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REDIMIR O TEMPO John Wesley [20
de Janeiro 1782] “Redimindo o tempo”. (Efésios
5:16) 1.
“Veja que você caminhe
discretamente”, diz o Apóstolo, no verso precedente, “não
como os tolos, mas como homens sábios, redimindo o tempo”;
dizendo todo o tempo, que você pode, para os melhores propósitos,
resgatar todos os momentos fugazes das mãos do pecado e satanás; das mãos
da indolência, comodidade, prazer, ocupações mundanas; o mais
diligentemente, porque o presente “são
dias maus”; dias da mais grosseira ignorância, imoralidade, e
profanidade”. 2.
“Este parece ser o significado
geral das palavras. Mas eu proponho, no momento, considerar apenas uma
maneira específica de redimir o tempo”; ou seja, o sono. 3.
Este parece ter sido muito pouco considerado, até mesmo por homens
devotos. Muitos deles, eminentemente conscientes em outros aspectos, mas
não tanto neste. Eles parecem pensar que se trata de uma coisa
indiferente, se dormem mais ou menos; e nunca viram isto, sob o ponto de
vista verdadeiro: como um importante ramo da temperança cristã.
Para que possamos ter uma mais justa concepção disto, eu me
esforçarei para mostrar: I. O que é “redimir do tempo”, do sono. II. O mal de não redimi-lo. III.
A maneira mais efetiva de fazer isto. I 1.
Em Primeiro Lugar: O que é “redimir
o tempo”, do sono? Em geral, é ter aquela medida de sono, todas
as noites, que a natureza requeira, e não mais; aquela medida que é a
mais condutiva para a saúde e vigor tanto do corpo, quanto da mente. 2.
Mas é objetado: “Uma medida não será adequada a todos os homens; -- alguns requerem
consideravelmente mais do que outros. Nem a mesma medida será
suficiente, até mesmo, para as mesmas pessoas, em um determinado
momento, e no outro. Quando alguém está doente, ou, se não
verdadeiramente assim, ainda enfraquecido pela enfermidade, certamente
necessita mais deste reconstituinte natural do que aquele em perfeita saúde.
E assim será, quando suas forças e disposição estiverem exauridas
por um trabalho difícil ou de longa duração”. 3.
Tudo isto é inquestionavelmente verdadeiro, e confirmado por milhares
de experimentos. Quem quer que, portanto, decidiu fixar uma medida de
sono a todas as pessoas não entendeu a natureza do corpo humano, assim
amplamente diferente, em diferentes pessoas; nem aquele que imaginou que
a mesma medida seria adequada à mesma pessoa todos os momentos. Alguém
poderia se admirar, portanto, que um homem tão grandioso como o Bispo
Taylor tivesse formado esta estranha idéia; muito mais, que a medida
que ele tem atribuído para o padrão geral pudesse ser apenas três, em
vinte e quatro horas. Que o bom e sensato homem, sr. Baxter, não esteve
muito perto da verdade, ao supor que quatro horas, em vinte e quatro,
serão suficientes para qualquer homem. Eu conheci um outro homem muito
ajuizado, absolutamente persuadido que nenhum vivente precisava dormir
mais do que cinco horas em vinte e quatro. Porém, quando fez o
experimento em si mesmo, ele rapidamente abandonou a opinião. E eu
estou completamente convencido, pela observação continuada, por mais
de cinqüenta anos, que o que quer que possa ser feito por pessoas
extraordinárias, ou em alguns casos extraordinários (em que as pessoas
têm subsistido, com muito pouco sono por algumas semanas, ou mesmo,
meses), que um corpo humano dificilmente pode manter-se com saúde e
vigor, sem, pelo menos, seis horas de sono em vinte e quatro horas.
Certamente, eu nunca deparei com tal exemplo: eu nunca encontrei um
homem ou mulher que retivesse saúde vigorosa por um ano, com menos
quantidade de sono do que esta. 4.
