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Sobre Atender ao Serviço
Religioso John Wesley “Era, pois, muito grande o pecado destes jovens perante o Senhor, porquanto os homens vieram a desprezar a oferta do Senhor”. (I Samuel 2:17) 1.
A corrupção, não apenas do mundo pagão, mas igualmente daqueles
que eram chamados cristãos, tem sido motivo de tristeza e lamentação
para os homens devotos, quase que deste o tempo dos Apóstolos. E conseqüentemente,
já no século dois, centena de anos depois da remoção de João da
terra, homens que estavam temerosos de serem parceiros dos pecados de
outros, pensaram que seria sua obrigação separarem-se deles. Assim
sendo, em todas as épocas, muitos têm se retirado do mundo, a fim de
que eles não possam ser maculados com as contaminações dele. No século
três, muitos levaram isto tão longe, de maneira a seguirem para os
desertos e se tornarem ermitões. Mas, na era seguinte, isto tomou um
outro rumo. Em vez de se tornarem ermitões, eles se tornaram monges. Os
mosteiros agora começaram a ser construídos, em toda cidade cristã; e
comunidades religiosas foram estabelecidas, tanto de homens quanto de
mulheres, que ficavam inteiramente isolados do restante da humanidade;
tendo nenhum intercurso com seus parentes mais próximos, nem com pessoa
alguma, a não ser com os que estavam confinados, geralmente, para a
vida toda, dentro dos mesmos muros. 2.
Este espírito de literalmente renunciar ao mundo, retirando-se para
mosteiros, não prevaleceu geralmente depois da Reforma. Mais do que
isto, nas regiões Protestantes, as casas deste tipo foram totalmente
suprimidas. Mas ainda muitas pessoas sérias (principalmente estimuladas
a isto, através daqueles que são comumente denominados “escritores
místicos”) estavam ansiosas por se isolarem do mundo, e
prosseguirem em solidão; supondo que isto fosse o melhor, se não, o único
caminho de escaparem da contaminação que existe no mundo. 3.
Uma coisa que poderosamente os inclinou a separarem-se das diversas
igrejas, ou sociedades religiosas, às quais eles pertenciam, até
mesmo, desde a infância deles, foi a convicção de que nenhum bem
seria esperado da ministração dos homens iníquos. “Como”,
dizem eles, “podemos imaginar que um Deus santo abençoará o ministério de
homens iníquos? Podemos imaginar que aqueles, que são estranhos à graça
de Deus, revelarão aquela graça a outros? Deve-se supor que Deus
alguma vez operou ou operará, através dos filhos do diabo? E se isto não
puder ser suposto, nós não deveríamos ‘sair do meio eles e ficarmos
separados?”. (II Cor. 6:14). 4.
Por mais de vinte anos, isto nunca entrou no pensamento daqueles que
foram chamados Metodistas. Mas, porque mais e mais daqueles que se
tornaram Dissidentes se juntaram a eles, mais e mais eles introduziram
preconceito contra a igreja. No decorrer do tempo, várias circunstâncias
concorreram para aumentar e confirmar isto. Muitos se esqueceram de que
todos nós fomos, em nossa primeira instância, membros da Igreja
Estabelecida. Sim, foi uma de nossas regras originais que todo membro de
nossa sociedade atenderia a igreja e ao sacramento, exceto aquele que
tinha sido educado em meio aos cristãos de alguma outra denominação. 5.
Com o objetivo, portanto, de impedir outros de ficarem confusos e
perplexos, como muitos já estão, é necessário, no mais alto grau,
considerar este assunto totalmente; e calmamente inquirir, se Deus
alguma vez abençoou o ministério dos homens iníquos, e se ele assim o
faz neste momento. Aqui está um motivo claro do fato: Se Deus nunca
abençoou isto, nós devemos nos separar da Igreja, pelo menos, onde
temos razão para acreditar que o ministro é um homem iníquo. Se ele
alguma vez abençoou, e faz assim, ainda, nós devemos continuar nela. 6.
