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2ª epístola de Pedro João
Wesley Capítulo I
1. Àqueles
que obtiveram – Não, através de suas próprias obras, mas pela graça
livre de Deus. Como fé preciosa conosco – Os apóstolos. A fé
daqueles que não viram, sendo igualmente preciosa, quanto daqueles que
viram nosso Senhor na carne. Através da retidão – Ambas, ativa e
passiva. De nosso Deus e salvador – É apenas esta, pela qual a justiça
de Deus é satisfeita, e razão porque ele dá esta fé preciosa.
1. Através do
conhecimento divino e experimental de Deus e Cristo.
3. Como seu poder
divino nos tem dado todas as coisas – Existe uma maravilhosa disposição
neste preâmbulo, que começa com a própria exortação. Que pertence
à vida e santidade – Para a vida presente, natural, e para a
continuidade e crescimento da vida espiritual. Através daquele
conhecimento divino dele – De Cristo. Que nos tem chamado, através
– De seu poder glorioso, para a glória eterna, como o fim; através
da virtude cristã, ou fortaleza, como os meios.
4. Através das quais
– Glória e fortaleza. Ele nos tem dado excessivamente grandes, e
incompreensivelmente preciosas promessas - Ambas as promessas e coisas
prometidas, que se seguem em suas devidas oportunidades, para que,
sustentados e encorajados por elas, possamos obter tudo que ele
prometeu. Para que, tendo escapado de corrupções múltiplas que
existem no mundo – Daquela fonte fértil, desejo diabólico. Possam se
tornar parceiros da natureza divina – Sendo renovados na imagem de
Deus, e tendo comunhão com eles, assim como habitarem em Deus e Deus em
vocês.
5. Por esta mesma razão
– Porque Deus tem nos dado tão grandes bênçãos. Dando toda diligência
– É uma palavra muito incomum, a que atribuímos dar. Ele
literalmente significa, trazer a propósito, ou além disto: implicando,
que o bem opera a obra; ainda assim, não opera, se não formos
diligentes. Nossa diligência é seguir o dom de Deus, e é seguida pelo
aumento de todos os seus dons. Acrescidos a ela – E em todos os outros
dons de Deus. Adicionado o último, sem perder o primeiro. A palavra
grega propriamente significa conduzir, como numa dança, um desses,
depois do outro, em uma ordem bonita. Sua fé que é "a evidência
das coisas não vistas", denominada antes de "o
conhecimento de Deus e de Cristo", a raiz de todas as graças
cristãs. Coragem – Por meio da qual podemos vencer todos os inimigos
e dificuldades, e executar o que quer que a fé proponha. Na mais bonita
ligação, cada uma precedendo a graça, conduz à seguinte; cada uma
seguindo, ajusta e aperfeiçoa a precedente. Elas são estabelecidas na
ordem da natureza, preferivelmente, que na ordem do tempo. Porque embora
toda a graça carregue uma relação umas com as outras, ainda assim,
aqui, elas são agradavelmente ordenadas, para que aquelas que têm a
mais estrita dependência umas das outras sejam colocadas juntas. Para a
coragem, conhecimento – A sabedoria, ensinando como exercê-la em
todas as ocasiões
6. E para o seu
conhecimento, temperança; e para sua temperança, paciência – Exibam
e omitam; experimentem e abstenham-se; neguem a si mesmos e tomem sua
cruz diariamente. Quanto mais conhecimento vocês tiverem, mais
renunciam sua vontade própria; favorecem menos a si mesmos. "O
conhecimento ensoberbece", e os grandes alardeadores do
conhecimento (os Gnósticos) eram aqueles que "transformavam
a graça de Deus em libertinagem".
Mas vejam que seu conhecimento seja atendido com temperança. A temperança
cristã implica o abster-se voluntariamente de todos os prazeres que não
conduz a Deus. Ele se estende às coisas interiores e exteriores: o
governo devido de todo pensamento, assim como afeição. "Está usando o
mundo",
de maneira a usar todas as coisas exteriores, e, então, todas as coisas
interiores, para que possa se tornar os meios do que é espiritual; meio
para ascender ao que está acima. Intemperança é abusar do mundo.
