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SOBRE OS ANJOS DE DEUS John Wesley 'Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a
favor dos que hão de herdar a salvação?' (Hebreus 1:14) I.
Quais dos filhos dos homens pode compreender qual é o entendimento de
um anjo? Quem pode compreender até onde a vista deles alcança? II.
Como eles ministram para os herdeiros da salvação? 1. Muitos dos antigos pagãos tinham alguma noção (provavelmente da tradição) a respeito dos anjos bons e maus. Eles tinham alguma concepção de uma ordem superior de seres, entre homens e Deus, a quem os gregos geralmente denominavam demônios, (conhecendo alguns) e os católicos, espíritos. Alguns desses eles supuseram serem gentis e benevolentes, alegrando-se em fazer o bem; outros, serem maliciosos e cruéis, alegrando-se em fazer o mal. Mas as concepções de ambos era incipiente, imperfeita, e confusa; havendo apenas fragmentos da verdade, parcialmente entregue pelos antepassados, e, parcialmente emprestada de escritos inspirados. 2.
Com respeito ao primeiro, o do tipo benevolente, parece ter sido o célebre
demônio de Sócrates; concernente ao qual, tantas e tão várias
conjecturas têm sido feitas nas épocas que se sucederam. 'Isto
me informa', diz ele, 'toda
manhã, de algum mal que irá sobrevir a mim naquele dia'. Um
recente escritor, de fato, (eu suponho um que dificilmente acredita na
existência, tanto de anjo como de espírito) publicou uma dissertação,
em que ele se esforça para provar que o demônio de Sócrates foi
apenas sua razão. Mas não foi a maneira de Sócrates falar, em tais
obscuros e ambíguos termos. Se ele tivesse se referido à sua razão,
ele indubitavelmente teria dito desta forma. Mas este não poderia ser
seu significado: Uma vez que era impossível à sua razão informar-lhe,
todas as manhãs, de todo mal que sobreviria a ele naquele dia. Não se
coloca dentro do campo da razão, dar tal informação de futuras
contingências. Nem esta curiosa interpretação, de alguma forma,
concorda com a inferência que ele mesmo esboça dela. 'Meu
demônio', ele diz, 'não me
informou, esta manhã, de alguma mal que fosse sobrevir a mim hoje.
Portanto, eu não posso considerar como algum mal eu ter sido condenado
à morte'. Sem dúvida, foi algum ser espiritual: Provavelmente um
desses espíritos ministradores. 3.
Um poeta antigo, um que viveu algumas eras antes de Sócrates, falou
mais especificamente sobre este assunto. Hesíodo [poeta grego] não
teve escrúpulos em dizer: 'Milhões de criaturas espirituais caminham na terra, invisíveis'. Disto,
é provável, erguem-se numerosas fábulas a respeito das façanhas de
seus semideuses: Disto, suas sátiras, faunos [divindades campestres],
ninfas de todo tipo; em que eles atribuem tanto o mar quanto a terra
estarem cheios. Mas, quão vazios, infantis, insatisfatórios são todos
esses relatos dados sobre eles! Uma vez que os relatos que se baseiam na
tradição falha e incerta, dificilmente podem deixar de existir. 4.
Apenas a revelação é capaz de suprir esta deficiência: Apenas esta
nos dá um relato claro, racional, e consistente, tanto dos anjos bons
quanto maus, aos quais nossos olhos não vêem, nem nossos ouvidos
ouvem. É meu desejo falar, no momento, apenas dos primeiros, aos quais
temos um relato completo, embora breve, nestas palavras: 'Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a
favor dos que hão de herdar a salvação?' (Hebreus 1:14) I 2.
Mas quais dos filhos dos homens podem compreender qual o entendimento de
um anjo? Quem pode discernir quão longe a vista deles alcança? Análoga
à vista dos homens, embora não a mesma; mas, assim, somos
constrangidos a falar, utilizando-nos da pobreza da linguagem humana.