Dezenove anos atrás, nós consideramos esta questão em nossa
Conferência pública em Leeds. – Se os Metodistas deviam se separar
da Igreja; e depois de uma longa e sincera indagação, foi determinado,
nemine contradicente, que não
havia expediente para se separarem. As razões foram colocadas
amplamente, e eles se mantiveram igualmente bem naquele dia. 7.
Com o objetivo de colocar este assunto, além de toda discussão
possível, eu escolhi falar dessas palavras que deram uma oportunidade
justa de observar quais têm sido os procedimentos de Deus em sua
igreja, desde o período inicial: Porque geralmente se admite que Eli
viveu, pelo menos, mil anos antes que nosso Senhor viesse ao mundo. Nos
versos precedentes do texto nós lemos, (I
Samuel 2:12 em diante) “Agora
os filhos dele foram filhos de Belial; eles não conheceram o Senhor”.
Eles foram pecaminosos a um grau incomum. Sua violência profana,
com respeito aos sacrifícios, é relatada com todas as suas circunstâncias
ofensivas, nos versos seguintes. Mas (o que foi a maior abominação
ainda) “eles se deitaram com mulheres que se reuniam à porta do tabernáculo
da congregação”. (I Samuel 2:22). Sobre ambos esses relatos, “o pecado dos jovens foi muito grande: e homens abominaram a oferta do
Senhor”. 8.
Posso fazer uma pequena digressão, com o objetivo de corrigir a
tradução incorreta no vigésimo-quinto versículo? Em nossa tradução
transcorre assim: “Eles não
escutaram a voz de seu pai, porque o Senhor os queria destruir”.
Antes não deveria ser afirmado: “Conseqüentemente,
o Senhor estava prestes a destruí-lo?” [I
Samuel 2:25]. Como se ele tivesse dito: “O
Senhor não permitiria que sua horrível e obstinada maldade escapasse
sem punição; mas por causa daquela maldade, ele os destruiu em um só
dia, pelas mãos dos Filisteus”. Eles não pecaram (como poderia
se imaginar da tradução comum), porque Deus determinou destruí-los,
mas Deus, conseqüentemente, determinou destruí-los, porque eles haviam
assim pecado. 9.
Mas, para retornar: O pecado deles foi o mais indesculpável,
porque eles não seriam ignorantes daquelas terríveis conseqüências
dele, que, por causa da enorme maldade deles, “homens
abominaram a oferta do Senhor”. Muitas das pessoas estavam tão
profundamente ofendidas, que se eles não se abstivessem totalmente da
adoração pública, eles a atenderiam com dor; abominando os
sacerdotes, enquanto eles honravam o sacrifício. 10.
E nós temos alguma prova de que os sacerdotes que os sucederam eram
mais santos do que eles, do que Rofini e Finéias; não apenas, até que
Deus permitiu que dez das tribos fossem separadas dos seus irmãos, e de
adorar àquele a quem ele designou; mas, até que Judá, assim como
Israel, por causa da maldade dos sacerdotes e também do povo, foram
levadas cativas? 11.
Que tipo de homens havia, por volta do tempo do cativeiro babilônico, nós
aprendemos de várias passagens na profecia de Jeremias: Da qual
manifestadamente aparece que pessoas e sacerdotes chafurdavam-se em
todos os tipos de maus hábitos. E quão pouco eles se emendaram, depois
que foram trazidos de volta para a própria terra, nós podemos reunir
daquelas terríveis palavras na profecia de Malaquias: “E
agora, Ó,vocês, sacerdotes, este mandamento é para vocês. Se vocês
não o ouvirem, e se vocês não o colocarem em seus corações, e não
derem glória ao meu Nome, diz o Senhor dos Exércitos, eu enviarei uma
praga sobre vocês, e amaldiçoarei suas bênçãos: Sim, eu já os
praguejei, porque vocês não iriam colocar nos corações. Observem, eu
amaldiçoarei sua semente, e espalharei esterco em suas faces, até
mesmo de seus sacrifícios solenes; e alguém os levará embora com
ele”. (Malaquias 2:1-3). 12.
