SOBRE A TENTAÇÃO

John Wesley

 Sermão 82

 

“Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar”.(I Cor. 10:13)

 I.                   Vamos considerar a observação que profetiza esta confortável promessa: “Não sobrevirá tentação alguma sobre você, senão tal que seja comum ao homem”.

II.                Deus conhece qual é nossa habilidade, e não pode estar errado. "Ele conhece”, precisamente "do que fomos feitos: Ele se lembra que somos apenas pó".

III.             "Também com respeito á tentação" (esta é o Terceiro ponto que vamos considerar), "Ele criará uma maneira de escape, que possamos ser capazes de suportar".  

1. Na parte precedente do capítulo, o Apóstolo citou, por um lado, as misericórdias sem paralelo de Deus para com os israelitas; e, por outro, a ingratidão sem paralelo daquele povo desobediente e contraditório. [I Cor. 10:1-10]. E todas essas coisas, como o Apóstolo observa, "foram escritas para nosso exemplo". [I Cor. 10:11], para que possamos nos advertir delas, de maneira a evitarmos seus pecados atrozes, e escapar da terrível punição deles. Ele, então, acrescenta aquela solene e importante precaução: "Aquele, pois, que pensa estar em pé, olhe não caia". [I Cor. 10:12].  

2. Mas, se observarmos essas palavras atentamente, não aparecerá uma considerável dificuldade nelas? "Que aquele que pensa que está de pé, cuide para que não caia".  Se um homem apenas pensa que ele está de pé, ele não está em perigo de cair. Não é possível que alguém possa cair, se ele apenas pensa que está de pé. A mesma dificuldade ocorre, de acordo com nossa tradução, nestas bem conhecidas palavras de nosso Senhor (cuja importância, podemos facilmente aprender, pelo fato de ser repetida não menos do que oito vezes no Evangelho).  "Àquele que tem, deverá ser dado; mas àquele que não tem, lhe será tirado, até mesmo, aquilo que parece ter". "Aquilo que ele parece ter!". Mais ainda, se ele apenas parece ter, é impossível que possa ser tirado. Ninguém pode tirar do outro o que ele apenas parece ter. O que um homem apenas parece ter, ele não pode possivelmente perder. Esta dificuldade pode, a princípio, parecer impossível de ser sobrepujada. Realmente: Não pode ser sobrepujada, se a tradução comum for admitida. Mas, se nós observarmos o significado próprio da palavra original, a dificuldade desaparece. Pode-se admitir que a palavra dokei  (algumas vezes, pelo menos, em alguns autores) significa não mais do que parece. Mas eu duvido se ela, alguma vez, carrega aquele significado em alguma parte dos escritos inspirados. Através de uma consideração cuidadosa de todo texto no Novo Testamento, em que esta palavra ocorre, eu estou completamente convencido de que ela, em lugar algum, diminui, mas em todos os lugares, fortalece o sentido da palavra ao qual está ligada. Assim sendo, ho dokei echein, não significa, que ele parece ter, mas ao contrário, que ele seguramente tem. E assim, ho dokOn estanai, não que ele parece de pé, ou que ele pensa que está de pé, mas que aquele que seguramente está de pé; aquele que fica de pé tão firme, que ele não parece estar em algum perigo de cair; ele que diz, como Davi: "Nunca deverei me mover: Tu, Senhor, fizeste minha colina tão forte". [Salmos 30:6-7]. Ainda assim, naquele mesmo tempo, diz o Senhor: "Não te ensoberbeças, mas tema. A fim de que tu não cortado": [Romanos 11:20-21]. Ou tu será também movido de tua estabilidade. A força que tu seguramente tens te será tirada. Tão firmemente, quanto tu realmente te levantaste, tu cairás no pecado, se não, no inferno. 

