|
Pecados e Misérias Nacionais John
Wesley Pregado na Igreja de Sr. Matthew, Bethnal-Green Domingo, 12 de Novembro de 1775 Em benefício das viúvas e órfãos dos soldados, que recentemente
tombaram, próximo à Boston, Nova Inglaterra.
'E, vendo Davi ao anjo que feria o povo, falou ao Senhor,
dizendo: Eis que eu sou o que pequei, e eu que procedi de modo iníquo;
porém estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua mão contra mim, e
contra a casa de meu pai'. (II Samuel 24:17)-
O capítulo começa: 'E novamente a ira do Senhor inflamou-se
contra Israel e fez com que Davi se voltasse para eles e dissesse. Vá,
limite Israel e Judá'. 'Novamente'; -- ele se inflamara
contra eles, alguns anos antes; em conseqüência do que, 'houve escassez
de víveres na terra, durante três anos; ano após ano'. (II Samuel
21:1) 'E houve, nos dias de Davi, uma fome de três anos consecutivos;
e Davi consultou ao Senhor, e o Senhor lhes disse: É por causa de Saul
e da sua casa sanguinária, porque matou os gibeonitas', até que
Davi inquiriu do Senhor, e foi ensinado quanto ao caminho de apaziguá-lo.
Nós não estamos informados, de que maneira particular Israel ofendeu a
Deus; por qual motivo Sua ira foi inflamada, mas, meramente, do efeito. (I
Crônicas 21:1) 'Ele incitou Davi a numerar a Israel e Judá'.
'Ele', -- e não Deus! Cuide como você imputa isto à fonte do
amor e santidade! Não foi Deus, mas satanás que assim incitou Davi.
Assim a Escritura paralela expressamente declara: 'E Satanás se
levantou contra Israel e incitou Davi a numerar Israel'. Satanás
se levantou diante de Deus, para acusar Davi e Israel, e para implorar a
permissão de Deus para tentar Davi. De pé, em regra, é a postura do
acusador, diante dos tribunais dos homens; e, portanto, as Escrituras,
que usam falar das coisas de Deus, segundo a maneira dos homens,
representam satanás, aparecendo nesta postura, diante do tribunal de Deus.
-- (II Samuel 24:2) 'Disse, pois, o rei a Joabe, capitão do
exército, o qual tinha consigo: Agora percorre todas as tribos de
Israel, desde Dã até Berseba, e numera o povo, para que eu saiba o número
do povo'. Não
aparece claramente, em que o pecado de assim enumerar as pessoas
consistiu. Não existe proibição expressa disto em alguma Escritura, que
havia, então, existido. Ainda assim, nós lemos: 'A palavra do rei era
abominável para Joabe', que não era um homem de consciência mais
cordata, de modo que ele objetou com David, antes de obedecer. 'Joabe
respondeu: Por que o meu senhor requer isto?'. Por
que ele deverá ser a causa de 'transgressão' – de punição
ou calamidade, --'para Israel?'. -- (II Samuel 24:3) 'Então
disse Joabe ao rei: Ora, multiplique o Senhor teu Deus a este povo cem
vezes tanto quanto agora é, e os olhos do rei meu senhor o vejam; mas,
por que deseja o rei meu Senhor este negócio?'. Deus
freqüentemente pune o povo, pelos pecados de seus governantes; uma vez
que eles são cúmplices dos pecados deles, em um tipo ou outro. E o
Juiz justo aproveita a oportunidade para puni-los por todos os seus
pecados. Nisto, Joabe estava certo; porque, depois que eles foram enumerados,
fora dito: 'E Deis estava desagradado disto'. Sim, 'o coração
de Davi comoveu-se,, e ele disse junto ao Senhor: Eu tenho pecado
grandemente no que tenho feito: e agora, imploro a Ti, Oh, Senhor, tire
a iniqüidade de teu servo'. --
(II Samuel 24:10) 'E pesou o coração de Davi, depois
de haver numerado o povo; e disse Davi ao Senhor: Muito pequei no que
fiz; porém agora ó Senhor, eu te peço que perdoes a iniqüidade do
teu servo; porque tenho procedido muito loucamente'. E o pecado não
se deveu em razão daquilo que fora feito? Ele não pecou no orgulho de
seu coração? Provavelmente, do princípio de vaidade e ostentação; não
glorificando em Deus, mas no número de seu povo. Na
seqüência, nós nos certificamos que, até mesmo Joabe, fora, uma vez,
um verdadeiro profeta: Davi foi a causa de transgressão, de punição
para Israel. Seu pecado, acrescido a todos os pecados das pessoas,
preencheu a medida de suas iniqüidades. Assim, 'o Senhor enviou uma
peste sobre Israel, desde a manhã'; em que Gade, o profeta, deu a
Davi sua escolha de guerra, escassez ou peste, 'até à tarde do
terceiro dia. E lá morrem setenta mil homens, de Dã até Beersheba. --
(II Samuel 24:15) 'Então enviou o Senhor a peste a Israel,
desde a manhã até ao tempo determinado; e desde Dã até Berseba,
morreram setenta mil homens do povo'. -- 'E quando Davi viu o
anjo que golpeava o povo', -- que surgiu na forma de um homem com
uma espada desembainhada em sua mão, para convencê-lo mais completamente
de que esta praga veio diretamente de Deus, -- 'ele disse, Olhe, eu tenho
pecado, eu tenho feito maldade; mas essas ovelhas, o que elas fizeram?'.
