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Conhecendo a Cristo, Segundo a
Carne John Wesley PLYMOUTH-DOCK,
15 de Agosto de 1789. 'Por isso, daqui por diante, a ninguém, nós conhecemos segundo a
carne; e, ainda que tenhamos conhecido Cristo, segundo a carne, contudo
agora já não o conhecemos desse modo'. (II Corintios 5:16) 1.
Há muito tempo tenho desejado ver alguma coisa claramente e
inteligentemente escrita sobre essas palavras. Este não é, sem dúvida,
um ponto de pequena importância: ele entra profundo na natureza da
religião; e, ainda assim, que tratado nós temos, na língua Inglesa,
que seja escrito sobre ele? Possivelmente, pode existir algum; mas
nenhum deles chegou ao meu conhecimento; não, nem mesmo um simples sermão. 2.
Isto é aqui introduzido pelo Apóstolo, de uma maneira muito solene.
Essas palavras, literalmente traduzidas seguem assim: 'Ele
morreu por todos, para que os que vivem'; todos que vivem sobre a
terra, 'não possam, doravante, do momento em que O conheceram, viverem para si
mesmos'; buscarem a sua própria honra, ou proveito, ou prazer, 'mas
junto a ele', na retidão e santidade verdadeira. (II
Coríntios 5:15). 'De modo
que, desde este tempo', nós que o conhecemos pela fé, 'conheçamos
ninguém', mesmo o restante dos Apóstolos, ou você, ou alguma
outra pessoa, 'segundo a carne'.
Esta expressão incomum, na qual toda a doutrina depende, parece
significar que nós não consideramos homem algum, de acordo com seu
estado anterior, -- sua região, riquezas, poder ou sabedoria. Nós
consideramos todos os homens apenas em seu estado espiritual, e como
eles permanecem relacionados para um mundo melhor. Sim, se nós tivéssemos
conhecido, até mesmo Cristo, segundo a carne (o que indubitavelmente
eles fizeram, observando e amando a Ele como a um homem, com uma afeição
natural), ainda assim, agora, nós não o conheceríamos mais desta
forma. Nós não o conheceríamos mais, como a um homem, pela sua face,
forma, voz, ou maneira de falar. Nós não mais pensaríamos Nele como a
um homem, ou o amaríamos sob esta característica. 3.
O significado, então, desta expressão fortemente figurativa parece ser
nenhuma outra do que esta: Do momento em que somos criados novamente em
Cristo Jesus, nós não pensamos, ou falamos, ou agimos, com respeito a
nosso abençoado Senhor, como um mero homem. Nós não usamos agora
qualquer expressão, com relação a Cristo, que não possa ser aplicada
a ele, não apenas como a um homem, mas como Ele sendo 'Deus
sobre todos, e abençoado para sempre'. 4.
Talvez, com o objetivo de colocar isto, sob uma luz mais clara, e,
ao mesmo tempo, preservarmo-nos contra erros perigosos, seria bom
exemplificar alguns desses, que, de uma maneira mais clara e palpável, 'conheceram
a Cristo, segundo a carne'. Nós podemos situar, entre os primeiros
desses, os Socinianos [Socianismo
à
doutrina de Socini, também chamado Socino, que rejeitava a Trindade e
especialmente a divindade de Jesus]; aqueles que claramente 'negavam
o Senhor que os comprou'; e que, não apenas não admitem que Ele
seja o supremo Deus, mas negam que Ele seja algum tipo de Deus, afinal.
Eu penso que o mais eminente desses que apareceram na Inglaterra, pelo
menos, no atual século, foi um homem de grande aprendizado e
habilidades incomuns, Dr. John Taylor, durante muitos anos pastor em
Norwich; mais tarde, presidente da Academia de Warrigton. Ainda assim, não
se pode negar que ele trata nosso Senhor com grande civilidade; ele se
dirige a Ele com palavras muito bondosas; ele o denomina de 'um
personagem notável'; sim, 'um
homem de virtude consumada'. 5.
Ao lado desses estão os Arianos
[Membros da seita de Ario, que, no dogma
da Santíssima Trindade, não admitia a consubstancialidade do Pai com o
Filho]. Mas eu não pensaria em colocar esses, no mesmo nível
que os Socinianos. Existe uma diferença considerável entre eles.
Porque, enquanto que os primeiros negam que Cristo seja algum Deus,
afinal, os últimos, não; eles apenas negam que ele seja o grande Deus.