E eu tenho há muito observado, que as mulheres, em geral, necessitam um
pouco mais de sono do que os homens; talvez, porque elas são, em geral,
de uma constituição mais fraca, assim como mais lacrimosa. Se,
portanto, alguém se aventurasse a estabelecer um padrão (embora suscetível
a muitas exceções e ocasionais alterações), eu estou inclinado a
pensar que isto chegaria perto da marca: Os homens saudáveis, em geral,
precisam de um pouco mais do que seis horas de sono; as mulheres saudáveis,
um pouco mais do que sete, em vinte e quatro horas. Eu mesmo necessito
de seis horas e meia, e não posso subsistir bem, com menos. 5.
Se alguém deseja saber exatamente qual a quantidade de sono que sua
própria constituição requer, ele pode muito facilmente fazer o
experimento que eu fiz por volta de sessenta anos atrás: eu, então,
acordei todas as noites, por volta das doze, ou uma, e fiquei acordado
por algum tempo. Eu prontamente concluí, que foi devido à minha permanência
mais tempo na cama, do que a natureza requeria. Para ficar satisfeito,
eu coloquei um alarme que me acordasse na manhã seguinte às sete
horas; (quase uma hora mais cedo do que eu me levantei no dia anterior),
ainda assim, eu fiquei acordado à noite. Na segunda manhã, eu me
levantei às seis horas; mas, não obstante, permaneci acordado a
segunda noite. Na terceira manhã, eu me levantei às cinco horas, mas,
apesar disto, eu permaneci acordado a terceira noite. Na quarta manhã,
eu levantei às quatro horas; (como, pela graça de Deus, eu tenho feito
desde então), e não fiquei acordado mais. E eu agora não fico
acordado (tomando um ano todo), um quarto de hora consecutivo em um mês.
Pelo mesmo experimento, levantar-se, cada vez mais cedo toda manhã,
pode alguém se certificar quanto sono ele realmente necessita. II 1.
“Mas, por que alguém se
preocuparia tanto? Que necessidade existe em ser tão escrupuloso? Por
que nós nos tornaríamos tão minuciosos? Que dano existe em fazer como
nosso próximo faz? – supondo-se ficar na cama, das dez até seis ou
sete no verão; e oito ou nove no inverno?”. 2.
Se você considerar esta questão fielmente, você precisará de um bom
grau de candura e imparcialidade; já que eu estou preste a dizer alguma
coisa provavelmente completamente nova; diferente de qualquer coisa que
você ouviu em sua vida; diferente da opinião, pelo menos, do exemplo,
de seus pais, e seus parentes próximos; mais do que isto, talvez, da
maioria das pessoas religiosas que alguma vez você esteve
familiarizado. Eleve, portanto, seu coração ao Espírito da Verdade, e
implore a ele para brilhar sobre você, para que, sem referir-se a algum
homem em especial, você possa ver e seguir a verdade como ela está em
Jesus. 3. Você realmente deseja saber qual dano existe, em não redimir todo o tempo que você puder do sono? Suponha gastar nele uma hora mais por dia, do que a natureza requeira. Primeiro, ele prejudica seus recursos; ele joga fora seis horas por semana, que poderiam ser usadas para alguma causa temporal. Se você pode realizar algum trabalho, você poderia ganhar alguma coisa naquele tempo, fosse ele sempre tão pequeno. E você não tem necessidade de jogar, nem mesmo isto, fora. Se você mesmo não precisa dele, dê a quem precisa; se você conhece alguns deles que não estão muito distantes. Se você não está no comércio, ainda assim, você pode empregar o tempo para que ele lhe traga dinheiro, ou o suficiente para si mesmo ou a outros. 4.
Em Segundo Lugar, o não redimir todo o tempo que você puder do
sono; o gastar mais tempo nele do que sua constituição necessariamente
requeira, prejudica sua saúde. Nada pode ser mais certo do que isto,
embora não seja comumente observado, porque o mal rouba você, vagarosa
e insensivelmente. Desta maneira gradual e quase imperceptível, ele
estabelece o alicerce de muitas enfermidades. Ele é a causa principal
de todas as doenças nervosas, em especial. Muitas perguntas têm sido
feitas, do porque as desordens nervosas são tão mais comuns em nosso
meio dos que entre nossos ancestrais. Outras causas podem freqüentemente
ocorrer, mas a principal é que nós ficamos muito mais tempo na cama.