-- (II Samuel 24:17) 'E, vendo Davi ao anjo que feria o povo,
falou ao SENHOR, dizendo: Eis que eu sou o que pequei, e eu que procedi
de modo iníquo; porém estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua mão
contra mim, e contra a casa de meu pai'. Não
existe, em diversos aspectos, uma semelhança notável, entre o caso de
Israel e o nosso próprio? Diversas maldades, então, ocasionaram um
castigo geral; e a mesma causa não pode produzir agora o mesmo efeito?
Nós igualmente temos pecado, e somos punidos; e, talvez, esses são
apenas o começo dos sofrimentos. Talvez, o anjo está agora esticando
suas mãos sobre a Inglaterra para destruí-la. Oh, que o Senhor possa,
por fim, dizer a ele que destrói: 'É suficiente; tira agora tuas mãos!'.
Que aquela maldade é a origem da miséria, poucos negam; ela é
confirmada pelo sufrágio geral de todas as épocas. Mas dificilmente nós
trazemos isto exatamente para nós mesmos; quando falamos de pecado como
a causa da miséria, nós usualmente queremos dizer o pecado de outras
pessoas, e supomos que nós sofremos, porque eles pecaram. Mas nós
precisamos ir tão longe? Será que as nossas maldades não são
suficientemente responsáveis por todos os nossos sofrimentos? Vamos
razoavelmente e imparcialmente considerar isto; vamos examinar nossos
corações e vidas. Todos sofremos: e todos temos pecado. Mas não será
mais proveitoso para nós, cada um de nós considerarmos os próprios
pecados, como trazendo sofrimento a si mesmo e aos outros; e dizer: 'Olhe,
eu tenho pecado; eu tenho feito perversidade; mas essas ovelhas, o que
elas fizeram?'. I.
Vamos inquirir,
Primeiro, o que eles sofreram; e, depois, II.
Qual a causa
desses sofrimentos. I 1. Ninguém pode negar que o povo sofre, -- que eles se encontram
angustiados, de uma maneira mais do que habitual. Dezenas de milhares
estão profundamente afetados pela necessidade de trabalho, no momento.
É verdade que esta necessidade, em alguma medida, nas cidades largas e
opulentas. Mas isto está longe, muito longe, de ser o caso geral do
reino. Na realidade, milhares de pessoas, no oeste da Inglaterra, por
toda a Cornwall, em particular, no norte, e, mesmo no interior, estão
completamente desempregadas. Conseqüentemente, esses que anteriormente
necessitavam de coisa alguma, estão agora necessitando de tudo. Eles
estão tão longe da abundância que uma vez desfrutaram, que se
encontram na mais deplorável miséria, desprovidos não apenas das
conveniências, mas da maioria das necessidades da vida. Não poucas
dessas criaturas mineráveis, eu tenho visto a menos que cem milhas de
Londres, permanecendo nas ruas com o semblante pálido, olhos fundos, e
braços magros; ou se arrastando, acima e abaixo, como sombras
caminhantes. Eu conheço famílias, que, poucos anos antes, viviam de
uma maneira confortável, distinta, e que, agora, foram reduzidas a nada
mais do que a vestimenta sobre o corpo, e o quanto de alimento eles
podem juntar no campo. Um ou outro se retira, uma vez ao dia, para pegar
os nabos que o gado deixou para trás; que eles fervem, se conseguem
alguma lenha, ou do contrário, comem cru. Tal é a falta de alimento
que muitos de nossos compatriotas estão hoje reduzidos, pela falta de
trabalho! 2. Suficientemente grave, é esta calamidade, que multidões sofrem todos
os dias. Mas eu não sei se muito mais não labutam debaixo de uma
calamidade ainda mais grave. É uma grande aflição ser desprovido do pão;
mas é ainda pior ser desprovido dos nossos sentidos. E este é o caso
com milhares e milhares de nossos compatriotas, hoje. Há muitos anos eu
tenho visto a pobreza muito difundida (embora em não tão alto grau).
