|
O Caminho Mais Excelente John Wesley “Mas procurai com zelo os maiores dons. Ademais, eu vos mostrarei
um caminho sobremodo excelente” (I
Cor. 12:31) I. Agora, pela graça
de Deus, nós podemos escolher o “caminho
mais excelente”. Vamos
agora comparar este com o caminho em que a maioria dos cristãos
caminha. II. Certamente,
existe “um caminho mais
excelente” de ordenar nossas devoções pessoais. III.
Os cristãos usualmente aplicam-se as suas tarefas, constatando que
é impossível que um homem ocioso ser um bom homem: -- a indolência
sendo inconsistente com a religião. IV. Todo chefe de família,
antes de se sentar para comer e beber, deve pedir a bênção de Deus,
sobre o que está prestes a tomar e, mais tarde, dar graças ao Doador
de todas as suas bênçãos. V. Nós precisamos
de intervalos de diversão entre as ocupações dos vários tipos. VI. Qual é o caminho
em que os cristãos empregam o dinheiro? E não existe “um
caminho mais excelente?”. 1. Nos versos
precedentes, Paulo fala dos dons extraordinários do Espírito Santo;
tais como curar o doente, profetizar (no sentido apropriado da palavra;
ou seja, predizer coisas vindouras), falar em línguas estranhas, tais
que o orador nunca aprendeu, e a interpretação miraculosa de línguas.
E o Apóstolo admite que esses dons sejam desejados; sim, ele exorta aos
Coríntios, pelo menos, os professores em meio a eles (para os quais
principalmente, se não, unicamente, desejou-se que fossem dados, nas
primeiras eras da Igreja) a almejá-los honestamente, para que, deste
modo, eles pudessem qualificar-se, de maneira a serem mais úteis, tanto
aos cristãos, quanto aos ateus. “E
ainda assim”, ele diz, “eu
lhes mostrarei um caminho mais excelente”; muito mais desejável
do que todos esses colocados juntos, sempre que isto infalivelmente os
conduza à felicidade ambas neste mundo e no vindouro; considerando que
vocês teriam todos aqueles dons, sim, no mais alto grau, e ainda assim,
seriam miseráveis quer no tempo ou na eternidade. 2. Não parece que
esses dons do Espírito Santo foram comuns na igreja, por mais do que
dois ou três séculos. Nós raramente ouvimos deles, depois daquele período
fatal, quando o Imperador Constantino chamou a si mesmo de cristão, e
da vá imaginação de promover a causa cristã, e, desse modo,
acumulando riquezas, e poder, e honra, sobre os cristãos em geral; mas
em específico, sobre o clero cristão. Desde este tempo, eles quase que
totalmente cessaram; muitos poucos exemplos deste tipo foram
encontrados. A causa disto não foi (como tem sido vulgarmente suposto) “porque
não havia mais oportunidade para eles”, porque todo o mundo havia
se tornado cristão. Este é um erro miserável; nem uma vigésima parte
deles era, então, nominalmente cristã. A causa real foi que “o
amor de muitos”, de quase todos os cristãos, assim chamados, “tornou-se
frio”. Os cristãos não tinham mais o Espírito de Cristo, do que
os outros ateus. O Filho do homem, quando ele viesse examinar sua
igreja, dificilmente “encontraria
fé sobre a terra”. Esta foi a causa real porquê os dons
extraordinários do Espírito Santo não foram mais encontrados na
igreja cristã: -- porque os cristãos se tornaram ateus novamente, e
tinham apenas uma forma morta restante. 3. De qualquer
forma, eu, no momento, não falaria desses, dos extraordinários dons do
Espírito Santo, mas daqueles comuns; e daqueles que igualmente podemos “honestamente almejar”, com o objetivo de sermos mais úteis em
nossa geração. Com esta visão, podemos almejar “o dom do discurso convincente”, com a finalidade de “sondar
o coração descrente”; e o dom da persuasão, de mover as afeições,
assim como iluminar o entendimento. Nós podemos almejar conhecimento,
tanto da palavra quanto das obras de Deus, quer da providência ou graça.