Em vez de nos levantarmos às quatro, a maioria de nós que não está
obrigada a trabalhar pelo pão nosso, fica até as sete, oito, ou nove
horas. Não precisamos inquirir mais além. Isto suficientemente pode
ser levado em conta do grande crescimento dessas enfermidades dolorosas. 5.
Podemos observar, que a maioria destes se levanta, não meramente depois
de dormir muito, mas, pelo que imaginamos ser, até mesmo, completamente
inofensivo, depois de permanecer por muito tempo na cama. Por embeber-se
(como isto é enfaticamente chamado), por tanto tempo, em meio a lençóis
quentes, o corpo fica, por assim dizer, super aquecido, e se torna frágil,
e flácido. Os nervos, portanto, ficam completamente frouxos, e toda a série
de sintomas melancólicos – debilidade, tremores, e disposições
fracas (assim chamadas) - surge, até que a própria vida se torne um
fardo. 6.
Um efeito comum do dormir demais, ou do ficar muito tempo na cama, é a
fraqueza dos olhos, particularmente aquela fraqueza que é do tipo
nervoso. Quando eu era jovem, minhas vistas eram notavelmente fracas.
Por que, então, ela é mais forte agora que foi há quarenta anos?
Eu atribuo isto, principalmente, à bênção de Deus, que nos
prepara para o que quer que ele nos chame. Mas, indubitavelmente, aos
meios exteriores que ele se agradou de abençoar foi o levantar-se cedo
de manhã. 7.
Uma objeção ainda maior ao não se levantar cedo; ao não redimir todo
o tempo que pudermos do sono, é que isto fere a alma assim como o
corpo; e é um pecado contra Deus. E, na verdade, necessariamente
deveria ser assim, em ambos os relatos precedentes. Porque não podemos
desperdiçar, ou (o que vem a ser a mesma coisa) não podemos aperfeiçoar,
alguma parte de nossos bens mundanos, nem podemos prejudicar nossa própria
saúde, sem pecar contra Ele. 8.
Mas esta atual intemperança também fere a alma de uma maneira mais
direta. Ela semeia as sementes da insensatez e desejos danosos; ela
perigosamente inflama nossos apetites naturais; que uma pessoa, se
esticando e bocejando sobre uma cama está exatamente preparada para
gratificar. Ela origina e continuamente aumenta a indolência, tão freqüentemente
objetada à nação inglesa. Ela abre caminho, e prepara a alma, para
todos os outros tipos de intemperança. Ela alimenta uma fraqueza e
frouxidão universal de espírito; nos tornando temerosos de toda
pequena inconveniência, relutantes em negar a nós mesmos qualquer
prazer, ou de tomarmos e suportarmos alguma cruz. E como, então,
podemos ser capazes (sem o que deveremos cair no inferno) de “tomarmos
o reino dos céus, pela força?” * (Mateus
11-12). Ele totalmente nos desqualifica para “suportar a privação, como bons soldados de Jesus Cristo”; e,
conseqüentemente, para “lutar a
boa luta da fé, e segurarmos firmes a vida eterna”. * [O reino dos céus permite violência]. Os publicanos e ateus, aos quais os escribas e fariseus pensam que não têm direito ao reino do Messias, preenchidos com zelo santo e sinceridade, apoderam-se imediatamente da misericórdia do Evangelho, oferecida, e, assim, tomam o reino, como que pela força, daqueles doutores cultos que reivindicavam para si mesmos os principais lugares nele. O próprio Cristo disse, em Lucas 7:28-30 “Pois eu vos digo que, entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João; mas aquele que é o menor no reino de Deus é maior do que ele. E todo o povo que o ouviu, e até os publicanos, reconheceram a justiça de Deus, recebendo o batismo de João. Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus quando a si mesmos, não sendo batizados por ele”. Aquele que tomará; que terá a posse do reino da retidão, paz, e alegria espiritual, deverá ser sincero: todo o inferno se oporá a ele, em cada passo que ele der; e se um homem não estiver absolutamente determinado a desistir de seus pecados e más companhias, e ter sua alma salva, sob todos os riscos, e a qualquer custo, ele certamente perecerá eternamente. Isto requer uma sinceridade violenta – (Notas de Adam Clarke) 9.