3. Mas, a fim de que ninguém seja desencorajado, pela consideração daqueles que uma vez correm bem, e foram mais tarde sobrepujados pela tentação; a fim de que os medrosos de coração não sejam lançados ao chão completamente, supondo-se que seja impossível que se levantem; o Apóstolo junta a essa séria exortação, aquelas confortáveis palavras: "Não haverá tentação sobre vocês, mas tal que seja comum ao homem: Mas Deus é fiel, e  não permitirá que vocês sejam tentados acima do que podem resistir, antes, com a tentação dará também o meio de saída, para que possam suportá-la". (I Cor. 10:13)

I

 1. Vamos começar com a observação que prenuncia esta confortável promessa: "Não haverá tentação sobre vocês, mas tal que seja comum ao homem".  Nossos tradutores parecem conscientes de que esta expressão, comum ao homem, de modo algum alcança a força da palavra original. Conseqüentemente, eles substituem por outra de reserva, moderado. Mas isto parece ser menos importante do que a outra, e muito além do significado dela. Na verdade, não é fácil encontrar alguma palavra na Língua Inglesa, que responda à palavra anthrOpinos. Eu acredito que o sentido dela apenas pode ser expresso por algumas tais circunlocuções como esta: "Tal como seja adequado à natureza e circunstâncias do homem; tal como todo homem pode razoavelmente esperar, se ele considera a natureza de seu corpo e sua alma, e sua situação no presente mundo". Se nós devidamente consideramos essas, não deveremos ficar surpresos com alguma tentação que nos sobrevenha; uma vez que não existe outra tal criatura, em tal situação, que tenha   razão para esperá-la. 

2. Em Primeiro Lugar, considere a natureza daquele corpo com o qual sua alma está ligada. Quantos são os males, aos quais ele, todos os dias, todas as horas, está inclinado! Fraqueza, enfermidade, desordens, de milhares de tipos, são seus atendentes naturais. Considere as inconcebíveis minúsculas fibras, veias, abundantemente mais finas do que o cabelo (chamadas, por este motivo, de vasos capilares), de que cada parte delas é composta; considere a quantidade de tubos finos e filtros, todos preenchidos com o fluido circulatório! E o rompimento de um pouco dessas fibras, ou a obstrução de um pouco desses tubos, especificamente no cérebro, ou coração, ou pulmões, não destruirá nossa comodidade, saúde, força, se não a própria vida? Agora, se nós observamos que toda dor implica tentação, quão numerosas devem ser as tentações que assolarão todo homem, mais ou menos, mais cedo ou mais tarde, enquanto ele habita neste corpo corruptível! 

3. Em Segundo Lugar, considere o presente estado da alma, por quanto tempo ela habite a casa de barro. Eu não quero dizer, seu estado pecador; enquanto ele se encontra nas trevas e sombras da morte; sob o domínio do príncipe da escuridão, sem esperança e sem Deus no mundo: Não; observe os homens que estão acima deste estado deplorável. Veja aqueles que testaram que o Senhor é gracioso. Ainda assim, quão fraco é o entendimento deles! Quão limitada é sua extensão. Quão confusas, e quão inexatas, são nossas apreensões, até mesmo, das coisas que estão à nossa volta. Quão inclinado ao erro, está o mais sábio dos homens! Para informar falsos julgamentos; -- para tomar a falsidade por verdade, a verdade por falsidade; o mal pelo bem, e o bem pelo mal! A quais impulsos, a quais delírios da imaginação, nós estamos continuamente sujeitos! E quantas são as tentações, que temos que esperar, até mesmo, dessas enfermidades inocentes! 

4. Em Terceiro Lugar, considere qual a presente situação, até mesmo, daqueles que temem a Deus. Eles habitam nas ruínas de um mundo desordenado; em meio a homens que não conhecem a Deus, que não se preocupam com ele, e cujo coração está completamente inclinado a fazer o mal. Quantos são forçados a clamar: "Ai de mim, que estou constrangido a habitar com Meseque; ter minhas habitações em meio às tendas de Quedar!" [Salmos 120:5]; em meio aos inimigos de Deus e do homem. Quão imensamente grande é o número daqueles fariam o bem, perto daqueles que nem temem a Deus, nem respeitam o homem! E quão impressionante é a observação de Cowley: "Se um homem, armado, dos pés à cabeça, estivesse perto de milhares de índios nus, o número deles os colocaria em vantagem sobre ele, de maneira que dificilmente seria possível a ele escapar. Que esperança haveria, então, para um homem nu, desarmado, que estivesse cercado por milhares de homens armados, com toda a armadura de Satanás, e provido com todas as armas que o príncipe deste mundo pode suprir da armadura do inferno. Se ele, então, não for destruído, ainda assim, quanto um bom homem seria tentado neste mundo diabólico!".  