Provavelmente, não apenas superior a um hemisfério da terra; sim, ou
dez vezes mais o comprimento deste terreno; ou mesmo o sistema solar;
mas, tão longe, que cobre, em um só olhar, toda a extensão da criação!
E nós não podemos conceber qualquer deficiência em sua percepção;
nem qualquer equívoco em seu entendimento. Mas, de que maneira eles usam seu entendimento? Nós não devemos, de modo algum, imaginar que eles rastejam de uma verdade a outra, através daquele método vagaroso que nós chamamos de raciocínio. Sem dúvida, eles vêem, em um só relance, qualquer que seja a verdade que se apresente ao entendimento deles; e esta, com toda a certeza e clareza com que nós mortais vemos o mais indiscutível axioma. Quem, então, pode conceber a extensão do conhecimento deles? Não apenas da natureza, atributos, e obras de Deus, quer da criação ou providência; mas das circunstâncias, ações, palavras, temperamentos; sim, todos os pensamentos dos homens. Porque, embora apenas 'Deus conheça os corações de todos os homens' ('junto aos quais são conhecidas todas as suas obras'), junto com as mudanças que eles são submetidos, 'desde o início do mundo'; ainda assim, nós não podemos duvidar de que seus anjos conhecem os corações daqueles a quem eles mais imediatamente ministram. Muito menos, podemos duvidar do conhecimento deles dos pensamentos que estão em nossos corações em qualquer momento particular. O que poderia obstruir a vista deles, quando estes surgem? Não o fino véu de carne e sangue. Estes podem interceptar a visão de um espírito? Mais do que isto, paredes dentro de paredes não podem barrar mais a passagem deles, do que o espaço desobstruído de ar líquido.
Muito mais facilmente, então, e muito mais perfeitamente do que
podemos ler os pensamentos de um homem em sua face, esses sagazes seres
lêem nossos pensamentos, assim que eles surgem em nossos corações;
considerando que eles vêem o espírito semelhante, mais claramente do
que vemos o corpo. Se isto parece estranho a alguém que não foi
advertido para este fato antes, que ele considere apenas: suponha que
meu espírito esteja fora do corpo, um anjo não poderia ver meus
pensamentos, até mesmo, sem que eu exprima qualquer palavra? (Se
palavras são usadas no mundo dos espíritos). E esses espíritos
ministradores não podem vê-los, exatamente tão bem agora que eu estou
no corpo? Parece, portanto, ser uma verdade inquestionável (embora,
talvez, não comumente observada) que os anjos conhecem não apenas as
palavras e ações, mas também os pensamentos daqueles a quem eles
ministram. E, de fato, sem este conhecimento, eles seriam muito mal
qualificados para executarem as várias partes do ministério deles. 3.
E que sabedoria inconcebível eles devem ter adquirido, através do uso
de suas faculdades espantosas, acima daquelas que eles foram dotados
originalmente, no curso de mais de seis mil anos! (já que fomos
informados que eles 'cantaram
juntos, quando as fundações da terra foram colocadas'). Quão
imensamente a sabedoria deles deve ter aumentado, durante tão longo período,
não apenas, examinando os corações e modos dos homens em suas
sucessivas gerações, mas observando as obras de Deus; suas obras de
criação, suas obras de providência, suas obras da graça; e, acima de
tudo, por 'continuamente
observaram a face do Pai que está nos céus!'. 4.
Que medidas de santidade, assim como de sabedoria eles derivaram deste
oceano inesgotável! Um abismo enorme e insondável, sem fundo e sem
margem! Eles
não são, por esta mesma razão, através do caminho da eminência,
denominados de anjos santos? Que bondade, que filantropia, que amor ao
homem eles delinearam desses rios que estão à direita dele! Tal que não
podemos conceber ser sobrepujado por alguém, a não ser aquele que vem
de Deus nosso Salvador. E eles ainda assim bebem mais amor desta 'fonte
de água viva'. 5.