De que maneira admirável o grande homem, sr. [William] Law trata
este importante assunto! [A saber, Redimir o tempo do Sono]. Parte de
suas palavras, eu não posso deixar de anexar aqui, para uso dos
leitores mais conscientes. “Eu
tenho por garantido, que todo cristão saudável deve levantar-se cedo
de manhã. Porque é muito mais razoável supor que uma pessoa levanta
cedo porque é um cristão, do que porque é um trabalhador, um
comerciante ou um servo”. “Nós compreendemos a abominação que é um homem estar na cama, quando deveria estar no trabalho. Nós não podemos fazer uma idéia boa daquele que é como tal um escravo da sonolência, de maneira a negligenciar seu trabalho por causa dela”. “Que
isto, portanto, nos ensine a compreender quão odioso devemos parecer a
Deus, se estamos na cama, presos ao sono, quando poderíamos louvar a
Deus; e, como tal, escravos da sonolência de maneira a negligenciar
nossas devoções, por causa dela”. “O sono é tal estado tedioso e estúpido de existência, que, até mesmo em meio aos meros animais, nós desdenhamos aqueles que são mais inativos. Aquele, portanto, que escolhe ampliar a negligente indolência do sono, preferivelmente a levantar-se cedo em suas devoções, escolhe o mais estúpido refrigério do corpo, perante os mais nobres desfrutes da alma. Ele escolhe aquele estado que é uma reprovação para meros animais, àquele exercício que é a glória de anjos”. 10.
“Além disto, aquele que
não pode negar a si mesmo este prazer letárgico, não está mais
preparado para a oração, quando ele se levanta, do que está para
jejuar, ou algum outro ato de abnegação. Ele pode, de fato, mais
facilmente ler a forma da oração, do que ele pode executar essas
obrigações; mas ele não está mais disposto para o espírito de oração,
do que ele está disposto para jejuar. Porque ceder assim ao sono dá
uma fraqueza a todos os nossos temperamentos, e nos torna incapazes de
saborear alguma coisa mais, a não ser o que está ajustado a este
estado ocioso da mente, que o sono proporciona. De maneira que uma
pessoa que é escrava desta preguiça está no mesmo temperamento quando
de pé. Todas as coisas que são ociosas ou sensuais a agradam. E todas
as coisas que requeiram preocupação ou abnegação, são odiosas a
ela, pela mesma razão que odeia levantar-se”. 11. “É impossível para um epicurista ser verdadeiramente devoto. Ele deve renunciar à sua sensualidade, antes que possa saborear a felicidade da devoção. Agora, aquele que faz do sono uma indulgência ociosa, faz muito para corromper sua alma, para torná-la escrava dos apetites corporais, assim como os epicuristas fazem. Isto não perturba sua vida, como os atos notórios de intemperança fazem; mas, assim como qualquer curso moderado de indulgência, ele silenciosamente, e por graus menores, corrói o espírito da religião, e sucumbe a alma na estupidez e sensualidade”.
“A abnegação de todos
os tipos é a própria vida da alma e devoção; mas aquele que não tem
muito dela, de maneira a ser capaz de levantar-se cedo em suas orações,
não pode pensar que toma sua cruz, e segue a Cristo”.
“Que conquista ele teve
sobre si mesmo? Que mão direita ele cortou? Para quais privações ele
se preparou? Que sacrifício, ele está pronto a oferecer a Deus, que não
seja cruel a si mesmo, como se levantar para orar, a tal hora, como a
parte trabalhadora do mundo se levanta satisfeita para seu trabalho?”. 12.
“Algumas pessoas não terão
escrúpulos em dizer que elas se entregam ao sono, porque não tem o que
fazer; e que, se elas tivessem algum trabalho para despertá-la, elas não
perderiam tanto o tempo delas, dormindo. Porém, é preciso que se diga
que elas se enganam quanto ao assunto; que elas têm um grande acordo de
trabalho a fazer; elas têm um coração endurecido para mudar; elas têm
todo o espírito da religião para conseguir. Porque, certamente, aquele
que pensa que tem coisa alguma a fazer, porque nada, a não ser suas orações
necessitam dele, pode justamente saber que têm todo o espírito da
religião para buscar”.
