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O Homem Rico e Lázaro John Wesley "Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão,
ainda que ressuscite alguém dentre os mortos". (Lucas 16:31) 1.
Quão estranho paradoxo é este! Quão contrário à compreensão comum
dos homens! Que está assim confirmado na descrença, de maneira a não
pensar: "Se alguém vier até
mim, dos mortos, eu efetivamente estarei persuadido a me
arrepender?". Mas
esta passagem nos permite uma declaração mais estranha: (Lucas 16:13) "Nós não
podemos servir a Deus e a mammon [riquezas]". Um servo verdadeiro de mammon não dirá: "Não!
Por que não? Por que não podemos servir a ambos?". Assim
sendo, os fariseus, que supunham servirem a Deus, e cordialmente serviam
a mammon, zombavam dele: exemyktErizon. Uma palavra expressiva do mais profundo desprezo. Mas
ele diz: (Lucas 16:15) "Vós
sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus
conhece os vossos corações; porque o que entre os homens é elevado,
perante Deus é abominação". Uma prova terrível de que nosso
Senhor acrescentou na parte restante deste capítulo. 2. Mas o relato subseqüente é meramente uma parábola, ou uma história real? Acreditou-se, por muitos, e foi completamente defendido, tratar-se de uma mera parábola, por uma ou duas circunstâncias nela, que não são fáceis de serem consideradas. Em especial, é difícil conceber, como uma pessoa no inferno dialogaria com alguém no paraíso. Mas, admitindo que não possamos levar isto em consideração, trata-se de uma afirmação preponderante de nosso Senhor: "Havia", diz nosso Senhor, "um certo homem rico". Não havia? Tal homem nunca existiu? "E havia um certo mendigo, chamado Lázaro". — Havia ou não havia? Não é suficientemente audacioso, negar positivamente, o que nosso abençoado Senhor positivamente afirma? Portanto, nós não podemos razoavelmente duvidar, mas toda a narração, com todas as suas circunstâncias, são exatamente verdadeiras. E Theophylact (um dos comentadores antigos das Escrituras) observa do texto, que, "de acordo com a tradição dos judeus, Lázaro viveu em Jerusalém". Assim, eu proponho, com a ajuda de Deus: I. Explicar esta história; II. Aplicá-la; III.
Provar a verdade daquela importante sentença, com o que está concluído,
ou seja: "Se eles não ouviram Moisés e os Profetas, nem serão
persuadidos, embora alguém ressuscite de entre os mortos". I 1.
Primeiro, eu me esforçarei, com a assistência de Deus, para explicar
esta história: "Havia um certo homem rico"; e, sem dúvida, conforme este
mesmo relato, altamente estimado entre os homens, -- "que estava vestido em púrpura, e fino linho"; e, conseqüentemente,
estimado mais altamente, ambos por parecer ajustado à sua fortuna, e como
um estimulador do comércio; -- "e que passava bem suntuosamente todos os dias". Aqui
estava uma outra razão para que fosse altamente estimado, -- por sua
hospitalidade, e generosidade, -- tanto através daqueles que freqüentemente
se sentavam à sua mesa, quanto pelos comerciantes que a abasteciam. 2.
"E houve um certo mendigo";
alguém na linha mais inferior da infâmia humana; "chamado
Lázaro", de acordo com a denominação Grega; em Hebreu,
Eleazer. Do seu nome, nós podemos concluir, que este, de maneira alguma,
era de família; embora este ramo dela estivesse, no momento, tão
reduzido. É provável que
ele fosse bem conhecido na cidade; e não foi escândalo para ele ter um
nome. – "Que estava deitado
em seu portão"; embora nenhum espetáculo agradável; de maneira
que alguém se surpreendesse que lhe permitissem deitar lá; -- "cheio de feridas"; de úlceras corrosivas; -- "e
desejando ser alimentado com as migalhas que caiam da mesa dos
ricos". Assim, a complicada aflição da pobreza, dor, e necessidade
de pão, caíram sobre ele imediatamente! Mas não parece
que alguma criatura prestou
a menor atenção ao desprezível miserável! Apenas
"os cães vieram e lamberam suas feridas". Todo o conforto que este mundo lhe fornecia! 3.