Tais eram os sacerdotes de Deus, em suas diversas gerações, até que
ele trouxe o Grande Sacerdote para o mundo! E de que tipo de homens eram
eles, durante o tempo que ele ministrou sobre a terra? Um relato amplo e
pessoal do caráter deles nós temos no vigésimo-terceiro capítulo de
Mateus: (Mateus 23), e um caráter
pior seria difícil encontrar em todos os oráculos de Deus. Mas não
poderia ser dito: “Nosso Senhor
não dirigiu seu discurso diretamente aos sacerdotes, mas aos escribas e
fariseus?”. Ele o fez; mas isto é a mesma coisa. Porque os
escribas eram o que denominamos agora de teólogos, -- os professores públicos
das pessoas. E muitos, se não, a maioria dos sacerdotes, especialmente
das espécies mais rigorosa deles, eram fariseus; de maneira que, ao dar
o caráter de escribas e fariseus, ele dá o dos sacerdotes também. 13.
Logo depois de derramar do Espírito Santo no dia de Pentecostes, no
princípio da igreja cristã, houve, de fato, uma mudança gloriosa. “Grande
graça estava, então, sobre todos eles”. Ministros, assim como o
povo. “A multidão deles que
cria era de um só coração e uma só alma”. Mas, quão curto período
de tempo, isto continuou! Quão logo, o fino ouro tornou-se turvo! Muito
tempo antes que a era apostólica se expirasse, o próprio Paulo tinha
motivo para queixar-se que alguns de seus colaboradores haviam desistido
dele, tendo “amado o mundo
presente”. E não muito tempo depois, João reprovou diversos
anjos, ou seja, ministros das igrejas na Ásia, até mesmo, naquele
primeiro período, suas “obras não
eram encontradas perfeitas, diante de Deus”. 14.
Desta forma, “o mistério da iniqüidade” começou a “operar”, nos ministros, assim como no povo, mesmo antes do fim
da era apostólica. Mas quão mais poderosamente ele operou, tão logo
esses construtores, os Apóstolos, saíram do caminho! Ambos os
ministros e povo foram, então, mais e mais removidos da esperança do
Evangelho. De tal maneira, que, quando Cipriano, por volta de cento e
cinqüenta anos depois da morte de João, descreveu o espírito e
comportamento de ambos, da laicidade e do clero, que estavam em volta
dele, alguém estaria pronto para supor que ele nos dera uma descrição
do atual clero e laicidade da Europa. Mas a corrupção, que se
arrastara a conta-gotas, durante o século dois e três, no início do século
quatro, quando Constantino, chamou a si mesmo de cristão, afluiu sobre
a igreja com abundância. E quem quer que leia a história da igreja,
desde o tempo de Constantino até a Reforma, facilmente observará que
todas as abominações do mundo pagão, e, nas eras seguintes, dos
Maometanos, abundaram em todas as partes dela. E em cada nação e
cidade, o clero foi nem um pouquinho mais inocente do que a laicidade. 15.
“Mas não existiu uma mudança
muito considerável no corpo clerical, assim como da laicidade, no tempo
da gloriosa Reforma do Catolicismo?”. Sem dúvida, que existiu, e
eles não foram apenas reformados nas muitas opiniões errôneas, e nas
inúmeras superstições e modos de adoração idólatras, até então,
prevalecendo sobre a Igreja Ocidental, mas foram também excessivamente
reformados, com respeito ás suas vidas e temperamentos. Ainda assim, não
obstante isto, todas as obras do diabo, toda a descrença e
falta de retidão, pecado de todo o tipo, continuaram a
prevalecer sobre o clero e laicidade, em todas as partes da cristandade.
