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SOBRE O CISMA John Wesley 'Para que não haja divisão no corpo, mas que os membros tenham igual cuidado
uns dos outros'. (I Coríntios
12:25) 1.
Se existe alguma palavra na Língua Inglesa, tão ambígua e indeterminada
em seu significado quanto a palavra Igreja, é uma que está proximamente
ligada a ela, -- a palavra Cisma. Ela tem sido objeto de disputas inumeráveis,
por diversas centenas de anos; e incontáveis livros têm sido escritos,
concernentes a ela, em todas as partes do mundo cristão. Uma grande parte
desses foi publicada em nossa região; particularmente, durante o ultimo
século, e o início do presente: E pessoas de um entendimento melhor, e
um aprendizado mais completo, têm exaurido todas as suas forças sobre
a questão, ambos, no discurso e na escrita. Isto pareceu ser mais necessário
do que nunca, desde a grande separação dos Reformados da Igreja de Roma.
Está é uma responsabilidade que os membros da Igreja nunca falham em trazer
contra todos que se separam dela; e que, conseqüentemente tem ocupado o
pensamento e penas da maioria dos disputantes habilitados de ambos os lados.
E esses, de cada lado, geralmente, estão seguros da vitória, quando saem
em campo; supondo que a força de seus argumentos foi tão grande, que
é impossível para os homens razoáveis resistirem a eles. 2.
Podemos observar, no entanto, que excessivamente quase nenhum bem tem sido
feito, através de todas essas controvérsias. Muito poucos desses mais
calorosos e hábeis disputantes têm sido capazes de convencer seus oponentes.
Depois de tudo que poderia ser dito, os papistas são Papistas; os protestantes
são Protestantes, ainda. E o mesmo sucesso tem atendido aqueles que têm
tão veemente discutido sobre a separação da Igreja da Inglaterra. Esses
que se separaram dela foram zelosamente responsabilizados com o cisma; eles
avidamente negaram a responsabilidade; e dificilmente alguém foi capaz
de convencer seus oponentes quer de um lado, quer de outro. 3.
Uma grande razão, porque esta controvérsia tem sido tão improdutiva;
porque tão poucos de cada lado têm sido convencidos, é esta: Eles
raramente concordaram quanto ao significado da palavra, concernente ao
que eles contenderam: se eles não fixaram o significado disto; se eles
não definiram o termo antes, eles começaram a discutir a respeito; e
continuariam a disputa até o fim de suas vidas, sem dar um passo
adiante. Sem chegarem um jota mais perto um do outro, do que quando eles
se puseram a caminho a princípio. 4.
Ainda assim, deve ser um ponto de importância considerável, ou
Paulo não teria falado tão seriamente dela. É, portanto, altamente
necessário que possamos considerar: I.
A natureza; II.
O mal que pode causar. I 1.
É ainda mais necessário fazer isto, porque, entre os inúmeros
livros que têm sido escritos sobre o assunto, ambos pelos Romanistas e
Protestantes, é difícil encontrar algum que a defina, de uma maneira
mais bíblica. Todo o corpo de Católicos Romanos define cisma, como a
separação da Igreja da Inglaterra. Assim, tanto um quanto o outro
define erradamente, e tropeça no mesmo princípio. Quem quer que
considere calmamente os diversos textos em que a palavra
"cisma" ocorre verá facilmente, do teor completo do que é
expresso, que não se trata da separação de alguma Igreja (se geral ou
específica; quer Católica, ou alguma Igreja nacional), mas da separação
dentro de uma Igreja. 2.
Vamos começar com o primeiro verso, onde Paulo faz uso da palavra. É o
décimo verso, do primeiro capítulo de sua Primeira Epístola aos Coríntios.
As Palavras são: 'Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais
concordes no falar, e que não haja cismas entre vós' (a palavra
original é schismata). Pode alguma coisa ser mais clara de que os
cismas, de que aqui se fala não significarem separações da Igreja de
Corinto, mas divisões dentro dela? Assim, prossegue dizendo:
'Mas sejais unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer'. Você vê
aqui, que uma união na mente e julgamento era a oposição direta ao
cisma dos Coríntios. Isto, conseqüentemente, não foi uma separação
da Igreja ou sociedade cristã em Corinto, mas a separação na Igreja;
a desunião na mente e julgamento (talvez, também afeição), entre
aqueles que, não obstante isto, continuaram exteriormente unidos como
antes. 3.
