Um povo Chamado Metodista

 

 

à O Caráter de Um Metodista

à Uma Breve História do Metodismo

à Conselho a Um Povo Chamado Metodista

à Princípios de Um Metodista

 

 

Por John Wesley

 

 

"Não como se eu já tivesse conseguido!".

 

O Caráter de um Metodista

 

 

Ao leitor:

 

1. Assim que o nome foi conhecido no mundo, muitos estavam perdidos quanto ao que significava Metodista; quais os princípios e prática daqueles que são comumente chamados por esse nome; e quais as marcas peculiares dessa religião "a qual tem sido, em todos os lugares, falado contra".

 

2. E, sendo, geralmente, acreditado que, eu era capaz de dar um relato esclarecedor dessas coisas, (já que eu tenho sido um dos primeiros a quem esse nome foi dado, e a pessoa, pela qual as demais supõem que ele esteja direcionado), eu tenho sido chamado, de todas as formas, e com a mais extrema seriedade, a assim proceder. Eu me rendo, pelo menos, à importunidade contínua, tanto de amigos quanto de inimigos; e agora faço o mais claro relato que eu posso, na presença do Senhor e Juiz dos céus e da terra, sobre os princípios e prática, por meio dos quais, aqueles que são chamados Metodistas são distinguidos de outros homens.  

 

3. Eu digo aqueles que são chamados Metodistas; porque, deixe isso ficar, bem observado, esse não é um nome que eles pegaram para si mesmos, mas um fixado sobre eles, através do caminho da reprovação, sem a aprovação ou consentimento deles. Ele foi, primeiro, dado a três ou quatro jovens de Oxford, por um estudante da Igreja de Cristo; em alusão aos Physicians (médicos), assim chamados, que ensinavam que todas as doenças podiam ser curadas através de um método específico de dieta e exercícios, tanto quanto da observação deles de um método mais regular de estudo e comportamento, do que aquele que era usual aos da mesma idade e situação deles.

 

4. Eu poderia regozijar-me (tão pouco ambicioso eu sou para ser o mentor de qualquer doutrina ou partido), se esse nome nunca mais fosse mencionado, mas fosse queimado no esquecimento eterno. Mas se isso não pode ser, que, pelo menos aqueles que irão usá-lo, saibam o significado da palavra que eles usam. Não permita que lutemos sempre na escuridão. Venham, e nos deixe olhar, uns aos outros, na face. E, talvez, alguns de vocês que odeiam aquilo do qual eu sou chamado, possam amar aquilo que eu sou, pela graça de Deus; ou melhor, o que "eu sigo, se eu compreender que, através disso, eu também sou compreendido de Cristo Jesus".

 

O Caráter de Um Metodista

 

1. As marcas peculiares de um Metodista não são as opiniões dele de qualquer tipo. Sua concordância a esse ou aquele sistema religioso; ele abraçar algum grupo particular de idéias, sua adesão ao julgamento de um homem ou de outro, estão todos, completamente, longe do ponto. Quem quer que, entretanto, imagine que um Metodista seja um homem desse tipo, ou dessa opinião, é, grosseiramente, ignorante de toda a questão; ele se equivoca da verdade, totalmente. Nós acreditamos, realmente, que "toda Escritura é dada pela inspiração de Deus"; e onde nós somos distinguidos dos judeus, turcos, e infiéis. Nós acreditamos que as palavras escritas de Deus sejam regra única e suficiente, tanto de fé como de prática cristã; e onde nós, fundamentalmente, somos distinguidos daqueles da Igreja Católica. Nós acreditamos que Cristo seja o Deus eterno e supremo; e onde nós somos diferenciados dos "Socianians" e Arianos. Mas, com respeito a todas as opiniões, que não colidem com a raiz do Cristianismo, nós pensamos e deixamos pensar. De modo que, o que quer que eles sejam, se certos ou errados, eles não são as marcas distintas de um Metodista.

 

2. Nem são as palavras ou frases de qualquer tipo. Nós não colocamos nossa religião, ou qualquer parte dela, sendo atada a qualquer modalidade peculiar de falar, grupo fantástico ou incomum de expressões. Diante de outros, nós preferimos as palavras mais óbvias, fáceis e comuns, tanto nas ocasiões costumeiras, como quando falamos das coisas de Deus. Nós nunca, entretanto, de boa-vontade, ou intencionalmente, desviamos da maneira de falar mais usual; a menos, quando nós expressamos as verdades bíblicas, nas palavras bíblicas, as quais, nós presumimos, nenhum cristão irá condenar. Nem nos afligimos a usar quaisquer expressões particulares das Escrituras, mais freqüentemente, do que outras, a menos que elas sejam usadas, mais amiúde, pelos próprios escritores inspirados. De maneira que é um erro grosseiro colocar as marcas de um Metodista em suas palavras, como, nas opiniões de toda espécie.

 

3. Nem nós desejamos ser distinguidos por ações, costumes, ou usos, de uma natureza imparcial. Nossa religião não se coloca fazendo o que Deus não tem se alegrado, ou abstendo-se daquilo que ele não tem proibido. Ela não se coloca na forma de nossos trajes, na postura de nossos corpos, ou na cobertura de nossas cabeças; não ainda, em nos abster do casamento, ou de carnes e bebidas, as quais são boas, se recebidas com ações de graça. Entretanto, nem irá homem algum, que conhece, a respeito do que ele afirma, fixar as marcas do Metodista aqui —, em alguma ação e costume, puramente, indiferente, indeterminado pela palavra de Deus.

 

4. Nem, ultimamente, ele é distinguido por colocar toda a tensão da religião em alguma parte singular dela. Se você disser: "Sim, é, porque ele pensa 'que nós somos salvos pela fé somente'": Eu respondo: Você não entendeu as condições. Através da salvação ele quer dizer santidade de coração e vida. E isso ele afirma brotar da fé verdadeira apenas. Pode algum cristão comum negar isso? É isso que está colocando uma parte da religião para um todo? "Nós, então, podemos invalidar a lei através da fé? Deus proíbe! Sim, nós firmamos a lei". Nós não colocamos o todo da religião (como muitos fazem, Deus sabe), em não fazendo mal algum, ou em fazendo o bem, ou em usando as ordenanças de Deus. Não, não em todas elas, juntas; em que nós sabemos, por experiência, que um homem pode trabalhar muitos anos, e, ao fim, não ter religião; não mais do que ele tinha no começo. Muito menos, em qualquer um desses; ou, e pode ser, em um pedaço de algum deles: como ela que se acredita uma mulher virtuosa, apenas porque ela não é uma prostituta; ou ele que sonha que é um homem honesto, meramente, porque ele não rouba ou furta. Possa o Senhor Deus de meus pais, preservar-me de tal religião pobre e faminta como essa! Fossem essas as marcas de um Metodista, eu logo escolheria ser um sincero judeu, turco ou pagão! 

 

5. "Qual, então, é a marca? Quem é um Metodista, de acordo com o seu próprio relato?" Eu respondo: Um Metodista é aquele que tem "o amor de Deus derramado por todo seu coração, pelo Espírito Santo dado a Ele"; alguém que "ama o Senhor seu Deus com todo seu coração, e com toda sua alma, e com toda sua mente, e com todas as suas forças. Deus é a alegria em seu coração, e o desejo de sua alma; a qual está, constantemente, clamando: Quem eu tenho, nos céus, a não ser a ti? Não há ninguém sobre a terra que eu deseje, além de Ti! Meu Deus e meu tudo! Tu és a força de meu coração, e minha porção para sempre!". 

 

6. Ele é, contudo, feliz em Deus, sim, sempre feliz, como tendo nele, "um poço de água, fonte da vida eterna", e transbordando sua alma com paz e alegria. "Amor perfeito", tendo agora, "lançado fora o medo", ele "se regozija sempre mais". Ele "se regozija, sempre, no Senhor", sempre "no Deus, seu Salvador"; e, no Pai, "através de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem ele tem agora recebido a redenção". "Tendo" encontrado a "redenção, através de seu sangue, o perdão de seus pecados" ele não pode deixar de se regozijar, sempre que ele olha para trás, para a cova horrível, de onde ele foi liberto; quando ele vê "todas as suas transgressões e iniqüidades apagadas, como uma nuvem". Ele não pode deixar de se regozijar, quando ele olha para as condições em que ele está agora; "sendo justificado, livremente, e tendo paz com Deus, através de nosso Senhor Jesus Cristo". Porque "ele que acredita, ter o testemunho" disso "em si mesmo"; sendo agora o filho de Deus, pela fé. "Porque ele é um filho, Deus tem enviado adiante o Espírito de seu Filho, no seu coração, clamando: Abba, Pai!". E "o próprio Espírito é testemunha com seu espírito de que ele é um filho de Deus". Ele se regozija também, quando ele olha, para frente, "na esperança da glória que deve ser revelada"; sim, essa sua alegria é completa, e todos os seus ossos clamam: "Abençoado seja Deus, e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, de acordo com sua abundante misericórdia, tem me recriado na esperança viva — da herança incorruptível, inviolável, e que não se desvanece, reservada, nos céus, para mim!".

 

7. E ele que tem sua esperança, assim "cheia da imortalidade, em todas as coisas, agradece"; como sabendo que (o que quer que elas sejam) "é a vontade de Deus, em Cristo Jesus, concernente a ele". Dele, no entanto, ele, carinhosamente, recebe tudo, dizendo: "Boa é a vontade do Senhor"; e se o Senhor dá ou tira, igualmente, "glorifica o Seu nome". Porque ele tem "aprendido, em qualquer condição que esteja, nesse momento, estar contente". Ele sabe "ambos, como ser humilhado, e como estar em abundância. Em todo o lugar, e em todas as coisas, ele está instruído a estar saciado e a estar faminto; a estar em abundância e a sofrer necessidade". Se, no bem estar físico, ou na dor; na doença ou na saúde, na vida ou na morte, ele agradece das profundezas de Seu coração a quem ordena isso para o bem; sabendo que como "todo dom agradável vem do alto", então, nada, a não ser o bem pode vir do Pai das luzes, daquele, em cujas mãos ele tem, completamente, colocado seu corpo e alma, como nas mãos do Criador fiel. Ele tem, então, "cuidado" (ansiosamente, ou despreocupadamente) "de nada" tendo "colocado todas as suas preocupações Nele que cuida por ele", e "em todas as coisas" descansa Nele, depois "de fazer seu pedido conhecido a Ele com ações de graças".