Nós podemos desejar uma medida daquela fé que, em situações
especiais, em que a glória de Deus ou a felicidade dos homens está
proximamente concernida, vai além do poder das causas naturais. Nós
podemos desejar uma elocução mais fácil, um endereçamento agradável,
com resignação à vontade de nosso Senhor; sim, o que quer nos
capacite, quando tivermos oportunidade, sermos úteis onde quer que
estejamos. Esses dons, nós podemos inocentemente desejar: mas existe “um
caminho mais excelente”. 4. O caminho do
amor, -- de amar a todos os homens, por amor a Deus, da longanimidade,
do amor paciente, -- é o que o Apóstolo tão admiravelmente descreve
no capítulo a seguir. E, sem isto, ele nos assegura, toda a eloqüência,
todo o conhecimento, toda a fé, todas as obras, e todos os sofrimentos
são de nenhum valor maior aos olhos de Deus do que o metal que soa ou o
címbalo que retine, e não tem o menor proveito em direção à nossa
salvação eterna. Sem isto, tudo que sabemos, tudo que cremos, tudo que
fazemos, tudo que sofremos, será de nenhum proveito não grande dia de
nossa prestação de contas. 5. Mas, no momento,
eu teria uma visão diferente do texto, e indicaria “um
caminho mais excelente”, em outro sentido. É a observação de um
antigo escritor, que existiu, desde o início, duas ordens de cristãos.
Uma vivia uma vida inocente, em conformidade em todas as coisas, sem
pecado, com os costumes e modernidades do mundo; realizando muitas boas
obras, abstendo-se dos males grosseiros, e atendendo as ordenanças de
Deus. Eles se esforçaram, em geral, para ter uma consciência nula de
ofensa em seu comportamento exterior, mas não almejaram nenhuma exatidão,
sendo na maioria das coisas, como seu próximo. A outra sorte de cristãos
não apenas abstinha-se de toda a aparência do mal, era zelosa das boas
obras, em todo tipo, e atendia a todas as ordenanças de Deus, mas
igualmente usava de toda diligência para obter a mente toda que estava
em Cristo, e trabalhavam para caminhar, em todos os pontos, como seu
amado Mestre. Com este objetivo, eles caminharam em um curso constante
de abnegação total; pisoteando todo prazer que eles não estivessem
divinamente conscientes de que os preparava para terem prazer em Deus.
Eles tomaram sua cruz diária. Eles se esforçaram, eles agonizaram, sem
interrupção, para entrar pelo portão estreito.
Fizeram uma única coisa, não pouparam esforços para chegar ao
cume da santidade cristã; “deixando os primeiros princípios da doutrina de Cristo, e seguindo
para a perfeição”, “para
conhecer todo aquele amor que ultrapassa o entendimento, e é preenchido
com toda a plenitude de Deus”. 6. Da longa experiência
e observação, eu estou inclinado a pensar que, quem quer que encontre
redenção no sangue de Jesus; quem quer que seja justificado, tem, então,
a escolha de caminhar em trilhas mais altas ou mais baixas. Eu acredito
que o Espírito Santo, naquele momento, estabelece diante dele, “o
caminho mais excelente”, e o estimula a caminhar nele; a escolher
a trilha mais estreita no caminho mais estreito; a aspirar em busca das
alturas e profundidades da santidade, -- em busca da imagem completa de
Deus. Mas, se ele não aceitar este oferecimento, ele inconscientemente
declina para a classe inferior dos cristãos. Ele ainda segue naquilo
que pode ser chamado um bom caminho, servindo a Deus em seu grau, e
encontra misericórdia no fim da vida, através do sangue do redentor.