Até mesmo, aqueles clérigos que mais calorosamente contenderam com
respeito às formalidades da religião, estavam muito pouco preocupados
com a vida e poder dela; pela devoção, justiça, misericórdia, e
verdade. 16.
De qualquer forma, deve-se admitir que, desde a Reforma, e
particularmente, no presente século, o comportamento do clero, em
geral, está grandemente mudado para melhor. E pudéssemos admitir que,
em muitas partes da Igreja Católica, eles são praticamente o mesmo que
foram antes, igualmente deveríamos admitir que a maioria do clero
protestante está muito diferente do que ele foi. Eles não têm apenas
mais aprendizado do tipo mais valioso, mas abundantemente mais religião:
De tal maneira, que se admite que o clero Inglês e Irlandês não são
inferiores a qualquer um na Europa, quanto à devoção, assim como,
quanto ao conhecimento. 17.
E admitindo-se tudo isto, o que falta a eles ainda? Pode alguma
coisa ser colocada como responsabilidade deles? Eu espero considerar
este ponto, calmamente e francamente, no temor e na presença de Deus.
Eu estou aquém, de pretender agravar os defeitos de meus irmãos, ou
pintá-los em cores mais fortes. Muito aquém de tratar os outros, como
eu tenho sido tratado; pagar o mal com o mal; afronta com afronta. Mas,
para falar a verdade nua (não com ira ou desprezo, como muitos têm
feito), eu reconheço que muitos, se não a maioria daqueles que foram
designados para ministros nas coisas santas, com os quais tenho a sorte
de conversar, em quase todas as partes da Inglaterra ou Irlanda, nestes
quarenta ou cinqüenta anos, não têm sido eminentes, quer pelo
conhecimento ou devoção. Tem-se amplamente afirmado, que a maioria
dessas pessoas, agora ligadas a mim, que crêem que é sua obrigação
chamar os pecadores ao arrependimento, consideradas, prontamente, como
negociantes inferiores, -- alfaiates, sapateiros, e coisa parecida, --
é um grupo de homens pobres, estúpidos, iletrados, que dificilmente
sabem diferenciar sua direita de sua esquerda: Ainda assim, eu não
posso deixar de dizer que eu poderia, quanto antes, cortar minha mão
direita, do que admitir que algum deles falasse uma palavra em alguma de
nossas capelas, se eu não tivesse prova razoável de que ele teria mais
conhecimento nas Santas Escrituras, mais conhecimento de si mesmo, mais
conhecimento de Deus, e das coisas de Deus, do que nove em dez clérigos
com os quais eu conversei, quer na Universidade ou alhures. 18.
Enquanto isto, eu alegremente admito que esta acusação não diz
respeito a todo o corpo clerical. Sem dúvida, existem muitos clérigos
nestes reinos, que não estão apenas livres do pecado exterior, mas são
homens de eminente aprendizado; e, que estão, infinitamente mais,
profundamente familiarizados com Deus. Mas, eu ainda sou constrangido a
confessar, que uma parte muito maior desses ministros com o quais
conversei, durante mais de meio século, não tem sido de homens santos,
de homens devotados a Deus, profundamente familiarizados com Deus ou si
mesmos. Não se poderia dizer que eles fixaram suas “afeições
nas coisas do alto, e não nas coisas da terra”; ou que o desejo
deles, e o emprego de suas vidas, foi o de salvar suas próprias almas e
daqueles que os ouviram. 19.