“Você não deve,
portanto, considerar quão pequena falta é levantar-se tarde; mas quão
grande miséria isto é para o desejo do espírito de religião, e viver
em tal comodidade e inatividade de maneira a torná-lo incapaz dos
deveres fundamentais do Cristianismo”.
“Se eu fosse desejar que
você não considerasse a gratificação de seu paladar, eu não
insistiria no pecado de perder seu dinheiro, embora ele seja um grande
pecado, mas pediria que você renunciasse a tal modo de vida, porque ele
o mantém em tal estado de sensualidade, de forma a conferir-lhe a
incapacidade de apreciar as doutrinas mais essenciais da religião”. “Pela
mesma razão, eu não insistirei tanto no pecado de perder seu tempo
dormindo, embora este também seja um grande pecado; mas gostaria que
você renunciasse a esta indulgência, porque ela oferece uma comodidade
e inatividade à sua alma, e é tão contrária àquele espírito vivo,
zeloso, vigilante, abnegado, que não foi apenas o espírito de Cristo e
seus Apóstolos, e o espírito de todos os santos e mártires que
existiram em meio a eles, mas deve ser o espírito de todos aqueles que
não gostariam de sucumbir na corrupção comum do mundo”. 13.
“Aqui, portanto, nós devemos
fixar nossa acusação contra esta prática. Nós devemos nos
envergonhar dela, não por ter este ou aquele mal específico, mas como
um hábito geral que se estende através de todo nosso espírito, e apóia
um estado de mente que é totalmente errado”. “Ela
é contrária à devoção; não como um deslize acidental, ou os equívocos
na vida são contrários a ela; mas da mesma forma que o estado doentio
do corpo é contrário à saúde”.
“Por outro lado, se você
se levantasse cedo toda a manhã, como um exemplo de abnegação; como
um método de renunciar à indulgência; como um meio de redimir seu
tempo e ajustar seu espírito para a oração, você logo acharia a
vantagem. Este método, embora pareça uma pequena circunstância, seria
um meio de grande devoção. Ele manteria em sua mente que a facilidade
e inatividade é a destruição da religião. Ele o ensinaria a
exercitar o poder sobre si mesmo, e renunciar aos outros prazeres e
temperamentos que guerreiam contra a alma. E o que é plantado e regado,
certamente terá um crescimento de Deus”. III 1.
Resta apenas inquirir, Em
Terceiro Lugar, como podemos redimir o tempo; como podemos
prosseguir neste importante questão. De que maneira, nós devemos, mais
efetivamente, praticar este importante ramo de temperança? Eu
aconselho a todos que estão completamente convencidos da importância
inexprimível disto, que não permitam que esta convicção morra, mas
comecem a agir prontamente de acordo com ela. Apenas não dependa de
suas próprias forças; se você fizer isto, você se frustrará
extremamente. Esteja profundamente consciente de que você não é capaz
de fazer coisa alguma boa por você mesmo, de maneira que, aqui, em
específico, todas as suas forças, todas as suas resoluções valerão
de coisa alguma. Quem quer que confie em si mesmo será confundido. Eu
nunca encontrei exceção. Eu nunca soube de alguém que confiasse em
suas próprias forças, que mantivesse esta resolução por um ano. 2.
Eu aconselho a você, (2)
que clame ao Forte por força. Clame a Ele que tem todo o poder no céu
e terra, e creia que Ele responderá a oração que não sai de lábios
dissimulados. Como você não pode ter tão pouca confiança em si
mesmo, então, você não pode ter tanta Nele. Então, levante-se na fé;
e certamente a força dele será feita perfeita em sua fraqueza. 3.