7. Eu não apagaria o
pavio que fumega, - desencorajando aqueles que servem a Deus em um grau
tão baixo. Mas eu não desejaria que eles parassem por aqui: Eu os
encorajaria a subirem mais alto, sem gritar inferno e condenação em
seus ouvidos, sem condenar o caminho em que eles se encontram, dizendo a
eles que este é o caminho que conduz à destruição, eu me esforçarei
para apontar-lhes qual é, em todos os aspectos, “o
caminho mais excelente”. 8. Lembrem-se bem,
que eu não afirmo que todos que não caminham desta forma estão na
estrada principal para o inferno. Mas isto eu devo afirmar, eles não
terão um lugar tão alto nos céus, como eles teriam, se escolhessem a
melhor parte. E será uma perda menor, -- terem tantas estrelas menores
em sua coroa de glória? Será uma pequena coisa terem um lugar inferior
do que aquele que vocês teriam no reino de seu Pai? Certamente não
haverá tristeza no céu; lá, todas as lágrimas se secarão de nossos
olhos; mas, se fosse possível que o lamento pudesse entrar lá, nós
lamentaríamos esta perda irreparável. Irreparável, então, mas não
agora. Agora, pela graça de Deus, nós podemos escolher o “caminho
mais excelente”. Vamos comparar isto, em alguns pormenores, com o
caminho no qual a maioria dos cristãos caminha. I Vamos
começar, pelo começo do dia: A generalidade dos cristãos, se eles não
são obrigados a trabalhar para viver, levantam-se, especialmente no
inverno, às oito ou nove horas da manhã, depois de ter ficado na cama,
oito ou nove horas, se não, mais. Eu não digo agora (como eu fui capaz
de dizer a cinqüenta anos atrás), que todos que se favorecem desta
maneira, estão a caminho do inferno. Mas nem posso dizer que eles estão
no caminho do céu, negando-se, e tomando sua cruz diária. Eu estou
certo de que existe “um caminho
mais excelente” para promover saúde, tanto do corpo quanto da
mente. Da observação de mais de sessenta anos, eu aprendi, que um
homem saudável requer, em média, de seis a sete horas de sono, uma
mulher saudável um pouco mais, de sete a oito, em vinte e quatro horas.
Eu sei que esta quantidade de sono é mais vantajosa para o corpo assim
como para a alma. É preferível a qualquer medicamento que eu tenha
conhecido, tanto para prevenir quanto remover doença nervosa. É,
portanto, indubitavelmente o caminho mais excelente na defesa da
modernidade e costume, dormir o tanto quanto a experiência prova que
nossa natureza requeira; vendo-se que isto é indiscutivelmente mais
condutivo da saúde corpórea quanto espiritual. E por que você não
caminharia desta forma? Porque é difícil? Mais do que isto, é impossível
para os homens. Mas todas as coisas são possíveis com Deus; e através
de sua graça, todas as coisas serão possíveis a vocês. Apenas
continuem em oração, e vocês se certificarão, não apenas que é
possível, mas, fácil. Sim, e será muito mais fácil levantar-se cedo
constantemente, do que fazer isto algumas vezes. Mas, então, vocês
devem começar com o propósito correto; se vocês se levantarem cedo,
devem dormir cedo. Imponham sobre si mesmos, exceto quando alguma coisa
extraordinária ocorra, irem para a cama em hora determinada. Então, a
dificuldade disto logo terminará, mas a vantagem permanecerá para
sempre. II A
generalidade dos cristãos, tão logo acorda, está acostumada a usar de
algum tipo de oração, e provavelmente a usar ainda da mesma forma que
aprendeu, quando tinha oito ou dez anos. Agora, eu não condeno aqueles
que assim procedem (embora muitos o façam), como zombando de Deus,
embora usem da mesma forma, sem alguma variação, por vinte ou trinta
anos consecutivos. Mas certamente existe “um
caminho mais excelente” de ordenar nossas devoções pessoais. O
que aconteceria, se vocês seguissem o conselho dado por aquele grande e
bom homem, sr. Law, neste assunto? Considerem ambos seu estado exterior