Eu tomei este panorama desagradável de uma cena melancólica, -- do caráter
daqueles que têm sido apontados por deus para serem pastores de almas,
por tantas épocas, -- com o objetivo de determinar esta questão: “Os
filhos de Deus devem abster-se das suas ordenanças, porque aqueles que
as administram são homens descrentes?”, a questão com a qual
muitas pessoas sérias têm estado excessivamente perplexas. “Nós
não devemos”, dizem eles, “nos
refrear das ministrações de homens descrentes? Porque é possível que
nós possamos receber algum bem das mãos daqueles que não conhecem a
Deus? Nós podemos supor que a graça de deus foi alguma vez transmitida
a homens, pelos servos do diabo?”; O que
dizem as Escrituras? Vamos nos manter próximos a isto, e nós não
seremos enganados. Nós temos visto que tipo de homens foi a maioria
daqueles que ministraram nas coisas santas por muitas épocas. Dois mil
ou três mil anos atrás, nós lemos: “Os
filhos de Eli eram filhos de Belial; eles não conheciam o Senhor”. Mas
esta foi razão suficiente para os Israelitas se absterem das administrações
deles? É verdade que eles “abominaram
as ofertas do Senhor”, de acordo com seu próprio relato; e, ainda
assim, eles constantemente as atendiam. E vocês supõem que Samuel,
santo como ele era, alguma vez os aconselhou a fazer o contrário? Não
eram os sacerdotes, e professores públicos, igualmente estranhos a
Deus, deste esse tempo até aquele do cativeiro babilônico? Sem dúvida,
que eram. Mas Isaias, ou algum dos Profetas, os exortou, por causa
disto, a desistir das ordenanças de Deus? Eles não foram igualmente
descrentes, do tempo do cativeiro, até a vinda de Cristo? Quão
claramente isto aparece, não houvesse outra prova das profecias de
Jeremias e Malaquias! Ainda assim, tanto Malaquias, quanto Jeremias, ou
qualquer outro dos profetas, exortaram as pessoas a se separarem
daqueles homens descrentes? 20.
Mas, para trazer o assunto para mais perto de nós mesmos: Nunca
alguns sacerdotes, ou professores públicos, foram mais corruptos, mais
totalmente estranhos a Deus, do que aqueles nos dias de nosso abençoado
Senhor. Eles não eram meros muros caiados? Eles não eram os melhores
daqueles sepulcros pintados; cheios de orgulho, luxúria, cobiça,
inveja, de toda incredulidade e falta de retidão? Este não é o próprio
relato que nosso Senhor, que sabia o que estava no homem, deu deles? Mas
ele, por conseguinte, refreou-se daquele serviço público, que foi
executado por esses mesmos homens, ou direcionou seus Apóstolos a assim
fazerem? Não; foi exatamente o contrário: Em conseqüência do que,
como ele mesmo atendeu constantemente, então, igualmente seus discípulos. 21.
Existe uma outra circunstância na conduta de nosso Senhor, que é
merecedora de nossa peculiar consideração. Ele chama, até ele, os
doze, e os envia adiante, dois a dois, para pregar o Evangelho
(Marcos 6:7). E como eles não foram ao combate às suas próprias
custas, os próprios “demônios estavam sujeitos a eles”. Agora, um desses foi Judas
Iscariotes. E será que nosso Senhor sabia que “ele
tinha um demônio?”. João expressamente nos diz que ele sabia.
Ainda assim, ele estava reunido com outro dos Apóstolos, e reunidos com
eles todos na mesma comunhão: Nem temos algum motivo para duvidar, a não
ser que Deus abençoou o trabalho de todos os seus doze embaixadores.
Mas, porquê nosso Senhor o enviou em meio a eles? Sem dúvida, para
nossa instrução: Como uma prova permanente, inquestionável, de que
ele “envia, através de quem ele
irá enviar”; que ele pode enviar e envia salvação aos homens,
até mesmo, através de quem eles mesmos não aceitarão. 22.
Nosso Senhor nos dá instrução adicional, sobre este assunto: em Mateus
23:1-3, nós temos aquelas muito notáveis palavras: “Então,
Jesus falou à multidão, e para seus discípulos dizendo: os escribas e
fariseus sentaram-se no trono de Moisés: Todas as coisas, portanto, o
que eles ordenarem para vocês observarem, observem e façam; mas não
de acordo com as obras deles: Porque eles dizem, e não fazem”. Desses
mesmos homens ele dá o mais negro caráter nos versículos seguintes.