Mas uma insanidade tão difundida, eu nunca vi; nem, eu acredito, viu o
homem mais velho, hoje vivente. Milhares de pessoas sinceras e honestas
estão completamente fora de si, através do veneno que está tão
diligentemente espalhado, através de todas as cidades e regiões do
reino. Eles estão gritando por liberdade, embora a tenham em suas mãos;
embora presentemente a possuam; e, tão grande e extensa, que igual não
é conhecida em qualquer outra nação debaixo dos céus; quer queiramos
dizer liberdade civil - a liberdade de desfrutar de todas as nossas
propriedades legais, -- ou liberdade religiosa - liberdade de adorar a
Deus, de acordo com os ditames de nossa própria consciência. Portanto,
todos esses que, veementemente, ou tristemente clamam, 'Servidão!
Escravidão!', embora não exista mais perigo de alguma coisa assim,
do que do céu cair sobre suas cabeças, estão extremamente
perturbados; perderam a razão; seus intelectos estão totalmente
confusos. Na verdade, muitos desses até têm ultimamente recuperado
seus sentidos; ainda assim, multidões ainda permanecem, e estão, sob
este aspecto, tão perfeitamente enlouquecidas, como quaisquer dos
moradores de Bedlam (asilo para doentes mentais).
3.
Que ninguém pense que está é apenas uma pequena calamidade que caiu
sobre nossa região. Se você vir, como eu tenho visto, em todos os
condados, cidades, e municípios, homens que antes eram de temperamento
calmo, equilibrado, amistoso -- loucos, espumando com fúria, contra
seus tranqüilos vizinhos; prontos a rasgarem as gargantas uns dos
outros, e a cravarem suas espadas uns nos outros; se vocês ouvirem
homens que, uma vez, temerem a Deus, e honraram o rei, agora almejarem a
mais amarga invectiva contra ele; e prontos, tivessem oportunidade, para
a traição e rebelião; você não diria que se trata de um mal
pequeno; uma questão menor do momento, mas de um dos mais graves
julgamentos que Deus pode permitir cair sobre uma terra culpada. 4.
Tal é a condição dos ingleses em casa. E é alguma coisa melhor, fora
dela? Eu temo que não. Eu tenho ouvido destes que estão vigilantes
que, em nossas colônias, muitos têm feito as pessoas beberem, tão
largamente, do mesmo vinho mortal; milhares dos quais são, por meio
disto, mais e mais, inflamados, até que suas mentes estejam
completamente mudadas, e eles enlouqueçam para todos os intentos e propósitos.
A razão se perde na violência; suas vozes ainda pequenas sucumbem no
clamor popular. Viúvas caem nas ruas. E onde está o discernimento? Ele
dificilmente é encontrado nestas províncias. Aqui está a escravidão;
a escravidão real, de fato, mais propriamente assim chamada. Aqui está
a escravidão real; não a imaginária: Nem uma sombra da liberdade
inglesa restou. Nem mesmo a liberdade de imprensa é permitida, -- ninguém
se atreve a imprimir uma página, ou uma linha, a menos que seja
exatamente em conformidade com os sentimentos de nossos senhores, o
povo, -- mas nenhuma liberdade de discurso. Suas línguas não pertencem
a eles. Ninguém se atreve a proferir uma palavra, quer em favor do rei
George, ou em desfavor do ídolo que eles estabeleceram, -- um governo
novo, ilegal, inconstitucional, extremamente desconhecido para nós, e
nossos antepassados. Porque a forma regular, legal, constitucional de
governo não existe mais. Aqui
não há liberdade religiosa; nenhuma liberdade de consciência para
aqueles que 'honram o rei', e a quem, conseqüentemente, um
sentido de obrigação os obriga a defendê-lo das calamidades vis,
tornadas públicas contra ele. Aqui não existe liberdade civil; nenhum
desfrutar dos frutos de seu trabalho, não mais do que o populacho se
agrade. Um homem não tem segurança em seu comércio, em sua casa, em
sua propriedade, a menos que ele navegue com a correnteza. Mais do que
isto, ele não tem segurança em sua vida, se seu vizinho benquisto tem
em mente cortar sua garganta. Porque não existe lei, e nenhum
magistrado legal toma conhecimento das ofensas. Existe o abismo de
tirania, -- do poder arbitrário, de um lado, e de anarquia, de outro.