É possível determinar claramente qual a natureza do cisma em
Corinto (se alguma coisa pode ser mais clara), através das palavras que
imediatamente se seguem: 'Agora, quero dizer com isto', -- isto é o cisma do qual eu
falo; vocês estão divididos em facções separadas; alguns de vocês,
falando em favor de um pregador; alguns, de outros.—'Eu
sou de Paulo, e eu sou de Apolo. E eu sou de Cefas', ou Pedro. Quem,
então, não vê que o cisma, pelo qual o Apóstolo reprova os Coríntios
não é mais nem menos do que a divisão em diversas facções, já que
eles davam preferência a um ou a outro pregador? E que esta espécie de
cisma será ocasião de precaver-se contra em toda a comunidade
religiosa. 4.
O segundo lugar onde o Apóstolo usa esta palavra é o décimo-oitavo
verso do décimo-primeiro capítulo desta Epístola: 'Quando
vos ajuntais na igreja', na congregação cristã, 'eu
ouvi que há dissensões' (a palavra original também aqui é
schismata, cisma) 'entre vós'.
Mas quais eram estes cismas? O Apóstolo imediatamente diz a você:
(Verso 21) 'De sorte que, quando vos ajuntais na Igreja', professando que seu
objetivo é 'comer a ceia do
Senhor; cada um de vocês tomou antes de outrem a sua própria ceia',
como se fosse uma refeição comum. Qual, então, é o cisma? Parece
que, em fazer isto, eles se dividiram em pequenas facções, que nutriu
ira e ressentimento uns contra os outros, até mesmo nestas ocasiões
solenes. 5.
Não é possível observar (para fazer uma pequena digressão aqui, até
por causa destes que estão preocupados com escrúpulos desnecessários
sobre este assunto) que o pecado do qual o Apóstolo responsabiliza a
comunidade de Corinto, neste capítulo, é usualmente, mal compreendido,
por completo? Foi precisamente isto, e nada mais, 'tome
um, antes do outro, a sua Ceia', e de tal maneira chocante, que,
enquanto 'um estava faminto, o
outro estava embriagado'. Fazendo isto, ele diz, 'você
coma e beba' (não "condenação": uma vil tradução mal
feita da palavra, mas) julgamento, julgamento temporal, "a vocês
mesmos": O que, algumas vezes, encurta a vida deles. 'Por
este motivo' -- por
pecarem desta maneira vil, -- 'muitos,
entre vocês, estão doentes e fracos'. Observe aqui duas coisas: (1)
Qual foi o pecado dos Coríntios? Marque isto bem, e se lembre. Foi
tomar um, antes do outro, sua própria Ceia; de modo que, enquanto um
estava faminto, o outro estava embriagado. (2)
Qual foi a punição? Foi a fraqueza e a doença corpórea; que, sem
arrependimento, poderia terminar na morte. Mas o que é isto para você?
Vocês não podem cometer o pecado deles: Portanto, vocês não podem
incorrer na punição deles. 6.
Mas, para retornar. Merece ser seriamente notado, que, neste capítulo,
o Apóstolo usa a palavra 'heresia',
como exatamente equivalente à palavra 'cisma'.
'Eu ouvi', diz ele (verso 18) 'que
existem cismas, entre vocês, e eu parcialmente acredito nisto': Ele,
então, acrescenta (verso 19) 'uma
vez que deve haver heresias' (outra palavra para a mesma coisa), 'em
meio a vocês, para que os que forem aprovados, entre vocês, possam se
manifestar'. Como se ele tivesse dito, 'A
sabedoria de Deus permite que assim seja, para esta finalidade, -- para
a manifestação clara daqueles cujos corações estão de acordo com
Ele'. Esta palavra, portanto, (heresia), que tem sido tão
estranhamente distorcida, por muitos séculos, como se significasse
opiniões errôneas; opiniões contrárias à fé, que fora entregue aos
santos, -- e que tem sido usada como pretexto para a destruição de
cidades; despovoamento de regiões, derramamento de mares de sangue
inocente, -- não tem a menor referência às opiniões, quer certas ou
erradas. Ela simplesmente significa, onde quer que ocorra nas
Escrituras, divisões, ou facções, na comunidade religiosa. 7.