e interior, e variem suas orações de acordo. Por exemplo: Suponham que
o estado exterior seja próspero; suponham que vocês têm saúde,
comodidade, fatura, tendo sua fortuna, em meio a relações gentis, bons
vizinhos, e amigos agradáveis, que amam a vocês e vocês a eles; então,
seu estado exterior manifestadamente clama por uma oração e
agradecimento a Deus. Por outro lado, se vocês estão em um estado de
adversidade; se Deus colocou preocupações sobre vocês; se vocês estão
na pobreza, em falta, na aflição exterior; se vocês estão em algum
perigo iminente; se vocês estão com dor e enfermidade; então, vocês
são claramente chamados para derramarem suas almas perante Deus, em tal
oração, adequada à suas circunstâncias. De igual maneira, vocês
podem adequar suas devoções ao seu estado interior; ao presente estado
de suas mentes. A alma de vocês está em opressão, quer pela consciência
do pecado, ou pelas múltiplas tentações? Então, que suas orações
consistam de tais confissões, petições, e súplicas, de acordo com a
situação de aflição de suas mentes. Por outro lado, a alma de vocês
está em paz? Vocês estão se regozijando em Deus? As consolações
dele não são pequenas para com vocês? Então, digam com o salmista: “Tu és meu Deus, e eu amarei a Ti; Tu és meu Deus, e eu louvarei a
Ti”. Vocês podem,
igualmente, quando tiverem tempo, acrescentar às suas outras devoções,
um pouco de leitura e meditação, e, talvez, um salmo de louvor, -- a
efusão natural de um coração agradecido. Vocês deverão certamente
ver que este é “um caminho mais excelente”, do que a pobre forma estéril usada
antes. III 1. A generalidade
dois cristãos, depois de fazer uso de alguma oração, usualmente se
aplica à ocupação de seu chamado. Todo homem que tem alguma pretensão
de ser um cristão não falhará em fazer isto; vendo que é impossível
que um homem negligente seja um bom homem: -- A indolência sendo
inconsistente com a religião. Mas com que visão? Porque, qual a
finalidade que vocês empreendem e seguem em sua ocupação secular? “Para
providenciar as coisas necessárias para eu mesmo e minha família”.
Esta é uma boa resposta, até onde ela vai; mas não vai longe o
suficiente. Porque um turco ou um ateu chega até ai, -- executa seu
trabalho, para as mesmas finalidades. Mas um cristão pode ir
abundantemente mais longe: Sua finalidade em todo seu trabalho é
agradar a Deus; fazer, não sua própria vontade, mas a vontade Dele que
o enviou ao mundo, -- para este mesmo propósito, fazer a vontade de
Deus sobre a terra, como os anjos a fazem nos céus. Ele trabalha para a
eternidade. Ele “trabalha, não
para o alimento que perece, (esta é a menor porção de seu
motivo),“mas para o que dura a
vida eterna”. E não é este “um
caminho mais excelente?’. 2. Novamente: De que
maneira vocês negociam seu trabalho secular? Eu confio, com diligência,
o que quer que suas mãos encontrem o que fazer, executando isto com
todo poder; na justiça, devolvendo a todos o que lhes é devido, em
toda circunstância da vida; sim, e na misericórdia, fazendo a todo
homem o que vocês gostariam que lhes fosse feito. Está ótimo: Mas o
cristão é chamado para seguir mais adiante, -- acrescentar misericórdia
à justiça; misturar a oração, especialmente a oração do coração,
com todo o trabalho de suas mãos. Sem isto, toda sua diligência e
justiça apenas mostram que ele é um honesto pagão; e muitos existem
que professam a religião Cristã, que não vai, mais além, do que o
Ateísmo honesto. 3. Ainda novamente:
com qual espírito vocês executam seu trabalho? No espírito do mundo,
ou no Espírito de Cristo? Eu temo que milhares daqueles que são
chamados de bons cristãos não entendam a pergunta. Se vocês agem no
Espírito de Cristo, vocês levam o objetivo que vocês, a princípio se
propuseram, através de todo o trabalho de vocês; do começo até o