Eles de bom grado admitem, mais do que isto, afirmam que Ele é um Deus
menor. Mas isto é atendido com uma inconveniência peculiar. Isto destrói
totalmente a unidade da Divindade. Porque, se existe um Grande Deus e um
Deus Menor; devem existir dois Deuses. Mas, colocando isto à parte, e
mantendo o ponto diante de nós: todos que falam de Cristo, como sendo
inferior ao Pai, e consideram que Ele seja sempre tão pequeno,
indubitavelmente, 'o conhecem,
segundo a carne'; não como 'o
brilho da glória do Pai, a imagem expressa de sua pessoa; como
mantendo', suportando, 'todas
as coisas', tanto nos céus, quanto na terra, 'pela
palavra de Seu poder', -- a mesma palavra poderosa, por meio da
qual, no princípio, ele os chamou à existência. 6.
Existem alguns desses que ousam reivindicar que o grande e bondoso Dr.
Watts tem a mesma opinião deles; e com o objetivo de provar que ele
pensa assim, eles têm citado aquele belo solilóquio, que está
publicado em suas obras póstumas. Ainda assim, homens imparciais não
irão permitir que eles reivindiquem, sem uma prova mais forte do que a
que já tem aparecido. Mas, se ele está isento desta responsabilidade,
ele não está igualmente isento de 'conhecer
a Cristo, segundo a carne', em outro sentido. Eu não estava ciente
disto, mas li todas suas obras, com quase igual admiração, quando uma
pessoa de grande devoção, assim como julgamento foi casualmente
lembrada de que alguns hinos publicados em seu Horae Lyricae, dedicado
ao Amor Divino, eram (como ele salientou) 'muito
amorosos, e ajustados para serem endereçados, por um amante, para seu
companheiro moral, do que por um pecador para o Altíssimo Deus'. Eu
não divido, que existem alguns outros escritores que, embora creiam na
Divindade de Cristo, ainda assim, falam da mesma maneira descuidada. 7.
Nós podemos afirmar que os hinos publicados, por um grande homem (cuja
memória eu amo e estimo) estão livres desta falta? Eles não estão
repletos de expressões que fortemente saboreiam do 'conhecer
a Cristo, segundo a carne?'. Sim,
e de uma maneira mais ostensiva do que alguma coisa que, alguma vez, foi
publicada anteriormente, na língua Inglesa? Que pena, que essas expressões
grosseiras possam aparecer em muitos hinos verdadeiramente espirituais!
Quão freqüentemente, no meio de versos excelentes, existem linhas
inseridas que degradam aquelas que as precederam, e as seguem! Por que
todas as composições, naquele livro, não são apenas tão poéticos,
mas igualmente tão racionais e tão espirituais, como muitos deles
reconhecidamente o são? 8.
Foi há cinqüenta ou sessenta anos atrás que, pela graciosa providência
de Deus, meu irmão e eu, em nossa viagem para a América nos tornamos
familiarizados com os (assim chamados) irmãos Morávios
[Que pertence à seita dos morávios, denominação protestante, surgida
no século XVIII, pela renovação do antigo movimento dos Irmãos Boêmios,
que dá ênfase à vida cristã pura e simples e à fraternidade dos
homens. Mais comumente conhecida como Irmãos Morávios]. Nós
rapidamente nos certificamos de que espírito eles eram, estando vinte e
seis deles, na mesma embarcação conosco. Nós não apenas contraímos
muita estima, mas uma forte afeição por eles. Todos os dias, nós
conversávamos com eles, e os consultávamos em todas as ocasiões. Eu
traduzi muitos de seus hinos para o uso de nossas próprias congregações.
De fato, como eu não me atrevi a implicitamente seguir quaisquer
homens, eu não peguei todos que se colocaram diante de mim, mas
selecionei aqueles que eu julguei serem mais bíblicos, e mais adequados
para uma experiência saudável. Ainda assim, eu não estou certo de que
eu tenha tomado suficiente cuidado, para aparar cada palavra ou expressão
imprópria; -- cada uma que pudesse parecer no limite da familiaridade,
que não é tão bem adequada à boca de um verme da terra, quando se
endereçando ao Deus do céu. Eu tenho, na verdade, me esforçado,
particularmente, em todos os hinos que são endereçados ao nosso abençoado
Senhor, para evitar toda expressão carinhosa, e falar como que para o
mais Altíssimo Deus, a Ele que está 'na
glória, igual com o Pai, na majestade co-eterna'. 9.