Ainda assim, ele está tão longe de proibir, quer a multidão, ou seus
próprios discípulos, de atenderem as ministrações deles, que ele
expressamente lhes ordena a assim fazerem, mesmo, naquelas palavras:
“Todas as coisas, o que quer que eles ordenem vocês observarem,
observem e façam”. Essas palavras implicam uma ordem para ouvi-los.
Porque, como eles poderiam “observar e fazer o que eles lhes
ordenaram, se eles não os ouviram: Eu peço que considerem isto, vocês
que dizem dos sucessores desses homens iníquos: ‘Eles dizem, e não
fazem; portanto, nós não devemos ouvi-los’”. Vejam, seu Mestre não
traça tal inferência; mais do que isto, ele direciona o contrário. Ó,
não sejam mais sábios do que seu Mestre! Sigam seu conselho e não
racionalizem contra ele! 23.
Mas como nós reconciliamos isto com a direção dada por Paulo aos
Corintos? “Se alguém que é
chamado de irmão for um fornicador, ou avarento, ou um idólatra, ou um
maldizente, com tal, não coma”.
(I Cor. 5:11). Como isto é reconciliável com aquela direção na
sua Segunda Epístola (II Cor.
6:17) “Saiam do meio deles,
e separem-se, diz o Senhor, e não toque em coisa impura?”. Eu
respondo: A primeira passagem não tem relação, afinal com a presente
questão. Ela não diz respeito aos ministros, bons ou maus. O
significado claro dela é: não tenha intimidade com qualquer um que
seja chamado de cristão, e viva em pecado declarado – uma exortação
grave que deveria ser atendida, por todos os filhos de Deus. Assim como
pouco da outra passagem se refere aos ministros ou professores de
qualquer tipo. Nesta, o Apóstolo
está exortando os filhos de Deus a interromper todo o intercurso com os
filhos do diabo. As palavras literalmente são: “Saiam
do meio deles, e fiquem separados, e não toquem em coisa impura”;
sugerindo que eles não poderiam continuar unidos a eles, sem serem,
mais ou menos, parceiros de seus pecados. Nós podemos, portanto,
afirmar corajosamente que nem Paulo, nem qualquer outro dos escritores
inspirados, alguma vez aconselhou os homens santos a se separaram da
Igreja em que eles estavam, porque os ministros não eram santos. 24.
Não obstante, é verdade que muitos cristãos devotos, como foi
observado antes, se separaram da Igreja; alguns, até mesmo, no século
dois, e muitos mais, no século três. Alguns desses retiraram-se para o
deserto, e viveram completamente sós; outros construíram casas para si
mesmos, mais tarde, denominadas conventos, e somente isolaram-se do
resto do mundo. Mas qual foi o fruto desta separação? O mesmo que
seria facilmente previsto. Ele aumentou e confirmou, em um grau
espantoso, a total corrupção da igreja. O sal que foi assim empilhado,
em um canto, tinha efetivamente perdido seu sabor. A luz que foi
colocada sob o candeeiro não brilhou por muito tempo perante os homens.
Em conseqüência disto, descrentes e iníquos reinaram sem controle.
O mundo, entregue nas mãos do diabo, forjou todas suas obras com
avidez; e total escuridão, com todas as formas de maldade, cobriu toda
a terra. 25.
“Mas, se toda esta maldade não
foi razão suficiente para separar-se de uma igreja corrupta, por que
Calvino e Lutero, com seus seguidores, se separaram da Igreja de
Roma?”. Eu respondo:
Eles não propriamente se separaram dela; mas foram violentamente postos
para fora. Não lhes foi permitido continuarem nela, sobre quaisquer
outros termos do que subscrever a todos os erros daquela igreja, e
concordarem com todas as suas superstições e idolatrias. Portanto,
esta separação estava à porta deles. Conosco não foi um assunto de
escolha; mas de necessidade: E se tal necessidade estivesse agora
colocada sobre nós, nós deveríamos nos separar de qualquer igreja sob
o céu. 26.