Tal é o conhecimento e a sabedoria dos anjos de Deus, como
aprendemos dos seus próprios oráculos. Tal é a sua santidade e a sua
bondade. E quão espantosa é a força deles! Mesmo um anjo caído é
denominado, por um escritor inspirado, 'o
príncipe do poder do ar'. Que prova maravilhosa ele deu de seu
poder, em subitamente elevar o redemoinho, que 'atingiu
os quatro cantos da casa', e destruiu todos os filhos de Jó
imediatamente! 'Enquanto este
ainda falava, veio outro e disse: Teus filhos e tuas filhas estavam
comendo e bebendo vinho em casa do irmão mais velho e eis que
sobrevindo um grande vento de além do deserto, deu nos quatro cantos da
casa, e ela caiu sobre os mancebos, de sorte que todos morreram; e só
eu escapei para trazer-te a nova.' (Jó 1:18-19). Que esta foi sua obra, nós podemos facilmente
aprender da ordem para 'salvar a
vida dele'. Mas ele deu uma prova maior de sua força (se nós
admitimos que 'o mensageiro do
Senhor' tenha sido um anjo do mal, como não é, afinal, improvável)
quando ele atingiu com a morte cento e oitenta e cinco mil Assírios em
uma noite; mais do que isto, possivelmente em uma hora, se não,
imediatamente. Ainda assim, uma força abundantemente maior do que esta
deve ter sido exercida por aquele anjo (quer ele fosse um anjo da luz ou
da escuridão; o que não é determinado através do texto) e que
golpeou, em uma hora, 'todos os
primogênitos do Egito, tanto homem, quanto besta'. Uma vez que,
considerando a extensão da terra do Egito, a imensa população dela, e
o inumerável rebanho de gado em suas casas, e pastoreando em seus
campos férteis; os homens e bestas que foram mortos naquela noite,
devem ter somado alguns milhões! E se admitirmos ter sido um anjo do
mal, será que um anjo do bem não deveria ser mais forte; sim, mais
forte do que ele? Porque, certamente, qualquer anjo bom deve ter mais
poder do que, até mesmo, um arcanjo perdido. E que poder deve ter os 'quatro
anjos' do Apocalipse, que foram apontados para 'manter
os quatro ventos dos céus!'. Parece, portanto, nenhuma extravagância,
supor que agradou a Deus permitir que alguns dos anjos de luz pudessem
erguer a terra, e todos os planetas, para fora de suas órbitas; sim,
que eles pudessem guarnecer a si mesmos com todos os elementos, e
esmagar toda a estrutura da natureza. De fato, nós não sabemos como
fixar alguns limites para a força desses primogênitos de Deus. 6.
E, embora ninguém, a não ser o grande Criador seja onipresente; embora
ninguém, além Dele possa perguntar, 'eu
não preencho céus e terra?'; ainda assim, indubitavelmente, Ele
tem dado uma imensa esfera de ação (embora não ilimitada) aos seus
espíritos criados. 'Mas o príncipe
do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; e eis que Miguel,
um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu o deixei ali com
os reis da Pérsia' (mencionado
em Daniel 10:13); embora,
provavelmente um anjo do mal, parece ter tido uma esfera de ação,
tanto de conhecimento quanto de poder, tão extenso quanto aquele vasto
império; e o mesmo, se não maior, nós podemos razoavelmente atribuir
ao anjo do bem a quem ele resistiu por vinte e um dias. 7.
Os anjos de Deus têm grande poder, em particular, sobre o corpo humano;
poder tanto para causar, quanto para remover dores e doenças; tanto
para matar quanto para curar. Eles entendem perfeitamente bem do que
fomos feitos; eles conhecem todos as fontes desta curiosa máquina, e
podem, sem dúvida, pela permissão de Deus, tocar algumas delas, tanto
para parar quanto para restaurar seus movimentos. Deste poder, até
mesmo em um anjo do mal, nós temos um claro exemplo no caso de Jó, a
quem eles 'golpearam com feridas',
por todo o corpo, 'desde a coroa
da cabeça, até a sola dos pés'. E, neste exemplo,
indubitavelmente, ele o teria matado, se Deus não salvasse sua vida.