fim. Se vocês fazem todas as coisas no espírito do sacrifício,
submetendo sua vontade a vontade de Deus; e, continuamente almejando, não
a comodidade, o prazer, ou riquezas; não alguma coisa “que
esta espécie de mundo resistente pode dar”; mas, meramente, a glória
de Deus. Agora, pode alguém negar que este seja o caminho mais
excelente de executar o trabalho secular? IV 1. Mas essas habitações
de barro que nós levamos requerer constante reparação, ou elas
sucumbirão na terra, da qual foram tomadas, mais cedo do que a natureza
requeira. Diariamente, o alimento é necessário para prevenir isto;
reparar os constantes declínios da natureza. Era comum no mundo ateu,
quando eles estavam prestes a usar disto, alimentarem-se ou mesmo
beberem; “derramarem um pouco à honra de seu deus”; embora os deuses dos
ateus não passassem de demônios, como o apóstolo justamente observa. “Parece”,
diz um falecido escrito, “que
houve uma vez tais costumes como este em nossa própria região. Uma vez
que freqüentemente vemos um cavalheiro, antes de sentar-se para comer
em sua própria casa, segurar seu chapéu diante de seu rosto, e,
talvez, parecendo dizer alguma coisa, embora ele geralmente faça isto
de tal maneira que ninguém pode contar o que ele diz”. Agora, que
tal, se em vez disto, todo chefe de família, antes que se sente para
comer e beber, se de manhã, meio-dia, ou à noite (porque a razão da
coisa é a mesma a cada hora do dia) pedisse seriamente a bênção de
Deus pelo que ele está preste a tomar? Sim, e depois, seriamente
retornar graças ao Doador de todas as suas bênçãos? Este não seria “um
caminho mais excelente” do que usar daquela farsa tola que é pior
do que nada; sendo, na realidade, não outra do que zombar de Deus e
homem? 2. Quanto à
quantidade da refeição deles, uma boa quantidade de homens usualmente
come em excesso. Pelo menos, não muito longe de adoecerem com alimento,
ou se intoxicarem com bebida. E quanto a maneira de tomá-lo, é
usualmente inocente, misturado com um pouco de jovialidade, que se diz,
ajuda na digestão. Até ai, tudo bem. E mantendo que eles apenas tomem
aquela medida simples, barata, e saudável de alimento; o que mais
promove saúde, quer para o corpo e mente, não haverá motivo para
culpa. Nem posso requerer que você considere aquele conselho do sr.
Herbert, embora ele seja um bom homem: -- Toma teu alimento; como pó, então,
come um pouco E dize com todos: Da terra para a terra
eu consagro. Isto
é muito melancólico: não é adequado àquela alegria que é altamente
apropriada a uma refeição cristã. Permita-me ilustrar este assunto
com uma pequena história. O rei da França, um dia, saindo em perseguição,
distanciou-se de toda sua companhia, que depois de procurar por ele
algum tempo, encontrou-o sentado em um chalé, comendo pão e queijo. Ao
vê-los, ele gritou: “Onde eu tenho vivido todo meu tempo? Eu nunca antes testei um
alimento tão gostoso em minha vida!”. “Pai”, disse um deles, “você nunca teve tão bom gosto antes; porque você nunca esteve
faminto”. Agora isto
é verdade, a fome é um grande tempero; mas existe um que é ainda
melhor; ou seja, gratidão. Certamente o que for temperado com isto, será
o mais agradável alimento. E por que não o de vocês em toda refeição?
Vocês não precisam, então, preocuparem-se com a morte, mas receber
cada bocado como um penhor da vida eterna. O Criador dá a vocês neste
alimento, não apenas uma moratória da morte, mas uma garantia de que
em pouco tempo “a morte será
tragada pela vitória”. 3. O tempo de fazer
nossa refeição é usualmente um tempo de conversa também, já que é
natural renovar nossas mentes, enquanto alimentamos nossos corpos. Vamos
considerar um pouco, de que maneira, a generalidade dos cristãos
usualmente conversa junta. Quais são os assuntos comuns dessa conversa?