Não existiram as mesmas razões, porque vários grupos de homens se
separassem mais tarde da Igreja da Inglaterra. Nenhum termo pecaminoso
da comunhão era imposto sobre eles; nem são até hoje. A maioria deles
separou-se, tanto, por causa de algumas opiniões, ou alguns modos de
adoração que eles não aprovaram. Poucos deles atribuíram a
profanidade, quer do clero ou laicidade, como a causa da separação
deles. E se algum o fez, não parece que eles próprios eram um jota
melhor do que aqueles dos quais se separaram. 27.
Mas a grande razão que muitos dão para separarem-se da Igreja, ou
seja, que os ministros são homens iníquos, é fundamentada nesta
afirmação: Que a ministração de homens pecaminosos não pode fazer
bem algum; que nós podemos chamar os sacramentos de meios da graça;
mas homens que não recebem a graça não podem transmitir aquela graça
a outros. De maneira que nunca poderemos receber bênção de Deus,
através dos servos do diabo. Este
argumento é extremamente plausível, e é de fato o mais forte que pode
ser afirmado. Ainda assim, antes de vocês admiti-lo como conclusivo,
vocês deveriam considerar algumas poucas coisas. 28.
Em Primeiro Lugar, considere: os sacramentos judaicos não transmitiram
graça salvadora aos ouvintes, porque eles foram administrados por
homens ímpios? Se for assim, nenhum israelita estaria salvo, desde o
tempo de Eli, até a vinda de Cristo. Porque os sacerdotes deles não
eram nem um pouquinho melhor do que os nossos, se eles não eram muito
piores. Mas quem se atreverá a afirmar isto? O que é nada menos, em
efeito, do que afirmar que todos os filhos de Israel foram para o
inferno, por cento e onze ou cento e doze anos, consecutivamente! 29.
As ordenanças de Deus, administradas no tempo de nosso abençoado
Senhor, não transmitiram graça àqueles que as atenderam? Certamente,
então, o Espírito Santo não teria ordenado Zacarias e Elizabeth para
caminhar nestas ordenanças! Se as ministrações dos homens ímpios não
faziam bem, nosso Senhor teria ordenado aos seus seguidores (longe de
proibi-los) para atenderem àquelas dos escribas e fariseus? Observe,
novamente, as palavras notáveis: (Mateus 23:1 em diante)”Então,
falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos, dizendo: os escribas e
fariseus sentaram-se no trono de Moisés”, -- são seus
professores designados; “todos,
portanto, o que quer que eles convidem vocês a observarem, que observem
e façam”. Agora, o que eram esses escribas e fariseus? Eles não
eram os homens mais vis? Ainda assim, a esses mesmos homens vis, ele
ordenou que eles escutassem. Este mandamento está claramente inserido
naquelas palavras: “O que quer
que eles ordenem vocês observarem, que observem e façam”.
Porque, a menos que eles ouvissem o que eles disseram, eles não
poderiam atender. 30.
Considere, um pouco mais além, as terríveis conseqüências de
afirmar que ministros pecaminosos não são bons; que as ordenanças
administradas por eles não transmitem graça salvadora para aqueles que
as atendem. Se for assim, então, quase todos os cristãos, desde os
tempos dos Apóstolos, até aqueles da Reforma pereceram! Porque que
tipo de homens existiu em quase todo o clero durante todos esses séculos?