Aquele que usa alguma coisa abaixo, não olhando para o mais alto, e
alcançando nada além, é intemperado. Aquele que usa a criatura apenas
de maneira a obter mais do Criador, é exclusivamente temperado, e
caminha como o próprio Cristo caminhou. E
para a paciência, santidade – É o suporte próprio: uma consciência
contínua da presença e providência de Deus, e um temor filial dele, e
confiança nele; do contrário, sua paciência pode ser orgulho, enfado,
estoicismo; mas não Cristianismo.
7. E para a santidade a bondade fraterna – Nenhuma
obstinação, austeridade, enfado: "santidade
azeda", assim chamada, é do diabo. Da santidade cristã, é
sempre dito: "suave, doce,
serena e terna é seu ânimo; não ameaçada com severidade, nem com
liberdade leviana: Contra o exemplo resolutamente bom; fervente no zelo,
e morno na caridade". E para a bondade fraterna, amor – O
puro e perfeito amor a Deus e a toda humanidade. O apóstolo aqui faz um
avanço junto ao parágrafo precedente, bondade fraterna, que parece
apenas referir-se ao amor de Cristãos em direção uns aos outros.
8. Porque essas coisas estando realmente em vocês –
Acrescidos de sua fé. E abundando – Aumentando mais e mais, do contrário
não atingiremos o objetivo. Não se tornem indolentes, nem infrutíferos
– Não se permitam ser fracos em suas mentes, ou sem fruto nas suas
vidas. Se existe menos lealdade, menos cuidado e vigilância, uma vez
que fomos perdoados, do que existia antes, e menos diligência, menos
obediência exterior do que quando buscávamos remissão do pecado, nós
somos tanto indolentes, quando infrutíferos no conhecimento de Cristo,
ou seja, na fé, que, então, não pode ser operada, através do amor.
9. Mas aquele que necessita desses – Que não os
acrescente à sua fé. É cego – Os olhos de seu entendimento estão
novamente fechados. Ele não pode ver Deus, ou seu amor redentor. Ele
perdeu a evidência das coisas não vistas. Não é capaz de ver mais além
– Literalmente peticego. Ele perdeu a visão das promessas preciosas:
o amor perfeito e céu estão igualmente fora de seus olhos. Mais do que
isto, ele não pode agora ver o que ele mesmo desfrutou uma vez. Tendo,
por assim dizer, esquecido a purificação de seus pecados anteriores
– Escassamente sabendo o que ele mesmo, então, sentiu, quando seus
pecados foram perdoados.
10. O porquê – Considerando o estado miserável
daqueles apóstatas. Irmãos – Pedro em parte alguma usa desta apelação
em quaisquer de suas epístolas, mas nesta importante exortação. Sejam
mais diligentes – Pela coragem, conhecimento, temperança, etc.. Façam
seu chamado e eleição, firmes – Deus tem chamado vocês, através de
sua palavra e seu Espírito; ele os elegeu, os separou do mundo, através
da santificação do Espírito. Ó não joguem fora esses inestimáveis
benefícios! Se vocês são assim diligentes para tornarem sua eleição
firme, nunca finalmente deveriam cair.
11. Porque se vocês fizerem isto, uma entrada será
ministrada a vocês abundantemente, dentro do reino eterno – Vocês
deverão ir em completo triunfo para a glória.
12. O porquê – Uma vez que a destruição eterna
atende sua indolência, glória eterna, sua diligência, eu não
negligenciarei sempre em lembrá-los dessas coisas – Portanto, ele
escreveu outra, logo depois da primeira epístola; Embora vocês estejam
estabelecidos na presente verdade – Esta verdade que eu estou agora
declarando.
13. Neste tabernáculo – Ou tenda. Quão breve é nossa
moradia no corpo! Quão facilmente um crente passará dela.
14.
Assim como o Senhor Jesus mostrou-me - Da maneira que fora prenunciado, (João
21:18 etc.) "Na verdade,
na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e
andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as
tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras.