5. Mas é apenas dos homens maus que as tentações surgem, para aqueles que temem a Deus? É muito natural imaginar isto; e quase todo mundo pensa assim. Conseqüentemente, quantos de nós temos dito em nossos corações: "Ó, se minha sorte tivesse sido lançada em meio aos homens de bem; em meio aqueles que amaram ou, até mesmo, temeram a Deus, eu estaria livre de todas essas tentações!". Talvez, você pudesse: Provavelmente, você não encontraria a mesma sorte de tentações que você encontrou agora. Mas você certamente se depararia com tentações de outros tipos, que você igualmente acharia difícil de suportar. Porque, até mesmo os homens bons, em geral, embora o pecado não tenha domínio sobre eles, não estão livres dos resíduos do pecado. Eles têm ainda as sobras de um coração mau, sempre propenso a "se afastar do Deus vivo". Eles têm as sementes do orgulho, da ira, do desejo tolo; de fato, de todo o temperamento iníquo. E algum desses, se eles não vigiarem e orarem, continuamente, poderão, e naturalmente, brotarão, e perturbarão, não apenas a eles mesmos, mas todos que estiverem à sua volta. Nós não devemos, portanto, depender de encontrar nenhuma tentação daqueles que temem a Deus; sim, em uma medida de amor a Deus. Muito menos, devemos nos surpreender, se alguns desses que uma vez amaram a Deus na sinceridade, pudessem maiores tentações em nosso caminho, do que muitos desses que nunca conheceram a Ele. 

6. "Mas nós podemos esperar encontrar alguma tentação destes que são perfeitos no amor?". Esta é uma questão importante, e merece uma consideração especial. Eu respondo: (1) vocês podem encontrar todo tipo de tentação, daqueles que se supõem perfeitos, quando, na verdade, não são: E também podem encontrar, (2) desses que foram realmente, uma vez, mas agora estão estremecidos em sua firmeza. E, se vocês não estão conscientes disto; se vocês pensam que eles ainda são o que foram, uma vez, a tentação será mais difícil de suportar. Mais do que isto, (3) até mesmo, aqueles que "se mantém firmes na liberdade, em que Cristo os fez livres" [Gal. 5:1]; que são agora realmente perfeitos no amor, podem ainda ser uma oportunidade de tentação para vocês; porque eles ainda estão cercados pelas enfermidades. Eles podem tornar-se estúpidos na compreensão; podem ter uma negligência natural, ou uma memória traiçoeira; eles podem ter uma imaginação muito viva: E alguns desses podem causar pequenas impropriedades, tanto no discurso, quanto em seu comportamento, que, ainda que não pecadores, em si mesmos, podem por à prova toda a graça que vocês têm: Especialmente, se vocês atribuírem à perversão da vontade (como é muito natural acontecer), o que é realmente devido à imperfeição da memória, ou fraqueza de entendimento; -- se esses erros, que são involuntários, parecerem a vocês como voluntários.  Assim propriamente foi a resposta, que um santo de Deus, (agora no seio de Abrão), me deu alguns anos atrás, quando eu disse: "Jenny, certamente agora sua esposa e você não podem tentar um ao outro, já que Deus os salvou a ambos do pecado!". "Ó, senhor", a esposa respondeu: "se nós fomos salvos do pecado, nós ainda temos enfermidades suficientes para por à prova toda a graça que Deus nos deu!".  

7. Mas, além dos homens maus, os maus espíritos também não nos cercam continuamente? Satanás e seus anjos, continuamente, vão saem em busca de quem eles possam devorar? Quem está fora do alcance da malícia e subterfúgios deles? Não os mais sábios e os melhores filhos dos homens. "O servo não está acima de seu Mestre".  Se, então, eles o tentaram, eles não tentarão a nós também? Sim, isto acontecerá, se Deus considerar bom permitir, mais ou menos, para o propósito de nossas vidas. "Nenhuma tentação", portanto, "nos sobrevirá", que não tenha razão para ser esperada, nem para nosso corpo, nem para  nossa alma; quer dos espíritos maus, ou dos homens maus; sim, ou mesmo dos bons homens, até que nossos espíritos retornem a Deus que os deu. 