Mas veja a mudança! "O mendigo
morreu": Aqui terminou a pobreza e a dor: -- "E
ele foi levado pelos anjos"; os mais nobres servos do que
qualquer um que atendeu ao homem rico: -- "ao
seio de Abraão": -- Assim, os judeus comumente denominaram o que
nosso abençoado Senhor chama de paraíso; o lugar "onde
o mal cessa de causar perturbação, e onde o fraco encontra
descanso"; o receptáculo das almas santas, da morte para a
ressurreição. Geralmente se supõe, na verdade, que as almas dos homens
bons, tão logo deixam o corpo, vão diretamente para o céu; mas esta
opinião não tem o menor fundamento nos oráculos de Deus: Ao contrário,
nosso Senhor diz a Maria, depois da ressurreição: "Não
me toque; porque eu não ascendi ainda ao meu Pai", no céu. Mas
ele esteve no paraíso, de acordo com sua promessa ao ladrão penitente: "Este dia, tu estarás comigo no paraíso", Conseqüentemente,
fica claro, que o paraíso não é o céu. Trata-se, na verdade (se nós
podemos admitir a expressão), da antecâmara do céu, onde as almas dos
justos permanecem, até que, depois do julgamento geral, eles sejam
recebidos na glória. 4.
Mas veja que a cena muda novamente! "O
rico também morreu". O
que? O rico também deve morrer? Deve cair, "como
qualquer outro do povo?". Não
existe ajuda? Um rico, em Londres, alguns anos trás, quando o médico lhe
disse que ele deveria morrer, rangeu os dentes, cerrou o punho, e clamou
veementemente: "Deus, Deus, eu
não quero morrer!" Mas ele morreu, com as mesmas palavras em sua
boca. – "E foi
enterrado"; sem dúvida, com pompa suficiente, adequada à sua
condição social; embora acreditemos que não houve, em todo o mundo, tal
exemplo extraordinário de tolice humana, do que a insensível, e cruel
zombaria de uma pobre carcaça pútrida, o que nós denominamos jaz em câmara
ardente! 5.
"E no inferno, ele levantou seus olhos" -- Ó, que mudança!
Como o poderoso caiu! Mas a palavra que está aqui atribuída a inferno,
nem sempre significa o lugar do condenado. Ela é literalmente, o mundo
invisível; e da mesma extensão considerável, incluindo o receptáculo
dos espíritos separados, se bons ou maus. Mas aqui evidentemente
significa aquela região dos hades, onde as almas dos maus residem, como
aparece das palavras seguintes: "Estando
em tormento", -- "com
o objetivo", dizem alguns, "de
expiar pelos pecados cometidos, enquanto no corpo, assim como purificar a
alma de todos os seus pecados inerentes". Exatamente
como o eminente poeta ateu, perto de dois mil anos atrás: Necesse est Multa diu concreta
modis inolescere miris,
Ergo exercentur poenis -- -- Aliae panduntur
inanes Suspensae ad ventos: Aliis
sub gurgite vasto Infectum
eluitur scelus, aut exuritur igni. [Esta citação de Virgílio
(Aeneid vi.737-742) é assim traduzida por Pitt]:
Mesmo quando aqueles corpos
estão resignados à morte;
Algumas antigas máculas inerentes são deixadas para trás;
Uma tintura suja das máculas corporais;
Profunda, na essência da alma, permanece.
Assim, seu esplendor é diminuído, e incrustado,
Com aquelas imperfeições obscuras que ela conheceu antes.
Por causa disto, as almas pagam várias penitências,
Para purgarem a corrupção dos crimes anteriores.
Algumas, nas brisas impetuosas são refinadas,
E pairam no alto para alvejarem ao vento:
Algumas limpam suas manchas abaixo das correntezas efusivas, E algumas se erguem gloriosas das chamas penetrantes.