Provavelmente, alguns irão pensar que eu tenho sido muito escrupuloso,
com respeito a alguma palavra em particular, que eu mesmo nunca usei,
quer em verso ou prosa, em oração ou pregação, embora ela seja freqüentemente
usada pelos clérigos modernos, tanto de Roma quanto das Igrejas
Reformadas. Trata-se da palavra querido. Muitos desses, freqüentemente dizem, ambos em pregação,
em oração, e dando graças. 'Querido
Senhor', ou 'Querido
Salvador', e meu irmão usou a mesma expressão, em muitos dos seus
hinos, por quanto tempo ele viveu. Mas não se trata de usar de muito
familiaridade com o grande Senhor do céu e terra? Existe alguma
escritura, alguma passagem no Velho ou Novo Testamento, que justifique
esta maneira de falar? Alguns dos escritores inspirados fizeram uso
dela, até menos, nas Escrituras poéticas? Talvez, alguns possam
responder: "Sim, o Apóstolo
Paulo a usa. Ele diz, 'Filho querido de Deus'". Eu
replico: Em Primeiro Lugar, isto
não alcança o caso, porque a palavra a que nós atribuímos querido, não estava endereçada a Cristo, afinal, mas apenas falava
dele. Portanto, não é exemplo, ou justificação, para nós a endereçarmos
a Ele. Em Segundo Lugar¸ não
se trata da mesma palavra. Traduzida literalmente, a sentença se
expressa, não como seu Filho
querido, mas o Filho de seu amor, ou seu Filho
amado. Portanto, eu ainda duvido, se algum dos escritores
inspirados, alguma vez, endereça a palavra, tanto ao Pai, quanto ao
Filho. Disto, eu não posso deixar de aconselhar a todos os amantes da Bíblia,
se eles usam a expressão, afinal, a usá-lo muito esparsamente, vendo
que as Escrituras não oferece comando, nem precedente para ela. E,
certamente, se algum homem falar',
tanto em pregação, quanto em oração, ele 'deverá falar, como os oráculos de Deus'. 10.
Nós não usamos freqüentemente esta expressão não bíblica, nos
referindo ao nosso abençoado Senhor nas conversas também? E nós não
estamos, então, especialmente aptos para falar Dele, como um mero
homem? Particularmente, quando nós estamos descrevendo seus
sofrimentos, quão facilmente incorremos nisto! Fazemos bem em sermos
cuidadosos neste assunto. Aqui não existe espaço para tolerar uma
imaginação entusiasta. Eu tenho, algumas vezes, quase hesitado cantar
(até mesmo, o excelente hino de meu irmão) 'Aquela
querida face desfigurada', ou aquela ardente expressão, 'Derrame
teu sangue quente sobre meu coração', a fim de que isto não pareça
insinuar que me esqueço de que falo do 'Homem
que é meu Próximo, diz o Senhor dos Exércitos'.
Embora
Ele também 'se humilhasse,
tomando sobre si a forma de um servo, para ser encontrado, de certo
modo, como um homem'; sim, embora Ele fosse 'obediente
junto à morte, até mesmo à morte na cruz'; ainda assim, que seja
sempre lembrado que Ele 'não
considerou roubo ser igual com Deus'. E
que nossos corações ainda clamem, 'Tu
és excessivamente glorioso; tu estás coberto com majestade e honra'. 11.Talvez,
alguns possam ficar temerosos, com receio de que refreando essas expressões
calorosas, ou mesmo, gentilmente as reprimindo, isto possa reprimir o
fervor de nossa devoção. É bem provável que ele possa, ou, até
mesmo, impeça alguns tipos de fervor, que têm passado por devoção.
Possivelmente, ele pode impedir gritos altos, horríveis, desnaturais, a
repetição das mesmas palavras vinte ou trinta vezes, pular dois ou três
pés de altura, e jogar para todos os lados braços e pernas, tanto de
homens quanto de mulheres, de uma maneira chocante, não apenas para a
religião, mas para a decência comum. Mas ele nunca irá reprimir,
muito menos, impedir a verdadeira devoção bíblica. Ao contrário,
isto irá avivar a oração que é propriamente endereçada a Ele que,
embora fosse homem, ainda era o mesmo Deus; que, embora tivesse nascido
de uma mulher, para redimir o homem, ainda era o 'Deus
da eternidade e mundo sem fim'. 12.