Por outro lado, do poder dos anjos para curar, nós temos um exemplo notável
no caso de Daniel. Não havia 'força alguma' restante 'em
mim', disse o profeta; 'nem fôlego.
Então tornou a tocar-me um que
tinha a semelhança dum homem, e me consolou. E disse: Não temas, homem
muito amado; paz seja contigo; sê forte, e tem bom ânimo. E quando ele
falou comigo, fiquei fortalecido, e disse: Fala, meu senhor, pois me
fortaleceste. Ainda disse ele: Sabes por que eu vim a ti? Agora tornarei
a pelejar contra o príncipe dos persas; e, saindo eu, eis que virá o
príncipe da Grécia. Contudo
eu te declararei o que está gravado na escritura da verdade; e ninguém
há que se esforce comigo contra aqueles, senão Miguel, vosso príncipe'.
(Daniel 10:17-20). Por outro
lado, quando eles foram incumbidos do alto, eles não poderiam ter
colocado um fim na vida humana? Não existe coisa alguma improvável no
que o Dr. Parnell supõe que um anjo diga ao eremita, concernente à
morte de um filho:
A todos, a não ser a ti,
em convulsões, ele pareceu ter ido:
E foi meu ministério tratar da partida. Desta grande verdade, os poetas pagãos provavelmente derivaram a imaginação deles de que Íris [deusa grega] era costumeiramente enviada dos céus para libertar as almas de seus corpos. E que, talvez, a súbita morte de muitos filhos de Deus pode ser devido ao ministério de um anjo. 2.
Não é o primeiro cuidado deles ministrarem para nossas almas? No
entanto, não devemos esperar que isto seja feito com consciência; de
tal maneira, que possamos claramente distinguir o trabalho deles do
trabalho de nossas próprias mentes. Nós não temos mais motivos para
buscarmos isto do que de vê-los em sua forma visível.
Sem isto, eles podem, de milhares de maneiras, acomodarem-se ao
nosso entendimento. Eles podem nos assistir em nossa busca pela verdade;
remover muitas dúvidas e dificuldades; iluminar o que era antes escuro
e confuso; e nos confirmar na verdade que é segundo a santidade. Eles
podem nos advertir da dissimulação do mal; e colocar o que é bom, em
uma luz clara e forte. Eles podem, gentilmente, mover nossa vontade para
abraçar o que é bom, e fugir do que é mal. Eles podem, muitas vezes,
diminuir nossas afeições grosseiras; aumentar nossas esperanças
santas ou temor filial, e nos assistir mais ardentemente para o amor
Dele, que primeiro nos amou. Sim, eles podem ser enviados de Deus para
responder toda aquela oração, colocada em nossas bocas, através do
devoto Bispo Ken: Oh!
Que teus anjos possam, enquanto adormeço, em
volta de minha cama, vigiar; seu
amor angelical, destilar, e
todo acesso do mal, cessar! E,
exercitando suas alegrias celestiais, de
pensamento para pensamento, possam
comigo conversar! 3.
Eles não podem ministrar também a nós, com respeito ao nosso corpo,
de milhares de maneiras, que nós não entendemos agora? Eles podem
impedir nossa queda em muitos perigos, aos quais não estamos
conscientes, e podem nos livrar de muitos outros, embora não saibamos
de onde nosso livramento vem. Quantas vezes nós temos sido
maravilhosamente e inexplicavelmente preservados, de quedas repentinas e
perigosas! E seria bom que não imputássemos essa preservação ao
acaso, ou à nossa própria sabedoria ou força. Não é desta forma:
Foi Deus que mandou seus anjos cuidarem de nós, e em suas mãos eles não
nos fazem desanimar. Na verdade, os homens do mundo irão sempre imputar
tais livramentos à coincidência ou segundas causas. A estes,
possivelmente, alguns deles teriam imputado a preservação de Daniel na
toca do leão. Mas ele mesmo atribui isto à causa verdadeira. 'Meu
Deus enviou seu anjo, e fechou a boca dos leões' (Daniel
6:22). 4.