Veja a semelhança próxima, entre o purgatório antigo e moderno!
Apenas no antigo, o purgatório ateu, ambos fogo, água, e ar, foram
empregados nos pecados expiatórios, e em purificar a alma; enquanto que
no purgatório místico, o fogo apenas se supôs suficiente quer para
purgar, quanto para expiar. Vã esperança! Nenhum sofrimento, mas aquele
de Cristo, tem algum poder para expiar pecado; e nenhum fogo, mas aquele
do amor, pode purificar a alma, quer no tempo, ou na eternidade. 6.
"Ele viu Abrão à distância"
– Distante, de fato! Tão distante quanto do inferno ao paraíso!
Talvez, "dez vezes o
comprimento deste terreno". Mas como seria? Eu não posso dizer: Mas é, de qualquer
forma, incrível. Porque, quem sabe "quão
distante é o alcance visual de um anjo", ou um espírito destituído
da carne e sangue? – "E Lázaro
em seu seio". Sabe-se
bem que nas festas antigas, em meio aos judeus, assim como romanos, os
convidados não se sentavam à mesa, como é agora costuma fazer; mas
deitava-se em poltronas, cada uma tendo um travesseiro do seu lado
direito, no qual ele apoiava seu cotovelo; e aquele que se sentava próximo
a ele, do lado direito, dizia-se que deitava em seu peito. Foi neste
sentido que o Apóstolo João deitou no peito de seu Mestre. Assim sendo,
esta expressão de Lázaro, deitando no peito de Abrão, implica que ele
estava nos lugares mais altos de honra e felicidade. 7.
"E ele clamou e disse: Pai
Abraão, tenha misericórdia de mim". –Tu, tolo! O que pode
Abraão fazer? O que pode alguma criatura, sim, toda a criação fazer,
para quebrar as barras do abismo sem fim? Quem quer que queira escapar do
lugar de tormenta, que ele clame a Deus, o Pai da misericórdia! Não, o
tempo é passado! Justiça agora toma lugar, e regozija-se sobre a misericórdia!
– "E envia Lázaro, para que
ele possa molhar a ponta de seus dedos na água, e refrescar minha língua,
porque eu estou atormentado nesta chama!". Que pedido
excessivamente modesto é este! Ele não diz: "Para
que ele possa me tirar desta chama". Ele não pediu: "Que
ele possa trazer-me um copo de água, ou tanto quanto coubesse na palma de
sua mão"; mas meramente, "que
ele pudesse molhar", fosse isto apenas, "a ponta dos dedos na água, e refrescar minha língua". Não!
Não pode ser! Nenhuma misericórdia pode entrar dentro das sombras do
inferno! 8.
"Mas Abraão disse: Filho,
lembra-te que tu, durante tua vida, recebeste tuas boas coisas, e
igualmente Lázaro as coisas más; mas agora ele está confortado, e tu
estás atormentado". Talvez, essas palavras possam nos suprir com
uma resposta para uma importante questão: Como aconteceu deste homem rico
estar no inferno? Não parece que ele fosse um homem mau, no sentido comum
da palavra; que ele fosse um bêbado, um blasfemador, alguém que não
respeita o Sabbath, ou que viveu em pecado conhecido. É provável que ele
fosse um fariseu; e como tal, fosse, em todas as partes exteriores da
religião, irrepreensível. Como, então, ele veio para "o
lugar de tormento?". Se existiu nenhuma outra razão para ser
atribuída, existe uma suficiente, implícita nestas palavras
("aquele que tem ouvidos, para ouvir, que ouça!"). "Tu,
durante tua vida, recebestes as tuas boas coisas"; -- as coisas
que tu escolheste para tua felicidade. Tu fixaste tua afeição nas coisas
abaixo: E tu tiveste tua recompensa: Tu recebeste a porção que tu
escolheste, e tu jogaste fora a porção acima. "E
igualmente Lázaro, as coisas ruins". Não suas coisas más;
porque ele não as escolheu. Mas elas foram escolhidas para ele, pela sábia
providência de Deus. E "agora
ele está confortado, enquanto tu estás atormentado". 9.
