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SOBRE A ONIPRESENÇA DE DEUS John Wesley “Esconder-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja?
diz o Senhor. Porventura não encho eu o céu e a terra? diz o
Senhor”. (Jeremias 23:24) 1. Quão fortemente e belamente essas palavras expressam a Onipresença de Deus! E pode existir em todo o alcance da natureza um assunto mais sublime? Pode existir algo mais merecedor de consideração de toda criatura racional? Existe alguma coisa mais necessária a ser considerada, e a ser entendida, até onde nossas pobres faculdades permitirão? Quantos excelentes propósitos ela pode responder! Que profunda instrução ela pode transmitir a todos os filhos dos homens! E mais diretamente aos filhos de Deus. 3.
O que parece faltar ainda, para o uso geral, é um discurso claro sobre
a onipresença ou ubiqüidade de Deus. I.
Em Primeiro Lugar, de alguma maneira explicar e provar aquela
gloriosa verdade: “Deus esta
neste, e em toda a parte”. II.
E, então, aplicando-a as consciências de todos os homens
racionais. III.
Algumas inferências práticas. I Tua visão onipresente, Mesmo até os reinos intransitáveis se estende Da noite não criada. 2.
Na verdade, este assunto é também amplo para ser compreendido
pelos limites estreitos do entendimento humano. Nós podemos apenas
dizer: O grande Deus, o eterno, o Espírito Altíssimo, é ilimitado em
sua presença, quanto em sua duração e poder. Em condescendência, na
verdade, a nosso fraco entendimento, diz-se que ele habita no céu; mas,
estritamente falando, o céu dos céus não pode contê-lo; mas ele está
em todas as partes do seu domínio. O Deus universal habita no espaço
universal; de maneira que podemos dizer: Salve, Pai! Cuja criação chama A incontáveis mundos atende! Jeová, compreendendo tudo, A quem ninguém pode compreender! II Totam Mens agitans molem, et magno se corpore miscens: Que preenche, penetra e impulsiona o todo. Porém,
eles não tinham o entendimento de que Deus dá atenção à menor das
coisas, assim como à maior; o entendimento do fato dele presidir sobre
tudo que Ele criou, e governar átomos, assim como mundos. Isto nós não
poderíamos saber, a menos que agradasse a Deus revelar isto de si
mesmo. Não tivesse Ele mesmo nos informado assim, nós não teríamos
nos atrevido a pensar que “nenhum pardal cai ao chão, sem a vontade de nosso Pai que está no céu”,
e muito menos afirmar
que, “até mesmo os fios de
cabelos de nossa cabeça são todos numerados!”. 2.
Esta confortável verdade de que “Deus
preenche céus e terra”, nós
aprendemos também do Salmo acima citado: “Se
eu subir ao céu, tu estás lá; se eu descer ao inferno, tu também estás.
Se eu tomar as asas da manhã, e permanecer nas partes mais extremas do
mar; até mesmo lá, tua mão me guiará”. O significado claro é:
se eu me deslocar para alguma distância que seja, tu estás lá; tu
ainda me cercas, e colocas tua mão sobre mim. Permite-me voar para
alguma distância concebível ou inconcebível; acima, abaixo, ou de
qualquer lado: não faz diferença; tu ainda estás igualmente lá: Em
ti, eu ainda “vivo, e me movo e
tenho minha existência”. 3.
E onde nenhuma criatura está, ainda assim, Deus está lá. A presença
ou ausência de alguma ou de todas as criaturas não faz diferença com
respeito a ele. Ele está igualmente em tudo, ou na ausência tudo.
Muitas têm sido as disputas em meio aos filósofos, se existe tal coisa
como espaço vazio no universo; e hoje geralmente se supõe que todo o
espaço esteja cheio. Talvez, não possa ser provado que todo o espaço
esteja preenchido com matéria. Mas o próprio ateu testemunhará
conosco: Jovis omnia plena: “Todas as coisas estão cheia de Deus”. Sim, e o espaço existe
além dos limites da criação (porque a criação deve ter limites, uma
vez que nada é ilimitado, nada pode ser, a não ser o grande Criador),
até mesmo este espaço não pode excluir aquele que preenche o céu e
terra. 4.
Exatamente equivalente a isto é a expressão do Apóstolo em (Efesios
1:23, não, como alguns estranhamente têm suposto, concernente à
Igreja, mas concernente ao Chefe dela): “A
plenitude Dele que preenche tudo em todos”; ta panta en pasin,
literalmente traduzida: “todas
as coisas em todas as coisas”, -- a mais forte expressão da
universalidade que pode possivelmente ser concebida. Ela necessariamente
inclui a última e a maior das coisas que existe. De maneira que se
alguma expressão pudesse ser mais forte, ela seria mais forte do que,
até mesmo, esta: -- o “preencher
céus e terra”. 5. Na verdade, esta mesma expressão: “Eu não preencho céus e terra?” (a questão sendo igual a mais forte afirmação), implica a mais clara declaração de que Deus está presente, em todos os lugares, e preenche todos os espaços; porque é bem sabido que a frase hebraica, “céus e terras”, inclui todo o universo, toda a extensão do espaço, criado ou não criado, e tudo que nele há. 7.