O terceiro e o único lugar restante nesta Epístola, onde o Apóstolo
usa esta palavra, é o vigésimo-quinto verso do décimo-segundo capítulo;
no qual, falando da Igreja (ele parece mencionar a universal Igreja, o
corpo total de Cristo), ele observa que 'Deus
formou o corpo, e deu honra mais abundante àquela parte que tinha
necessidade da mesma, para que não houvesse cisma no corpo' (Verso
24,25). Ele imediatamente fixa o significado de suas próprias palavras:
'Mas para que os membros tivessem
cuidado igual um pelo outro: De maneira que, se um membro sofresse,
todos os membros sofreriam com ele, ou se um membro fosse honrado, todos
os membros se regozijariam com isto': Nós podemos facilmente
observar que a palavra cisma aqui, significa a necessidade deste cuidado
terno um pelo outro. Ela indubitavelmente significa uma alienação da
afeição em algum deles, em direção ao seu irmão; uma divisão de
coração, e facções brotando disto, embora eles fossem ainda
exteriormente unidos; embora eles ainda continuassem membros de uma
mesma sociedade externa. 8.
Mas parece existir uma objeção considerável contra a suposição de
heresia e cismas significarem a mesma coisa. No segundo capítulo de sua
Segunda Epístola, Pedro toma a palavra heresia em um sentido
completamente diferente. Suas palavras são (verso 1) 'Devem
existir, em meio a vocês, falsos mestres, que irão trazer para dentro
a condenação', ou 'heresias' destrutivas, 'negando
o Senhor que os comprou'. De maneira alguma, significa que Pedro
tomou a palavra heresia, em algum outro sentido do que Paulo o fez. Até
mesmo nesta passagem, ela não parece ter qualquer referência com as
opiniões boas ou más. Antes, ela significa, 'Eles
irão 'trazer para dentro', ou ocasionar, facções ou seitas
destrutivas (assim é interpretada na tradução do Francês comum)
aqueles que 'negam o Senhor que os comprou'. Tais seitas agora fervilham no
mundo cristão. 9.
Eu serei agradecido a qualquer um que me aponte algum outro lugar, nos
escritos inspirados, onde esta palavra 'cisma'
deverá ser encontrada. Eu me lembro apenas desses três. E é aparente
a todo leitor imparcial que ela não significa, em quaisquer desses
casos, a separação de alguma Igreja ou corpo de cristãos, quer com,
ou sem motivo. De modo que as imensas preocupações, tanto dos Papistas
quanto dos Protestantes, em escreverem volumes completos contra o cisma,
como sendo uma separação, quer da Igreja de Roma, ou da Inglaterra,
exercitando todas as suas forças, e trazendo todos os seus
aprendizados, têm sido empregadas para muitíssimo pouco propósito.
Eles têm lutado com sombras de sua própria criação; violentamente
combatido um pecado que não tem existência, a não ser apenas na própria
imaginação deles; o que, uma vez proibida; não, nem uma vez
mencionada, quer no Velho ou no Novo Testamento. 10.
'Mas existe pecado similar que
tantos escritores cultos e devotos tenham denominado cisma, e contra o
qual todos os membros das comunidades religiosas tenham necessidade de
se protegerem tão cuidadosamente?'. Eu
não duvido; nem posso dizer, se este também não é, em um sentido
remoto, denominado de cisma: ou seja, 'Uma
separação sem causa de um corpo de cristãos avivados'. Não
existe absurdo em se tomar a palavra neste sentido, embora ele não seja
estritamente bíblico. E é certo que todos os membros das comunidades
cristãs deverão se proteger cuidadosamente contra ela. Uma vez que,
por menor que a coisa possa parecer, e, por mais inocente que ela seja
considerada, o cisma, até mesmo neste sentido, é tanto um mal em si
mesmo, quanto produtivo de conseqüências maléficas. II 1.
É o mal em si mesmo. Separarmo-nos de um corpo de cristãos avivados,
com os quais estivemos anteriormente unidos, é uma infração grave da
lei do amor. É da natureza do amor nos unir; e quanto maior o amor,
mais estrita é a união. E, enquanto isto continua em sua força, nada
pode separar esses, aos quais o amor uniu. E é apenas quando nosso amor
se torna gelado, que nós podemos pensar em nos separarmos de nossos irmãos.