Se ela é inofensiva (como alguém esperaria que fosse); se não existe
coisa alguma nela profana, nada insolente, nada falso, ou indelicado; se
não existe fofoca, calúnia, ou maledicência, eles têm razão para
louvarem a Deus por sua graça preventiva. Mas existe mais do que isto
implícito em “ordenarmos nossa
conversa corretamente”. Com o objetivo disto é necessário, Em
Primeiro Lugar, que “nossa
comunicação”, ou seja, discurso ou conversa, “seja
boa”, que ela seja materialmente boa, sobre bons assuntos; não se
agitando, com respeito ao que ocorre; porque, o que você tem a ver com
cortes e reis? Não é da sua conta lutar as guerras, reformar o estado; exceto
quando algum evento notável chama pelo reconhecimento da justiça ou
misericórdia de Deus. Nós devemos, de fato, falar algumas vezes das
coisas mundanas; do contrário, estaremos fora do mundo. Mas isto seria
apenas até onde fosse necessário: Então, retornaríamos para um
assunto melhor. Em Segundo Lugar,
que nossa conversa seja “para a
edificação”; calculada para edificar tanto o orador, quanto os
ouvintes, ou a ambos; edificá-los, uma vez que cada um tem uma
necessidade pessoal, tanto na fé, amor, ou santidade. Em
Terceiro Lugar, ver que não apenas fornece entretenimento, mas, de
um tipo ou de outro, “ministra graça aos ouvintes”. Agora, este não é “um
caminho mais excelente” de conversar, do que o inofensivo caminho
mencionado acima? V 1. Vimos qual é o “caminho mais excelente”, de ordenar nossa conversa, assim como nossa ocupação. Mas não podemos estar sempre concentrados no trabalho: Ambos nossos corpos e mentes requerem algum relaxamento. Nós precisamos de intervalos de diversão das ocupações. Será mais necessário ser muito explícito sobre este assunto, já que se trata de um ponto muito mal compreendido. 2. Existem diversões,
de vários tipos. Algumas são quase peculiares aos homens, como esportes
de caça com animais, tiro, pescaria, em que não muitas mulheres (eu
poderia dizer, senhoras) estão preocupadas. Outras são indiferentemente
usadas por pessoas de ambos os sexos; algumas que são de uma natureza
mais pública, como corridas, baile de máscaras, jogos, reuniões, bolas.
Outras são principalmente usadas em casas particulares, como cartas, dança
e música; às quais podemos acrescentar o ler peças, novelas, romances,
jornais, e poesias modernas. 3. Algumas diversões,
de fato, que eram antigamente bastante requeridas, agora perderam reputação.
A nobreza e pequena fidalguia (na Inglaterra, pelo menos), parecem
negligenciar totalmente a diversão, uma vez, moderna, de caçar raposas,
e mesmo as pessoas comuns não mais se divertem, com homens cortando uns
aos outros em pedaços com espada de folha larga. O jogo nobre do
“quarter-staff” [madeira forte, calçada com ferro, usada em ataque e
defesa na antiga Inglaterra], igualmente, é agora exercitado por poucos.
Sim, o “cudgelling” [arma usada para bater na sola dos pés] perdeu
sua honra, até mesmo, no próprio país de Gales. “Bear-beating”
[esporte sangrento que consistia em um urso preso em um poste e atacado
por cães] também é agora muito raramente visto, e “Bull-beating” [cães
treinados para atacar um boi amarrado]. E parece que a briga-de-galo
cessaria totalmente na Inglaterra, não fosse por dois ou três patronos
honrados. 4. Não é necessário
dizer alguma coisa mais desses tolos vestígios da barbárie gótica, do
que eles são uma reprovação, não apenas a toda a religião, mas, até
mesmo, à natureza humana. Alguém não faria censura tão severa sobre os
esportes de campo. Que aqueles que têm nada melhor a fazer, ainda se
extasiem em caçar raposas e lebres. Nem é preciso dizer muito sobre as
corridas de cavalo, até que algum homem de senso empreenderá defendê-las.