Eu aconselho você, (3) que
acrescente prudência à sua fé. Use dos meios mais racionais para
alcançar seu propósito. Particularmente comece com o objetivo certo,
do contrário, você perderá seu trabalho. Se você deseja levantar
cedo, durma cedo; mantenha este ponto em todos os eventos. A despeito
das mais queridas e agradáveis companhias; a despeito de suas solicitações
mais sinceras; a despeito das súplicas, zombarias, ou reprovações,
rigorosamente mantenha sua hora. Levante-se precisamente à sua hora, e
retire-se, sem cerimônia. Mantenha sua hora, não obstante, o trabalho
mais urgente. Deixe todas as coisas, até de manhã. Mas é sempre tão
grande cruz, sempre tão grande abnegação, manter sua hora, ou tudo
estará acabado. 4.
Eu aconselho a você, (4)
que seja firme. Mantenha sua hora de levantar-se, sem interrupção. Não
se levante duas manhãs, e fique na cama na terceira; mas o que você
fizer uma vez faça-o sempre. “Mas minha cabeça dói”. Não se preocupe com isto. “Mas
eu estou sonolento, de maneira incomum; meus olhos estão completamente
pesados”. Então, você não deve discutir; do contrário, é causa
perdida; mas levante-se imediatamente. E se sua sonolência não for
embora, deite-se, durante uma hora ou duas depois. Mas não permita que
coisa alguma quebre esta regra, levante-se e se vista na sua hora. 5.
Talvez você irá dizer: “O
conselho é bom; mas ele veio muito tarde! Eu causei uma violação já.
Eu me levantei cedo constantemente, e por uma ocasião, nada me impediu.
Mas eu abri caminho, aos poucos, e agora descontinuei isto por um tempo
considerável”. Então, em nome de Deus, comece novamente! Comece amanhã; ou
antes, hoje à noite, indo mais cedo para a cama, a despeito das outras
companhias ou ocupação. Comece com mais autoconfiança do que antes,
mas com mais confiança em Deus. Apenas siga essas poucas regras, e,
minha alma pela sua, Deus lhe dará a vitória. Em pouco tempo, a
dificuldade terminará, mas o benefício durará para sempre. 6. Se
você diz: “Mas eu não posso
agir agora como antes; porque eu não sou o que eu era: Eu tenho muitas
enfermidades, minha disposição está fraca, minhas mãos tremem; eu
estou todo relaxado”. –
Eu respondo: Todos esses são sintomas nervosos; e eles todos surgem
parcialmente do seu dormir exageradamente: Nem é provável que eles
alguma vez serão removidos, exceto se você remover a causa. Portanto,
nesta mesma consideração (não apenas para punir-se por sua tolice e
deslealdade, mas), com o objetivo de recuperar sua saúde e força,
retome seu levantar cedo. Você não tem outros meios possíveis de
recuperação, em algum grau tolerável, de sua saúde, tanto do corpo
quanto da mente. Absolutamente, não se mate. Não caminhe em um atalho
que o conduz para os portões da morte! Como eu disse antes, eu digo
novamente: Em nome de Deus, hoje mesmo, levante-se renovado. A verdade,
é que será muito mais difícil do que foi no início. Mas suporte a
dificuldade que você trouxe sobre si mesmo, e ela não durará muito
tempo. O Sol da Retidão brilhará logo novamente, e irá curar tanto
sua alma quanto seu corpo. 7.
Mas não imagine que este simples ponto, o de levantar-se cedo, será
suficiente para fazer de você um cristão. Não: Embora este simples
ponto, o não se levantar cedo, pode mantê-lo um pagão, vazio de todo
o espírito cristão; embora isto somente (especialmente, se você
alguma vez o conquistou) vá mantê-lo frio, formal, insensível, morto,
e tornar impossível a você dar um passo adiante na santidade vital,
ainda assim, isto apenas irá um pouco adiante para tornar você um
cristão verdadeiro. É apenas um passo de muitos; mas é um só. E
tendo feito isto, siga adiante. Vá em frente, para a abnegação
universal, a temperança em todas as coisas, à firme resolução de
tomar cada cruz, para o qual você é chamado, diariamente. Siga em
frente, em uma busca completa de toda a mente que estava em Cristo, da
santidade interior, e, então, exterior; assim desperte segundo a imagem
dele, e esteja satisfeito. [Editado
por George Lyons for the Wesley Center for Applied Theology.] Tradução:
Izilda Bella
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