Etc.". Não é improvável, que ele tivesse mostrado também a
ele que o tempo estava agora se aproximando.
15. Para que possamos ser capazes – Tendo esta epístola
em nosso meio. 16. Essas coisas são meritórias de se ter sempre na memória. Porque elas não são austuciosamente fábulas enganosas – Como aquelas comuns dentre os ateus. Enquanto fizemos conhecidos a vocês o poder e a vinda – Ou seja, a poderosa vinda de Cristo na glória. Mas, se o que eles mostraram de Cristo não fosse verdade, se ele fosse da própria invenção deles, então, impor tal mentira no mundo, nesta circunstância, na mesma natureza das coisas, acima de todo poder humano para defender, e fazer isto às expensas da vida e todas as coisas somente para enfurecer o mundo todo, judeus e gentios, contra eles, não foi habilidade, mas a maior tolice do qual os homens seriam culpados. Mas foram testemunhas oculares de sua majestade – Em sua transfiguração, que foi uma mostra de sua glória no último dia.
17. Porque ele recebeu
a honra divina e glória inexprimível – Brilhando do céu acima da
claridade do sol. Quando veio tal voz da glória excelente – Ou seja,
de Deus, o Pai. (Mateus
17:5) "E, estando ele
ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma
voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo;
escutai-o".
18. E nós –
Pedro, Tiago, e João. João ainda estava vivo. Estando com ele no monte
santo – Desta maneira, através daquela gloriosa manifestação, como
o monte Horebe do passado, (Êxodos
3:4, 5) "E vendo o Senhor que se virava para ver, bradou Deus a ele do meio
da sarça, e disse: Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui. E
disse: Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o
lugar em que tu estás é terra santa". 19.
E nós – Pedro aqui fala em nome de todos os cristãos. Temos a
palavra da profecia – As palavras de Moisés, Isaías e todos os
profetas, são uma e a mesma palavra, de todas as maneiras, consistente
em si mesma. Pedro não cita alguma passagem especifica, mas fala do
completo testemunho deles. Mais confirmado – Por aquela exposição de
sua gloriosa majestade. Para cuja palavra, fazer bem em dar atenção,
como uma lâmpada que brilha em um lugar escuro – No qual, não existe
nem luz, nem janela. Tal antigamente era todo o mundo, exceto por aquele
pequeno ponto onde esta lâmpada brilhava. Até o dia amanhecesse – Até
que a completa luz do evangelho irrompesse, através da escuridão.
Assim como é a diferença entre a luz de uma lâmpada e aquela do dia,
tal é aquela entre a luz do Velho Testamento e o Novo. E a estrela da
manhã – Jesus Cristo, (Apocalipse 22:16) "Eu,
Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas.
Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã".
Surge em seus corações
– Para ser revelado em vocês. 20. Vocês fazem bem, sabendo disto, que nenhuma profecia bíblica é de interpretação privativa - Não é apenas a própria palavra do homem. É de Deus, não do próprio profeta, que, por meio dela, interpreta as coisas, até então, desconhecidas.
21. Porque a profecia
não veio do passado pela vontade do homem – De algum mero homem que
seja. Mas os homens santos de Deus – Devotados a ele, e separados por
ele, para este propósito, falaram e escreveram – Sendo movidos –
Literalmente levados. Eles eram puramente passivos nisto. Capítulo
2
1. Mas
existiram falsos profetas também – Assim como verdadeiros. Em meio ao
povo - De Israel. Aqueles que falam, até mesmo a verdade, quando Deus não
os enviou; e também aqueles que foram verdadeiramente enviados por ele,
e, ainda assim, corromperam ou enfraqueceram suas mensagens, eram os
falsos profetas. Como deve haver falsos – Assim como verdadeiros.