"Mas, além de tudo isto,
existe um grande abismo fixado": -- Um grande precipício, uma
vasta lacuna. Alguém pode nos dizer o que é isto? Qual é a natureza,
quais são os limites dele? Não, nenhum dos filhos dos homens, ninguém,
a não ser os habitantes do mundo invisível. – "Assim, aqueles que quisessem passar daqui para vocês não
poderiam; nem poderiam passar para nós, aqueles que viriam daí".
Sem dúvida, um espírito desencarnado poderia passar através de qualquer
espaço que fosse. Mas a vontade de Deus, determinando que ninguém possa
seguir através daquele abismo, é um limite que nenhuma criatura pode
transpor. 10.
Então, ele disse: "Eu oro a
ti, portanto, pai, para que tu possas enviá-lo à casa de meu pai, porque
eu tenho cinco irmãos, para que ele possa testemunhar junto a eles, a fim
de que eles também não venham para este lugar de tormenta". (Lucas
16:27-28). Dois motivos inteiramente diferentes têm sido afirmados
para este extraordinário pedido. Alguns o atribuem totalmente ao amor-próprio,
a um temor das reprovações amargas que ele poderia facilmente supor,
seus irmãos derramariam sobre ele, se, em conseqüência do seu exemplo,
e, talvez, conselho, eles viessem para o mesmo local de tormenta. Outros têm
imputado isto a um motivo mais nobre. Eles supõem, como a miséria do mau
não será completa até o dia do julgamento, então, nem sua maldade.
Conseqüentemente, eles acreditam que, até aquele tempo, eles podem reter
algumas centelhas da afeição natural, e não é improvável imaginar que
isto possa ter ocasionado seu desejo de prevenir que eles compartilhem de
seu próprio tormento. 11.
"Abraão disse a ele: Eles têm Moisés e os Profetas, que ouçam a
eles".(Lucas 16:29). "E ele respondeu: Mais do que isto, pai Abraão;
se alguém for até eles dos mortos, eles se arrependerão".
Quem seria da mesma opinião? Alguém não poderia razoavelmente
supor que uma mensagem solenemente entregue por alguém que veio dos
mortos deve ter uma força irresistível? Quem não pensaria: "Eu
mesmo não poderia possivelmente resistir a tal pregador do
arrependimento?". II Este, eu compreendo, é o significado das palavras. Eu me esforçarei agora, com a ajuda de Deus, para aplicá-las. E eu imploro a vocês, irmãos, enquanto eu estiver fazendo isto, "para permitirem a palavra de exortação". Quanto mais intimamente essas coisas são aplicadas à suas almas, mais vocês podem tirar proveito disto. 1.
"Havia um certo homem
rico". – E não é mais pecaminoso ser rico do que ser pobre.
Mas é perigoso além de expressão. Portanto, eu lembro a todos vocês
que são deste número, que têm as conveniências, e alguma coisa mais,
que vocês caminham em solo escorregadio. Vocês continuamente andam sobre
armadilhas e mortes. Vocês estão, a todo o momento, à beira do inferno!
"É mais fácil para um camelo passar pelo buraco de uma agulha do
que você entrar no reino dos céus". – "Quem estiver vestido
em púrpura, e fino linho". E
alguns podem ter um pretexto para isto. Nosso Senhor menciona aqueles que "habitam
nas casas reais", como usando vestimenta suntuosa, ou seja, esplêndida,
e não tem vergonha disto. Mas certamente esta não é uma justificativa
para alguém que não habita nos palácios. Que eles todos, portanto,
cuidem de como eles seguem o exemplo daquele que está "ergue
seus olhos no inferno!". Vamos seguir o conselho do Apóstolo,
sendo "adornado com as boas
obras, e com o ornamento de um espírito humilde e tranqüilo". 2.