De fato, onde quer que suponhamos que ele não esteja, lá supomos
que todos os seus atributos sejam em vão. Ele não pode exercitar lá,
quer sua justiça ou misericórdia; quer seu poder ou sabedoria. Em um
espaço extramundano (por assim dizer), onde supomos que Deus não
esteja presente, nós devemos, é claro, supor que ele não tenha duração;
mas como se supõe que isto esteja além dos limites da criação, então,
está além dos limites do poder do Criador. Tal é o absurdo blasfemo
que está implícito nesta suposição. 8.
Mas tudo que é, ou pode ser dito da onipresença de Deus, o mundo
faz uma grande objeção. Eles não podem vê-lo. E isto está realmente
na raiz de toda as outras objeções dele. Isto nosso abençoado Senhor
observou há muito tempo: “De
quem o mundo não pode receber, porque eles não o vêem”. Mas não
é fácil responder. “Você pode
ver o vento?”. Não pode. Mas você pode, no entanto, negar sua
existência, ou sua presença? Você diz: “Não,
porque eu não posso conceber isto pelos meus outros sentidos”. Mas,
através de qual dos seus sentidos, você percebe sua alma? Certamente,
você não nega a existência ou a presença dela! E ainda assim, ela não
é o objeto de sua visão, ou de algum de seus outros sentidos. É
suficiente, então, considerar que Deus é um Espírito, como é nossa
alma também. Conseqüentemente, “nenhum
homem o viu, ou poderá ver”, com os olhos da carne e sangue. III Escuridão, com excessiva luz, suas bordas mostram Ainda assim, ofuscam os céus, para que o mais brilhante Serafim Não se aproxime, mas com ambas as asas velem os olhos deles. 3.
Especificamente: Se não existe uma palavra em nossa língua; nem
uma sílaba que vocês falem; mas ele “a
conhece completamente”;
quão cuidadosos vocês seriam ao “colocarem um vigia em suas bocas e ao manterem a porta dos seus lábios
fechada!”. Quão
prudente conviria a vocês, em todo o seu modo de vida; estando avisados
por seu Juiz, que “pelas suas
palavras, vocês podem ser condenados!”. Quão prudentes, a fim de
que “alguma comunicação corrupta”, alguma comunicação não
generosa; sim, ou discurso sem proveito, possam “derivar-se
da boca de vocês”, em
vez “daquilo que é bom para o
uso da edificação, e adequado para ministrar graça aos ouvintes!”. 4.
Sim, se Deus vê nossos corações, assim como nossas mãos, e em
todos os lugares; se ele entende nossos pensamentos, muito antes que
eles se revistam de palavras, quão sinceramente deveremos urgir aquela
petição: “Sonda-me, ó Senhor,
e me prova; testa minhas afeições e meu coração: observa bem, se
existe alguma maldade em mim, e me conduze no caminho eterno!”.
Sim, quão necessário é operar junto a ele, o “manter
nossos corações com toda diligência”, até que ele “subjugue as imaginações”, as conjecturas diabólicas, “e
tudo que exalta a si mesmo contra o conhecimento de Deus, e traga cativo
todo pensamento para a obediência a Cristo!”. 5.
Por outro lado, se vocês já estão inscritos, sob os cuidados do
grande Capitão de sua salvação, e, uma vez que vocês estão
continuamente, sob os olhos de seu Capitão, quão zelosos e ativos vocês
deverão ser, para “lutarem a
boa luta da fé, e se agarrarem firmes à vida eterna”; “suportarem
as provações, como bons soldados de Cristo”; usarem de toda a
diligência, “lutarem a boa
guerra”, e fazerem o que quer que seja aceitável aos olhos dele!
Quão cuidadosos, vocês deverão ser para terem todos os seus caminhos
aprovados aos olhos dele, que tudo vêem; para que ele possa dizer aos
seus corações, o que ele proclamará em voz alta, na grande assembléia
de homens e anjos: “Bravo, bons
e fiéis servos!” 6.
Com o objetivo de alcançarem estas gloriosas finalidades, não
poupem esforços para conservarem sempre um sentido profundo, contínuo,
vivido, e alegre da graciosa presença de Deus. Nunca se esqueçam de
sua palavra abrangente para o grande pai do fiel: “Eu
sou o Altíssimo” (melhor, o Todo-suficiente) “Deus;
caminhem perante mim, e sejam perfeitos!”. Alegremente, esperem
que Ele, diante de quem você permanece, os guiará sempre, através dos
olhos dele, os apoiará, através de sua mão guardiã, os livrará de
todo o mal, e “quando vocês
tiverem suportado, por um tempo, ele os fará perfeitos, os firmará,
fortalecerá e os assentará”; e, então, “os
preservará imaculados, até a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. Portsmouth,
12 de Agosto, 1788 izilda bella
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