Professores dentre vocês, que privativamente trazem – Para dentro da
igreja. Heresias destrutivas – Eles, primeiro, por negarem o Senhor,
introduziram heresias destrutivas, ou seja, divisões; ou ocasionaram as
primeiras dessas divisões, e, então, entregavam-se à mente réproba,
mesmo em negar o Senhor que os comprou. Tanto as heresias são o efeito
de negar o Senhor, ou o negar o Senhor foi a conseqüência das
heresias. Até mesmo ao negar – Tanto através da doutrina, quanto de
suas obras. O Senhor que os comprou – Com seu próprio sangue. Ainda
assim, esses mesmos homens pereceram eternamente. Portanto, Cristo
comprou mesmo aqueles que perecem.
2. O caminho da verdade será mal falado a respeito –
Através daqueles que misturam todos os falsos e verdadeiros cristãos.
3. Eles não farão negócio de vocês – Apenas o usam
para ganharem através de vocês, como mercadores de seus produtos. Cujo
julgamento agora de um longo tempo não se demora – Foi há muito
tempo determinado, e será executado rapidamente. Todos os pecadores são
sentenciados à destruição; e Deus punir alguns prova que ele punirá
os demais.
4. Os lançaram no inferno – No abismo sem fim, um lugar
de miséria desconhecida. Os
entregou – Como criminosos condenados para a custódia segura, como se
presos, com as mais fortes algemas, em um calabouço de escuridão, para
serem reservados para o julgamento do grande dia. Embora aquelas algemas
ainda não impeçam que eles frequentemente caminhem, para cima e para
baixo, buscando a quem possam devorar.
5. E não pouparam o mundo antigo, o antediluviano, mas
ele preservou Noé. A oitava pessoa – ou seja, Noé e sete outros, um
pregador, assim como praticante da retidão. Trazendo a inundação no
mundo do ímpio – Cujos números os mantiveram em nenhum lugar.
9. Claramente aparece dessas sentenças, que o Senhor
sabe, tem sabedoria, poder e vontade para livrar o piedoso de todas as
tentações, e punir o ímpio.
10. Principalmente aqueles que caminham segundo a carne
– Natureza corrupta; particularmente na concupiscência da impureza. E
desprezam o governo – A autoridade de seus governos. Dignidades –
Pessoas na autoridade.
11. Visto que os anjos – Quando aparecem diante do
Senhor, (Jó 1:6 "E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o
Senhor, veio também Satanás entre eles"); (Jó 2:1 "E,
vindo outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o
Senhor, veio também Satanás entre eles, apresentar-se perante o
Senhor"), dar um relato do que eles viram e fizeram na
terra.
12. Selvagens como animais brutos – Diversos dos quais,
no atual estado desordenado do mundo, parecem nascer para serem
apanhados e destruídos.
13. Eles consideram prazeroso provocarem desordens durante
o dia – Eles se gloriam em fazer isto à face do sol. Eles são máculas,
em si mesmos, sujam a qualquer igreja. Divertindo-se com seus próprios
enganos - zombando daqueles a quem eles enganam, e, até mesmo, enquanto
estão enganando suas próprias almas.
15. O caminho de Balaão, o filho de Bosor – Assim os
caldeus pronunciavam o que os judeus denominavam Beor; ou seja, o
caminho da avareza. Quem amou – Desejou sinceramente, embora não se
atreveu a tomar, a recompensa do ímpio – O dinheiro que Balaque teria
dado a ele para amaldiçoar Israel.
15. O animal – Embora naturalmente mudo.
17. Fontes e nuvens de água prometida: assim esses
prometem, mas não cumprem.
18. Eles enganam nos desejos da carne – Admitindo que
eles gratifiquem alguns desejos pecaminosos. Aqueles que antes escaparam
inteiramente do espírito, costume, e companhia deles que vivem no erro
– No pecado.
19. Enquanto eles lhes prometem liberdade – Das restrições
e escrúpulos desnecessários; da escravidão da lei. Eles mesmos são
escravos da corrupção – Até mesmo do pecado, a mais vil de todas as
sujeições.
20. Porque, se depois que eles – Que são assim pegos
numa armadilha. Escapado das contaminações do mundo – Os pecados que
contaminam todos que não conhecem a Deus. Através do conhecimento de
Cristo – Ou seja, através da fé nele, capítulo 1:3. Eles estão
novamente emaranhados nisto, e conquistados, e seu estado final é pior
do que o primeiro – Mais indesculpável, e causando uma maior condenação.