"Ele temeu suntuosamente todos
os dias". – Reconcilie isto com a religião quem puder. Eu não
sei como plausivelmente os profetas das coisas fáceis podem falar em
favor da hospitalidade; de tornar nossos amigos bem-vindos: de manter uma
mesa vistosa, fazer as honras da religião, promover comércio e coisas
semelhantes. Mas Deus não é simulado: Ele não será dissuadido com tais
pretensões como estas. Quem quer que tu sejas que compartilhas do pecado
deste rico homem, fosse ele não outro do que "alimentar-se
suntuosamente todos os dias", tu certamente serás um
participante na punição dele, exceto se tu te arrependeres, como se tu já
estivesses clamando por uma gota de água para refrescar tua língua! 3.
"E existiu um certo mendigo
chamado Lázaro, que estava deitado em seu portão, cheio de feridas, e
desejando ser alimentado com as migalhas de pão que caia ao chão da mesa
dos homens ricos". (Lucas
16:20-21). Mas parece que ambos os ricos e seus convidados eram muito
religiosos para socorrerem mendigos comuns! – um pecado do qual o
piedoso sr. H. tão sinceramente adverte seus leitores, e uma admoestação
do mesmo tipo que eu li no portão da boa cidade de Winchester! Eu desejo
que os cavalheiros que o colocaram lá vissem as pequenas circunstâncias
que ocorreram alguns anos, desde então. Em Epworth, em Lincolnshire, a
cidade onde eu nasci, uma pedinte veio para uma casa, na praça do
mercado, e pediu um pedaço de pão, dizendo que ela estava muito faminta.
O mestre convidou-a a ir embora, como uma desocupada. Ela chamou um
segundo, e implorou por um pouco de cerveja, dizendo que estava muito
sedenta. Teve a mesma resposta. Na terceira porta, ele pediu um pouco de
água; dizendo que ela estava muito fraca. Mas este homem também era
muito escrupuloso para encorajar pedintes comuns. Os meninos vendo a
criatura esfarrapada, de porta a porta, começaram a apedrejá-la com
bolas de neve. Ela olhou para o alto, caiu ao chão, e morreu! Você
desejaria ser o homem que recusaria um pedaço de pão, ou um copo de água,
àquela pobre miserável? – "Além disso, os cães vieram e lamberam suas feridas".
Sendo mais compassivos que o mestre deles. – "E aconteceu que o pedinte morreu, e foi levado pelos anjos ao seio
de Abraão". Ouçam
isto, todos vocês que são pobres neste mundo. Vocês que, muitas vezes,
não têm alimento, ou vestimenta; vocês que não têm um lugar onde
deitarem sua cabeça, exceto um frio sótão, ou um sujo e úmido celeiro!
Vocês estão agora reduzidos a "solicitar
a mão fria da caridade". Ainda
assim, ergam seus fardos; eles não serão sempre assim. Eu amo vocês; eu
tenho misericórdia de vocês; eu admiro vocês, quando "na
paciência, você possuem suas almas". Ainda assim, eu não posso
ajudar você. Mas existe Alguém que pode, -- o Pai do órfão, e o Marido
da viúva. "O pobre clamou
junto ao Senhor, e ele o ouviu, e o livrou de todas as suas preocupações".
Ainda assim, pouco
depois, se você verdadeiramente voltar para ele, seus anjos poderão levá-lo
ao seio de Abraão. Lá "não
haverá mais fome e sede", você
não mais sentirá tristeza ou dor; mas "o
Cordeiro enxugará todas as suas lágrimas, e o conduzirá para além das
fontes de águas vivas". 4.
Mas veja, a cena está mudada! "O
rico também morreu". O
que? A despeito de sua riqueza? Provavelmente mais cedo do que ele
desejava. Porque, quão justa é esta palavra: "Ó,
morte, quão amarga és tu para um homem que descansa em meio às suas
posses". De qualquer modo, se este pudesse ser um conforto, "ele
foi enterrado". Mas
quão pouco significaria, se ele estava, sob um monumento soberbo ou em
meio ...