E que não se pense que conhecer Cristo, segundo a carne; considerá-lo
como um mero homem, e, em conseqüência, usar tal linguagem em público,
assim como em particular, como sendo adequada àquelas concepções
Dele, é uma coisa de uma natureza puramente indiferente, ou, de certa
forma, de um momento não importante. Ao contrário, o usar desta
familiaridade imprópria com Deus, nosso Criador, nosso Redentor, nosso
Governador, é naturalmente produtivo, de todos os frutos pecaminosos. E
isto, não apenas naqueles que falam, mas também naqueles que os ouvem.
Isto tem uma tendência direta de diminuir aquela reverência terna
devida ao Senhor o Governador deles. Isto sensivelmente sufoca aquele
silencioso respeito, que não se atreve a se mover, e todo o céu
silencioso do amor. É
impossível que nós possamos nos acostumar a esta odiosa e indecente
familiaridade com nosso Criador, enquanto preservamos em nossas mentes,
um sentido vivo do que está retratado naquelas solenes linhas: -- Trevas, com excessivo brilho, suas bordas aparecem; Ainda que no céu deslumbrante, aquele Serafim, mais luzente, não se aproxime, a não ser com ambas as asas encobrindo seus olhos. 13.
Agora, cada cristão racional não tem o desejo sincero de
experimentar constantemente de tal amor de seu Redentor (vendo que ele
é Deus assim como homem), já que está misturado com o temor angélico?
Não é com esta mesma disposição que o bom Dr. Watts tão bem
expressa nestas linhas: Tuas misericórdias nunca serão removidas, Dos homens de coração sincero; Tu salvas as almas daqueles, cujo amor humilde Está misturado com o temor santo? 14.
Não que eu recomende uma oração fria, morta, e formal, sem o que,
ambos o amor e desejo; a esperança e o temor são excluídos. Assim
parece ter sido 'o calmo e
imperturbável método de oração', tão fortemente recomendado
pelo recente bispo Hoadly, que ocasionou, durante alguns anos, tão
violenta discussão no mundo religioso. Não é provável que o bem
intencionado bispo tenha se encontrado com alguns dos Místicos
[(Misticismo) Crença religiosa ou filosófica dos místicos, que
admitem comunicações ocultas entre os homens e a divindade] e Quietistas
[ (Quietismo) Sistema místico de alguns teólogos, condenado pela
Igreja Católica, que defende a inutilidade do esforço humano para a
salvação e para a santificação; segundo essa doutrina, a pessoa deve
conservar-se em estado de absoluta passividade contemplativa,
indiferente a tudo] (tais como Madame Guion, ou o Arcebispo [Fenelon] de
Cambray) e que tendo nenhuma experiência dessas coisas, remendou uma
teoria própria, tão
proximamente semelhante às dele, tanto quanto pôde? Mas é certo que
nada está além da apatia do que a devoção real e bíblica. Ela
estimula, exercita, e dá uma completa extensão a todas as nossas mais
nobres paixões; e exclui nenhuma, a não ser aquelas que são
selvagens, irracionais, e abaixo da dignidade humana. 15.
Mas, como, então, nós podemos considerar, que tantos homens
santos, de afeições verdadeiramente elevadas, não excetuando o devoto
Kempis, têm, tão freqüentemente, usado esta maneira de falar; esses
tipos mimosos de expressão; uma vez que nós não duvidamos, de que
eles eram homens verdadeiramente devotos? Até aceitamos que eles
fossem; mas não admitimos que seus julgamentos fossem iguais à devoção
deles. E, conseqüentemente, as afeições deles realmente excediam os
limites da razão, e os conduziam a uma maneira de falar, não
autorizada pelos oráculos de Deus. Certamente, aqueles eram os
verdadeiros modelos, ambos de nossas afeições e nossa linguagem. Mas
algum dos homens santos do passado falaram assim, quer no Velho ou no
Novo Testamento? Daniel, 'o homem
grandemente abençoado', alguma vez se expressou dessa forma com
Deus? Ou 'o discípulo a quem
Jesus amava', e que, sem dúvida, amou seu Mestre com a mais forte
afeição, nos deixou um exemplo de endereçar-se a Ele assim, mesmo
quando ele estava no crepúsculo da glória? Mesmo, então, suas
palavras derradeiras não são encontradas, a não ser no solene 'Vem,
Senhor Jesus!'. 16. A somatória de tudo é que nós devemos 'honrar o Filho, assim como honramos o Pai'. Nós devemos adorá-lo, assim como prestamos adoração ao pai. Nós devemos amá-lo de todo nosso coração e alma; e consagrar tudo que temos e somos; tudo que pensamos, falamos e fazemos ao Trino Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, do mundo sem fim! [Editado por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.] ____ Tradução:
Izilda Bella
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