 

8. Porque, realmente, ele "ora, sem cessar". É dado a ele "sempre orar, e não fraquejar". Não que ele esteja sempre na casa de oração; embora ele não negligencie a oportunidade de estar lá. Nem que ele esteja sempre de joelhos, apesar de estar, freqüentemente, ou com seu rosto diante do Senhor seu Deus. Nem ainda ele está sempre clamando alto para Deus, ou o chamando em palavras: Muitas vezes, "o Espírito intercede por ele, com gemidos que não podem ser exprimidos". Mas todo o tempo, a linguagem do seu coração é esta: "Tu, esplendor da glória eterna, junto a ti está meu coração, embora sem voz, e meu silêncio fala junto a ti". E essa é a verdadeira oração, e apenas essa. Mas seu coração está sempre erguido para Deus, todo o tempo, e em todos os lugares. Nisso, ele nunca é obstruído, muito menos, interrompido, por qualquer pessoa ou coisa. Sozinho ou acompanhado, nos momentos de folga, no trabalho, ou conversando, seu coração está sempre com o Senhor. Se ele se deita, ou se levanta, Deus está em seus pensamentos; ele caminha com Deus, continuamente, tendo o olho do amor de sua mente, ainda fixado Nele, e em todo o lugar, "buscando a Ele que é invisível".

 

9. E, enquanto isso, ele, desse modo, sempre exercita seu amor a Deus, orando, sem cessar, regozijando-se, sempre mais, e em todas as coisas dando graças; seus mandamentos estão escritos em seu coração: "Que, ele, que ama a Deus, ame ao seu irmão, também". E ele, concordantemente, ama seu próximo, como a si mesmo; ele ama cada homem, como sua própria alma. Seu coração está cheio de amor para com toda a humanidade, para com todos os filhos do "Pai de todos os espíritos de toda a carne". Que um homem não lhe seja conhecido, pessoalmente, não é barreira alguma a seu amor; não, nem àquele que ele não aprova que recompense sua boa-vontade com ódio.  Porque ele "ama seus inimigos"; sim, e os inimigos de Deus, "o mau e o mal agradecido". E se não está em seu poder "fazer o bem a quem o odeia", ainda assim, ele não cessa de orar por eles, embora eles continuem a rejeitar seu amor, e ainda "maliciosamente, o usem e o persigam".

 

10. Porque ele é "puro de coração". O amor de Deus tem purificado seu coração de toda paixão vingativa, da inveja, malícia e ira, de todo temperamento indelicado ou afeição maligna. Isso o limpou do orgulho e altivez de espírito, de quem, sozinho, emana contenda. E ele agora está "cheio de misericórdia, delicadeza, humildade de mente, brandura, e longanimidade": De modo que ele "abstém-se e perdoa, se ele tem alguma disputa com alguém; assim como Deus, em Jesus Cristo, o perdoou". E, realmente, todo possível motivo para contenda, de sua parte, é extremamente, cortado fora, Porque ninguém pode tirá-lo do que ele deseja; vendo que ele "ama não o mundo, nem coisa alguma dele"; sendo agora "crucificado para ele, e o mundo crucificado nele"; sendo morto para tudo o que nele está, para "a cobiça da carne, a cobiça dos olhos, e o orgulho da vida". Porque "todo seu desejo está em Deus, e na lembrança de Seu nome".

 

11. De acordo com esse seu único desejo, é o único objetivo de sua vida, ou seja, "não fazer a sua própria vontade, mas a vontade Dele que o enviou". Sua única intenção todo esse tempo e, em todas as coisas não é, agradar a si mesmo, mas a Ele que a sua alma ama. Ele tem um único olho. E, porque "seu olho é único, todo seu corpo é cheio de luz". De fato, onde o olho de amor de sua alma é, continuamente, fixo em Deus, não pode haver escuridão, afinal, "mas o todo é luz; como quando a luz brilhante da vela ilumina a casa". Deus, então, reina sozinho. Tudo o que está na alma é santidade para o Senhor. Não há um movimento em seu coração, a não ser o que está de acordo com a Sua vontade. Cada pensamento despertado aponta para Ele, e está em obediência à lei de Cristo.

 

12. E a árvore é conhecida por seus frutos. Porque como ele ama a Deus, então ele guarda seus mandamentos; não apenas alguns, ou a maioria deles, mas todos, do menor ao maior. Ele não está satisfeito em "manter a lei toda, e ofender em um ponto"; mas ele tem, em todos os pontos, "a consciência, sem ofensa, para com Deus e para com o homem". O que quer que Deus tenha proibido, ele evita; no que quer que Deus tenha se alegrado, ele faz; e mesmo que isso seja pequeno ou grande, difícil ou fácil, jubiloso ou doloroso, para a carne. Ele "executa os mandamentos de Deus", agora que ele tem o coração livre. É sua glória, então, fazer isso; é sua coroa de regozijo, diariamente, "fazer a vontade de Deus sobre a terra, como ela é feita nos céus"; sabendo que é o mais alto privilégio dos "anjos de Deus, daqueles que se sobressaem, em força, para cumprir Seus mandamentos, e escutar atentamente a voz de Sua Palavra".

 

13. Todos os mandamentos de Deus, ele, concordantemente, mantém, e isso, com todo sua força. Porque sua obediência está em proporção ao seu amor, a fonte de onde isso flui. E, por conseguinte, amando Deus com todo seu coração, ele serve a ele com toda sua força. Ele, continuamente, apresenta sua alma e seu corpo, como um sacrifício vivo, santo e aceitável a Deus; inteiro e sem reservas, devotando a Ele, tudo o que tem, tudo o que é, para sua glória. Todos os talentos que ele tem recebido, ele, constantemente, emprega, conforme a vontade do Mestre; cada poder ou faculdade de sua alma, cada membro de seu corpo. Uma vez, ele "consentiu que eles fossem instrumentos da iniqüidade, para o pecado", mas, agora "tendo nascido dos mortos, ele consente" que todos eles "sejam instrumentos da retidão para Deus". 

 

14. Por conseqüência, o que quer que ele faça, é tudo para a glória de Deus. Em toda sua ocupação, de toda a espécie, ele não apenas concentra seus esforços, (que implica em ter um único olho), mas, atualmente, ele consegue isso. Suas ocupações, ou suas horas de repouso, tanto quanto suas orações, tudo serve a esse grande fim. Se ele está sentado em sua casa, ou caminhando; se ele se deita, ou levanta, ele está promovendo, em tudo que fala ou faz, a única ocupação de sua vida; se ele coloca seus trajes, ou trabalha, ou come e bebe, ou se diverte do trabalho exaustivo, isso tudo tende ao crescimento da glória de Deus, pela paz e boa-vontade entre os homens. Sua única e invariável regra é essa: "O que quer que seja feito, em palavra ou ação, fazer tudo, no nome de Nosso Senhor Jesus, dando graças a Deus e ao Pai por ele".  

 

15. Nem os costumes do mundo, afinal, o impedem de "correr a corrida que está colocada diante dele". Ele sabe que os maus hábitos não perdem sua natureza, embora sempre se tornem tão na moda; e lembra que "todo homem deverá dar um relato de si mesmo a Deus". Ele não pode, por conseguinte, "seguir" mesmo a "multidão para fazer o mal". Ele não pode "passar, suntuosamente, bem, todos os dias", ou "fazer provisão, para a carne se encher de cobiça, depois disso". Ele não pode "deitar tesouros na terra", não mais do que ele pode botar fogo em seu próprio peito. Ele não pode "adornar a si mesmo", por qualquer pretensão, "com ouro ou trajes suntuosos". Ele não pode tomar parte, ou encorajar alguma diversão que tenha a menor tendência ao vício de qualquer espécie. Ele não pode "falar mal" de seu próximo, nada mais do que ele pode mentir, tanto para Deus quanto para o homem. Ele não pode expressar uma palavra indelicada de alguém; por amor, ele mantém fechados seus lábios. Ele não pode dizer "palavras vãs"; "nenhuma comunicação corrupta" deverá "sair de sua boca, como todas aquelas que não são boas para o uso da edificação", não "adequadas para ministrar graça aos ouvintes". Mas "por mais que as coisas sejam puras, por mais que sejam amáveis, por mais que sejam", justamente, "de boa reputação", ele pensa, ele fala, ele age, "adornando o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, em todas as coisas".

 

16. Por último. Sempre que pode, ele "faz o bem a todos os homens"; seu próximo, e estranhos; amigos e inimigos: e de toda a forma possível; não apenas aos seus corpos, "alimentando o faminto, vestindo o nu, visitando aqueles que estão doentes ou na prisão"; mas, muito mais, ele trabalha para o bem da alma deles, com a capacitação que Deus lhe deu, para acordar aqueles que dormem na morte; trazer os que estão acordados para o sangue reparador, que, "sendo justificado pela fé, eles podem ter paz com Deus"; e provocar aqueles que têm paz com Deus, para abundar ainda mais em amor e boas obras. E ele, de boa-vontade, "passa e vai passar nisto", mesmo "para ser oferecido no sacrifício e serviço da fé deles", de maneira que eles possam "todos chegar na medida e na estatura da plenitude de Cristo".   

 

17. Esses são os princípios e práticas de nossa religião; essas são as marcas de um verdadeiro Metodista. Por meio dessas apenas, aqueles que estão, no ridículo, assim chamado, desejam ser distinguidos de outros homens. Se algum homem disser, "Mas esses são apenas os princípios comuns fundamentais do Cristianismo!". Tu o disseste; então, eu concordo; essa é a própria verdade; eu sei que não existem outras; e eu gostaria, em Deus, que tu e todos os outros homens soubessem que eu, e todos os que seguem meu julgamento, recusam-se, veementemente, a serem distinguidos de outros homens, a não ser pelos princípios comuns do Cristianismo — o claro, e velho Cristianismo que eu ensino, renunciando e abominando todas as outras marcas de distinção.  E a quem quer que eu pregue, (deixe-o ser chamado, pelo que ele deseja, porque nomes não mudam a natureza das coisas), ele é um cristão, não apenas no nome, mas, no coração e na vida. Ele está, interiormente e exteriormente, em conformidade com a vontade de Deus, como revelada, nas palavras escritas. Ele pensa, fala, e vive, de acordo com o método estabelecido, na revelação de Jesus Cristo. Sua alma está renovada, na busca da imagem de Deus, na retidão, e em toda santidade verdadeira. E tendo a mente que estava em Cristo, ele, então, caminha como Cristo também caminhou.