Às sepulturas, limitadas com
dobras de vimeiro.
Aquele inominável erguimento, do solo reduzido a pó!
E o que se seguiu? "No
inferno, ele ergueu seus olhos". É certo que isto, você não
precisa fazer. Deus não requer isto de você: "Ele
não deseja que alguém possa perecer". Você não pode, exceto
por suas própria escolha obstinada, -- penetrar naquelas regiões de aflição,
que Deus não preparou para você, mas para "o
demônio e seus anjos". 5.
Veja a mudança de cena novamente! "Ele
vê Abraão ao longe, e Lázaro em seu seio". E
ele o conheceu, embora, talvez, ele tenha apenas olhado de relance para
ele, enquanto ele "estava nos
portões". Algum de
vocês está em dúvida, se nós poderemos reconhecer uns aos outros, no
outro mundo? Aqui, suas dúvidas podem receber uma solução completa. Se
uma alma no inferno reconheceu Lázaro no paraíso, por mais distante que
ele estivesse, certamente aqueles que estão juntos no paraíso reconhecerão
perfeitamente uns aos outros. 6.
"E ele clamou e disse: Pai Abrão,
tenha misericórdia de mim!" — Eu não me lembro, em toda a Bíblia,
de alguma oração feita a um santo, a não ser esta. E, se observarmos
quem a fez, -- um homem no inferno, -- e com que sucesso, nós
dificilmente desejaríamos seguir o precedente. Ó, que clamemos pela
misericórdia de Deus, e não do homem! E é nossa sabedoria clamar agora,
enquanto estamos na terra da misericórdia; do contrário será muito
tarde! – "Eu estou
atormentado nesta chama!". Atormentado, observe, mas não
purificado. Esperança vã, que a chama possa purificar o espírito! Assim
como você esperaria que a água limpasse a alma, como o fogo. Deus proíbe
que você ou eu façamos a tentativa! 7.
E "Abrão disse: Filho, lembra-te": -- Assinale, como Abrão
aborda um espírito condenado: E será que nós devemos proceder com menos
ternura para com algum dos filhos de Deus, "porque
eles não têm a mesma opinião que nós?" -- "Tu, em tua vida
recebestes tuas boas coisas". Ó, toma cuidado, para que este não seja teu caso! As coisas
do mundo são "tuas boas
coisas:" – os principais objetos de teu desejo e busca? Elas não
são tua principal alegria? Se for assim, tu estás no mesmo estado
perigoso; na mesma condição que Dives [palavra em Latim para o homem
rico] estava sobre a terra! Então, não sonhes que tudo está bem, porque
tu és "altamente estimado
dentre os homens"; porque tu não causas dano, ou fazes o bem, ou
atendes todas as ordenanças de Deus. O que é tudo isto, se tua alma está
presa ao pó; se teu coração está no mundo; se tu amas a criatura mais
do que o Criador? 8.
Quão impressionantes, são as próximas palavras! "Além
de tudo isto, entre vocês e nós, existe um grande abismo; de maneira que
aqueles que quisessem passar daqui para vocês não poderiam; nem poderiam
passar para nós, aqueles que viriam daí". Este é o texto que
ocasionou o epitáfio de um honorável infiel e jogador: --
Aqui jaz um jogador de dado;
há muito em dúvida,
Se a morte mataria sua alma, ou não:
Aqui termina sua dúvida, por fim, Convencido; -- mas, ah! O dado está lançado!
Mas, abençoado seja Deus, que seu dado não esteja lançado ainda.
Você não passou pelo grande abismo, mas tem ainda em seu poder, escolher
se você será atendido pelos anjos ou amigos, quando sua alma deixar esta
mansão terrena. Agora estique sua mão para a vida eterna ou a morte
eterna! E Deus diz: "Seja junto
a ti, até mesmo como tu desejas!". 9.