Este é certamente o caso de alguém que, por vontade própria, se
separa dos seus irmãos cristãos. Os pretextos para a separação podem
ser inúmeros, mas a falta do amor é sempre a causa real; do contrário,
eles ainda manteriam a unidade do Espírito Dele, nos limite da paz. É,
portanto, contrário a todos os mandamentos de Deus, em que o amor
fraternal está incluído: Aquele de Paulo: 'Que o amor fraternal continue': -- aquele de João, 'Meus
amados filhos, amem uns aos outros'; -- e, especialmente, aquele de
nosso abençoado Mestre, 'Este é o meu mandamento, que vocês amem uns aos outros, como eu os
tenho amado'. Sim, 'Através
disto', diz ele, 'todos os
homens deverão saber que são meus discípulos, se vocês amarem uns
aos outros. 2.
E, como tal separação é má em si mesma, sendo uma quebra do amor
fraternal, então, ela produz maus frutos; ela é naturalmente produtiva
da maioria das conseqüências danosas. Ela abre uma porta para todos os
temperamentos indelicados, tanto em nós mesmos, quanto nos outros. Ela
conduz, diretamente, a toda uma seqüência de suspeitas malévolas; ao
julgamento severo e não misericordioso, uns dos outros. Ela ocasiona a
ofensa, a ira e ressentimento, talvez, em nós mesmos, assim como em
nossos irmãos; os quais, se não cessarem imediatamente, podem resultar
em amargura, malícia, e ódio estabelecido; criando um inferno
presente, onde quer que eles se encontrem, como um prelúdio do inferno
eterno. 3.
Mas as conseqüências danosas deste tipo de cisma não terminam no
coração. Os temperamentos pecaminosos não podem permanecer muito
tempo nele, antes que eles sejam produtivos de frutos exteriores. A boca
fala do que o coração está cheio. Como aqueles, cujos corações estão
cheios de amor, abrem suas bocas com sabedoria, e em seus lábios existe
a lei da delicadeza; então, estes, cujos corações estão cheios de
preconceito, ira, suspeita, ou algum tipo de temperamento indelicado,
certamente abrirão suas bocas, de uma maneira correspondente com a
disposição de suas mentes. E disto, surgirão, se não mentiras e calúnias
(o que, ainda assim, dificilmente serão evitadas), palavras amargas,
fofocas, mexericos, e maledicências de todos os tipos. 4.
Das palavras pecaminosas; da fofoca; da calúnia e maledicência,
quantas obras diabólicas irão naturalmente fluir! Ira, ciúme, inveja,
raiva, temperamentos errôneos de todos os tipos, não apenas
expandindo-se, meramente em palavras, mas empurrando os homens
continuamente a todo o tipo de ações impuras e iníquas. Pode-se
esperar uma colheita abundante de todas as obras da escuridão que
brotam destas fontes; por meio das quais, no final, milhares de almas, e
não poucos daqueles que caminharam na luz da semelhança de Deus, poderão
se desviar do caminho da paz, e finalmente mergulhar na perdição eterna. 5.
Bem nosso amado Senhor poderia dizer, 'Ai
do mundo, por causa das ofensas': Ainda assim, 'há
a necessidade de que essas ofensas aconteçam': Sim, abundância
delas irá, da necessidade, surgir, quando uma brecha deste tipo for
causada em alguma comunidade religiosa. Enquanto eles que a deixam, se
esforçam para justificarem a si próprios, censurando aqueles dos quais
se separaram, estes, por outro lado, rebatem a responsabilidade, e se
esforçam para colocarem a culpa neles. Mas quão poderosamente todas
essas altercações afligem o Espírito Santo de Deus! Quanto isto
obstrui suas operações suaves e gentis, nas almas de um e de outro!