 

18. Por essas marcas, por esses frutos da fé viva, nós trabalhamos para distinguir a nós mesmos do mundo descrente, de todas aquelas mentes ou vidas que não estão de acordo com o Evangelho de Cristo. Mas dos cristãos reais, quaisquer que sejam as denominações deles, nós, sinceramente, não desejamos ser distinguidos, afinal; não daqueles que, sinceramente, buscam o que eles sabem que eles ainda não têm obtido. Não: "quem quer que faça a vontade de meu Pai, que está nos céus, o mesmo é meu irmão, e irmã, e mãe". E eu imploro a vocês, irmãos, pela misericórdia de Deus, que nós não sejamos, de modo algum, divididos, entre nós mesmos. Está teu coração comigo, como o meu está contigo? Eu não farei mais perguntas. Se assim for, dê-me tua mão. Por opiniões ou termos, não nos deixe destruir o trabalho de Deus. Tu amas e serve a Deus? É o suficiente. Eu dou a você a mão direita do companheirismo. Se existe algum consolo em Cristo, se existe algum conforto de amor, se alguma amizade do Espírito; se existe misericórdia; permita que nós nos esforcemos, juntos, pela fé do Evangelho; caminhando dignos da vocação, pela qual, nós fomos chamados; com toda humildade e brandura, com longanimidade, tratando com clemência, um ao outro, no amor, esforçando-nos para manter a unidade do Espírito, nos laços da paz; lembrando que há um corpo, e um Espírito, mesmo quando somos chamados com uma esperança de nosso chamado; "um Senhor, uma fé, um batismo; um Deus e Pai de todos, que está acima de tudo, e através de tudo, e em você todo".   

 

Uma Breve História do Metodismo

Por John Wesley

 

 

1. Não é fácil somar os vários relatos que foram determinando as pessoas chamadas Metodistas; muitos deles, tão remotamente longe da verdade, como o que foi dado pelo bom cavalheiro na Irlanda: “Metodistas! São pessoas que colocam, todas as religiões, usando barbas longas”.

   

2. A abundância de erros que são atuais a respeito deles saltou, indubitavelmente, disto: um aglomerado de homens, debaixo desse nome comum; muitos com nenhum tipo de conexão, uns com os outros; e, então, o que quer que algum desses falassem ou fizessem, era, afinal, imputado a todos.

 

3. O resumo a seguir pode prevenir pessoas, de uma disposição calma e cândida, de fazer isso; embora homens, de espírito alterado e preconceituoso, farão exatamente o que faziam antes. Mas deixe ser observado que isso não é designado para a defesa dos Metodistas (assim chamados), ou qualquer parte deles. Isto é uma relação simples de uma série de fatos expostos, os quais sozinhos podem remover abundância de mal-entendidos.

 

            4. Em Novembro de 1729, quatro jovens cavalheiros de Oxford — Sr. John Wesley, membro do Lincoln College; Sr. Charles Wesley, estudante da Igreja de Cristo; Sr. Morgan, homem do povo, da Igreja de Cristo; e o Sr, Kirkham, do College Merton —, começaram a passar algumas tardes da semana, lendo, principalmente, o Testamento Grego.

No ano seguinte, dois ou três dos alunos do Sr. John Wesley desejaram a liberdade de se encontrarem com eles; e, logo depois, um dos alunos de Charles Wesley. Foi em 1732, que o Sr. Ingham, do Queen’s College, e Sr. Broughton, de Exeter, foram somados ao número deles. A esses, em Abril, juntaram-se o Sr. Clayton, de Brazen-nose, com dois ou três de seus alunos. Por volta da mesma época, o Sr. James Hervey foi permitido encontrar-se com eles; e em 1735, o Sr. Whitfield.

 

5. A exata regularidade de suas vidas, bem como dos estudos, ocasionaram um jovem cavalheiro da Igreja de Cristo dizer, “Aqui está um novo grupo de Metodistas brotando”; aludindo àqueles médicos antigos que eram assim chamados. O nome era novo e singular; de maneira que ele pegou, imediatamente, e os Metodistas foram conhecidos por toda a Universidade.

 

6. Eles eram todos membros zelosos da Igreja da Inglaterra; não apenas tenazes, em todas as doutrinas delas; até onde eles as conheciam, mas de todas as suas disciplinas, nas menores circunstâncias. Eles eram, igualmente, observadores zelosos de todos os Estatutos da Universidade, e isto, por causa da consciência. Mas eles observaram que nem esses, nem qualquer coisa além do que eles conceberam estavam em ligação estreita com o único livro deles, a Bíblia; sendo o único desejo e desígnio deles serem cristãos bíblicos sinceros; tomando a Bíblia, como é interpretada pela igreja primitiva e nossa própria, como a regra total e única deles.

 

7. A única responsabilidade, então, sugerida contra eles foi a de que eles eram "excessivamente íntegros"; que eles eram, abundantemente, escrupulosos, e muito rigorosos, levando as coisas aos extremos: em particular, que eles colocavam muita tensão nas Rubricas e Cânones da Igreja; que eles insistiam muito na observação dos Estatutos da Universidade; e que eles levavam as Escrituras, num sentido muito austero e literal; de modo que eles estavam certos de que poucos poderiam, realmente, ser salvos. 

 

8. Em Outubro, 1735, o Sr. John e Charles Wesley, e o Sr. Ingham deixaram a Inglaterra, com o objetivo de pregar para os índios na Geórgia: mas o restante dos cavalheiros continuou a se encontrar, até que um ou outro foi ordenado, e deixou a Universidade. Por esse motivo, por volta de dois anos, escassamente algum deles restou.

 

9. Em Fevereiro de 1738, o Sr. Whitefield foi para a Geórgia, com o objetivo de ajudar o Sr. John Wesley; mas o Sr. Wesley havia retornado para a Inglaterra. Logo depois, ele se encontrou com o Sr. Ingham, Stonehouse, Hall, Hutchings, Kinchin e alguns outros poucos clérigos, que pareceram ser todos de um só coração, e um só julgamento, resolvidos a serem cristãos bíblicos, em todos os eventos; e, onde quer que eles fossem, pregar com toda a sua força clara, o Cristianismo Bíblico antigo.

 

10. Eles eram, até aqui, perfeitamente, regulares, em todas as coisas; e, zelosamente, atados à Igreja da Inglaterra. Nesse meio tempo, eles começaram a ser convencidos de que "pela graça nós fomos salvos, através da fé"; que essa justificação pela fé era a doutrina da Igreja, como também da Bíblia. Tão logo eles acreditaram, eles declararam; salvação pela fé sendo agora o seu tópico permanente. De fato, isso implicava três coisas:

 

(1)   Que os homens são, pela natureza, "mortos no pecado", e, conseqüentemente, "crianças de ira".

(2)   Que fé produz santidade interior e exterior: E nesses pontos eles insistiram, dia e noite. Em pouco tempo, eles se tornaram pregadores populares. As congregações eram grandes, onde quer que eles preguem.

(3)   O antigo nome estava, então, reavivado; e todos esses cavalheiros, com seus seguidores foram intitulados Metodistas.  

 

11. Em Março de 1741, o Sr. Whitefield retornou da Inglaterra, inteiramente, separado do Sr. Wesley e seus amigos, porque ele não abraçou os decretos. Aqui estava a primeira brecha, com a qual os homens alterados persuadiram o Sr. Whitefield a criar, meramente, por causa da diferença de opinião. De fato, aqueles que acreditaram na redenção universal tiveram nenhum desejo, afinal, de se separarem; mas aqueles que abraçaram a redenção restrita não poderiam ouvir de qualquer acomodação, estando determinados a ter nenhuma camaradagem com aqueles homens que "estavam em erro tão perigoso". De modo que havia agora duas espécies de Metodistas, assim chamados; aqueles pela redenção restrita, e aqueles pela redenção em geral.    

12. Não muitos anos se passaram, antes que William Cudworth e James Relly separaram-se do Sr. Whitefield. Esses eram, propriamente, Antinominianos (doutrina de que, pela fé e a graça de Deus anunciadas no Evangelho, os cristãos são libertados não só da lei de Moisés, mas de todo o legalismo e padrões morais de qualquer cultura); inimigos absolutos e declarados da lei de Deus, o qual eles nunca pregaram ou professaram pregar, mas determinaram a todos os legalistas que o fizessem. Com eles, "pregando a lei" era uma abominação. Eles não tinham o que fazer com a lei. Eles poderiam "pregar Cristo", como eles chamavam isso, mas sem uma palavra tanto de santidade, como de boas obras. Contudo, esses eram ainda denominados Metodistas, embora diferindo do Sr. Whitefield, tanto no julgamento, quanto na prática; e, abundantemente, mais do que o Sr. Whitefield diferia do Sr. Wesley.      

  

13. Nesse meio tempo, o Sr. Venn e Sr. Romaine começam a falar disso; e, não muito depois, o Sr. Madan e Sr. Berridge, com alguns outros clérigos, que, embora, não tivessem ponte alguma, um com o outro, ainda assim, pregando salvação pela fé, e esforçando-se para viverem, concordantemente, e se tornarem Cristãos Bíblicos, foram logo incluídos no nome geral de Metodistas. Como, de fato, foram todos os outros que pregaram salvação pela fé, e pareceram mais sérios do que seus vizinhos. Alguns desses eram, completamente, regulares, em sua maneira de pregar; alguns, completamente, irregulares; (embora, não pela escolha; mas, pela necessidade, que era colocada sobre eles; eles deveriam pregar, irregularmente, ou não, afinal); e outros estavam, entre ambos — regular, na maioria, se bem que, não em tudo, particulares.    

 

14. Em 1762, George Bell, e algumas poucas pessoas começaram a falar palavras fortes. No final do ano, eles predisseram que o mundo iria acabar, em 28 de Fevereiro. O Sr. Wesley, com aqueles a quem, então, estava unido, opôs-se a eles, em público e em privado. O que eles não puderam suportar; então, em Janeiro e Fevereiro de 1763, separaram-se do Sr. Wesley. Logo depois, o Sr. Maxfield, um dos pregadores do Sr. Wesley, e muitas pessoas também o deixaram; embora o Sr. Maxfield e seus adeptos seguissem sob o nome geral de Metodistas. 

 

15. Até esse momento, muitos daqueles que permanecem com o Sr. Wesley são, na maioria, homens da Igreja da Inglaterra, embora eles não amem as opiniões deles. Sim, eles mesmos amam os Antinomianos; mas apenas com um amor de compaixão. Já que odeiam a doutrina deles com uma perfeita aversão, abominando-as, como abominam o fogo do inferno; estando convencidos que nada pode destruir, tão efetivamente, toda fé e santidade e todas as boas obras.    

 

16. Com respeito a esses — Sr. Relly e seus partidários — não seria estranho que eles pudessem crescer, em reputação, já que eles nunca chocarão o mundo, tanto pela aspereza de sua doutrina, como singularidade de comportamento. Mas aqueles, que determinam tanto pregar, como viver o evangelho, esperam que os homens digam "toda maneira diabólica deles". "O servo não está acima de seu Mestre, nem o discípulo acima de seu Senhor. Se, então, eles chamaram o mestre da casa Belzebu, quanto mais a eles de sua própria casa?" É dever deles, realmente, "tanto quanto cabe a eles, viver, pacificamente, com todos os homens". Mas, enquanto eles trabalham pela paz, o mundo "os fazem prontos para a batalha". E o esforço constante deles "agradar todos os homens, pelo seu bem, para edificação". Ainda que eles saibam que isso não pode ser feito: Eles se lembram das palavras dos Apóstolos: "Se, eu ainda agrado homens, eu não sou servo de Cristo". Eles seguem em frente; mesmo que, "através de honra e desonra; através do relato mau e bom"; desejando apenas que o Mestre deles possa dizer um dia: "Servos de Deus, parabéns!". 