E, como se isto não fosse miséria suficiente, veja igualmente o
monstro cruel, a guerra! Mas
quem pode descrever a miséria complexa que está contida nisto? Ouça
com atenção o soar dos canhões! A nuvem pícea cobre a face do céu.
Barulho, confusão, terror reinam sobre tudo! Gemidos agonizantes estão
por todos os lados. Os corpos dos homens estão perfurados, rasgados,
cortados em pedaços; e seu sangue derramado sobre a terra como água!
Suas almas levantaram vôo para o mundo eterno; talvez, para a miséria
eterna. Os ministros da graça fugiram da cena horrível; os ministros
da vingança triunfaram. Tal tem sido, no momento, a face das coisas,
nesta que foi uma vez uma terra pacífica e abundante, mesmo enquanto
banida de uma grande parte da Europa, sorriu por perto de cem anos. 5.
E o que é isto que arrasta estas pobres vítimas para o campo de sangue?
Trata-se de um grande espectro, que os ataca à espreita, e que eles são
ensinados a chamar de liberdade! É isto que respira em seus corações
o terrível amor à guerra, à sede de vingança, e desprezo da morte. A
liberdade real, entretanto, é pisoteada, e perdida na anarquia e confusão.
6. Mas quais desses guerreiros consideraram, todo este tempo, a esposa de
sua juventude, que é agora uma viúva inconsolável, -- talvez, com
ninguém que cuide dela; talvez, desprovida do seu único conforto e
apoio, e não tendo onde deitar sua cabeça? Quem considerou seus filhos
desamparados, agora órfãos inconsoláveis, -- quem sabe, clamando por
pão, enquanto sua mãe tem nada para dar a eles, a não ser suas
tristezas e lágrimas? II 1. E, ainda assim, 'o que essas ovelhas fizeram', para que tudo isto
venha sobre elas? Vocês supõem que eles são pecadores, acima de
outros homens, porque eles sofrem tais coisas? Eu lhes respondo que não;
mas, exceto se vocês se arrependerem, vocês todos irão perecer
igualmente. Isto, por conseguinte, nos leva a considerar nossos próprios
pecados; -- a causa de todos os nossos sofrimentos. Isto leva cada um de
nós a dizer, 'Veja, eu tenho pecado; eu tenho cometido iniqüidades'.
2. O tempo não seria suficiente, pudéssemos enumerar todas as formas, em
que temos pecado; mas em geral isto é certo: -- o rico, o pobre, o
alto, o baixo têm se desviado do seu mandamento terno. As correntezas
da maldade têm dominado, e o dilúvio de toda a terra culpada: pessoas
e sacerdotes, mergulhados no pecado, e o Tofete abre-se para recolhê-los.
– (Jeremias
7:30-34) 'Porque os
filhos de Judá fizeram o que era mau aos meus olhos, diz o Senhor;
puseram as suas abominações na casa que se chama pelo meu nome, para
contaminá-la. E edificaram os altos de Tofete, que está no Vale do
Filho de Hinom, para queimarem no fogo a seus filhos e a suas filhas, o
que nunca ordenei, nem me subiu ao coração. Portanto, eis que vêm
dias, diz o Senhor, em que não se chamará mais Tofete, nem Vale do
Filho de Hinom, mas o Vale da Matança; e enterrarão em Tofete, por não
haver outro lugar. E os cadáveres deste povo servirão de pasto às
aves dos céus e aos animais da terra; e ninguém os espantará. E farei
cessar nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém, a voz de gozo, e
a voz de alegria, a voz de esposo e a voz de esposa; porque a terra se
tornará em desolação'. Quão
inumeráveis são as violações da justiça em meio de nós! Quem não
adota a máxima: 'Se você pode ganhar dinheiro honestamente, faça-o;
mas de qualquer forma, ganhe dinheiro'. Onde
a misericórdia é encontrada, se ela se opõe aos interesses? Quão
poucos terão escrúpulos para uma consideração valorosa, e oprimirão
a viúva e o órfão? E onde podemos encontrar a verdade? Engano e
fraude não saem de nossas ruas. Quem é aquele que fala a verdade de
seu coração? Cujas palavras são um retrato de seus pensamentos? Onde
está ele que 'colocou fora todas as mentiras', que nunca fala o
que ele não quer dizer? Quem está envergonhado disto? De fato, uma vez
foi dito, e até mesmo por um político: 'Todas as outras maldades
tem tido seus patronos; mas a mentira é uma maldade tão abjeta, tão
abominável, que, nunca se encontrou alguém que ousasse abertamente a
advogar por ela'. Alguém poderia imaginar que esse escritor viveu
em uma Corte de Justiça? Sim, e isto no século atual? Ele mesmo, então,
assim como todos os seus irmãos políticos, advogaram um comércio de
mentira deliberada? Ele não advogou a inocência; sim, a necessidade de
empregar espiões? – a mais vil raça de mentirosos, debaixo do sol?