Parece um bom negócio dizer alguma coisa mais em defesa de uma séria
tragédia. Eu não faria isto em sã consciência; pelo menos, não em um
teatro inglês, um recipiente de toda profanidade e devassidão; mas,
possivelmente, outros podem. Eu não posso dizer muito por jogos ou reuniões,
que são mais reputáveis do que bailes de máscaras, mas deve ser
permitido, a todas as pessoas imparciais, terem exatamente a mesma
predisposição. Assim, indubitavelmente, têm todos os bailes públicos.
E a mesma tendência eles devem ter, exceto se observado o mesmo cuidado,
em meio aos cristãos modernos, que foi observado em meio aos ateus do
passado. Em companhia deles, homens e mulheres nunca dançavam juntos, mas
sempre em salas separadas. Isto sempre foi observado na Grécia antiga, e
por diversas épocas em Roma, onde a mulher, dançando em companhia de
homens, teria sido uma vez tomada por prostituta. Sobre jogar cartas, eu
digo o mesmo, como ver peças de teatro. Também não faria isto em sã
consciência. Mas eu não sou obrigado a tecer opinião sobre aqueles que
pensam o contrário. Eu os deixo ao seu Mestre: para que ele os permita
permanecer ou cair. 5. Mas supondo-se
que essas, assim como a leitura de peças, novelas, jornais, afins, sejam
diversões completamente inocentes; ainda assim, não existem maneiras
mais excelentes de se divertirem, para aqueles que amam ou temem a Deus?
Os homens ricos poderiam se divertir ao ar livre? Eles podem fazer isto,
cultivando e melhorando suas terra, plantando, planejando, dando
continuidade, e aperfeiçoando seus jardins e pomares. Em outros momentos,
eles podem visitar e conversar com seus vizinhos mais sérios e sábios;
ou podem visitar o doente, o pobre, as viúvas, e órfão em suas aflições.
Eles pretendem divertir-se em casa? Eles podem ler uma história proveitosa, poesias devotadas e
elegantes, ou diversos ramos da filosofia natural. Se vocês tiverem
tempo, vocês podem se divertir com música, e, talvez, experimentos filosóficos.
Mas, acima de tudo, quando vocês tiverem aprendido o uso da oração, vocês
encontrarão aquilo que circunda ou preenche todo o espaço, e ambiente do
ar, e se espalha amplamente e abraça esta terra florida; assim isto será,
até que, através de todo o espaço da vida, ela esteja difundida com
todos os seus empreendimentos, e o que quer que vocês sejam, o que quer
que façam, os abrace de todos os lados. Então, vocês serão capazes de
dizer, veementemente: -- Comigo, nenhum vazio melancólico, Nenhum momento de ócio demorado, Ou sem proveito abaixo: A fraqueza de minha vida se foi, Vivo para servir a meu Deus apenas, E apenas Jesus conhecer. VI Um
ponto apenas permanece a ser considerado; ou seja, o uso do dinheiro. De
que maneira a generalidade dos cristãos emprega isto? E não existe “um
caminho mais excelente?”. 1. A generalidade dos
cristãos usualmente separa alguma coisa anualmente – talvez, de\, ou,
até mesmo, a oitava parte de sua renda, quer obtida do rendimento anual,
ou do comércio – para usos caritativos. Poucos eu sei que dizem como
Zaqueu: “Senhor, a metade de meus
bens eu dou ao pobre”. Ó, que agrade a Deus multiplicar esses
amigos da humanidade, esses benfeitores gerais! 2. Além desses que têm
uma regra estabelecida, existem milhares que dão uma larga soma aos
pobres; especialmente quando alguma instância grave de aflição é
representada a eles, em cores vivas. 3. Eu louvo a Deus
por todos vocês que agem desta forma. Que vocês nunca se fatiguem de
assim fazerem! Que Deus restaure o que vocês derem, sete vezes mais, em