 

 

Conselho a um Povo Chamado Metodista

John Wesley

 

            Por Metodistas, eu quero dizer as pessoas que professam exercer (em qualquer medida que elas tenham alcançado) santidade de coração e vida; conformidade, interior e exterior, em todas as coisas, para a vontade revelada de Deus; os que colocam a religião, na semelhança uniforme, do grande propósito dela. Na imitação permanente Dele, eles adoram a Deus, em todas as suas perfeições imitáveis; mais, particularmente, na justiça, misericórdia, e verdade, ou amor universal, preenchendo o coração e governando a vida.

 

Você, para quem eu agora falo, acredita que esse amor da espécie humana não pode brotar, a não ser do amor de Deus. Você pensa que não pode haver exemplo de alguém, cuja afeição terna abrace cada criança do homem, (ainda que não valorizado para ele, tanto por laços de sangue, como por alguma relação natural ou civil), a menos que essa afeição flua do amor agradável e filial, para o Pai comum de Todos; para Deus, considerado, não apenas, como seu Pai, mas como o “Pai dos espíritos de toda carne”, sim, como os Pais e o Amigo comum de todas as famílias, tanto no céu, como na terra.    

 

Esse amor de filho, você supõe que flua apenas da fé, a qual você descreve como uma evidência supernatural (ou convicção) das coisas que não são vistas, de modo que ele que tem esse princípio,

 

As coisas desconhecidas para o senso frágil,

Invisíveis pela faísca débil da razão,

Com evidência grandiosa e forte

Sua origem divina exibe.

A fé fornece sua luz realizadora,

As nuvens se dispersam, as sombras voam;

O invisível aparece na luz,

E Deus é visto pelo olho mortal.

 

            Você supõe que essa fé implica a evidência de que Deus é misericordioso com o pecador; que ele está reconciliado comigo, pela morte de seu Filho, e agora me aceita por causa Dele. Você, concordantemente, descreve a fé de um cristão real como “a confiança e confidência verdadeira” (sobre, e acima de seu assento, para os escritos sagrados) “o que ele tem em Deus, já que seus pecados são perdoados; e já que ele está, através dos méritos de Cristo, reconciliado com o favor de Deus”.

 

Você acredita, além disso, que essa fé e amor são forjados, em nós, pelo Espírito de Deus; mais ainda, que não pode existir, em algum homem, algum temperamento ou desejo bom, ou um pensamento bom, a menos que ele seja produzido pelo poder extremo de Deus, pela inspiração ou influência do Espírito Santo.

 

Se você caminha por essa regra, continuamente, esforçando-se para conhecer, e amar, e assemelhar-se, e obedecer ao grande Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, como o Deus do amor, da misericordiosa clemente; se desse princípio de amor, fé obediente, você, cuidadosamente, abstém-se de todo o mal, e trabalha, quando você tem oportunidade, para fazer o bem a todo homem, amigos ou inimigos; se, por fim, você se une, para encorajar e ajudar o outro, a assim, executar sua salvação, e para esse fim olhar um ao outro, no amor, você é aquele a que eu chamo por Metodistas.

 

O Primeiro Conselho Geral, o qual aqueles que amam suas almas podem, honestamente, recomendar para cada um de vocês é: “Considere, com atenção profunda e freqüente, as circunstâncias peculiares, dentro das quais você está”.

 

Uma delas é a de que você é uma nova pessoa: Seu nome é novo (pelo menos, quando usado num sentido religioso); não ouvido, até poucos anos atrás, tanto na sua, como em qualquer outra nação. Seus princípios são novos, nesse respeito, que não há outro grupo de pessoas entre nós (e, possivelmente, não, no mundo cristão) que o detenha todo, no mesmo grau e conexão; que, tão ativa e continuamente, insista na absoluta necessidade da santidade universal do coração e da vida; do amor de Deus, sereno e jubiloso; da evidência sobrenatural das coisas não vistas; do testemunho interior de que nós somos as crianças de Deus; e da inspiração do Espírito Santo, a fim de algum pensamento bom, ou palavra, ou trabalho. 

 

E, talvez, não exista outro grupo de pessoas (pelo menos, não visivelmente unido) que imponha tanto, e ainda sem mais estresse do que você tem na retidão de opiniões; nos modelos exteriores de adoração; e no uso dessas ordenanças as quais você reconhece serem de Deus.Tanto tensão você impõe sempre nas opiniões corretas, como para professar que você, sinceramente, deseja ter um julgamento reto em todas as coisas, e você está feliz de usar todos os significados os quais você sabe ou acredita possam ser conducentes para isso; e, no entanto, não muito, como para condenar algum homem sobre a terra, meramente por pensar diferente do que você; muito menos, para imaginar que Deus o condena por isso, se ele é justo e sincero de coração.  

 

Naqueles modelos exteriores de adoração, nos quais você tem sido criado, você coloca tanta tensão, para aprová-los, grandemente; mas não tanta, para diminuir seu amor por aqueles que, conscientemente, divergem de você, nisso. Você, igualmente, impõe tanto estresse, no uso dessas ordenanças, as quais você acredita serem de Deus, como para confessar que não há salvação para você, se você, obstinadamente, negligenciá-las: No entanto, você não julga aquelas que estão, de outro modo, propensas; você determina nada, concernente àqueles que, não acreditando que essas ordenanças sejam de Deus, fora do princípio, abstêm-se delas.  

 

Seu cuidado com a vida, levando a totalidade disso, junto, pode ser, igualmente, considerado novo. Eu quero dizer, fazendo disso uma regra, abster-se das diversões da moda; de ler peças, romances ou livros de humor; de cantar canções inocentes; ou falar de uma maneira leviana, espetaculosa, folgazã; sua simplicidade no vestir-se; sua maneira de procedimento no comércio; sua exatidão na observância do dia do Senhor; seu escrúpulo para as coisas que não têm sido costumeira; sua total abstinência das bebidas alcoólicas espirituosas (a menos em casos de necessidade); sua regra: “não mencionar o defeito de uma pessoa ausente, em particular dos Ministros ou daqueles em autoridade”, pode, justamente, ser denominado novo: Vendo, entretanto, alguns que são escrupulosos em algumas dessas coisas, e outros que são precisos com respeito às outras particularidades, ainda assim, não encontramos algum outro grupo de pessoas que insista em todas essas regras juntas. Com respeito, entretanto, ao seu nome, seus princípios, e sua prática, você pode ser considerado como uma nova pessoa.

 

Uma outra circunstância peculiar da sua situação presente é a de que você está novamente unido; a de que você está, justamente, unido, ou (como parece) reunindo-se melhor, fora de todas as outras sociedades ou congregações; mais do que isso, que você tem sido, até agora, e ainda resiste, sem poder (já que você é uma pessoa pequena e insignificante); sem riqueza (porque você é pobre para um homem, tendo, não mais, do que as necessidades simples da vida); e sem tanto qualquer dom extraordinário da natureza, como as vantagens da educação; a maioria, até mesmo de seus professores, sendo, completamente, incultos, e (em outras coisas) homens ignorantes.   

           

Existe ainda uma outra circunstância, a qual é, completamente, peculiar a vocês mesmos: Considerando que todos os outros grupos religiosos, tão logo, eles estão unidos uns aos outros, separaram-se de suas antigas Sociedades ou congregações; Você, ao contrário, não faz isso; além do que, você, absolutamente, desaprova todo o desejo de separar-se delas. Você, aberta e continuamente, declara que não tem; nem, alguma vez, teve tal objetivo. E, visto que as congregações a que aqueles separatistas pertenceram, não têm poupado esforços, geralmente, para prevenir tal separação; aquelas a que você pertence não poupam esforços (não para impedirem, mas) para provocarem essa separação, e direcionarem você fora delas, para forçarem-no nessa divisão, para a qual você declara ter a mais forte aversão.

 

Considerando essas circunstâncias peculiares, aonde você se encontra, você verá a propriedade do Segundo Conselho que eu recomendaria a você: "Não imagine que você pode evitar ofender": Seu próprio nome faz com que isso seja impossível. Talvez, ninguém, em centenas daqueles que usam o termo Metodista tenha alguma idéia do que ele significa. Para noventa e nove deles, ele é ainda grego pagão. Eles pensam apenas que esse nome significa alguma coisa muito ruim – mesmo um católico, um herético, um enfraquecido da igreja, ou alguns ilustres desconhecidos, e, com toda probabilidade, o mais longe que se chega, é para deduções cada vez piores. Por esta razão, é inútil, para qualquer um que seja chamado de Metodista pensar que ele não irá ofender.

 

E, quanto mais ofensa você dá, pelo seu nome, você dará ainda mais, pelos seus princípios. Você ofenderá os fanáticos por opiniões, modos de adoração e ordenanças, colocando não mais tensão sobre eles; aos fanáticos contra elas, colocando muita; aos homens de formalidade, insistindo, tão freqüentemente e fortemente no poder interior da religião; aos homens moralistas (assim chamados), por declarar a absoluta necessidade da fé, com o objetivo da aceitação com Deus. Os homens racionais você ofenderá falando da inspiração e recebimento do Espírito Santos; aos bêbados, os que não respeitam o Sabbah, aos praguejadores comuns, e aos pecadores declarados, por afastar-se da companhia deles, tanto quanto pela desaprovação do comportamento deles, o que você, freqüentemente, é obrigado a expressar. E, mesmo sua vida devendo ser de uma ofensa contínua.

 

Sua sobriedade é gravemente ofensiva ao bêbado; sua conversa séria é igualmente intolerável ao prazenteiro insolente: e, no geral, já que "você está crescendo, tão preciso e singular, tão monstruosamente rigoroso, além de toda razão e sensibilidade; já que você tem escrúpulos para as coisas tão inofensivas, e supõe que você seja obrigado a fazer tantas outras que você não precisa", não deixa de ser uma ofensa para uma abundância de pessoas, seus amigos e relações em particular. Mesmo que, conseqüentemente, você deva consentir em desistir de seus princípios, ou da sua esperança afetuosa de agradar a homens.

 

O que faz até mesmo seus princípios mais ofensivos é essa união entre vocês: porque essa união torna você mais evidente, colocando você mais no olho dos homens; mais suspeito – quero dizer, sujeito a ser suspeito de carregar algum objetivo sinistro (especialmente, por aqueles que não conhecem, ou não irão conhecer sua ligação inviolável com Sua presente Majestade); mais terrível para aqueles de temperamento temeroso, que imagina que você tem algum desses tais objetivos; e mais odioso para os homens de zelo, se o zelo deles for qualquer outro do que o amor fervente a Deus e homem.  