Ainda assim, que, alguma vez, teve escrúpulos de usá-los, a não ser o
Lorde Clarendon? 3. Ó, verdade, para onde fugiste tu? Quão poucos têm alguma
familiaridade contigo! Nós continuamente não dizemos mentiras para
nada, sem obter, por meio disto, quer proveito ou prazer? Nossa
linguagem comum não está sempre repleta de falsidades? Há mais de cem
anos o poeta queixou-se: nunca mais foi um bom dia, desde que a
famigerada bajulação foi chamada de elogio. O
que ele teria dito, se tivesse vivido um século mais tarde, quando
aquela arte foi levada à perfeição? 4. Talvez, exista uma evidência palpável disto, a que não se presta atenção
usualmente. Se você culpa um homem, em muitos aspectos, ele não é
muito afrontado. Mas se você diz que ele é um mentiroso, ele não vai
suportar isto; ele atira imediatamente. Por que? Porque um homem pode
suportar ser culpado, quando ele está consciente de sua própria inocência.
Mas, se você diz que ele é um mentiroso, você toca na ferida: ele é
culpado, e, portanto, não pode suportar isto. 5.
Existe um caráter mais desprezível do que mesmo aquele de um mentiroso?
Talvez, exista; até mesmo aquele de um epicurista. E nós não somos
uma geração de epicuristas? Não é nossa barriga nosso deus? Não é
o comer e o beber nosso principal deleite; nossa mais sublime
felicidade? Não é o principal estudo (eu temo, o único estudo) de
muitos homens honrados, proporcionar maior prazer ao paladar? Quando a
luxúria (não com respeito à comida apenas, mas ao vestir, mobiliar,
equipar) foi levada para tal altura, na Grã Bretanha, desde que ela se
tornou uma nação? Nós temos recentemente estendido o império britânico,
quase por todo o globo. Nós temos levado nossas coroas para a África,
Ásia, para os climas quentes e gelados da América. E o que temos
levado para lá? Toda a distinção de maldade, que tanto o mundo
oriental, quanto ocidental, podem proporcionar. 6. A luxúria é constantemente o parente da indolência. Todo glutão irá,
no devido tempo, ser um parasita. Quanto mais carne e bebida ele devora,
menos gosto ele terá pelo trabalho. Esta degeneração dos britânicos,
dos seus antepassados equilibrados, ativos, foi falada a respeito no último
século. Mas, se o Sr. Herbert, então disse: Ó, Inglaterra, cheia
de pecados, mas a maioria de indolência! O que ele teria dito
agora? Observe a diferença entre o último e o século presente, apenas
em uma instância singular: No século passado, o Parlamento usou se
reunir 'às cinco horas da manhã'. Pudessem esses britânicos
olhar para fora de suas sepulturas, o que eles pensariam da presente
geração? 7.
Permita-me tocar, em um artigo mais, em que, de fato, nós excedemos
todas as nações sobre a terra. Nenhuma nação, debaixo da abóbada
celeste pode competir com a profanação inglesa. Tal negligência
total, e tal desprezo extremo para com Deus são encontrados em todas as
partes. Em nenhuma outra rua, exceto na Irlanda, você pode ouvir, de um
lado: O juramento horrível; o amaldiçoar medonho. A mais recente arma
da guerra miserável. E a blasfêmia, a triste companheira do desespero! 8. Agora, que cada um de nós coloque sua mão no coração e diga, 'Senhor,
este sou eu? Eu tenho acrescido a esta inundação de iniqüidade e
profanação, e, por meio disto, à miséria de meus compatriotas? Eu
sou culpado em alguma das circunstâncias precedentes? E eles não
sofrem, porque eu tenho pecado?'. Se nós temos alguma ternura no
coração, misericórdia e alguma simpatia para com o aflito, que
prossigamos neste pensamento, até que estejamos profundamente
conscientes de nossos pecados, como uma grande causa do sofrimento
deles. 9.