II

  1. Entretanto, que conforto é saber, com a mais absoluta certeza, que "Deus é fiel, e que ele não permitirá que sejamos tentados acima do que somos capazes". Ele conhece qual é nossa habilidade, e não pode se enganar. "Ele sabe" precisamente "do que fomos feitos: Ele se lembra que somos apenas pó". [Salmos 103:14]. E não nos sobrevirá tentação, a não ser tal que seja proporcional à nossa força. Não apenas sua justiça requer isto, e que não poderia nos punir por não resistirmos a alguma tentação, se ela fosse desproporcional à nossa força, de maneira que fosse impossível para nos a suportarmos; não apenas sua misericórdia, -- aquela terna misericórdia que está sobre nós, assim como sobre todas as obras Dele – mas acima de tudo, sua fidelidade. Vendo-se que todas as suas palavras são fiéis e verdadeiras: e todo o teor de suas promessas, conseqüentemente concordam com aquela declaração: "Como teus dias, assim tua força será" [Deuteronômio 33:25]. 

2. Naquela casa de matança, a Inquisição Romana (a maioria desafortunadamente chama de A Casa da Misericórdia!), é costume daqueles santos açougueiros, enquanto eles rasgam os tendões do homem na tortura, terem um médico da casa de prontidão. Seu trabalho é, de tempos em tempos, observar os olhos, o pulso e outras circunstâncias do sofredor, e notificar, quando a tortura deverá continuar, sem colocar um fim à sua vida; de maneira que possa ser preservado tempo suficiente para que ele agüente o resíduo das torturas deles. Mas, não obstante todos os cuidados médicos, ele é algumas vezes mal interpretado; e a morte coloca um fim aos sofrimentos do paciente, antes que seus atormentadores se dêem conta. Nós podemos observar alguma coisa parecida, em nosso próprio caso. Em quaisquer sofrimentos ou tentações que estejamos, nosso grande Médico nunca se afasta de nós. Ele está ao redor de nossa cama, e em volta de nosso caminho. Ele observa todos os sintomas de nossa aflição, para que não vá além de nossas forças. E ele não pode se enganar a nosso respeito. Ele vê exatamente quanto podemos suportar com nossa presente força. E se esta não é suficiente, ele pode aumentá-la até o grau que lhe agradar. Nada, portanto, é mais certo do que, em conseqüência de sua sabedoria, assim como de sua justiça, misericórdia, e fidelidade, ele nunca permitirá, nem poderá permitir que sejamos tentados acima do que somos capazes: Acima da força que ele já nos deu, ou nos dará, tão logo necessitarmos dela. 

III

  1. "Com respeito à tentação também" (esta é o Terceiro Ponto que consideraremos) "criará uma maneira de escape, para que possamos ser capazes de suportá-la".  

A palavra ekbasin, a que atribuímos uma maneira de escape, é extremamente significante. O significado dela é proximamente expressado pela palavra inglesa out-let [meio de dar vazão a alguma coisa / saída]; mas mais exatamente pela antiga palavra out-gate [fora do portão], ainda freqüentemente usada pelos escritores escoceses. Ela literalmente significa um caminho de saída. E Deus, que tem toda a sabedoria, assim como todo poder no céu e terra, saberá como devemos criá-la. 