21. O mandamento – Toda a lei de Deus, uma vez entregue
não apenas aos seus ouvidos, mas escritas em seus corações.
22. O cão, a porca – Tais são todos os homens às
vistas de Deus, antes que eles recebam sua graça, e depois que
receberam, naufragam na fé. (Provérbios 26:11) "Como
o cão torna ao seu vômito, assim o tolo repete a sua estultícia". Capítulo 3
2,3, Quanto mais atento quanto a isto, porque vocês sabem que os
escarnecedores virão primeiro – Antes que o Senhor venha. Caminhando
segundo seus próprios desejos diabólicos – Aqui está a origem do
erro, a raiz da libertinagem. Nós não vemos isto eminentemente
cumprido?
4.
Dizendo: Onde está a promessa do que virá – O julgamento (eles nem
mesmo se permitem dar nome a ele). Não vemos sinal de tal coisa. Porque
para sempre os antepassados – Nossos primeiros antecessores. Dormiram
em todas as coisas – Céu, terra, água. Continuaram como desde o
princípio da criação – Sem alguma tal mudança material, que nos
fizesse acreditar que eles alguma vez acabariam.
5.
Porque eles estão prontamente ignorantes a respeito disto – Eles não
se preocupam em saber ou considerar. Que, através da palavra onipotente
de Deus – Que limita a duração de todas as coisas, de maneira que não
pode ser nem mais longa, nem mais curta. Do passado – Antes da inundação.
Os céus aéreos, e a terra – Não eram, como eles são agora, mas
ficavam fora da água e na água – Talvez, o interior do globo
terrestre fosse fixo no meio de uma grande profundeza, o abismo de água;
a concha ou globo exterior permaneciam fora da água, cobrindo o grande
abismo. Esta, ou algumas outras grandes e manifestas diferenças entre a
constituição original e presente do globo terrestre, parece, então,
ter sido tão geralmente conhecida, que Paulo responsabiliza a ignorância
deles a respeito disto, totalmente por conta da obstinação.
6.
Através – Do céu e terra, as janelas do céu sendo abertas, e as
fontes do grande abismo se rompido. O mundo que, então, havia – Toda
a raça antediluviana. Mais tarde inundadas pela água, pareceram, ainda
assim, suportaram a grande mudança. Tão pouco fundamente têm esses
escarnecedores para dizer que todas as coisas continuam como eram desde
a criação.
7.
Mas os céus e terra, que agora existem – Desde a inundação. Estão
reservados para o fogo no dia em que Deus julgará o mundo, e punirá o
ímpio, com a destruição eterna.
8.
Mas não sejam ignorantes – Quem quer que vocês sejam. Desta única
coisa – Que lança muita luz na questão à mão. Que um dia é para o
Senhor, como mil anos; e mil anos como um dia – Moisés disse, (Salmos 90:4) "Mil
anos, em teus olhos, são como um dia"; o que Pedro aplica
com respeito ao último dia, de maneira a denotar sua eternidade, por
meio da qual ele excede toda medida do tempo em sua essência e em sua
operação; seu conhecimento, para o qual todas as coisas passadas ou
vindouras estão presentes todo momento; seu poder, que não necessita
de longa espera, com o objetivo de sua obra à perfeição; e sua
longanimidade, que exclui toda impaciência da expectativa, e desejo de
apressar-se. Um dia é para o Senhor como mil anos – Ou seja, em um
dia, em um momento, ele pode fazer a obra de mil anos. Portanto, ele "não
é vagaroso": ele está sempre igualmente pronto para cumprir
sua promessa. E mil anos são como um dia – Ou seja, nenhuma demora é
longa para Deus. Mil anos são um dia para o Deus eterno. Portanto, "ele
é longânime": ele nos dá tempo para o arrependimento, sem
qualquer inconveniência para si mesmo. Em uma palavra, com Deus o tempo
nem passa mais devagar, nem passa mais rápido do que seja adequado a
ele em sua administração; nem pode existir alguma razão porque seria
necessário a ele retardar ou antecipar o fim de todas as coisas. Como
você pode compreender isto? Se nós compreendêssemos isto, Pedro não
necessitaria ter acrescentado ao Senhor.