Heresias e cismas (no sentido bíblico daquelas palavras) irão, mais
cedo ou mais tarde, serem a conseqüência; facções serão formadas,
de um e de outro lado, por meio das quais, o amor de muitos irá se
tornar frio. O faminto e o sedento em busca da retidão; em busca, quer
do favor ou da completa imagem de Deus, junto com os desejos veementes,
com que tantos foram preenchidos, de promover a obra de Deus na alma de
seus irmãos, irão se tornar desanimados, e, quando as ofensas
aumentarem, gradualmente irão desaparecer. E, já que 'o
fruto do Espírito' secará até a morte, 'as
obras da carne' prevalecerão novamente, até a completa destruição,
primeiro, do poder, e, então, da própria forma da religião. Essas
conseqüências não são imaginárias; não foram construídas de meras
conjecturas, mas de um assunto claro de fato. Este tem sido o caso,
repetidas vezes, nestes últimos trinta ou quarenta anos: Estes têm
sido os frutos que nós temos visto, sempre e sempre, serem a conseqüência
de tal separação. 6.
E que obstáculo grave estas coisas devem ser àqueles que estão
fora; àqueles que são estranhos à religião, que não têm a forma,
nem o poder da santidade! Como eles irão triunfar sobre esses, uma vez,
cristãos eminentes! Quão corajosamente irão perguntar: 'No
que eles são melhores do que nós?'. Quanto eles irão endurecer
seus corações, mais e mais, contra a verdade, e abençoar a si mesmos
em suas maldades? Do qual, possivelmente, o exemplo dos cristãos teria
corrigido eles, tivessem estes continuado imaculados em seu
comportamento. Tal é o dano complexo que pessoas que se separam da
igreja cristã, ou sociedade causam; não apenas a elas mesmas, mas a
toda a sociedade e a todo o mundo em geral. 7.
Mas, talvez, tais pessoas irão dizer: 'Nós
não fizemos isto de boa vontade; nós fomos constrangidos a nos
separarmos da sociedade, porque nós não podíamos continuar nela, com
a consciência limpa; nós não podíamos continuar sem pecado. Não nos
foi permitido continuarmos nela, quebrando um mandamento de Deus'.
Se este fosse o caso, você não poderia ser culpado da separação
daquela sociedade. Suponha, por exemplo, que você fosse um membro da
Igreja de Roma, e você não pudesse permanecer nela, sem cometer
idolatria; sem adorar ídolos, quer imagens de santos ou anjos; então,
seria seu dever sagrado deixar aquela comunidade; separar-se totalmente
dela. Suponha que você não possa permanecer na Igreja da
Inglaterra, sem fazer alguma coisa que a Palavra de Deus proíbe, ou
omitir alguma coisa que a Palavra de Deus positivamente ordena; se este
fosse o caso (mas abençoado seja Deus não é), você deveria se
separar dela. Eu farei deste o meu caso: eu estou agora, e tenho sido,
desde a minha juventude, um Ministro da Igreja da Inglaterra: E eu não
tenho o desejo, nem o objetivo de me separar dela, até que minha alma
se separe do meu corpo. Ainda assim, se não me é permitido permanecer
nela, sem omitir o que Deus requer que eu faça, tornar-se-ia apropriado
e correto, e meu dever sagrado, me separar dela, sem demora. Para ser
mais específico: eu sei que Deus me ordenou a revelação do Evangelho;
sim, e minha salvação depende de pregá-lo: 'Ai
de mim, se eu não fizer isto!'. Se eu, então, pudesse permanecer,
omitindo isto; desistindo de pregar o Evangelho, eu estaria debaixo da
necessidade de me separar dela; ou de perder a minha própria alma. De
igual maneira, se eu pudesse continuar unido a alguma sociedade menor,
Igreja ou corpo de cristãos, cometendo pecado; mentindo e sendo hipócrita;
pregando aos outros, doutrinas que eu mesmo não acredito, eu estaria
sob a absoluta necessidade de me separar da sociedade. E em todos esses
casos, o pecado da separação, com todas as conseqüências maléficas
dela não cairia sobre ela, nem sobre mim, mas sobre aqueles que me
constrangeram a fazer aquela separação, requerendo de mim tais termos
de comunhão, quando eu não tinha em mente sujeitar-me a eles. Mas,
colocando de lado este caso, suponha que a Igreja ou a sociedade à qual
eu estou agora unido não requeira que eu faça alguma coisa que as
Escrituras proíbem, ou omita alguma coisa que as Escrituras ordenam,
será, então, meu dever indispensável continuar nela. E, se eu me
separar dela, sem qualquer necessidade, eu serei exatamente responsável
(quer eu anteveja isto ou não) por todas as conseqüências maléficas
daquela separação. 8.