 

Essa ofensa irá afundar no abismo, porque você está unido fora de tantas outras congregações: Já que os homens entusiasmados, de cada uma, não irão, facilmente, ser convencidos de que você não os desdenha ou a seus professores; além do que, irão imaginar, provavelmente, que você os condena, ao extremo, como se eles não pudessem ser salvos. E essa ocasião de ofensa está, agora, no auge, porque você está justamente unido, ou unindo-se melhor, de modo que as congregações não sabem aonde isso irá parar; mas o medo de perder (assim relatam elas) mais de seus membros coloca o zelo delas no limite, e mantém toda a fúria e ressentimento em todo seu vigor.

 

Acrescente a isso que você não as deixará, completamente; você ainda se coloca entre os membros delas; o que, para aqueles que não sabem que você faz isso por causa da consciência, é também uma circunstância provocante. "Se você pudesse estar longe das vistas delas!" Mas você é um incômodo contínuo, ao lado delas; por quanto tempo você permanecer com elas.

 

E (o que não pode deixar de irritá-las mais) você não tem poder, nem riqueza, nem é letrado; ainda assim, com todo o poder delas, dinheiro e sabedoria, elas não podem fazer progressos contra você.

 

O que você não pode deixar de esperar é que a ofensa, continuamente, erguendo-se, de tal variedade de provocações, irá, gradualmente, aprimorar-se em ódio, malícia, e todos os outros temperamentos impiedosos. E como eles, que são assim afetados, não irão falhar em representar você, para outros, da mesma maneira que você aparece a eles —, algumas vezes, como louco e tolo; algumas vezes, como homem fraco, camarada não adequado para viver na terra; a conseqüência, humanamente falando, deve ser que, junto com sua reputação, você irá perder, primeiro, o amor de seus amigos, parentes, e conhecidos, mesmo daqueles que, alguma vez, o amaram da maneira mais terna; depois então, seu trabalho, já que muitos não irão empregar você, por muito tempo; nem "comprar de alguém como você", e, no devido tempo, (a menos que Ele que governa o mundo se interponha), sua saúde, liberdade e vida.       

 

Que conselho pode ser dado, a mais, para pessoas em tal situação? Eu não posso deixar de aconselhar você, Em Terceiro Lugar, "Considere, profundamente, em você mesmo: é o Deus a que eu sirvo, capaz de livrar-me? Eu não sou capaz de me livrar dessas dificuldades; muito menos eu sou capaz de suportá-las. Eu não sei como desistir de minha reputação, meus amigos, minha essência, minha liberdade, minha vida. Pode Deus fazer com que eu me regozije, em fazendo isso; e eu posso confiar que Ele irá? São os cabelos de minha cabeça todos numerados; e Ele nunca falha com aqueles que confiram nele?".  Pese isso completamente; e se você pode confiar em Deus com tudo o que tem, então, vá em frente com o poder de sua força.

           

Indo, em frente, eu poderia, sinceramente, aconselhar você, em Quarto Lugar: "Mantenha-se, no mesmo caminho, no qual você agora traçou. Seja verdadeiro para com seus princípios". Nunca descanse novamente, na formalidade morta, da religião. Persiga, com toda sua força, santidade, interior e exterior; cultue a imitação constante Dele; uma semelhança crescente de Suas perfeições imitáveis — Sua justiça, misericórdia e verdade.   

 

Permita que essa seja a sua religião principal, nobre e generosa; igualmente, distante da mesquinharia da superstição, que coloca a religião fazendo o que não tem agradado a Deus, ou abstendo-se daquilo que Ele não tem proibido; e das indelicadezas da idolatria, a qual confina nossa afeição, naquilo que nos diz respeito, seita ou opinião. Acima de tudo, levante-se, em fé obediente; fé no Deus da misericórdia clemente; no Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que tem amado você e dado a si mesmo por você. Atribua a Ele tudo de bom que você encontra em si mesmo; toda sua paz, alegria e amor; todo seu poder, para fazer, e sustentar a Sua vontade, através do Espírito do Deus vivo. Ainda que, nesse meio tempo, cuidadosamente, evite entusiasmo: não imponha os sonhos de homens ao Deus de sabedoria suprema; e espere nenhuma luz, nem poder dele, mas o uso sério de todos os propósitos que ele ordenou.   

 

Seja verdadeiro também a seus princípios, tocando opiniões e as aparências externas da religião. Use cada ordenação, a qual você acredita seja de Deus; mas precavenha-se dos espíritos estreitos, com respeito àqueles que não a usam. Conforme-se com aqueles modos de adoração, o qual você aprova; contudo, ame, como irmãos, aqueles que não podem se conformar. Coloque tanta tensão nas opiniões, para que você próprio, se for possível, possa concordar com verdade e razão; mas tenha cuidado com a raiva, antipatia ou desprezo, no que se refere àquelas opiniões que diferem das suas. Você é acusado diariamente disso (e, de fato, do que é que você não é acusado?); mas precavenha-se de despender qualquer esforço para tal acusação. Não condene homem algum por não pensar como você: Deixe todos se alegrarem, totalmente, e pensar livremente por eles mesmos: Deixe que cada homem use seu próprio julgamento, já que cada um deverá dar um relato de si mesmo para Deus. Abomine toda aproximação, de qualquer espécie ou grau, do espírito de perseguição. Se você não pode dissuadir ou persuadir um homem na verdade, nunca tente forçá-lo a ela. Se o amor não irá compeli-lo a entrar, deixe-o para Deus, o Juiz de todos.

 

Não espere que os outros irão se comportar assim com você. Não: Alguns irão se esforçar para intimidar você fora de seus princípios; alguns irão constrangê-lo a uma religião mais popular, para zombarem e reagruparem você fora de sua singularidade: Mas, com nenhum desses, você irá estar em tão grande perigo, como com aqueles que agridem você com armas, completamente, diferentes; com delicadeza, benevolência, e declarações sinceras de (talvez, real) boa-vontade. Aqui, você está, igualmente, preocupado em evitar a mesma aparência de raiva, desprezo ou indelicadeza, e abraçar rapidamente toda a verdade de Deus, tanto em princípio como em prática. Isso, realmente, será interpretado como indelicadeza. Seus antigos conhecidos verão — que você não irá pecar ou gastar seu tempo com eles —, como uma prova simples de sua indiferença com respeito a eles; e esse peso você deve estar contente por suportar. Mas trabalhe para evitar toda indelicadeza real, todas as palavras descorteses, ou aspereza de discurso, toda timidez ou comportamento estranho. Fale a eles com ternura e amor, e comporte-se com toda a suavidade e cortesia, que você puder; tomando cuidado para não dar alguma ofensa desnecessária ao próximo ou estranho, amigo ou inimigo.

 

Talvez, nesse mesmo relato, eu deveria aconselhá-lo, Em Quinto Lugar, "não falar muito sobre o que você sofre; ou da perseguição que você suporta nesse tempo, e da maldade de seus perseguidores". Nada mais tende a exasperá-los do que isso; e, e, por conseguinte, (embora haja um tempo em que essas coisas devam ser mencionadas, ainda assim) deverá ser uma regra geral fazer isso, tão freqüentemente, quanto você puder, com uma consciência cautelosa. Porque, além de essas tendências inflamá-los, ela tem a aparência do mal, da ostentação, exaltando vocês mesmos. Isso também tende a inchá-lo de orgulho, e fazê-lo pensar em você mesmo como algo grande, como, certamente, se faz para excitar ou aumentar em seu coração vontade própria, raiva e todo temperamento indelicado. É, melhor, perder o tempo; porque, ao invés da maldade do homem, você poderia estar falando da bondade de Deus. Além do que, isso é, na verdade, um pecado aberto e teimoso: A tagarelice, calúnia, conversa maldosa é um pecado que você pode nunca ser suficientemente, vigilante contra, vendo que ele rouba em você, em milhares de formas.

 

Não será ainda mais proveitoso para sua alma, ao invés de falar contra eles, orar por eles? Confirmar seu amor para com aqueles homens infelizes, quem, você acredita, estão lutando contra Deus; clamando, poderosamente, por eles, quanto ao comportamento deles, para que Ele possa abrir seus olhos e mudar seus corações?  Eu tenho agora apenas que recomendar você aos cuidados Dele que tem todo o poder nos céus e terra; implorando a Ele que, em todas as circunstâncias da vida, você possa ficar "firme como uma bigorna açoitada pelo golpe"; desejando nada na terra; com respeito a todas as coisas, a não ser adubo e refugo, para que você possa ganhar Cristo; e sempre lembrando que, "Faz parte de um bom campeão, ser esfolado vivo, e vencer".

 

10 de Outubro de 1745

 

 

PRINCIPIOS DE UM METODISTA

John Wesley

1. Recentemente apareceu no mundo, um tratado entitulado "Uma Breve História dos Princípios do Metodismo". Eu não duvido, mas o objetivo do escritor foi bom, e acredito que ele tenha um desejo verdadeiro de conhecer a verdade. E a maneira, com que ele persegue aquele objetivo é geralmente calma e imparcial. Ele de fato, incorre em diversos equívocos; mas como muitos deles são tanto de pequena conseqüência em si mesmos, quanto não imediatamente se referem a mim, não é minha preocupação mencioná-los. Todas as conseqüências que se referem a mim, eu penso, está compreendido em três tópicos:

(1) Que eu acredito na justificação pela fé somente.

(2) Que eu acredito na perfeição sem pecado.

(3) Que eu acredito em inconsistências.

De cada um desses, eu falarei tão claramente quanto eu puder.

2. Que eu acredito na justificação da fé somente. Isto eu admito. Porque eu estou firmemente persuadido, que todo homem da descendência de Adão está muito longe da retidão original, e é, por sua própria natureza, inclinado ao mal; que esta corrupção da nossa natureza, em todas as pessoas nascidas no mundo, merece a ira e a condenação de Deus; e que, portanto, se, alguma vez, recebemos remissão de nossos pecados, e somos considerados justos diante de Deus, será unicamente pelo mérito de Cristo, pela fé, e não por nossas próprias obras ou méritos de algum tipo. Mais ainda, eu estou persuadido que todas as obras feitas antes da justificação têm, nelas, a natureza do pecado; e isto, conseqüentemente, até que ele seja justificado, um homem não tem poder para fazer alguma obra que é agradável e aceitável a Deus.