2. Ele cria uma maneira de escape, tanto da tentação, removendo a oportunidade dela, quanto na própria tentação, ou seja, a oportunidade permanece como ela estava, e a tentação não dura, muito tempo. Primeiro, ele cria uma maneira de escape da tentação, removendo a oportunidade dela. As histórias da humanidade, da Igreja, em específico, nos permite inúmeras instâncias disto. E pode ter ocorrido em nossa própria memória, e dentro de um pequeno círculo de nosso conhecimento. Uma, de muitas, eu penso é merecedora, entretanto, de ser relatada, como um exemplo memorável da fidelidade de Deus, em criar uma maneira de escapar da tentação: -- Elizabeth Chadsey, então, vivendo em Londres (cuja filha está vivendo até hoje, e não é desonra para seus pais) foi advertida pelo administrador de seu marido, que se suponha ter deixado muitas propriedades, como herança. Mas quando uma completa vistoria em suas propriedades foi feita, pareceu que esta suposição estava completamente destituída de fundamento, e que ele não somente deixou nada atrás de si, mas também um considerável débito. Não muito depois de seu funeral, aquela pessoa veio à sua casa e disse: "Sra. Chadsey, você está em débito com seu senhorio, e ele me enviou para reclamar o aluguel que lhe é devido".  Ela respondeu: "Senhor, eu não tenho tanto dinheiro no mundo. Na verdade, eu não tenho coisa alguma, afinal!". "Mas", ele disse, "você não tem alguma coisa, onde possa conseguir dinheiro?". Ela replicou: "Senhor, você pode ver tudo o que tenho. Eu tenho nada na casa, a não ser essas seis crianças".  "Então", disse ele, "Eu devo executar minha ordem, e levá-la para Newgate [prisão]. Mas é um caso difícil. Eu a deixarei aqui, até amanhã, e tentarei persuadir seu senhorio a dar-lhe algum tempo". Ele retornou na manhã seguinte, e disse: "Eu fiz tudo que pude. Eu usei de todos os argumentos, que eu pude pensar, mas seu senhorio não se abalou. Ele prometeu que se eu não levá-la à prisão, sem demora, eu deverei ir até lá, eu mesmo". Ela respondeu: "Você fez sua parte. A vontade do Senhor será feita". Ele disse: "Eu me aventurarei a fazer uma tentativa mais, e voltarei amanhã novamente". Ele voltou na manhã, e disse: "Sra. Chadsey, Deus ocupou-se de seu caso. Ninguém poderá causar-lhe qualquer preocupação agora, porque seu senhorio morreu na noite passada. Mas ele não deixou testamento; e ninguém sabe quem é o herdeiro da propriedade".  

3. Assim, Deus é capaz de livrar-nos das tentações, removendo a oportunidade delas. Mas não existem tentações, cujas ocasiões não podem ser removidas?Não é um impressionante exemplo deste tipo, que nós temos na recente publicação? "Eu estava caminhando", diz o escritor da carta, "pelos desfiladeiros Dover, em uma tarde calma e agradável, com uma pessoa a quem eu amava ternamente, e a quem eu estava para me casar em poucos dias. Enquanto estávamos entretidos em uma conversa sincera, seu pé escorregou e ela caiu, e eu a vi quebrar-se em pedaços na praia. Eu levantei minhas mãos e gritei: 'Este mal não aceita remédio. Eu murmurarei todos os meus dias! Minha ferida é incurável. É impossível que eu alguma vez encontre uma outra mulher como esta! Alguém, de todas as formas, adequada para mim'. Eu acrescentei na agora: 'Esta é tal aflição, que até mesmo o próprio Deus não pode aliviar!'. E exatamente quando eu afirmei as palavras, eu acordei. Porque foi um sonho!'. Exatamente assim, Deus pode remover qualquer provação possível, tornando-a como um sonho, quando alguém acorda!". 

4. Assim, Deus é capaz de nos livrar da provação, por tirar o próprio alicerce dela. E ele é igualmente capaz de nos livrar na provação; o que, tal seja o maior livramento de todos. Eu quero dizer, permitindo a oportunidade de perdurar, por assim dizer, ele eliminará a amargura dela, de maneira que ela não será uma provação afinal, mas apenas uma oportunidade de dar graças. Quantas provas destas, os filhos de Deus têm, até mesmo, em suas experiências diárias! Quão freqüentemente, eles são cercados com preocupações, ou visitados com dores, ou doenças! E quando eles clamam ao Senhor, em algumas vezes, ele tira o cálice deles. Ele remove a preocupação, ou a doença, ou a dor; e é como se nunca tivessem existido: Em outros momentos, ele não faz qualquer mudança exterior; a preocupação exterior, ou dor, ou enfermidade continua; mas as consolações do Espírito Único aumentam, de maneira a prevalecerem sobre elas todas; e eles podem declarar ousadamente: 

            O trabalho é descanso é a dor é doce,

            Quando tu, meu Deus, estás por perto.