Sendo recusado neste, ele faz um outro pedido: "Eu
suplico a ti que o envie à casa de meu pai, porque eu tenho cinco irmãos;
para que ele possa testemunhar para eles". Não
é impossível, que outros espíritos infelizes possam desejar bem às
relações que eles têm atrás de si. Mas este é o tempo aceitável para
eles, assim como por nós. Que nós, então, recorramos a nós mesmos, e
peçamos aos nossos amigos vivos que nos dêem toda a ajuda que eles
puderem, sem esperarmos pela assistência dos habitantes de outro mundo.
Que nós sinceramente os exortemos a usar as ajudas que eles têm; para "ouvirem
Moisés e os Profetas". Nós, de fato, estamos aptos a pensar,
como aquele espírito infeliz: "Se
alguém, de entre os mortos, foi até eles, eles irão se
arrepender". "Mas Abraão disse: Se eles não ouvirem Moisés e
os Profetas, nem mesmos serão persuadidos, se alguém ressuscitar dos
mortos". III 1.
Em Terceiro Lugar, eu vou provar a verdade desta sentença importante; o
que eu farei, Primeiro, brevemente, e, então, mais amplamente. Primeiro,
para expressar o assunto brevemente: É certo que nenhum espírito humano,
enquanto está no corpo, pode persuadir outro a se arrepender; pode operar
nele uma mudança completa, tanto do coração quanto de vida; uma mudança
da maldade universal, para a santidade universal. E suponha que este espírito,
separado do corpo, não mais seja capaz de fazer isto do que era antes:
Nenhum poder menor do que aquele que o criou, no princípio, pode criar
alguma alma nova. Nenhum anjo, muito menos, algum espírito humano, se no
corpo ou fora dele, pode trazer uma alma "da
escuridão para a luz, e do poder de satanás para Deus". Isto
muito possivelmente o levaria a morte, ou à crença de alguma verdade
especulativa; mas não poderia intimidá-lo para uma vida espiritual. Deus
apenas pode ressuscitar aqueles que estão "mortos
nas transgressões e pecados". 2.
Com o objetivo de provar mais amplamente que, se os homens "não
ouvem Moisés e os Profetas, nem eles serão" efetivamente "persuadidos"
a arrependerem-se, "mesmo
que alguém ressuscite dos mortos". Eu proporei um caso deste
tipo, com todas as vantagens que podem ser concebidas. Suponha, então,
alguém que não "ouve Moisés
e os Profetas"; que não crê que as Escrituras sejam de Deus,
dormindo profundamente em sua cama, e subitamente acordado, enquanto o relógio
estava exatamente marcando uma hora. Ele ficou surpreso de observar o
quarto tão iluminado, como se fosse meio-dia. Ele olhou e viu alguém a
quem ele conhecia perfeitamente, ao lado de sua cama. Embora um pouco
surpreso, a princípio, ele rapidamente recompôs-se, e teve coragem para
perguntar: "Você não é meu
amigo que morreu tal tempo?". Ele responde: "Eu sou. Eu venho de Deus, com uma mensagem para você. Você freqüentemente
desejou ver alguém ressuscitar dos mortos; e disse, então, que você se
arrependeria. Você tem seu desejo; e eu sou ordenado a informar-lhe que
você está buscando morte no erro de sua vida. Se você morrer, no estado
em que se encontra agora, você morrerá eternamente. Eu advirto você, em
nome Dele, que as Escrituras são a palavra verdadeira de Deus; que do
momento em que você morre, você será notavelmente feliz, ou
inexplicavelmente miserável; que você não pode ser feliz daqui por
diante, a menos que você seja santo aqui; o que não pode ser, exceto se
você nascer novamente. Receba este chamado de Deus. A eternidade está à
mão. Arrependa-se e creia no Evangelho!". Tendo falado estas
palavras, ele desapareceu; e a sala estava escura como antes. 3.