3. Para expressar o que quero dizer um pouco mais detalhadamente: Eu acredito que três coisas devem seguir juntas em nossa justificação: Da parte de Deus, sua grande misericórdia e graça; da parte de Cristo, a santificação da justiça de Deus, oferecendo seu corpo, e vertendo seu sangue; e da nossa parte a fé verdadeira e viva nos méritos de Jesus Cristo. De maneira que em nossa justificação não existe apenas a misericórdia e graça de Deus, mas sua justiça também. E assim a graça de Deus não exclui a retidão de Deus em nossa justificação; mas apenas exclui a retidão do homem, ou seja, a retidão de nossas obras.

4. E, consequentemente, Paulo requer nada da parte do homem, mas apenas a fé verdadeira e viva. Ainda assim, esta fé não exclui o arrependimento, esperança e amor, que estão ligados com a fé, em todo o homem que é justificado. Mas ele os exclui do ofício de justificar. De maneira que embora eles estejam todos presentes juntos nele que é justificado, ainda assim, eles não justificam todos juntos.

5. Nem a fé exclui as boas obras, necessariamente a serem feitas posteriormente. Mas nós não podemos praticá-las com este intento – sermos justificados por realizá-las. Nossa justificação vem livremente da mera misericórdia de Deus; porque considerando que o mundo todo não é capaz de pagar alguma parte, concernente ao resgate, que agradou a ele, sem merecimento algum nosso, preparar para nós o corpo e sangue de Cristo, por meio do qual nosso resgate seria pago, e sua justifiça praticada. Cristo, portanto, é agora a retidão de todos aqueles que verdadeiramente crêem nele.

6. Mas que seja observado que o verdadeiro sentido daquelas palavras: "Somos justificados pela fé em Cristo apenas", não é que este nosso próprio ato, "crer em Cristo", ou esta nossa fé, que está em nós, nos justifiquem; por isso, fossemos nos considerar sermos justificados por algum ato ou virtude que esteja em nós; mas que, embora tenhamos fé, esperança, e amor, e nunca façamos tantas boas obras, ainda assim devemos desistir do mérito de todos, da fé, esperança, e amor, e de todas as outras virtudes e boas obras, que nós tanto temos feito, devemos fazer, ou podemos fazer, como muito ineficiente para merecer nossa justificação; pelo que, portanto, devemos confiar apenas na misericórdia de Deus, e nos méritos de Cristo. Já que é Ele somente que tira nossos pecados. A Ele somente devemos buscar por isto; abandonando todas as nossas virtudes, boas obras, pensamentos, e realizações, e colocando nossa confiança em Cristo apenas.

7. Na exatidão, portanto, nem nossa fé, nem nossas obras nos justificam, ou seja, merecem a remissão de nossos pecados. Mas o próprio Deus nos justifica, por sua própria misericórdia, através dos méritos de seu Filho apenas. Não obstante, através fé, nós abraçamos a promessa da misericórdia de Deus e da remissão de nossos pecados, portanto, as Escrituras dizem que a fé justifica, sim, e a fé sem as obras. E é o mesmo que dizer: "Fé sem obras", e "Fé somente, nos justifica".  Portanto, os antepassados, de tempos em tempos, falavam assim: "A fé somente nos justifica". E porque recebemos a fé, apenas através dos méritos de Cristo, e não do mérito ou virtude que temos, ou obra que fazemos; assim sendo, neste aspecto, nós renunciarmos, por assim dizer, novamente a fé, oras, e todas as outras virtudes. Porque nossa corrupção, através do pecado original é tão grande, que toda nossa fé, caridade, palabras e obras não podem ser dignas ou merecerem alguma parte de nossa jusfificação por nós. E, assim, falamos, nos humilhamos diante de Deus, dando a Cristo toda a glória de nossa justificação.

8. Mas deve também ser observado, que fé, é esta, por meio da qual, somos justificados. Agora esta fé que não produz boas obras, não é a fé viva, mas a morta e a diabólica. Uma vez que até mesmo os demônios acreditam que Cristo nasceu de uma virgem; que ele operou todos os tipos de milagres, declarando-se ser o próprio Deus; que, por nossa causa, ele morreu e ressuscitou novamente e ascendeu ao céu; e no fim do mundo voltará para julgar o vivo e o morto. Nisto, os diabos acreditam; e assim. Eles crêem em tudo que está escrito no Velho e Novo Testamento. E ainda assim, apesar de todo esta fé, eles não deixam de ser demônios; eles permanecem ainda em seu estado condenado, deficientes da fé cristã verdadeira.

9. A fé cristã verdadeira não é apenas acreditar nas Santas Escrituras e que as profissões de nossa fé são verdadeiras; mas também, ter "uma confiança e segurança certas de ser salvo da condenação eterna, através de Cristo", por meio de quem, se segue um coração amoroso para obedecer seus mandamentos. E esta fé, nem o demônio, nem algum homem pecaminoso tem. Nenhum homem iníquo tem ou pode ter esta "confiança e segurança, certas, em Deus, de que, pelos méritos de Cristo, seus pecados são esquecidos e ele reconciliado para o favor de Deus".

10. Isto é o que eu acredito (e tenho acreditado por alguns anos), concernente à justificação pela fé somente. Eu escolhi expressar isto nas palavras de um pequeno tratado, publicado diversos anos atrás; como sendo a mais autêntica prova, tando dos meus sentimentos passados quanto presentes. Se eu errei nisto, que aqueles que são mais bem informados, calmamente apontem meus erros para mim; e eu confio; e eu confio, eu não fecharei meus olhos contra a luz, de qualquer lado que ela venha.

11. A segunda coisa colocada como de minha responsabilidade é que eu acredito na perfeição sem pecado. Eu simplesmente declararei o que eu acredito, concernente a isto também, e deixo que os homens imparciais julguem.

12. Meus últimos e deliberados pensamentos sobre este assunto foram publicados, mas alguns poucos meses, desde então, nestas palavras: --

(1) "Talvez, o preconceito geral contra a Perfeição Cristã possa, principalmente, surgir da incompreensão da natureza dela. Nós prontamente permitimos, e continuamente declaramos que não existe tal perfeição nesta vida, de maneira a implicar, tanto uma dispensação do fazer o bem e atender a todas as ordenanças de Deus; quanto uma isenção da ignorância, erro, tentação, e milhares de enfermidades, necessariamente ligadas à carne e sangue".

(2) "Primeiro. Nós não apenas admitirmos, mas sinceramente afirmamos, que não existe perfeição nesta vida, que implique alguma dispensação em atender todas as ordenanças de Deus, ou 'fazer o bem a todos os homens, enquanto temos tempo', embora 'especialmente junto ao que pertence à fé'. Nós acreditamos que não apenasos bebês em Cristo, que têm proximamente encontrado redenção em Seu sangue, mas aqueles também que 'se tornaram homens perfeitos', estão indispensavelmente obrigados, tão freqüentemente quanto tenham oportunidade, 'a comer do pão e beber do vinho em memória Dele', e 'buscar as Escrituras'; através do jejum, assim como, temperança, a 'manter e trazer seus corpos, sob a submissão e nela; e, acima de tudo, derramar suas almas na oração, ambas, secretamente e na grande congregação".

(3) "Nós, em segundo lugar, acreditamos, que não exista tal perfeição nesta vida, de maneira a implicar um livramento completo, quer da ignorância ou erro, em coisas não essenciais à salvação, ou das múltiplas tentações, ou das inúmeras enfermidades, nas quais o corpo corruptível, mais ou menos, oprime a alma. Nós não podemos encontrar algum fundamento nas Escrituras, para supor que algum habitante de uma casa de barro está totalmente isento, quer das enfermidades corpóreas, ou da ignorância de muitas coisas; ou imaginar que alguém é incapaz de erro, ou cair em tentações diversas".

(4) "Mas a quem, então, você se refere, por alguém que é perfeito? Você quer dizer alguém em que 'está a mente que estava em Cristo', e quem também 'caminha como Cristo caminhou'; um 'homem que tem as mãos limpas e o coração puro', ou que está 'limpo de toda sujidade da carne e espírito'; alguém em que 'não existe oportunidade de impecilho', e quem, conseqüentemente, 'não comete pecado'".

"Para declarar isto um pouco mais especificamente: Nós entendemos por aquela expressão bíblica, 'um homem perfeito', alguém em quem Deus tem cumprido sua palavra fiel: 'De toda sua sujidade e de todos os seus ídolos eu limparei você: eu também o salvarei de todas as suas impurezas'. Nós entendemos, por meio disto, alguém em quem Deus tem 'santificado, no corpo, alma, e espírito'; alguém que 'caminha na luz, como ele está na luz; em quem não existem trevas, afinal; o sangue de Jesus Cristo seu Filho tendo o limpado de todos os pecados'".

(5) "Este homem pode agora testificar a toda a humanidade: 'Eu sou crucificado com Cristo: Não obstante eu viva; ainda assim, não sou eu, mas Cristo vive em mim'. Ele é 'santo, como Deus que o chamou é santo', ambos no coração e 'em toda maneira de vida'. Ele 'ama o Senhor seu Deus com todo seu coração', e o serve 'com todas as suas forças'. Ele 'ama seu próximo', todo homem, 'como a si mesmo'; sim, 'como cristo nos amou'; a eles, em específico, que 'maliciosamente o usam e perseguem, porque eles não conhecem o Filho, nem o Pai'. Na verdade, sua alma é toda amor, preenchida com profundas misericórdias, delicadeza, humildade, gentileza, longanimidade'. E sua vida está de acordo com isto, cheia de da obra da fé, da paciência da esperança, do trabalho do amor. [I Tessalonicense 1:3]. E qualquer que ele faça em palavra ou ação, ele o faz, em nome, no amor e poder 'do Senhor Jesus'. Em uma palavra, ele faz 'a vontade de Deus sobre a terra, como ela é feita no céu'.

(6). "Isto é ser 'um homem perfeito'; ser santificado totalmente: Mesmo 'ter o coração assim todo inflamado, com o amor a Deus', para usar as palavras do Arcebispo Usher, 'de maneira a continuamente oferecer todo pensamento, palavra e obra, como um sacrifício espiritual, aceitável a Deus, através de Cristo'. Em todos os pensamentos de nossos corações, em cada palavra nossa, em cada obra de nossas mãos, 'exibir seu louvor, àquele que nos tirou da escuridão para sua luz maravilhosa'. Ó, que ambos, nós, e todos que buscam o Senhor Jesus, na sinceridade, possamos assim ser feitos perfeitos em um!"'.

13. Se existe alguma coisa não bíblica nestas palavras; alguma coisa agressiva ou extravagante; alguma coisa contrária à analogia da fé, ou a experiência dos cristãos adultos, que eles "me atinjam amigavelmente e me reprovem"; que eles me concedam a luz mais clara que Deus deu a eles. Como tu sabes, ó, homem, "a não ser que podes ganhar teu irmão"; mas ele pode, por fim, vir para o conhecimento da verdade; e teu trabalho de amor, exibido com humildade de sabedoria, não pode ser em vão?