9.
O Senhor não é vagaroso. Como se o tempo fixado para isto já
estivesse passado. Concernente a sua promessa – Que certamente será
cumprida ao seu tempo. Mas é longânime em direção a nós – Filhos
dos homens. Não desejando que alguma alma, que ele criou possa perecer.
10.
Mas o dia do Senhor virá como um ladrão – De repente,
inesperadamente. No qual, os céus passarão com um grande estrondo –
Surpreendentemente expressado pelo mesmo som da palavra original. Os
elementos deverão se derreter com calor fervente – Os elementos
parecem significar o sol, a lua e as estrelas; não os quatro, comumente
assim chamados; porque o ar e água não podem se derreter, e a terra é
mencionada imediatamente depois. A terra e todas as obras – Quer da
natureza ou criação. Que estão dentro serão queimadas – E Deus já
não tem abundantemente provido para isto?
1º.
Através dos suprimentos de fogo subterrâneo que estão frequentemente
irrompendo no Etna, Vesúvio, Hecla, e muitas outras montanhas
ferventes.
2º.
Pelo fogo etéreo (vulgarmente chamado de elétrico), espalhado através
de todo o globo que, se a corrente secreta que o lacra fosse aberta,
imediatamente dissolveria toda a estrutura da natureza.
3º.
Pelos cometas, um dos quais, se ele toca a terra em seu curso em direção
ao sol, deve golpeá-la naquele abismo de fogo; se em seu retorno do
sol, quando está aquecido, como um grande homem calcula, duas mil vezes
mais quente do que uma bola de canhão fervente, deve destruir todos os
vegetais e animais muito tempo depois de seu contato, e, logo depois,
destruir.
11.
Vendo, então, que todas essas coisas estão dissolvidas – Para o olho
da fé aparece como já acontecido. Todas essas coisas – Mencionadas
antes; tudo que está incluído naquela expressão bíblica: "os
céus e terra"; ou seja, o universo. No quarto dia, Deus fez as
estrelas, (Gênesis
1:16), que serão dissolvidas, juntamente com a terra. Estão enganados,
portanto, aqueles que impedem tanto a história da criação, quanto
esta descrição da destruição do mundo para a terra e céus
inferiores; imaginando que as estrelas sejam mais antigas do que a
terra, e sobreviverão a ela. Ambas a dissolução e renovação estão
descritas, não para um céu que circunda a terra, mas para os céus em
geral, versículo 10, 13, sem qualquer restrição
ou limitação. Quais pessoas vocês devem ser em toda relação santa
– Com os homens. E santidade – Em direção ao seu Criador.
12.
Apressando-se – Por assim dizer, através de seus desejos sinceros e
orações ferventes. A vinda do dia de Deus – Muitas miríades de
dias, ele garante aos homens: um, o último, é o dia do próprio Deus.
13.
Nós buscamos por novos céus e nova terra – Surgida, das cinzas da
antiga; nós buscamos por um estado de coisas inteiramente novo. Em que
habita a retidão – Apenas espíritos justos. Quão grande mistério!
14.
Trabalhem para que, quando quer que ele venha, vocês sejam encontrados
em paz - Possam encontrá-lo com terror, borrifado com seu sangue, e
santificado pelo seu Espírito, de maneira a estar sem mancha ou
irrepreensíveis. (Isaías
65:17) "Porque,
eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança
das coisas passadas, nem mais se recordarão"; (Isaías
66:22) "Porque,
como os novos céus, e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante
da minha face, diz o Senhor, assim também há de estar a vossa
posteridade e o vosso nome".
15.
E considera a longanimidade do Senhor, salvação – Não apenas
designada a conduzir os homens ao arrependimento, mas verdadeiramente
conduzi-los além disso: um meio precioso de salvar muito mais almas.