Quando uma doença violenta, supostamente incurável, é totalmente e
repentinamente removida, não é de maneira alguma improvável que isto
seja resultado do ministério de um anjo de Deus. E, talvez, seja devido
a mesma causa, que um remédio seja inexplicavelmente sugerido, quer
para a pessoa doente, ou para alguns que o atendem, através do qual ele
é inteiramente curado. 5.
Parece que o que são usualmente chamados de sonhos divinos pode ser
freqüentemente atribuído aos anjos. Nós temos um exemplo notável
deste tipo, relatado por alguém que dificilmente pode-se pensar seja um
entusiasta; porque ele era um ateu, um filósofo, e um Imperador: Eu
estou falando de Marco Antonio. 'Em suas Meditações, ele solenemente agradeceu a Deus, quando ele
estava em Cajeta, por revelar-se a ele, em um sonho, o que curou
totalmente o fluxo de sangue; que nenhum dos médicos foi capaz de
curar'. E porquê nós não podemos supor que Deus deu a ele esta
notícia, através do ministério de um anjo? 6.
E quão freqüentemente Deus nos livra dos homens iníquos, através do
ministério de seus anjos! Sobrepujando quaisquer que sejam suas iras,
ou malícias, ou sutilezas, maquinadas contra nós. Estes estão ao
redor de suas camas, e em seus caminhos e deixam a par de todos os seus
desígnios sombrios; e muitos deles, indubitavelmente, eles trouxeram a
nocaute, por meios que nós não pensamos a respeito. Algumas vezes,
eles destroem seus esquemas favoritos no início; algumas vezes, quando
eles estão exatamente prontos para a execução. E isto eles podem
fazer, através de milhares de meios que nós não estamos informados.
Eles podem checá-los, a meio caminho, através de suas forças
geratrizes, ou transformando sua sabedoria em tolice. Algumas vezes,
eles trazem para a luz as coisas das trevas, e nos mostram as armadilhas
que estão colocadas para nossos pés. Nestes vários outros caminhos,
eles derrubam as armadilhas dos iníquos em pedaços. 7.
Um outro grande ramo do ministério deles é contraporem-se aos
anjos maus, que estão continuamente ao redor, e não apenas rosnando
como leões, buscando a quem eles possam devorar; mas, mais
perigosamente ainda, como anjos de luz, buscando a quem eles possam
ludibriar. E quão grande é o número desses! Eles não se comparam às
estrelas do céu em sua quantidade? Quão grande são suas sutilizas!
Amadurecidas, através da experiência de mais de seis mil anos. Quão
grande é a força deles! Apenas inferior àquela dos anjos de Deus. O
mais forte dos filhos dos homens não passa de gafanhoto diante deles. E
que vantagem eles têm sobre nós, através daquela simples circunstâncias,
a de que eles são invisíveis! Assim como nós não temos força para
repelir a força deles, então, nós não temos habilidade para diminuí-la.
Mas o Senhor misericordioso não nos deu para a vontade de nossos
inimigos: 'Seus olhos', ou
seja, seus anjos santos, 'percorrem
toda a terra'. E se nossos olhos fossem abertos, nós poderíamos
ver que 'existem mais daqueles que são por nós, do que daqueles que são
contra nós'. Nós poderíamos ver que: -- Uma
escolta auxilia; uma multidão de amigos invisíveis ministra.
E, quando quer que aqueles nos assaltem na alma ou no corpo,
estes são capazes, dispostos e prontos para nos defender; e são, pelo
menos, igualmente fortes, igualmente sábios, e igualmente vigilantes. E
quem poderá nos ferir, enquanto temos exércitos de anjos, e o Deus dos
anjos, do nosso lado? 8.