14. Lá permanece ainda uma outra responsabilidade contra mim, a que eu acredito em discordâncias; que minhas doutrinas, especificamente concernente à justificação, são contraditórias em si mesmas; que o Sr. Wesley, "desde que ele retornou da Alemanha, ele se aperfeiçoou no espírito da inconsistência". "Porque, então, ele publicou dois tratados do Sr. Barnes, o Calvinista, ou Dominicano, preferivelmente, que  morreu em 1541" (vamos espalhar as cinzas do morto. Fosse eu tal Dominicano como ele foi, eu me regozijaria também em morrer em chamas); "o primeiro sobre 'Justificação pela fé, apenas'; o outro, sobre 'a pecaminosidade da vontade natural do homem , e sua extrema inabilidade de fazer as obras aceitáveis a Deus, até que ele seja justificado'. Cujos princípios, se acrescidos às sua doutrinas anteriores", (mais ainda, eles não precisam ser acrescentados a elas, porque elas são a mesma coisa) "dará ao todo uma nova veia de inconsistência, e torna as contradições mais grosseiras e evidentes do que antes".

15. Será necessário falar mais largamente sobre este assunto, do que sobre qualquer um dos precedentes. E com o objetivo de falar tão distintamente quanto eu possa, eu proponho pegar os parágrafos, um por um, como eles se colocam diante de mim.

16. (1) É "afirmado que o sistema do Sr. Law foi o credo dos Metodistas".  Mas não se provou. Eu estive oito anos em Oxford, antes de ler algum dos escritos do Sr. Law; e quando eu li, eu estive tão longe de fazer deles meu credo, que eu fiz objeções a quase todas as páginas. Mas todo este tempo minha maneira foi passar diversas horas por dia, em ler as Escrituras, nas línguas originais. E disto, meu sistema, assim denominado, foi totalmente traçado, de acordo com a luz que, então tive.

17. Em minha passagem para a Geórgia, eu me encontrei com aqueles professores que teiam me ensinado o caminho de Deus mais perfeitamente. Mas eu não os entendi. Nem, sobre minha chegada lá, eles introduziram algumas particularidades em mim, quer sobre a justificação ou alguma coisa mais. Porque eu voltei com as mesmas noções com que eu fui. E isto eu explicitamente reconheci em meu segundo Diário, onde algumas de minhas palavras são essas:

"Quando Pedro Bohler, tão logo eu vim para Londres, afirmou que a fé verdadeira em Cristo (que é apenas uma) tinha esses dois frutos inseparavelmente atendendo a ela: 'domínio sobre o pecado, e paz constante da consciência do perdão', eu fiquei completamente maravilhado, e olhei para isto como um novo evangelho. Se isto era assim, estava claro que eu não tinha fé. Mas eu não estava disposto a ser convencido disto".

"Portanto, eu lutei com todas as minhas forças, e trabalhei para provar que a fé estaria onde esses não estavam; especialmente, onde aquela consciência do perdão não estava; porque, todas as Escrituras relativas a isto, eu, há muito, desde então, ensinei a interpretar fora, e a chamar de Presbiterianos, os que falavam ao contrário. Além disto, eu bem vi, que ninguém poderia (na natureza das coisas) ter tal consciência do perdão e não sentir isto. Mas eu não a senti. Se, então, não haveria fé, sem isto, todas as minhas pretensões de fé caíriam imediatamente".

18. (2) Ainda assim, não foi Peter Bohler que me convenceu que aquela conversa (eu quero dizer, justificação) era uma obra instantânea. Ao contrário, quando eu fui convencido da natureza e frutos da fé justificadora, ainda "eu não pude compreender quando ele falou de uma obra instantânea. Eu não pude compreender como esta fé seria dada de repente; como um homem, imediatamente mudaria das trevas para a luz; do pecado e miséria para a retidão e alegria no Espírito Santo. Eu busquei nas Escrituras novamente, no tocante a esta mesma coisa, especificamente em Atos dos Apóstolos. Mas para minha completa surpresa eu dificilmente encontrei lá outras instâncias do que as conversões instantâneas; dificilmente algumas outras tão demoradas, quanto aquela de Paulo, que foi três dias, nas dores do novo nascimento. Eu tive um momento de recuo restante, isto é: 'Assim, eu admito, Deus forjou, nas primeiras épocas do Cristianismo; mas os tempos estão mudados. Que razão eu tenho para acreditar que ele opera da mesma maneira agora?'". "Mas, no domingo, dia 23, eu fui vencido por este recuo também, através de evidências concordantes de diversas testemunhas naturais, que testificaram o que Deus havia assim forjado nelas mesmas; dando a elas, no mesmo instante, tal fé no sangue do seu Filho, como mudá-las da escuridão para a luz; do pecado e medo para a santidade e felicidade. Aqui terminou meu conflito. Eu pude agora apenas clamar: 'Senhor, me ajude em minha descrença!'".  A parte restante desta secção contém, com a terceira e quarta, minhas próprias palavras, para a qual eu ainda subscrevo. E, se existe um equívoco na fé, ele não é material.

20. (3) É verdade que "na quarta-feira, dia 12, o conde falou com este efeito: 1º. 'Justificação é o perdão dos pecados'. 2º. 'No momento em que o homem se dirige a Cristo, ele é justificado'. 3º. 'E tem a paz com Deus, mas nem sempre alegria'. 4º. 'Nem, talvez, ele possa saber que ele está justificado, até muito tempo depois. 5º. 'Porque a segurança disto é distanta da própria justificação. 6º. 'Mas outros podem saber que ele está justificado, através de seu poder sobre o pecado; através de sua seriedade, seu amor aos irmãos, e sua fome e sede em busca da retidão; o que prova somente que a vida espiritual vai começar". 7º. 'Ser justificado, é a mesma coisa que ser nascido de Deus: Quando um homem está desperto, ele é nascido de Deus, e seu temor, e tristeza, e consciência da ira de Deus, são as dores do novo nascimento'".     

É verdade também que eu, então, juntei o que Peter Bohler freqüentemente disse sobre este assunto, que foi com este efeito: 1º. "Quando um homem tem a vê viva em Cristo, então, ele está justificado". 2º. "Esta é sempre dada imediatamente". 3º. "E naquele momento, ele tem paz com Deus". 4º."O que ele não pode ter, sem saber que ele tem". 5º. "E, sendo 'nascido de Deus, ele não peca'". 6º. "Que o livramento do pecado, ele não pode ter, sem saber que ele o tem".   

21. Eu não compreendo que seja possível para algum homem vivente imaginar que eu acreditei em ambos esses relatos; as palavras, nos quais eu propositamente então explorei, e dividi em sentenças curtas, para que a grossa, irreconciliável diferença entre elas pudesse ficar clara para o leitor mais simples. Eu não posso, portanto, a não ser estar um pouco supreso com a força daquele preconceito que poderia impedir a visão de qualquer um, que, em oposição à opinião do conde (que em muitos aspectos eu totalmente desaprovo), eu citei as palavras de alguém de sua própria igreja, que, se verdadeiras, a destruiriam completamente. 

22. Eu tenho nada para objetar, quanto às citações feitas na sétima, oitava, e nova seções. Na décima são estas palavras: "Agora, desde que o Sr. Wesley foi tão longe para reunir tais materiais, vejamos o que foi o sistema (ou, antes, a miscelânea) dos princípios que ele teve para responder à Inglaterra".

"DA GARANTIA DA JUSTIFICAÇÃO: Eu acredito que a conversão é uma obra instantânea; e que, no momento em que um homem se converte, ou tem a fé viva em Cristo, ele é justificado: Cuja fé, um homem não pode ter, sem saber que a tem. Ainda assim, eu acredito que ele não possa saber que está justificado (ou seja, que ele tem a fé viva), até bom tempo depois. Eu acredito, também, que no momento em que o homem é justificado, ele tem paz com Deus. O que ele não pode ter, sem saber que a tem".

"Ainda assim, eu acredito que ele não saiba que ele está justificado (ou seja, que ele tem paz com Deus), até bom tempo depois. Eu acredito, que quando um homem é justificado, que ele é nascido de Deus. E sendo nascido de Deus, ele não peca. Que o lviramento do pecado, ele não pode ter, sem saber dele. Ainda assim, eu acredito que ele não possa saber que está justificado (ou seja, liberto do pecado), até bom tempo depois. Embora eu acredite que outros possam saber que ele está justificado, através de seu poder sobre o pecado, sua seriedade, e amor aos irmãos".

23.  "AS CONDIÇÕES DA JUSTIFICAÇÃO: Eu acredito que Cristo 'formado em nós', subordinadamente a Cristo 'dado por nós', (que é, nossa própria retidão inerente, subordinada aos méritos de Cristo) deve ser perseverada, como necessária á nossa justificação. E é justo e certo que um homem seja humilde e penitente e tenham um coração destruído e contrito (ou seja, possa ter Cristo formado nele), antes que ele possa esperar ser justificado. E que esta penitência e contrição é aobra do Espírito Santo. Ainda assim, eu acredito que tudo isto é nada em direção à nossa justificação, e tem nenhuma influência sobre ela. Novamente, eu acredito que, com o objetivo da justificação, eu devo seguir em frente para Cristo, com toda minha incredulidade, e pleiteia nada mais. Mesmo assim, eu acredito que não possamos perseverar em alguma coisa que façamos ou sentimos, como se fosse antecedente necessário à justificação".

24. "DOS EFEITOS DA JUSTIFICAÇÃO: Eu acredito que a justificação é a mesma coisa que ser nascido de Deus. Ainda assim, um homem tem uma forte segurança de que ele é justificado, e não é capaz de afirmar que é nascido de Deus. Um homem pode estar completamente seguro de que seus pecados são perdoados, ainda assim, pode não ser capaz de dizer a hora ou o dia, quando ele recebeu esta completa segurança, porque ela pode crescer nele por gradativamente. – Embora ele nunca se lembre que, do momento em que esta completa segurança foi confirmada nele, ele nunca a perdeu, não, nem por um momento. Um homem pode ter uma fé fraca, ao mesmo tempo que tem paz com Deus, não tem um pensamento desconfortável, tem livramento do pecado; e não tem um desejo pecaminoso. Um homem pode ser justificado, ou seja, nascido de Deus, e não ter a habitação do Espírito".    

25. Eu concordo inteiramente "que o credo precedente é a mesma extraordinária e singular composição". Mas não é minha: Eu nunca a compus, nem acreditei nele; como, eu não duvido, todo leitor imparcial será completamente convencido, quando a tivermos passado, uma vez mais, passo a passo.

As partes dele que eu acredito eu meramente repito: Sobre as outras será necessário acrescentar algumas palavras.