Eu tenho falado mais explicitamente sobre este assunto, porque ele é tão
pouco entendido; porque tantos destes que professam muita religião;
mais do que isto, que realmente desfrutam de uma medida dela, não têm
a menor concepção deste assunto; nem imaginam que tal separação seja
algum pecado afinal. Eles deixam a sociedade cristã, com tanta
despreocupação quanto saem de uma sala para outra. Eles ocasionam
todos esses danos complicados e limpam suas bocas, e dizem que não têm
feito mal algum! Visto que eles são exatamente responsáveis, diante
Deus e homem, tanto pela ação, que é um mal em si mesma quanto por
todas as conseqüências maléficas, que se pode esperar, suceda a eles
mesmos, aos seus irmãos e ao mundo. 9.
Eu suplico a vocês, portanto, meus irmãos; a todos os que temem a
Deus, e têm um desejo de agradar a eles; todos que desejam ter a consciência
nula da ofensa em direção a Deus e aos homens, que não pensem tão
levianamente sobre este assunto, mas o considerem calmamente. Não
rasguem em pedaços precipitadamente os sagrados laços que os unem a
alguma sociedade cristã. Isto, de fato, não é de tanta conseqüência
a vocês que são apenas cristãos nominais, uma vez que vocês não estão
agora vitalmente unidos a algum dos membros de Cristo. Embora vocês
sejam chamados de cristãos, vocês não são realmente membros de
alguma igreja cristã. Mas, se vocês são membros avivados; se vocês
vivem a vida que está oculta com Cristo em Deus, então, cuidem em como
vocês tendem o corpo de Cristo, na separação de seus irmãos. Ela é
uma coisa má em si mesma. É uma aflição maléfica em suas conseqüências.
Ó tenham pena de si mesmos! Tenham pena de seus irmãos. Tenham pena até
mesmo do mundo do iníquo! Não coloquem mais obstáculos no caminho
daqueles, por quem Cristo morreu. 10.
Mas se vocês estão temerosos, e isto não sem razão, do cisma,
impropriamente assim chamado, tanto mais temeroso deverão estar, se a
consciência de vocês for terna, com respeito ao cisma, no próprio
sentido bíblico! Eu não direi que vocês devam se precaver da forma,
mas da semelhança, ou estimulação de algumas facções na sociedade
cristã! Nunca encorajem, muito menos causem, quer por palavra, ou ação,
alguma divisão nela. Na natureza das coisas, 'devem
existir heresias', divisões, 'entre
vocês'; mas mantenham-se puro. Abandonem a contenda, antes que ela
se infiltre: Afastem-se de todo início de discussão. Não se envolvam
com aqueles que são dados à disputa; com aqueles que amam a contenda.
Eu nunca vi esta observação falhar: 'Aquele
que ama a disputa, não ama a Deus'. Sigam em paz com todos os
homens. Sem o que vocês não poderão efetivamente buscar a santidade.
Não apenas 'busquem a paz', mas
'resultem nela'. Se ela
parecer fugir de vocês, mesmo assim, vão ao encalço dela. 'Não sejam dominados pelo mal, mas dominem o mal com o bem'. 11.
Feliz é aquele que detém o caráter de um pacificador na Igreja de
Deus. Por que vocês não trabalham, seguindo isto? Não fiquem
satisfeitos; não encorajem contenda; mas façam tudo que estiver ao seu
alcance, para prevenirem ou extinguirem a primeira faísca. Na verdade,
é muito mais fácil prevenir a chama, no momento em que surge, do que
extingui-la mais tarde. De qualquer maneira, não fiquem com medo de
tentar sempre isto: O Deus da paz está do lado de vocês. Ele dará a
vocês palavras capazes, e as irá enviar ao coração de seus ouvintes.
"Noli diffidere: Noli discedere", diz um homem devoto:
"Fac quod in te est; et Deus aderit bonce tuce voluntuti":
"Não desconfia Dele que tem
todo o poder; que tem os corações dos homens em suas mãos. Faze o que
cabe a ti, e Deus estará presente, e trará teus bons desejos para um
bom efeito'. Nunca cansem de fazer o bem. No devido tempo, vocês
colherão, se vocês não falharem". [Editado por Scott Durbin, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por by George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.] Tradução:
Izilda Bella
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