Mas agora que a calamidade começou, e tem causado muitas destruições,
ambos na Inglaterra e América, o que podemos fazer, com o objetivo de
que ela possa ser cessada? Como
nós podemos permanecer 'entre o vivo e o morto?'. Existe algum
caminho melhor de reverter a ira de Deus, do que aquela prescrita por
Tiago: 'Limpem seus corações, vocês pecadores; e purifiquem seus
corações, vocês irresolutos?'. Primeiro, 'Limpem suas mãos'.
Que vocês coloquem fora, imediatamente, o mal de seus feitos.
Instantaneamente, fujam do pecado; de toda palavra e obra diabólica,
como da face da serpente. 'Que nenhuma comunicação corrupta saia de
suas bocas'; nenhuma falta de misericórdia; nenhuma conversa sem
proveito. Que nenhuma fraude seja encontrada em suas bocas: Falem a cada
homem a verdade de seu coração. Renunciem a cada maneira de ação,
embora vantajosa, que seja tanto contrária à justiça quanto à
misericórdia. Façam a cada um como, em circunstâncias paralelas, vocês
gostariam que fosse feito a vocês. Sejam sóbrios, equilibrados,
ativos; em toda palavra e obra; trabalhem para ter uma consciência que
evite a ofensa, em direção a Deus, e em direção ao homem. A seguir,
através da Onipotente graça Dele que amou a vocês, e deu a Si mesmo
por vocês, 'purifiquem seus corações, pela fé'. Não sejam
mais obstinados, hesitando entre a terra e o céu; esforçando-se para
servirem Deus e a Mammom. Purifiquem seus corações do orgulho, --
humilhem-se, debaixo da mão poderosa de Deus; de toda ira,
ressentimento, amargura, que, agora, especialmente, irá facilmente
assolar vocês; de todo preconceito, idolatria, mesquinhez de espírito;
da impetuosidade, e da impaciência da contradição; do amor à
disputa, e de cada grau de temperamento desapiedado ou implacável. Em
vez dessa sabedoria terrena, diabólica, permitam que 'a sabedoria do
alto' mergulhe profundo em seus corações; aquela 'sabedoria'
que 'é, a princípio, pura', então, 'pacífica, fácil de
ser suplicada', -- convencida, persuadida ou satisfeita, -- 'cheia
de misericórdia e bons frutos'; 'sem parcialidade'. – abraçando
todos os homens; 'sem hipocrisia'; genuína e sincera. Agora, se
alguma vez, 'coloquem fora toda malícia, todo clamor' (insulto),
'e toda maledicência: sejam educados uns com os outros'; para
com todos os irmãos e compatriotas, -- 'bondosos de coração',
com todos que estão angustiados; 'perdoando um ao outro, assim como
Deus, por causa de Cristo, perdoou vocês'. 10. E 'agora permitam que meu conselho seja aceito' por vocês; por
cada um de vocês, presentes diante de Deus. 'Cessem seus pecados,
pelo arrependimento; e suas iniqüidades, mostrando misericórdia para
com o pobre, se isto puder ser um prolongamento de sua tranqüilidade',
-- daquele grau dela que ainda permanece em meio a vocês. Mostrem
misericórdia, mais especialmente, às pobres viúvas, aos órfãos
desamparados, aos seus compatriotas, que são agora contados entre os
mortos, que tombaram, na terra distante. Sabem, vocês, que o Senhor
poderá, ainda assim, ser suplicado; irá acalmar a loucura do povo, irá
extinguir as chamas da contenção, e soprar, junto a todos, o espírito
de amor, unidade, e concórdia? Então,
irmãos, não ergam suas espadas contra irmãos; nem eles conheçam mais
a guerra. Assim, a plenitude e a paz florescerão em nossa terra, e
todos os habitantes dela serão agradecidos pelas bênçãos inumeráveis
que eles desfrutam, e deverão 'temer a Deus, e honrar o rei'. Londres,
7 de Novembro de 1775 [Editado
por George Lyons at Northwest Nazarene College (Nampa, ID), para a
Wesley Center for Applied Theology.]
|