"DA SEGURANÇA DA JUSTIFICAÇÃO. Eu acredito que a conversão significa, justificação. É uma obra instantânea; e isto no momento em que um homem tenha fé viva em Cristo, ele se converte, ou é justificado". (Assim, a proposição deve ser expressa para fazer sentido). "Cuja fé ele não pode ter, sem saber que ele a tem. Ainda assim, eu acredito que ele não pode saber que ele até, até muito tempo depois". Isto eu nego: Eu não acredito em tal coisa. "Eu acredito que no momento em que o homem é justificado, ele tem paz com Deus: Que ele não pode ter, sem saber que ele a tem. Ainda assim, eu acredito que ele possa não saber que ele a tem, até muito tempo depois". Isto novamente, eu nego. Eu não acredito; nem Michael Linner; para esclarecer inteiramente, alguém necessita apenas ler suas próprias palabras – "Por volta de quatorze anos atrás, eu estive mais do que convencido de que eu era totalmente diferente daquilo que Deus requereu que eu fosse.Eu consultei sua palavra várias vezes; mas ele falou nada, a não ser condenação; até que, finalmente, eu não pude ler, nem, de fato, fazer alguma coisa mais, não tendo esperança e nenhum espírito restante em mim. Eu estive neste estado, por diversos dias, quando estando meditando sozinho, aquelas palavras vieram fortemente em minha mente: 'Deus amou tanto o mundo, que deu seu Unigênito filho, com a finalidade de que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna'. Ei pensei: 'Todos! Então, eu sou um. Então, Ele é dado por mim. Mas eu sou um pecador. E ele veio para salvador os pecadores'. Imediatamente meu fardo caiu, e meu coração descansou. Masd a completa segurança da fé, eu não tinha ainda, nem nos dois anos em que eu continuei na Moravia. Quando eu fui expulso de lá, pelos jesuítas, eu me retirei para cá, e logo depois, recebido na Igreja. E aqui, depois de algum tempo, agradou nosso Senhor manifestar-se mais claramente à minha alma; e me dar aquela completa consciência da aceitação nele, que exclui toda a dúvida e medo. Na verdade, o conduzir do Espírito é diferente, em diferentes almas. Seu método mais usual, eu acredito, é dar, em um e no mesmo momento, perdão dos pecados, e uma completa segurança daquele perdão. Ainda assim, em muitos, ele opera, como ele fez em mim; dando primeiro a remissão dos pecados, e, depois de algumas semanas, ou meses, ou anos, a completa garantia dele.

Tudo que eu devo observar é que, o primeiro sentido do perdão, é freqüentemente misturado com a dúvida e medo. Mas a completa segurança da fé exclui toda dúvida e medo, como o mesmo termo implica.      

Portanto, apesar de que "ele não possa saber que tem paz com Deus, até muito tempo depois, deverá ser (para concordar com as palavras de Michael Linner) 'Ele não pode ter, até muito tempo depois, a completa segurança da fé, que exclui toda a dúvida e medo'. Eu acredito que um homem seja justficado, ao mesmo tempo em que ele é nascido de Deus. E que aquele que é nascido de Deus não peca. Cujo livramento do pecado, ele não pode ter, sem saber que ele o tem. Ainda assim, eu acredito que ele não possa saber isto, até muito tempo depois". Isto também eu nego extremamente.

26. "DAS CONDIÇÕES DA JUSTIFICAÇÃO: Eu acredito que Cristo 'formado em nós' dever ser buscado, como necessário à nossa justificação".

E não acredito nisto mais do que Christian David faz, cujas palavras concernentes a isto são estas? – "Agradou a Deus mostrar-me que Cristo está em nós, e Cristo é por nós, deve ser ambos buscado. Mas eu claramente vi que não devemos insistir em alguma coisa que sentimos, mais do que em alguma coisa que fazemos, como se fosse antecedente necessário para nossa justificação. E, antes que um homem possa esperar ser justificado, ele deve ser humilde e penitente, e ter um coração destruído e contrito, ou seja, deve ter Cristo formado nele". Não; isto é completamente outra coisa. Eu acredito que todo homem seja penitente antes que esteja justificado; ele se arrepende, antes que ele acredite no evangelho. Mas isto nunca antes que ele seja justificado, que Cristo esteja formado nele. "E esta penitência e contrição é a obra do Espírito Santo. Ainda assim, eu acredito que tudo isto é nada, em direção à nossa justificação, e não tem influência sobre ela".

As palavras de Christian David são: "Observe que este não é o fundamento. Não é através disto (por causa disto) que somos justificados. Isto não é retidão; isto não é parte da retidão, através da qual somos reconciliados a Deus. Você angustia-se por seus pecados; está profundamente humilhado; seu coração está destruído. Bem; mas tudo isto é nada para sua justificação". As palavras imediatamente seguintes fixam o sentido desta sentença excepcionavelmente ao contrário. "A remissão de nossos pecados não é devida a esta causa, quer no todo ou em parte. Sua humilhação não tem influência sobre isto". Nem como uma causa; assim, as mesmas palavras restantes a explicam. Novamente, eu acredito que, com o objetivo de obter a justificação, eu devo seguir direto para Cristo, com toda minha iniqüidade, e reivindicar nada mais. Ainda assim, eu acredito que não deva insistir em alguma coisa que façamos ou sentimos, como se fosse precedente necessário para a justificação".  Não, nem sobre alguma coisa mais. Assim, todo o teor das palavras de Christian David implica.

27. "DOS EFEITOS DA JUSTIFICAÇÃO: Eu acredito que um homem possa ter uma forte segurança de que ele é justificado, e não é capaz de afirmar que ele é um filho de Deus".

As palavras de Feder são estas: "Eu encontrei meu coração em repouco, em boa esperança de que meus pecados foram perdoados; da qual eu tive uma mais forte segurança, seis semanas depois". (Verdade, comparativamente mais forte, embora ainda misturado com a dúvida e medo). "Mas eu não me atrevo a afirmar que eu sou um filho de Deus". Eu não vejo inconsistência nisto tudo. Muitas tais instâncias eu conheço até hoje. Eu mesmo fui um por algum tempo. "Um homem pode estar completamente seguro de que estes pecados são perdoados, ainda assim, podem não ser capazes de dizer o dia, quando eles receberam esta segurança completa; porque ele crece nele gradativamente". (Disto também eu conhece poucas outras instâncias). "Mas do momento em que esta completa segurança foi confirmada nele, ele nunca a perdeu". Muito verdadeiro, e penso, consistente.

As próprias palavras de Neuser são: "Nele eu encontro o verdadeiro descanso para minha alma, estando completamente seguro de que todos os meus pecados foram esquecidos. Ainda assim, não posso dizer a hora e dia, quando eu primeiro recebi aquela completa segurança. Porque não foi me dada a princípio, nem imediatamente; (não em sua plenitude); mas cresceu em mim gradativo. E, desde aquele tempo, foi confirmada em mim, que eu nunca a perdi, tendo, desde então, não mais duvidado, nem por um momento. Um homem pode ter uma fé fraca, ao mesmo tempo, que ele tem paz com Deus, e nenhum desejo impuro".

Um homem, que não tenha um coração limpo pode ser justificado.

28. (4) Não no sentido completo da palavra. Assim, eu verdadeiramente acredito seja divindade profunda, de acordo tanto com as Escrituras quanto com a experiência. E eu acredito é consistente consigo mesmo. Assim como com "centenas de outros absurdos que seriam completamente e absolutamente compreendidos". Haverá tempo suficiente para considerá-los, quando eles forem produzidos.

29. (5, 6) Mas quer eu tenha sucesso em tentar reconciliar estas coisas ou não, eu verdadeiramente penso que o Sr. Tucker tem. Eu não desejo um relato mais consistente de meus princípios, do que o que ele mesmo tenha dado nas seguintes palavras: -- "Nosso estado espiritual seria considerado distintamente sob cada um desses panoramas". "1º. Antes da justificação; naquele estado em que se pode dizer incapaz de fazer alguma coisa aceitável para Deus; porque, então, não podemos fazer coisa alguma, a não ser vir para Cristo; o que não deverá ser considerado como fazendo alguma coisa, mas como suplicando (ou esperando) receber o poder de fazer algo pelo tempo vindouro. Porque a graça preveniente de Deus, que é comum a todos, é suficiente para nos trazer até Cristo, embora não seja suficiente para nos conduzir um pouco mais adiante, até que estejamos justificados. 2º. Depois da justificação. O momento em que o homem vem para Cristo (pela fé), ele é justificado, e nasce novamente; ou seja, ele nasce novamente no sentido imperfeito (porque existem dois (se não mais) graus de regeneração) e ele tem poder sobre todos os impulsos e movimentos do pecado, mas não um total livramento deles. Portanto, ele não tem ainda, no sentido completo e apropriado, um novo e limpo coração. Mas estando exposto à várias tentações, ele poderá e cairá novamente desta condição, se ele não obtiver um dom mais excelente. 3º. Santificação, o último e mais alto estado de perfeição nesta vida. Porque, então, o fiel vai nascer novamente, no sentido completo e perfeito. Então, é dado junto a ele, um novo e limpo coração; e a luta, entre o velho e novo homem, acabou.

30. (7) Que eu posso dizer muitas coisas que têm sido dita antes, e, talvez, por Calvin ou Armínio, por Montano ou Barclay, ou o Arcebispo de Cambray, é altamente provável. Mas não pode ser inferido disto, que eu defendo "uma miscellanea de todos os princípios deles: - Calvinismo, Arminianismo, Montanismo, Quacrerismo, Quietismo, todos adicionados juntos".

Poderíamos bem acrescentar Judaísmo, Maometismo, Paganismo.

Teria feito o período mais completo, e sido bem mais facilmente provado; eu quero dizer, afirmado. Porque nenhuma outra prova foi produzida ainda.

31. Eu relevo os erros menores que ocorrem no décimo-quinto e décimo-sexto parágrafos, juntos com a profecia ou prognóstico concernentes às divisões que se aproximam, e queda dos Metodistas.

O que se segue até o final, concernente ao alicerce de nossa esperança, é, de fato, de uma importância maior. Mas nós não temos ainda a força da causa; a dissertação prometida está ainda atrás. Portanto, como minha obra é grande, e meu tempo curto, eu abandono esta disputa para o momento. E talvez, quando eu tiver recebido uma luz adicional, eu possa ser convencido de que "a santidade evangélica", como o Sr. Tucker acredita, "é uma qualificação necessária, antecedente à justificação". Isto me parece agora ser diretamente oposto ao evangelho de Cristo. Mas eu me esforçarei, imparcialmente, para considerar o que deverá ser adiantado em defesa dela. E possa Ele que conhece minha honestidade, ensinar-me seu caminho, e me dar um julgamento correto em todas as coisas!

 

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Tradução: Izilda Bella