Por Ben Hirschler
BARCELONA (Reuters) - O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela
pediu, na sexta-feira, que os medicamentos contra a Aids sejam
fornecidos a todos os que precisem nos países em desenvolvimento. Ao
encerrar a maior conferência mundial sobre Aids, Mandela também pediu
que o mundo se mobilize contra a doença que desencadeou "uma
guerra contra a humanidade".
O ex-presidente foi aplaudido de pé pelos 15 mil participantes da
conferência, que foi dominada por pedidos para mais dinheiro no
tratamento de milhões de doentes do mundo subdesenvolvido.
"A Aids é uma guerra contra a humanidade", disse Mandela.
"Essa é uma guerra que requer uma mobilização da população
inteira."
Após duas décadas de uma epidemia que mata uma pessoa a cada dez
segundos, a distância entre ricos e pobres é maior do que nunca.
Os sofisticados medicamentos que transformaram a infecção pelo HIV
em uma doença administrável no Ocidente chegam a apenas um de cada
1.000 doentes na África, epicentro da epidemia.
"Devemos encontrar caminhos e formas de disponibilizar a terapia
que salva vidas para todos que precisem, sem levar em consideração se
eles podem pagar ou o local onde vivem", afirmou.
Mandela, que passou 27 anos preso durante sua luta contra o
apartheid, também falou da condição de quase 14 milhões de crianças
que perderam um ou ambos os pais vítimas da Aids.
"Nada pode me abalar mais do que o olhar dessas crianças
inocentes sofrendo física, social e emocionalmente. Essa é uma tragédia
de consequências enormes."
Sem tratamento, os especialistas estimam que o número de órfãos da
Aids chegue a 25 milhões até 2010.
Descrevendo sua própria luta contra o câncer e a tuberculose,
Mandela disse que ainda existe muito a ser feito para superar o estigma
que envolve a doença, o que dificulta o combate nas áreas rurais do
continente africano.