Como nosso amado irmão Paulo também escreveu a vocês – Isto se
refere não apenas à simples sentença precedente, mas a todas que
vieram antes. Paulo escreveu para o mesmo efeito, concernente ao fim do
mundo, em diversas partes de suas epístolas, e, especificamente, em sua
Epístola aos Hebreus. (Romanos 2:4) "Ou desprezas tu as riquezas da sua
benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade
de Deus te leva ao arrependimento".
16.
Como também em todas as suas epístolas – Pedro escreveu isto um
pouco antes do seu martírio, e do de Paulo. Paulo, portanto, escreveu
agora todas as suas epístolas; e mesmo desta expressão, podemos
aprender que Pedro as leu todas, talvez, enviadas pelo próprio Paulo a
ele. Nem estava ele, afinal, aborrecido, pelo que Paulo havia escrito,
concernente a ele em Epístola aos Gálatas. Falando dessas coisas –
Ou seja, da vinda de nosso Senhor, retardada, através de sua
longanimidade, e das circunstâncias precedentes e que a acompanham.
Cujas coisas o inculto - eles que não são ensinados de Deus – E o
instável – Os homens oscilantes, inconstantes, duvidosos. Deturpam
– Como se Cristo não viesse. Como eles fazem também com outras
escrituras – Portanto os escritos de Paulo eram agora partes das
escrituras. Para a própria destruição deles – Mas porque alguns
usam as escrituras de maneira prejudicial, não existe razão para que
outros não a usem, afinal.
18. Mas cresçam na graça – Ou seja, em todo temperamento cristão. Pode haver, por um tempo, graça sem crescimento; como pode haver vida natural sem crescimento. Mas tal vida doentia, da alma ou corpo, terminará na terra, e a cada dia, mais próxima disto. A saúde é o meio do crescimento natural e espiritual. Se o mal remanescente de nossa natureza caída não for mortificado diariamente, ele destruirá o homem todo, assim como fazem o líquido orgânico prejudicial do corpo. Mas "se vocês mortificam as ações do corpo, através do Espírito", (apenas até onde podemos fazer isto) "vocês deverão viver" a fé, santidade, e felicidade. A finalidade e o objetivo da graça, comprada e concedida a nós, são destruir a imagem do mundano, e restaurar-nos para aquela do divino. E até onde isto for feito, verdadeiramente nos favorece; e também cria meio para mais do dom divino, para que possamos, por fim, sermos preenchidos com toda a plenitude de Deus. A força e beneficência de um cristão dependem do que sua alma se alimenta, assim como a saúde do corpo depende do que fazemos nossa refeição diária. Se nos alimentamos com o que está de acordo com nossa natureza, crescemos; se não, definhamos, e morremos. A alma é da natureza de Deus, e nada, a não ser o que está de acordo com sua santidade pode concordar com isto. O pecado, de todo o tipo, enfraquece a alma e faz com que ela se destrua. Não vamos inverter a ordem de Deus em sua nova criação: nós podemos apenas enganar a nós mesmos. É fácil renunciar à vontade de Deus, e seguir a nossa; mas isto trará pobreza na alma. É fácil nos satisfazermos, sem termos posse da santidade e felicidade do evangelho. É fácil chamar essas estruturas e sentimentos, e, então, opor-se à fé de um, e Cristo do outro. Estruturas (admitindo a expressão) não são outra coisa do que os temperamentos divinos, "a mente que estava em Cristo". Sentimentos são as consolações divinas do Espírito Santo, espalhadas no coração daquele que verdadeiramente crê. E onde quer que a fé esteja, e onde quer que Cristo esteja, existem essas estruturas abençoadas e sentimentos. Se eles não estão em nós, é um sinal certo de que, embora o deserto se transforme numa poça, a poça se transforma num deserto novamente. E no conhecimento de Cristo – Ou seja, na fé, a raiz de tudo. A ele ser a glória para o dia da eternidade – Uma expressão naturalmente fluindo daquele significado que o apóstolo tem sentido em sua alma, através de todo este capítulo. A eternidade é o dia, sem noite, sem interrupção, sem fim. Tradução de Izilda Bella
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