Alguém pode facilmente acreditar que seria impossível para ele não ser
convencido pelo presente. Ele não dormiria mais aquela noite; e tão logo
quanto possível, diria à sua família o que ele tinha visto e ouvido. Não
contente com isto, ele ficaria impaciente de dizer isto aos seus primeiros
companheiros. E, provavelmente, observando a sinceridade com que ele
falou, eles, então, não o contestariam. Eles diriam uns aos outros: "Dê
a ele tempo para acalmar-se; então, ele será um homem racional
novamente". 4.
Agora, constantemente se observa que as impressões feitas sobre a memória,
gradualmente, diminuem; que elas vão ficando mais e mais fracas no
decorrer do tempo, e os traços dela mais e mais indistintos. Assim, deve
ser neste caso; o que suas companhias observando, não falhariam em
aproveitar a oportunidade. Eles falariam para este efeito: "Foi
um estranho relato que você nos deu, algum tempo, desde então; além do
mais, porque nós sabemos que você é um homem sensato, não inclinado ao
fanatismo. Mas, talvez, você não tenha considerado completamente, quão
difícil é, em alguns casos, distinguir nossos sonhos de nossos
pensamentos, quando acordados. Alguém já é capaz de se certificar do
critério infalível entre eles? Então, não será possível que você
estivesse acordado, quando esta impressão viva foi criada em sua
mente?". Quando ele foi levado a refletir, possivelmente seria um
sonho; eles logo o induziriam, provavelmente, que foi assim; e não muito
tempo depois, a acreditar que isto certamente fora um sonho. Então, pouco
ajudaria que alguém viesse dos mortos!
5.
Poder-se-ia esperar o contrário. Porque, qual foi o efeito forjado sobre
ele? (1) Ele estava excessivamente apavorado: (2) Este medo abriu caminho para uma convicção mais profunda da
verdade, então, declarada: Mas (3)
seu coração não estava mudado. Ninguém, a não ser o Altíssimo
poderia realizar isto. Portanto, (4)
a inclinação de sua alma foi ainda seguir o caminho errado; ele ainda
amava o mundo, e, conseqüentemente, desejava que as Escrituras não
estivessem certas. Quão facilmente, então, já que o medo diminuiu, ele
acreditaria no que ele desejasse! A conclusão, então, é clara e inegável.
Se os homens "não ouvem Moisés
e os Profetas, eles não serão persuadidos" a arrependerem-se e
crerem no Evangelho, "embora
alguém ressuscite dos mortos". 6.
Nós podemos acrescentar uma consideração mais, que traga o assunto para
uma conclusão completa. Antes, ou por volta do mesmo tempo que Lázaro
foi levado ao seio de Abraão, um outro Lázaro, irmão de Marta e Maria,
verdadeiramente ressuscitou de entre os mortos. Mas mesmo aqueles que
creram estavam de fato persuadidos a arrependerem-se? Muito longe disto, já
que "eles aceitaram o conselho
de matar Lázaro", assim como seu Mestre! Fora, então, com a
imaginação irreal, de que aqueles que "não ouviram Moisés e os Profetas, seriam persuadidos, embora um
ressuscitasse dos mortos!". 7.
Disto tudo, podemos traçar esta conclusão geral. Esta permanente revelação
é o melhor meio da convicção racional; muito mais preferível a
quaisquer daqueles meios extraordinários, que alguns imaginam fariam mais
efeito. Portanto, é nossa sabedoria beneficiarmo-nos disto; fazer uso
completo dela; de maneira que possa ser uma lanterna para nossos pés, e
uma luz em todos os nossos passos. Vamos cuidar que todo nosso coração e
vida estejam confortáveis nisto; que isto seja a constante regra de todos
os nossos temperamentos, todas as nossas palavras, e todas as nossas ações.
Assim poderemos preservar em todas as coisas o testemunho de uma boa
consciência em direção a Deus, e, quando nosso curso estiver terminado,
nós também seremos "levados
pelos anjos ao seio de Abraão". Birmingham, 25 de Março de 1788 [Editado por Andrew Zirschky, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.] ______ Tradução: Izilda bella
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