executou muitas obras sociais. As suas poderosas
mensagens muito influenciaram a igreja que, no ano de 1739, adquiriu
uma sede para o movimento protestante, que crescia vertiginosamente.
Comprou uma casa de fundição em ruínas, na cidade de Moofield, e
transformou-a num templo. O prédio passou por uma rigorosa reforma
que custou, na época, 800 libras (quantia superior ao da compra que
foi de 115 libras), mas valeu a pena. Depois de pronta, a capela
passou a comportar cerca de mil e quinhentas pessoas.
Era o primeiro edifício metodista em Londres, onde a verdadeira
doutrina de Cristo era proclamada. Pessoas sedentas por ouvir a
gloriosa mensagem do evangelho cruzavam todos os domingos a escuridão
das estradas de Moorfield com lanternas, para ouvir os ensinamentos de
Wesley. O prédio dispunha de sala de reuniões, com capacidade para
300 pessoas, sala de aula e biblioteca.
Mais tarde, John Wesley instalou a sua própria casa na parte superior
da capela, onde passou a morar com a sua família. Em 1746, abriu um
centro de atendimento médico e escola gratuitos, com capacidade para
60 estudantes, contratou farmacêutico, cirurgião e dois professores
e, em 1748, alugou uma casa conjugada para refugiar viúvas e crianças.
Muitos foram os patrimônios conseguidos pela igreja durante os 40
anos do movimento metodista em Moorfield, organizada por John Wesley.
Entretanto, devido a expiração do contrato imobiliário, a sede teve
de mudar-se para um outro lugar.
Próximo dali, em City House, encontrava-se um vasto campo onde jaziam
os túmulos de Bunhill Field e o de sua mãe Sussana Wesley. Um lugar
de pântanos, recentemente aterrado, onde foi construída a catedral
de Saint Paul. Havia também no local algumas pedras de moinho,
utilizadas para moer milho trazido do Thames, que era transformado em
trigo.
John Wesley alugou quatro mil metros quadrados destas terras em 1777
para construir a nova capela. E, finalmente, em 21 de abril do mesmo
ano, sob forte chuva, lançou a pedra fundamental, com a seguinte
gravação: "Provavelmente, esta pedra não será vista por algum
olho humano, mas permanecerá até que a terra e o trabalho sejam
consumados". Naquele dia, Wesley improvisou um púlpito sobre a
pedra e pregou em Nm 23.23.
A Recompensa
Em 1 de novembro de 1778, dezoito meses depois, no Dia de Todos os
Santos, a capela estava próxima de ser aberta para a adoração pública.
Apesar dos ventos das dificuldades (além de ter contraído muitas dívidas,
os trabalhadores tiveram as ferramentas roubadas), Deus recompensou
grandemente o esforço de Wesley, levantando voluntários dentre os
membros. O rei George III, por exemplo, doou mastros de navios de
guerra para o suporte das galerias.
Conta a história que um certo dia Wesley ficou de um lado do templo e
Taylor, um dos cooperadores do outro, com os chapéus nas mãos, e
conseguiram arrecadar 7 libras; o suficiente para a conclusão das
obras. Toda a galeria foi coberta com gesso e os bancos de madeira de
carvalho, doadas pelas igrejas da América, Canadá, Sul da África,
Austrália, Oeste da Índia e Irlanda. As janelas vitrificadas, as
impressões no teto foram trabalhados no estilo Adams (réplica
antiga), e a casa de Wesley construída num pátio em frente à
capela. Estas raridades, depois de reformadas em 1880, no centenário
da morte de Wesley, memorizam as epopéias deste bravo soldado de
Cristo.
Sua Morte
Mesmo depois de velho quase cego e paralítico, John Wesley continuava
pregando em City Road e Latherhead. E, quando percebeu que sua vida
estava chegando ao fim sentou-se numa cama, bebeu um chá e cantou:
"Quando alegre eu deitar este corpo e minha vida for coroada de bênção,
quão triunfante será o meu fim!
Eu glorificarei a meu Criador enquanto tenho fôlego;
E, quando a minha voz se perder na morte, empregarei minhas forças;
em meus dias o glorificarei enquanto tiver fôlego até o fim de minha
existência".
Wesley foi enterrado no Jardim-túmulo, em frente à capela em City
Road, sob as luzes das lanternas, na manhã de 2 de março de 1791.
Morreu com os olhos abertos e balbuciando a seguinte palavra: "Farwell"
(adeus). Cerca de 10 mil pessoas acompanharam o funeral. E a lápide
até hoje indica o significado histórico: "À memória do venerável
John Wesley: o último companheiro do Lincoln College, Oxford..."