Consulte a história da igreja, em todas as épocas, e você encontrará
mais e mais provas da corrupção deles. É verdade, eles não foram tão
abertamente abandonados, desde então; mas aquele período feliz tem
sofrido uma considerável mudança para melhor no clero, assim como na
laicidade. Mas ainda existem motivos para temor, de que mesmo esses que
agora ministram nas coisas santas; que são exteriormente devotados a
Deus para este propósito (sim, nas regiões protestantes, assim como
católicas) são, não obstante, devotados ao mundo, às riquezas, à
honra, ao prazer (excetuando alguns poucos comparativamente), muito mais
do que são a Deus: De maneira que, na verdade, eles estão distantes da
santidade cristã, como a terra está do céu. Se, então, nenhuma graça
é transmitida, através do ministério dos homens pecaminosos, em que
circunstância está o mundo cristão! Como Deus se esqueceu de ser
gracioso! Como ele se esqueceu de sua própria herança! Ó, não pense
assim! Antes, diga com nossa própria igreja (embora em oposição
direta à igreja de Roma, que mantém: “se o sacerdote não ministra com uma intenção pura”, o que
nenhum homem poderá fazer, “então,
o sacramento não é sacramento, afinal”), a indignidade do
ministro não impede a eficácia da ordenança de Deus. A razão é
clara: porque a eficácia é derivada, não daquele que administra, mas
Daquele que a ordena. Ele não permite, nem permitirá que sua graça
seja interceptada, embora o próprio mensageiro não vá recebê-la. 31.
Uma outra conseqüência se seguiria da suposição de que nenhuma graça
é transmitida pelos ministros pecaminosos; ou seja, que uma pessoa
conscienciosa não poderia ser membro de alguma igreja nacional no
mundo. Porque onde quer que ele esteja, existem grandes probabilidades,
se um ministro santo estiver situado lá; e se não estiver, é mero
trabalho perdido adorar naquela congregação. Mas, abençoado seja
Deus, este não é o caso; nós sabemos, através de nossa própria
experiência feliz, e através da experiência de milhares, que a
palavra do Senhor não está confinada, embora proferida por um ministro
iníquo; e os sacramentos não são estéreis, quer aquele que
administra seja santo ou não. 32. Considere uma conseqüência mais desta suposição, pudesse ela ser sempre amplamente recebida. Fossem todos os homens separados daquelas igrejas, onde o ministro foi um homem descrente (como eles deverão ser, se a graça de Deus nunca atendeu, ou poderia atender seu ministério), que confusão, quais tumultos, quais comoções, isto ocasionaria em toda cristandade! Quais maquinações diabólicas, ressentimentos, ciúmes, inveja, deveriam surgir em todo lugar! Qual censura, mexerico, discussão, contenda! Nem pararia por aqui; mas das palavras pecaminosas das partes conflitantes, logo se seguiriam os atos pecaminosos; e rios de sangue, logo se espalhariam, para o completo escândalo dos maometanos e pagãos. 33. Não vamos, então, nos preocupar e nos confundir, e ao nosso próximo, com disputas sem proveito, mas todos concordar em expandir, com todo nosso poder, o quieto e pacífico Evangelho de Cristo. Vamos fazer o melhor de qualquer que seja a ministração que a Providência de Deus nos designou. Aproximadamente cinqüenta anos atrás, um grande e bom homem, Dr. Potter, então, arcebispo de Canterbury, deu-me um conselho, pelo qual eu tenho, desde então, oportunidade de dar graças a Deus: “Se você deseja ser extensivamente útil, não perca seu tempo e força em contender, a favor ou contra tais coisas que são de uma natureza discutível; mas em testificar contra notórios e declarados maus hábitos, e em promover a santidade verdadeira, essencial”. Vamos nos manter nisto: Deixando milhares de pontos discutíveis, para aqueles que não têm melhor ocupação, do que lançar a bola da controvérsia, para cá e para lá; vamos encerrar nosso ponto. Vamos fazer um testemunho fiel, em nossas diversas situações, contra toda descrença e falta de retidão, e com todas as nossas forças, recomendar aquela santidade interior e exterior, “sem a qual, nenhum homem verá ao Senhor!”. [Editado por Joshua Williams, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]
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