  5. Um exemplo eminente deste tipo de livramento é aquele que ocorre na Vida daquele excelente homem, o Marques de Renty. Quando ele esteve em um violento ataque de reumatismo, um amigo perguntou a ele: "Senhor, você tem muitas dores?".  Ele respondeu: "Minhas dores são extremas: Mas, através da misericórdia de Deus, eu me entrego, não a elas, mas a Deus".  Foi no mesmo espírito que meu próprio pai respondeu, embora exausto com uma severa enfermidade (uma úlcera nos intestinos, que dava a ele pouco descanso dia e noite, por mais de sete meses), quando perguntei: "Senhor, você está com dor agora?". Ele respondeu, com uma voz forte e alto: "Deus, de fato, me pune com dor; sim, todos os meus ossos com dor forte. Mas eu agradeço a ele por tudo; eu dou glória por tudo; e o amo por tudo". 

6. Nós podemos observar uma instância mais de um tipo, de certa forma, similar, na Vida do Marques de Renty. Quando sua esposa, a quem ele amava ternamente, ficou excessivamente doente, e supôs-se estar perto da morte, um amigo tomou a liberdade de inquirir como ele mesmo se sentia naquela ocasião. Ele respondeu: "Eu não posso deixar de dizer que esta provação me afeta na parte mais terna. Eu estou perfeitamente consciente de minha perda. Eu sinto mais do que seja possível expressar. E ainda assim, eu estou tão satisfeito que a vontade de Deus seja feita, e não a vontade de um vil pecado, que, não fosse pelo temor de ofender a outros, eu dançaria e cantaria!'.  Assim, o misericordioso, o justo, o fiel a Deus, irá, de uma forma ou de outra, "em toda a tentação encontrar um caminho de escape, para que possamos ser capazes de suportá-la" 

7. Toda esta passagem é cheia de instrução. Algumas das lições que podemos aprender dela são: -- 

Em Primeiro Lugar: "Que aquele que mais seguramente se mantém de pé, cuide a fim de que não caia", no murmúrio; a fim de que ele não diga em seu coração: "Certamente, nenhum caso é como o meu; ninguém foi alguma vez tentado como eu". Sim, dez mil. "Não existiu tentação sobre você", a não ser tal que seja "comum ao homem"; tal que você razoavelmente esperaria, se você considerasse o que você é; um pecador, nascido para morrer; um pecador, habitante de um corpo mortal, inclinado a inúmeros sofrimentos interiores e exteriores; -- e onde você está; em um mundo destruído, desordenado, cercado por homens maus, e maus espíritos. Considere isto, e você não se afligirá da sorte comum, da condição geral da humanidade. 

8. Em Segundo Lugar, "que aquele que está de pé, cuide a fim de que não caia"; a fim de que ele não provoque a Deus, por pensar ou dizer: "Isto é insuportável; isto é muito difícil; eu nunca poderei passar por isto; meu fardo é mais pesado do que posso suportar". Não é assim; a não ser que, algumas vezes, ele seja também pesado para Deus. Ele não admitirá que você seja "tentado acima do que seja capaz". Ele proporciona o fardo a sua força. Se você deseja mais força, "peça, e ela lhe será dada".   

9. Em Terceiro Lugar: "Que aquele que está de pé, cuide a fim de que não caia"; a fim de que ele não provoque a Deus, através de sua descrença; desconfiando de sua fidelidade. Ele não disse que "em toda tentação ele criará uma maneira de escape?". E Ele não deverá fazer isto? Sim, verdadeiramente; --

              E muito além de teu pensamento

            O conselho Dele aparecerá,

            Quando ele tiver forjado completamente a obra

            Que causou o temor desnecessário.

  10. Vamos, então, receber toda provação com calma resignação, e com a humilde confiança de que Ele, que tem todo o poder, toda a sabedoria, toda a misericórdia, e toda a fidelidade, nos ajudará, primeiro, em cada tentação, e, então, nos livrará de todas elas: De maneira que, no fim, todas as coisas cooperarão para o bem, e nós, com muita alegria, experimentaremos que todas as coisas foram para nosso proveito, para que "pudéssemos ser parceiros de sua santidade".  

  [Editado por Charles Gibson, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por George Lyons for the Wesley Center for Applied Theology.]

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Tradução: Izilda Bella