Nós podemos, ainda, fazer uma observação geral: qualquer que seja o
auxílio que Deus dá aos homens, através dos próprios homens, o
mesmo, e freqüentemente em um grau maior, Ele lhes dá, por meio dos
anjos. Ele não administra para nós, através dos homens, a luz, quando
estamos nas trevas; a alegria, quando estamos deprimidos; o livramento,
quando estamos em perigo; alivia e cura, quando estamos doentes e com
dores? Então, não se pode negar que Ele freqüentemente envia as
mesmas bênçãos, através do ministério dos anjos. Não de maneira tão
perceptível, de fato, mas extremamente eficaz; embora os mensageiros não
sejam vistos. Afinal, Ele não nos livra, freqüentemente, por meio de
homens, da violência e sutilezas de nossos inimigos? Muitas vezes, Ele
opera o mesmo livramento, através desses agentes invisíveis. Esses
fecham a boca dos leões humanos, de modo que eles não têm poder para
nos ferir. E, freqüentemente, unem-se aos nossos amigos humanos (embora
nem eles, ou nós, estejamos conscientes disto), dando sabedoria,
coragem, ou força, com o que todo o trabalho dos inimigos sejam infrutíferos.
Assim, eles ministram secretamente, em inúmeras instâncias, aos
herdeiros da salvação, enquanto ouvimos apenas as vozes dos homens e
vemos apenas eles ao nosso redor. 9.
Mas as Escrituras não ensinam que: 'O
auxílio que é feito sobre a Terra, o próprio Deus o faz?'. Mais
certamente Ele faz. E Ele é capaz de fazer isto, pelo seu próprio
imediato poder. Ele não tem necessidade de usar quaisquer instrumentos,
afinal, que no céu, ou na terra. Ele não precisa de anjos ou homens,
para cumprir todo o desígnio de sua vontade. Ele sempre forjou, através
de tais instrumentos como melhor lhe agrada: Mas, ainda assim, é o próprio
Deus quem realiza o trabalho. Portanto, qualquer que seja o socorro que
temos, quer através de anjos ou homens, é obra de Deus, como se Ele
fosse propagar seu poderoso braço, e operar sem quaisquer meios,
afinal. Mas Ele tem se utilizado deles, desde o início do mundo: Em
todas as épocas, Ele tem usado o ministério de ambos, homens e anjos.
E, por meio disto, especialmente, é vista 'a
múltipla sabedoria de Deus na igreja'. Enquanto isto, a mesma glória
redunda a Ele, como se Ele não usasse de instrumentos, afinal. 10.
A grande razão, porque Deus se agrada de assistir aos homens, por meio
de homens, preferivelmente, do que através de Si mesmo, é, sem dúvida,
para valorizar-nos, uns aos outros, através desses bons ofícios mútuos,
com o objetivo de aumentar nossa felicidade, ambos no tempo e na
eternidade. É pela mesma
razão, que Deus se agrada de enviar seus anjos para cuidarem de nós:
Ou seja, para que possamos valorizar-nos, uns aos outros; e, através do
aumento de nosso amor e gratidão a eles, possamos encontrar um aumento
proporcional de felicidade, quando nos encontrarmos no reino de nosso
Pai. Enquanto isto, embora não possamos adorá-los (a adoração é
devida apenas ao nosso Criador comum), ainda assim, podemos 'estimá-los
muito grandemente no amor, por causa de suas obras'. Também podemos
imitá-los em toda sua santidade; adequando nossas vidas à oração que
nosso Senhor nos ensinou; trabalhando para fazer sua vontade na terra,
como seus anjos a fazem nos céus. Eu não posso concluir este discurso melhor do que na admirável coleta [oração que precede a Epístola] de nossa Igreja: [Editado
por Amber Powers, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID),
com correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied
Theology.] _____ Tradução: Izilda Bella
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