seu próprio peito! Mas, ainda assim, eu mosto a vocês um caminho mais
excelente. 4. Vocês podem se
considerar, como alguém em cujas mãos, o Proprietário do céu e terra e
todas as coisas que nela existem, tem depositado uma parte de seus bens,
para ser disposto de acordo com sua direção. E a direção dele é que
vocês possam olhar para si mesmos, como alguém de um certo número de
pessoas indigentes que devem ser supridas daquela porção dos bens Dele,
que lhes foi confiada. Vocês têm duas vantagens sobre os demais: Uma,
que “é mais abençoado dar do que
receber”; a outra, que vocês devem servir a si mesmo, primeiro, e
aos outros, depois. Esta é a luz em que vocês deverão ver a si mesmos e
aos outros. Mas, para ser mais específico: Em Primeiro Lugar, se você não tem família, depois de ter
providenciado para si mesmo, dê tudo que restar; de maneira que, a cada
Natal, suas contas sejam limpas. Esta
foi a prática de todos os jovens de Oxford, que eram chamados de
Metodistas. Por exemplo: Um deles tinha trinta libras por ano. Ele viveu
com vinte e oito, e abriu mão de quarenta xelins. No ano seguinte,
recebeu sessenta libras, ele ainda viveu com vinte e oito, e deu trinta e
duas. No terceiro ano, ele recebeu noventa libras, e deu sessenta e duas.
No quarto, ele recebeu cento e vinte libras. Ela inda viveu, como antes,
com vinte e oito libras; e deu ao pobre, noventa e duas. Este não foi o
caminho mais excelente? Em Segundo
Lugar, se você tem uma família, considere seriamente perante Deus,
quanto cada membro dela necessita, com o objetivo de ter o que é necessário
para a vida e santidade. E, em geral, não permita a eles menos, nem muito
mais, do que você se permite. Em
Terceiro Lugar, isto feito, fixe seu propósito, para “ganhar
não mais”. Eu o
incumbo, em nome de Deus, a não aumentar seus bens! Como ele vem
diariamente ou anualmente, então, deixe-o ir: Do contrário, você “junta
tesouros na terra”. E isto nosso Senhor tão completamente proíbe,
quanto assassinato e adultério. Ao fazer isto, portanto, você estaria “juntando para si mesmo, a ira para o dia da ira e revelação do
justo julgamento de Deus”. 5. Mas, suponha que não
fosse proibido, como vocês, de acordo com os princípios da razão,
gastam seu dinheiro, de uma maneira que Deus possa possivelmente perdoar,
em vez de gastá-lo de uma maneira que ele certamente recompensará? Vocês
não terão recompensa no céu, pelo que vocês ajuntam; vocês terão,
pelo que vocês distribuem. Cada libra que vocês colocam no Banco terreno
não tem retorno: ela não tem porcentagem acima. Mas cada libra que vocês
dão ao pobre é colocada no Banco do céu. E ela trará gloriosa
porcentagem; sim, e tal que será acumulada para toda a eternidade. 6. Quem, então, é
um homem sábio, e capacitado com o conhecimento em meio a vocês? Que ele
se decida este dia, esta hora, este momento, com o Senhor o assistindo, a
escolher em todos os pormenores precedentes, “o
caminho mais excelente”: E que ele prontamente o mantenha, tanto com
respeito ao sono, oração, trabalho, alimentação, modo de vida, e
diversos; e, particularmente, com respeito ao emprego daquele importante
talento, o dinheiro. Que seu coração responda ao chamado de Deus; “A
partir deste momento, Deus sendo meu Ajudador, eu não mais ajuntarei
tesouros sobre a terra: Esta única coisa, eu farei: ajuntarei tesouros no
céu; submeterei a Deus as coisas de Deus: e darei a Ele todos os meus
bens, e todo meu coração”. [Editado por Edward Purkey, Pastor, com correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.] ______ Tradução:
Izilda Bella
|